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Um psicólogo revela a frase que neutraliza uma pessoa tóxica de imediato.

Homem sentado à mesa da cozinha com chá, gesticulando com a mão, em conversa com pessoa não visível.

Há um tipo especial de exaustão que vem de lidar com uma pessoa tóxica. Não é aquele cansaço de “preciso de uma sesta”, mas aquela sensação pesada, ligeiramente trémula, que aparece depois de mais uma conversa que, de alguma forma, dá a volta e volta a ser culpa tua. Fechas a porta, ou desligas o telefone, e revês cada palavra, a pensar onde é que podias ter dito algo diferente. Perguntas-te se és demasiado sensível, ou demasiado frio, ou demasiado dramático. Abres um separador de pesquisa, outra vez, e escreves: “Como lidar com pessoas tóxicas sem perder a cabeça?”

Uma psicóloga londrina com quem falei recentemente disse-me que há uma pequena frase capaz de virar o jogo em segundos. Não vai transformar uma pessoa tóxica num anjo. Não vai remendar o passado. Mas faz algo igualmente poderoso: devolve-te o teu poder naquele instante. A frase é dolorosamente simples e, estranhamente, difícil de dizer em voz alta. Quando a ouvires, podes sentir um pequeno sobressalto de reconhecimento.

O poder silencioso de uma frase curta

A psicóloga chama-se Dra. Emma Lane e trabalhou com casais, famílias e profissionais em burnout durante quase vinte anos. Quando fala de “pessoas tóxicas”, não o faz com drama de redes sociais, mas com aquele tipo de cansaço tranquilo que só se ganha ao passar muito tempo em gabinetes de terapia. Ela viu os padrões: o gaslighting, a manipulação, as picadas subtilmente disfarçadas de piadas que acertam como pequenas lâminas. E também viu a forma como pessoas, de resto fortes e inteligentes, se desfazem perto de alguém que sabe carregar em todos os botões certos.

Perguntei-lhe o que é que realmente funciona em conversas reais - não na teoria, não em frases inspiracionais. Ela fez uma pausa, bebeu um gole do café já frio e disse: “A maioria das pessoas ou luta, ou explica. As duas alimentam a dinâmica tóxica.” Depois inclinou-se um pouco para a frente, como se estivesse prestes a partilhar algo que normalmente não entra em vídeos do TikTok. “A frase que desarma uma pessoa tóxica”, disse ela, “é esta: ‘Tens direito à tua opinião, e eu não vou assumir isso.’

Não soa dramático. Não soa como aquela resposta épica que ensaias no duche. E é precisamente por isso que funciona. Caminha numa linha estranha - nem submissa, nem agressiva; nem a pedir desculpa, nem a atacar. Apenas um limite, dito em voz alta, num tom calmo que diz: aqui termino eu e começas tu.

Porque é que esta frase atinge as pessoas tóxicas onde dói

A maior parte dos comportamentos tóxicos alimenta-se de uma coisa: reação. A voz elevada, a explicação frenética, o pedido de desculpa entre lágrimas, o texto longo que envias à meia-noite. Tudo isso dá à outra pessoa uma sensação de controlo: entrou-te na cabeça, consegue reorganizar a tua verdade. Quando dizes: “Tens direito à tua opinião, e eu não vou assumir isso”, recusas esse convite. Não discutes a opinião. Não te defendes. Simplesmente recusas o embrulho emocional que estão a tentar deixar-te à porta.

Em linguagem psicológica, é uma frase de definição de limites. Reconhece que a outra pessoa vai pensar o que quiser, de qualquer maneira - e tu deixas de gastar oxigénio a tentar torcer a perceção dela para algo justo. Também afirma, de forma discreta, que o teu mundo interior é teu para gerir. Tu decides quais as ideias que entram e começam a “arrendar” espaço na tua cabeça. E é exatamente isto que uma pessoa tóxica detesta: perde a sensação de que pode reorganizar a tua realidade quando lhe apetece.

Há ainda outra coisa subtil a acontecer dentro dessa frase. Reconheces a perspetiva dela (“Tens direito à tua opinião”) sem concordar, nem validar. Depois voltas a atenção para a única coisa que controlas naquele momento: a tua própria aceitação ou rejeição da narrativa dela (“e eu não vou assumir isso”). É como recuares emocionalmente dois metros, continuando na mesma sala.

Todos já passámos por aquele momento em que a sala parece inclinar

Pensa na última discussão que te deixou abalado. Talvez tenha sido o teu parceiro a dizer: “Estás a exagerar, és sempre assim”, quando tentaste trazer à conversa algo que te magoou. Talvez tenha sido um dos teus pais a dizer-te, outra vez, que és egoísta por não ires lá mais vezes, ignorando o facto de estares a trabalhar em dois empregos. Talvez tenha sido um chefe que sorriu de lado numa reunião e disse: “Talvez esta função seja um bocadinho demais para ti”, e as palavras ficaram coladas a ti como fumo o resto do dia.

