Saltar para o conteúdo

Verifique a validade do extintor: se tiver mais de 12 anos, pode não funcionar quando precisar dele.

Extintor de incêndio num balcão com plantas ao fundo e uma pessoa colocando um autocolante sobre um bloco de notas.

Aquele cilindro vermelho estava ali pendurado como uma promessa silenciosa, meio escondido atrás de uma vassoura no armário do corredor.

Pó na pega, um autocolante desbotado, aquela presença familiar do “para o caso de acontecer” que já nem reparas. É o tipo de coisa que compras uma vez, assinalas mentalmente como feito, e depois ignoras durante uma década.

Numa tarde húmida de terça‑feira em Londres, vi um bombeiro pegar num deles numa cozinha suburbana, virá‑lo e arquear a sobrancelha. “Caducou em 2014”, disse ele, meio divertido, meio cansado. O dono olhou para ele e depois para o extintor. Quase se via a consciência a cair: durante todos estes anos, aquele guardião vermelho tinha sido basicamente um adereço.

As letras pequenas no rótulo passaram, de repente, a importar mais do que a cor do sofá novo. Escondido, silencioso, possivelmente inútil. E, no entanto, continuava ali pendurado.

Esse objecto silencioso na parede não é imortal

A maioria das casas trata um extintor como um alarme de fumo que nunca é preciso testar. Compra‑se numa fase de “vamos ser responsáveis”, pendura‑se na cozinha ou enfia‑se debaixo das escadas, e depois mistura‑se com o cenário. A vida segue. As crianças crescem. Pintas a sala. O extintor fica no mesmo sítio, acumulando anos - e pó.

Entra em qualquer semi‑geminada britânica típica e vês este padrão em segundos. Um cilindro vermelho que já assistiu a jantares de Natal, velas de aniversários e umas torradas queimadas ocasionais, mas quase nenhuma manutenção. Parece sólido. A tinta está intacta. O pino ainda está no lugar. Ainda assim, o manómetro pode estar fora do verde, e a data minúscula impressa perto da pega diz discretamente: estás a viver de empréstimo.

Raramente o questionamos, porque parece permanente. É metal, pesado, tranquilizador. As máquinas falham. As pilhas acabam. Mas aquele bloco de aço? Isso dura para sempre, não? É a pequena mentira que contamos a nós próprios para dormir melhor.

Aqui vai um número que te acorda: muitos fabricantes recomendam manutenção anual e a substituição ou revisão completa de um extintor por volta dos 10–12 anos. Depois disso, os componentes internos podem corroer, as vedações podem ressequir e o gás propelente pode perder pressão. Por fora, nada muda. Por dentro, o teu “salva‑vidas” pode transformar‑se silenciosamente num peso morto.

Há também um lado legal para locais de trabalho e senhorios: extintores fora de validade ou sem manutenção podem significar reprovação em inspecções e pesadelos de responsabilidade civil. Em casa, ninguém te multa por teres um com 15 anos. Vais apenas pagar um tipo diferente de custo se, numa noite, as chamas subirem por uma cortina e a primeira pressão na alavanca não produzir nada além de um sibilo doentio.

Os serviços de bombeiros em todo o Reino Unido vêem este padrão. Depois de pequenos incêndios domésticos, encontram extintores que nunca foram verificados, nunca foram agitados, nunca foram substituídos. Os donos são, muitas vezes, pessoas responsáveis e organizadas em todas as outras áreas da vida. Só acharam que tinta vermelha é sinónimo de prontidão. A física discordou.

Como verificar se o teu extintor já está “tarde demais”

Começa pelo mais simples: pega nele. Sente o peso. Roda‑o devagar nas mãos como se o estivesses a conhecer pela primeira vez. Algures no corpo ou no rótulo encontrarás uma data. Pode dizer “manufactured”, “production date” ou estar num círculo gravado com números. Esse é o teu ponto de referência.

Se essa data é mais antiga do que o teu filho mais novo, não estás a ser paranóico por levantar a sobrancelha. Muitas unidades domésticas em casas britânicas hoje têm entre 5 e 20 anos. A carcaça exterior envelhece bem, o que torna a realidade interior enganadora. Conta os anos. Se passaste os 12, as probabilidades de desempenho completo e fiável caem a pique.

Agora olha para o manómetro, se existir. O ponteiro deve estar confortavelmente na zona verde. Se estiver no vermelho - baixo ou alto - não está operacional. Mesmo com a data certa, variações de pressão podem tornar a descarga irregular ou totalmente inútil. Um extintor perfeito por fora com o ponteiro no sítio errado é como um carro com quatro pneus brilhantes e sem motor.

Depois, lê o rótulo como lerias os ingredientes de uma comida quando a encontras no fundo do frigorífico. É o tipo certo para os riscos da tua casa? Água ou espuma para sólidos, CO₂ para eléctricos, pó para riscos mistos. Muita gente herda o tipo errado do inquilino anterior e mantém‑no por hábito. A escolha errada, mais uma data caducada, é uma dupla ilusão de segurança.

