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Uma pequena mudança na forma como ouve pode melhorar as suas interações diárias.

Mulher segura chá numa sala com plantas, enquanto fala com um homem. Relógio e caderno na mesa.

Estás a meio de contar a um amigo algo que realmente importa para ti quando os olhos dele descem para o telemóvel.
Ele acena nos momentos certos, até diz “uau, isso é doido”, mas sentes logo: ele não está mesmo contigo.

Mais tarde nesse dia, apanhas-te a fazer exatamente o mesmo a outra pessoa. Ao teu parceiro/a, ao teu filho, àquele colega que está sempre a pairar ao pé da tua secretária.
Os teus ouvidos estão abertos, tecnicamente. A tua mente? Algures entre a lista de tarefas e a última notificação.

E, de repente, perguntas-te: o que aconteceria se, sem mudares a tua vida toda, mudasses apenas uma coisinha na forma como ouves?
Só uns segundos, usados de outra maneira.

A pequena mudança na escuta que ninguém nos ensinou

A maioria das pessoas acha que ouvir é ficar calado até chegar a sua vez de falar.
Isso não é ouvir; é apenas esperar, vestido de educação.

A verdadeira escuta começa um pouco mais cedo.
Começa naquele meio segundo entre alguém começar a frase e o teu cérebro saltar para uma resposta.

É aí que vive a pequena mudança.
Não em comprar um livro de autoajuda ou fazer um curso de comunicação.
Mas nessa fração de tempo em que decides: “Vou ficar com as tuas palavras, não com a minha resposta.”

Imagina um casal à mesa da cozinha tarde da noite. Um diz: “O trabalho tem sido duro ultimamente”, e antes de a frase assentar, o outro dispara: “Ya, comigo também, o meu chefe anda em cima de mim, e…”
A história da primeira pessoa é empurrada, com jeitinho, para fora da mesa.
Não por crueldade, só por hábito.

Agora imagina a mesma cena com um pequeno ajuste.
“O trabalho tem sido duro ultimamente” assenta.
O outro respira, levanta os olhos do prato e diz: “Duro como?”

As mesmas pessoas, a mesma cozinha, os mesmos pratos.
Mas a conversa muda de monólogos paralelos para uma realidade partilhada.

O que acontece nesse pequeno intervalo é simples e enorme.
Ao pausares a tua resposta automática, dás à outra pessoa espaço para desdobrar a sua experiência.

O teu cérebro está programado para prever, terminar frases, procurar padrões.
Quer entrar, resolver, tranquilizar, comparar.

Essa pausa interrompe o piloto automático.
Diz à outra pessoa, muitas vezes sem palavras: Estou aqui para a tua história, não para a minha.

É aqui que as interações do dia a dia melhoram em silêncio.
De “troca de informação” para “momento de ligação”.

O hábito de 3 segundos que muda conversas

Aqui vai o movimento exato: quando alguém começa a falar sobre algo que é importante para essa pessoa, conta em silêncio “um, dois, três” na tua cabeça antes de responderes.

É só isto. Três segundos.
Nada dramático, nada constrangedor - apenas um pequeno atraso interno.

Durante esse tempo, manténs o olhar na pessoa, ou pelo menos num ponto neutro, e deixas as palavras assentar por completo.
Não estás a planear a resposta. Estás a repetir a última frase dela na tua mente.

Ao quarto segundo, ou fazes uma pergunta curta, ou devolves um pedacinho do que ela disse.
Nada sofisticado: “Isso parece pesado” ou “Ficaste mesmo assustado/a, não foi?”

As pessoas muitas vezes preocupam-se que isto pareça falso ou robótico.
Por isso, aqui vai um retrato real.

Uma gestora com quem falei recentemente experimentou isto com a equipa.
Uma colaboradora entrou e disse: “Acho que estraguei mesmo a apresentação ao cliente.”

Normalmente, ela teria saltado para “Tenho a certeza de que não foi assim tão mau” ou “Da próxima vez, faz isto.”
Desta vez, contou em silêncio até três e disse: “Que parte te pareceu uma confusão?”

A colaboradora falou durante quase dez minutos.
No fim, já tinha encontrado duas soluções por conta própria.
Ela disse-me depois: “Eu não fiz nada. Só não me meti logo.”

Há aqui um mecanismo silencioso.
Estes três segundos desligam o reflexo de corrigir, defender ou tentar superar a história do outro.

O teu sistema nervoso acalma um pouco, porque não estás a correr para “parecer a pessoa inteligente” ou “a pessoa prestável”.
O sistema nervoso da outra pessoa também acalma, porque não se sente apressada nem julgada.

A conversa deixa de ser um jogo de pingue-pongue de reações rápidas e passa a ser mais como um jogo lento de atirar e apanhar.
Menos bolas ao chão, menos mal-entendidos.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, sem falhar.
Mas nos dias em que fazes, sentes a diferença imediatamente.

Ouvir com a cara, não só com os ouvidos

Se experimentares apenas uma coisa concreta esta semana, que seja esta: quando alguém fala contigo, vira o corpo alguns graus na direção dessa pessoa e suaviza a expressão.

Não uma cara grande e exagerada de “estou a ouvir”.
Apenas sobrancelhas ligeiramente levantadas, maxilar relaxado e um micro-aceno de vez em quando.