Todos já tivemos aquele momento em que a sala parece inclinar e, de repente, já não tens a certeza se és tu quem está a ser razoável. Começas a defender-te, a explicar todos os detalhes, a recitar a tua vida inteira para provares que não és aquilo que te dizem que és. Quanto mais falas, mais pequeno te sentes. A versão que a outra pessoa tem de ti - dramático, preguiçoso, ingrato, incompetente - começa a parecer assustadoramente plausível.

É exatamente aí que esta frase vive. Não como resposta atrevida, mas como uma pequena boia de salvação: “Tens direito à tua opinião, e eu não vou assumir isso.” Não resolve a relação. Não os torna magicamente gentis. Apenas corta o fio entre o julgamento deles e a tua identidade. E, em alguns dias, isso é a diferença entre dormir e ficar acordado a olhar para o teto às 3 da manhã.

Como soa na vida real

Numa discussão em família

Imagina um almoço de domingo. O cheiro do molho, o telemóvel de alguém a vibrar no aparador, os talheres a tilintar um pouco alto demais. A tua mãe olha por cima da mesa e diz: “Então agora estás demasiado ocupado para a tua família? Só pensas na tua carreira.” O ambiente aperta. Sentes aquela picada familiar de culpa a incendiar-te o peito.

O teu padrão antigo é lançares-te numa defesa: a renda, os prazos, o facto de ligares todas as semanas. A conversa descamba, as vozes sobem, alguém levanta-se para tirar os pratos de forma agressiva demais. Desta vez, respiras fundo e dizes, o mais tranquilo que conseguires: “Tens direito à tua opinião, e eu não vou assumir isso.” Depois voltas às batatas. Nada de bater portas, nada de sair a berrar - só uma recusa silenciosa.

Ela pode resmungar, revirar os olhos, murmurar qualquer coisa. Mas aconteceu algo importante: tu não mordeste o isco. A culpa que ela te atirou aterrou na toalha da mesa, não no teu peito. Esse é o efeito desarmante. Não se trata de a calar; trata-se de deixares de ser conduzido pelo guião emocional dela.

No trabalho, com um agressor subtil

A Dra. Lane contou-me o caso de um cliente, um jovem na área financeira, cujo chefe transformava a “preocupação” numa arma. “Estou só preocupado contigo, pareces sempre muito atrasado”, dizia o chefe, apoiado no encosto da cadeira, com uma voz suave mas cortante. Nunca uma crítica clara que ele pudesse contestar; sempre uma nuvem vaga de “não és suficiente” por cima da cabeça. Ele começou a ficar até tarde, a entrar em pânico com erros mínimos, a duvidar da própria competência.

Numa sessão, praticaram respostas. Não discursos inflamados - apenas frases firmes. Da próxima vez que o chefe largou a “preocupação”, ele respondeu: “Tens direito à tua opinião, e eu não vou assumir isso. Se houver feedback específico sobre o meu trabalho, tenho todo o gosto em ouvi-lo.” Sem pedido de desculpa, sem agressividade - só isso. O chefe piscou os olhos, ligeiramente desconcertado, depois murmurou algo sobre um relatório e foi-se embora.

O poder não foi o chefe tornar-se, de repente, solidário. Não se tornou. O poder foi o ar ficar mais limpo dentro da cabeça daquele homem. O comentário aconteceu na mesma, mas não entrou da mesma maneira. É isso que um bom limite faz - não muda quem o outro é; muda quem tu és à volta dele.

O custo emocional de estar sempre a explicar-te

Sejamos honestos: ninguém diz este tipo de frase de limites à primeira vez que precisa dela. A maioria de nós passa anos a explicar, a justificar, a partilhar em demasia. Enviamos parágrafos quando uma frase bastava. Escrevemos mensagens de que nos arrependemos, aceitamos coisas que não queremos, somos “simpáticos” para manter a paz. E depois chegamos a casa e sentimos um vazio estranho, como se tivéssemos entregue algo que nem conseguimos nomear.

Esse custo emocional acumula-se de formas que, ao início, nem notas. Começas a duvidar da tua memória dos acontecimentos, porque estás habituado a alguém te dizer o que “realmente” aconteceu. Sentes-te cansado antes de a pessoa tóxica sequer falar, porque o teu sistema nervoso lembra-se do padrão: a reviravolta, a culpa, o sentimento de dívida. Podes até sentir sinais físicos - um nó no estômago quando o nome dela aparece no ecrã, uma tensão no maxilar depois de cada conversa.

A frase que a Dra. Lane sugere é um pequeno ato de rebeldia contra esse padrão. Diz: eu não sou o teu espelho. Eu não sou o teu quadro de som para todas as projeções que queres descarregar. Ouço que tens uma opinião sobre mim, e eu não sou obrigado a viver a minha vida por causa dela. Isto pode parecer óbvio escrito, mas quando estás enredado numa dinâmica tóxica, precisas que as coisas óbvias sejam ditas em voz alta.