Por fim, observa o corpo e a mangueira. Qualquer ferrugem, mossas, mangueira rachada ou pino de segurança em falta significa que já está na categoria “substituir”. Não é dramático. É só uma ferramenta que já cumpriu o seu tempo.

Aqui vai a verdade um pouco incómoda: a maioria das famílias não verifica nada disto até depois de acontecer algo assustador. Um quase‑acidente com uma frigideira de óleo. Uma extensão sobrecarregada. O incêndio na casa do vizinho que ilumina o céu nocturno. Só então remexemos em armários, puxamos o extintor e semicerramos os olhos para números que ignorámos durante uma década.

Os bombeiros com quem falei descrevem a mesma cena repetidamente: caras preocupadas, mãos a tremer, e um extintor que não é tocado desde o dia em que foi comprado. As pessoas acreditam genuinamente que, por ter sido “aprovado” uma vez, continua pronto, como um gadget intemporal que nunca envelhece. Só que tudo nele está a envelhecer em silêncio: vedações, pó, gás, mangueira.

Num conjunto habitacional movimentado de Londres, uma equipa contou‑me que encontrou um extintor num corredor comum que era mais velho do que um dos bombeiros mais novos. Ninguém sabia quem o comprara. Ninguém se lembrava de alguma vez ter sido verificado. Tinha, essencialmente, passado a fazer parte do mobiliário - como uma planta num canto que ninguém rega.

Há uma psicologia estranha aqui. Não queremos pensar em incêndios, por isso terceirizamos essa ansiedade para um objecto. Pendura‑se o objecto na parede e, subconscientemente, fecha‑se a pasta na cabeça. “Resolvido.” Os anos passam. A cozinha ganha novos electrodomésticos, as tomadas multiplicam‑se, as velas ficam mais “trendy”. O objecto fica congelado na idade em que foi comprado - pelo menos na nossa mente.

A realidade é menos sentimental. Os materiais fatigam. A pressão fuga. Os pós compactam no fundo do cilindro. E quando esse momento raro e horrível chega e finalmente agarras na pega, a física não quer saber há quanto tempo tencionavas manter a família segura. Quer saber a data no selo e a leitura no manómetro.

O pequeno ritual que te pode salvar num grande momento

Há um ritual simples que podes adoptar uma vez por ano, daquele tipo que cabe entre fazer café e deslizar no telemóvel. Escolhe uma data que fique na memória: o fim‑de‑semana da mudança da hora, a primeira semana de Setembro, o teu aniversário. Nesse dia, percorre a casa e visita mesmo o teu equipamento de segurança. Extintores. Alarmes de fumo. Detectores de monóxido de carbono.

Quando chegares ao extintor, usa três passos rápidos: olhar, bater, pensar. Olha para a data, o manómetro e o estado geral. Bate levemente no cilindro, de lado e em baixo, para soltar pó compactado, se for do tipo pó químico. Pensa: continua a ser a ferramenta certa, no sítio certo, para os riscos que tenho agora?

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Uma vez por ano já é uma pequena revolução.

Nesse mesmo dia, tira 30 segundos para ensaiar mentalmente como o usarias de facto. Onde está o pino? Como apontas? Que saída manterias atrás de ti? Este ensaio parece quase parvo quando a casa está tranquila e cheira a torradas. Deixa de parecer parvo quando estás no meio de fumo às 2 da manhã, a tentar lembrar‑te dos passos com o coração a disparar.

Muita gente comete os mesmos erros com extintores, e são mais emocionais do que técnicos. Sentem culpa por deitar fora um velho, como se estivessem a desperdiçar. Adiam a substituição porque “nunca houve um incêndio”. Escondem‑no atrás de uma cortina ou num armário porque “fica feio” na cozinha.

Outros compram um cilindro grande e impressionante que viram online, mas colocam‑no num sítio totalmente ilógico: em cima, num roupeiro, longe dos pontos de ignição mais prováveis. Ou escolhem uma unidade minúscula tipo aerossol, bonita, mas que não duraria mais do que alguns segundos num fogo real. A compra acalma a mente; a realidade fica igual.

Há também o factor vergonha. Muitos adultos não sabem, na prática, usar um extintor e sentem um embaraço estranho em admitir isso. Então não perguntam na loja. Não lêem os pictogramas minúsculos no rótulo. E, certamente, não vêem um vídeo de dois minutos sobre o assunto. A sensação de “logo me desenrasco no dia” fica ali, à espera do dia que ameaça chegar.

“A pior altura para descobrires que o teu extintor morreu”, disse‑me um chefe de turno em Londres, “é quando a tua frigideira com óleo se transforma numa coluna de fogo. Tens segundos. Não é aí que queres surpresas.”