O telemóvel fica com o ecrã virado para baixo.
A tampa do portátil fecha mais dois dedos.

Estes pequenos gestos gritam “Tu importas agora” muito mais alto do que qualquer discurso longo sobre carinho.
As pessoas são surpreendentemente sensíveis a estes sinais - sobretudo crianças, parceiros e aquele amigo que raramente se abre.

A maioria de nós subestima o quão distraídos parecemos.
Pensamos: “Estou a ouvir, consigo perfeitamente ouvir-te enquanto faço scroll.”

De fora, não cai assim.
De fora, lê-se como: “Tu és ruído de fundo enquanto eu faço algo mais interessante.”

Isso não significa que tenhas de ser um ouvinte perfeito o dia todo.
Podes estar cansado/a, com pressa ou mentalmente noutro sítio.

O truque é nomeá-lo em vez de fingir.
“Olha, quero mesmo ouvir isto, mas o meu cérebro está frito agora. Podemos falar daqui a 15 minutos, e eu dou-te a minha atenção toda?”
Só essa frase consegue reparar tantas pequenas dores invisíveis.

Às vezes, a coisa mais gentil que podes oferecer não é um conselho nem uma solução, mas a sensação: “Tenho tempo para a tua história.”

  • Pausa três segundos antes de responderes a frases emocionalmente carregadas.
  • Faz uma pergunta curta de seguimento: “O que foi a parte mais difícil para ti?”
  • Vira-te ligeiramente para a pessoa e põe o telemóvel com o ecrã virado para baixo.
  • Usa reflexos simples: “Então sentiste-te ignorado/a naquela reunião.”
  • Diz quando não estás disponível, em vez de fingires que estás a ouvir.

O efeito dominó silencioso de ouvir melhor

Quando começas a brincar com esta pequena mudança, acontece algo subtil na tua vida diária.
As pessoas começam a trazer-te conversas melhores.

Não porque te tornaste terapeuta de um dia para o outro.
Mas porque a tua presença parece menos uma parede e mais um sítio seguro onde aterrar.

Podes notar o teu adolescente a ficar um pouco mais tempo à porta.
Um colega a confiar-te algo que normalmente guardaria para si.
Um amigo a mandar mensagem: “Podes falar? Preciso do teu cérebro um minuto.”

Também vais começar a notar a diferença entre quando estás mesmo a ouvir e quando só estás a representar comportamentos de “bom ouvinte”.
Aqueles momentos em que estás a acenar, mas por dentro já passaste três estações além da paragem.

Esse intervalo não é um fracasso; é feedback.
Um lembrete gentil para voltares ao momento - ou para seres honesto/a e remarcar a conversa.

Estas são interações pequenas e comuns: o resumo do dia no caminho para casa, um café rápido, um sussurro tarde da noite na cama.
E, no entanto, acumulam-se até à sensação de seres conhecido/a - ou de estares um pouco sozinho/a ao lado de alguém.

Por trás de muitas relações fortes, há muitas vezes uma pessoa que decidiu ouvir só um bocadinho diferente.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Pausa de 3 segundos Conta em silêncio antes de responder para impedir o cérebro de saltar para soluções ou histórias Reduz mal-entendidos e ajuda as pessoas a sentirem-se verdadeiramente ouvidas
Sinais não verbais Orientação do corpo, expressão suavizada, dispositivos com o ecrã virado para baixo Sinaliza atenção sem esforço extra, aprofundando ligações do dia a dia
Disponibilidade honesta Admitir quando não consegues ouvir plenamente e propor outro momento Evita a “escuta falsa” e protege a confiança a longo prazo

FAQ:

  • Pergunta 1
    A pausa de 3 segundos não vai tornar as conversas estranhas ou lentas?
    A maioria das pessoas nem repara que estás a pausar; só sente menos interrupção. Na tua cabeça parece enorme; cá fora soa a “resposta ponderada” em vez de “reação impulsiva”.

  • Pergunta 2
    E se eu me esquecer de fazer isto no momento?
    É normal. Escolhe uma situação recorrente para treinar, como o check-in diário com o teu parceiro/a ou uma reunião individual no trabalho. Deixa o hábito crescer a partir daí em vez de tentares aplicar em todo o lado ao mesmo tempo.

  • Pergunta 3
    Como é que ouço melhor quando discordo muito?
    Foca-te em compreender a perspetiva da pessoa antes de defenderes a tua. Pergunta: “Podes explicar-me como chegaste a essa conclusão?” Não estás a abdicar da tua opinião; só estás a recolher mais dados antes de responder.

  • Pergunta 4
    E se a outra pessoa nunca me deixar falar?
    Ouvir bem não significa apagares-te. Depois de a ouvires até ao fim, podes dizer: “Também gostava de partilhar o meu lado - posso agora ter a minha vez?” Uma conversa equilibrada faz parte de uma escuta saudável.

  • Pergunta 5
    Isto funciona por mensagem ou só ao vivo?
    Funciona nos dois. Por mensagem, a “pausa” é releres a mensagem uma vez antes de responderes e refletires uma parte de volta: “Então estás a dizer que te sentiste de fora quando fizemos aqueles planos?”

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