O que esta frase não é

Há um risco, com qualquer conselho que pareça “viral”, de se transformar numa espécie de feitiço na cabeça das pessoas. Diz isto e o narcisista desmorona-se! Usa esta frase e o agressor chora e pede desculpa! A vida real é mais confusa. Uma pessoa verdadeiramente tóxica pode ficar defensiva, zangada, trocista. Pode insistir ainda mais. Pode tentar outra tática - amuo, chantagem emocional, uma súbita explosão de vitimização.

Isso não significa que a frase “falhou”. Significa que estás a ver, mais claramente do que antes, o quão comprometida essa pessoa está com o próprio comportamento. Estás a testar o terreno: o que acontece se eu não desempenhar o meu papel habitual? Às vezes a resposta é desagradável. Às vezes dá-te informação crucial sobre que tipo de contacto - se algum - é saudável para ti.

Também vale a pena dizer que esta frase não é para qualquer pequeno desacordo. Se o teu parceiro diz com cuidado: “Fiquei magoado quando te esqueceste dos nossos planos”, não é altura de disparares: “Tens direito à tua opinião, e eu não vou assumir isso.” Isso não é um limite; é evitamento. Esta frase vive no território da distorção e do desrespeito - quando alguém está a atacar o teu carácter, a reescrever a realidade, ou a usar culpa e vergonha como ferramentas.

Praticar a frase antes de precisares dela

Há algo estranhamente desconfortável em dizer esta frase em voz alta pela primeira vez. Experimenta agora, baixinho, onde quer que estejas: “Tens direito à tua opinião, e eu não vou assumir isso.” As palavras podem ficar-te presas na garganta. Podem soar demasiado formais, ou demasiado ousadas, ou de alguma forma rudes. Esse desconforto é, muitas vezes, sinal de que foste treinado - conscientemente ou não - a pôr o conforto dos outros em primeiro lugar.

A Dra. Lane sugere praticá-la ao espelho, ou até sussurrá-la enquanto lavas a loiça. Repetidas vezes, até a tua boca saber moldar as palavras sem tremer. Depois, quando chegar o momento real - o comentário venenoso, o gaslighting, a chantagem pela culpa - o teu corpo já tem um modelo. Não tens de inventar coragem no momento. Só tens de pegar numa frase que já ensaiaste.

Podes também suavizar o tom para se adaptar a ti. Algumas pessoas dizem: “Tens direito à tua opinião, mas eu não vou levar isso comigo.” Outras: “Essa é a tua visão. Eu não vou aceitar isso como sendo minha.” A estrutura é a mesma: reconhecer e depois desligar. O importante não é a formulação exata; é a mudança de te defenderes para simplesmente recusares.

Quando a frase muda mais do que apenas uma conversa

Uma mulher contou-me que começou a usar a frase com o irmão mais velho, que tinha o hábito de fazer piadas sobre o peso dela todos os Natais. “Estás com bom aspeto”, dizia ele, naquele tom específico que significa tudo menos isso. Normalmente, ela ria-se e deixava passar; depois ia para casa e ficava demasiado tempo debaixo da luz dura da casa de banho, a inspecionar cada curva. No ano passado, pousou o garfo, olhou para ele e disse: “Tens direito à tua opinião, e eu não vou assumir isso.” Depois voltou a comer.

Ele bufou, comentou que ela estava “muito sensível”, e passou a gozar com outra pessoa. A sala não se encheu de aplausos. Ninguém a abraçou. O momento passou tão depressa que a mãe mal levantou os olhos das batatas assadas. Mas mais tarde, a lavar a loiça, com o cheiro ténue de detergente e molho no ar, ela percebeu algo silencioso e enorme: desta vez, não se odiou. As palavras não ficaram. Ressaltaram.

Essa é a magia discreta, nada glamorosa, desta frase. Não te dá uma história viral. Dá-te de volta o teu interior. Lembra-te de que as opiniões dos outros, por mais confiantes que sejam, não são factos pelos quais tenhas de viver. São apenas frases no ar. Tu decides quais inspiras e quais deixas passar, intactas.

Uma frase curta, um dia diferente

Podes ler isto tudo e pensar: “Nunca vou conseguir dizer isso. Congelo no momento.” A maioria das pessoas congela. Os limites raramente aparecem completos na nossa boca. Chegam aos pedaços: uma pausa onde antes te precipitavas, um “não” onde antes dizias “está bem”, uma frase calma onde antes te desfazias.

“Tens direito à tua opinião, e eu não vou assumir isso” é uma dessas frases que parecem simples e depois vivem no teu corpo como uma armadura. Não a vais usar todos os dias - e não deves. Mas no dia em que a usares, no dia em que te ouvires a dizê-la em voz alta a alguém que sempre teve a última palavra sobre quem tu és, podes notar algo subtil. Os ombros descem um pouco. O maxilar relaxa. O mundo parece um milímetro mais largo.

Vais continuar a lidar com almoços embaraçosos, reuniões tensas, relações complicadas. A pessoa tóxica não vai derreter numa poça de auto-consciência. Ainda assim, tu, em silêncio, terás mudado as regras. A opinião dela é dela. O teu eu é teu. E deixas de carregar o que nunca foi teu para carregar.

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