O conselho dele soa duro, mas é estranhamente tranquilizador quando é dividido em pequenos passos humanos que podes mesmo fazer:

  • Verifica a data de fabrico: mais de 10–12 anos? Planeia a substituição.
  • Espreita o manómetro: ponteiro no verde, caso contrário não está pronto.
  • Inspecciona o corpo e a mangueira: sem ferrugem, rachaduras, mossas ou peças soltas.
  • Coloca‑o onde o possas agarrar mantendo uma saída atrás de ti.
  • Substitui após utilização, mesmo que ainda pareça haver “um pouco” lá dentro.

Isto não é sobre medo, nem sobre transformar o corredor numa mini estação de bombeiros. É sobre combinar aquela inquietação silenciosa que todos carregamos - a que pisca sempre que uma notícia mostra uma casa engolida por chamas - com gestos pequenos e calmos que mudam mesmo alguma coisa.

Essa data coberta de pó pode mudar a forma como vês a tua casa inteira

Estar de pé diante de um rótulo desbotado, a tentar decifrar “2011” em dígitos pretos minúsculos, faz algo subtil ao teu cérebro. De repente, vês a tua casa não apenas como um ninho acolhedor, mas como um lugar cheio de pequenos sistemas: gás, electricidade, cabos, hábitos. Vês o quanto dependes da ideia de que as coisas vão simplesmente continuar a funcionar. Vês onde tens tido sorte.

Talvez te lembres daquela noite em que o pano de cozinha ficou demasiado perto do fogão. Ou da vez em que o teu adolescente sobrecarregou uma extensão barata com um setup de gaming que parecia de estúdio. Ou da história do vizinho sobre uma máquina de secar que ardeu em silêncio enquanto eles viam televisão na sala ao lado.

Tocar no extintor, virá‑lo, ler os números, é uma forma de dizer: não estou só a esperar que isto não aconteça aqui. Estou a fazer algo pequeno e concreto sobre isso.

Quando partilhas isto com quem vive contigo - o teu parceiro, os teus colegas de casa, os teus pais cuja garagem é um museu de tudo o que está fora de validade - não estás a ser dramático. Estás a passar uma pergunta que quase nunca é feita em voz alta: “Se precisássemos disto hoje à noite, funcionava mesmo?”

Alguns encolhem os ombros. Outros fazem uma piada. Outros vão, em silêncio, ao armário e começam a procurar aquele cilindro vermelho que não tocam há anos. É assim que a mudança se parece na vida real: não em grandes campanhas televisivas, mas em pequenos momentos ligeiramente desconfortáveis em corredores e cozinhas, com pessoas a limpar o pó dos rótulos.

Da próxima vez que os teus olhos passarem pelo extintor, deixa‑os pousar na data. Deixa esse número ficar contigo por um segundo. Depois decide, com calma, a que futuro queres que esse objecto pertença: ao passado, como uma relíquia que te fazia sentir mais seguro, ou ao presente, como uma ferramenta que sabes que vai aguentar quando a divisão estiver cheia de fumo e ruído.

Ponto‑chave Detalhe Interesse para o leitor
Verificar a data Identificar o ano de fabrico e apontar para substituição por volta dos 10–12 anos Saber se o extintor “para o caso de acontecer” é realmente utilizável
Observar o manómetro Ponteiro no verde; caso contrário, é necessária manutenção ou substituição Evitar a surpresa de um extintor sem pressão numa emergência
Escolher o tipo e o local certos Adequar o extintor ao risco (cozinha, eléctrico, etc.) e mantê‑lo acessível Aumentar as hipóteses de te proteger no momento crítico

FAQ

  • Como sei se o meu extintor está fora de validade? A forma mais fácil é encontrar a data de fabrico impressa ou gravada no rótulo ou no cilindro. Se tiver cerca de 10–12 anos ou mais, a maioria dos especialistas recomenda substituição ou inspecção profissional, mesmo que pareça estar bem.
  • Ainda posso usar um extintor com mais de 12 anos? Pode ainda descarregar, mas a fiabilidade diminui e as peças internas podem ter degradado. Para segurança em casa, substituí‑lo por uma unidade nova e certificada é normalmente a opção mais segura.
  • Com que frequência devo verificar o extintor em casa? Uma vez por ano é um bom ritmo para a maioria das famílias. Verifica a data, o manómetro e inspecciona o corpo e a mangueira à procura de danos.
  • O que devo fazer com um extintor velho ou fora de validade? Não o deites no lixo comum. Contacta a tua autarquia, um ecocentro/centro de reciclagem ou uma empresa de protecção contra incêndios para orientações sobre eliminação segura ou reciclagem.
  • Ter apenas um extintor em casa é suficiente? Num apartamento pequeno, um extintor bem colocado e escolhido correctamente pode ser um bom começo. Em casas maiores, muitos serviços de bombeiros sugerem pelo menos um perto da cozinha e outro perto de áreas de alto risco, como garagens ou lavandarias/arrumos.

Comentários (0)

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário