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Um novo aparelho de cozinha promete substituir o micro-ondas de forma definitiva, e especialistas garantem que é muito mais eficiente.

Mãos retiram uma bandeja de lasanha acabada de cozinhar de uma fritadeira sem óleo numa bancada de cozinha.

A primeira vez que o vi, o aparelho parecia um router Wi‑Fi elegante a fingir que era um forno. Estava pousado na bancada da cozinha de um amigo, com uma confiança silenciosa, enquanto o velho micro-ondas amuava num canto, com a porta manchada e tudo. Sem zumbido, sem prato de vidro a rodar - apenas um brilho suave num ecrã tátil e uma ventoinha discreta a aquecer. Dez minutos depois, saiu um tabuleiro de salmão lascado, estaladiço nas pontas, com os legumes ainda vivos e firmes. O micro-ondas, sinceramente, parecia antigo.

Há um novo aparelho a infiltrar-se nas cozinhas neste momento, e não serve apenas para aquecer sobras.
Faz o micro-ondas parecer uma relíquia desajeitada.

A ascensão silenciosa do “mata-micro-ondas” de bancada

Entre agora em certos apartamentos nas cidades e vai dar por ele antes mesmo de reparar na máquina de café. Uma caixa compacta, porta frontal de vidro, linhas direitas e geométricas. Liga-se a uma tomada normal, pré-aquece num instante e cozinha praticamente tudo sem deixar a comida triste e borrachuda.

Chamamos-lhe fritadeira de ar, ou forno inteligente com função air fryer, mas esse nome, honestamente, fica aquém. Isto é um pequeno forno de convecção em modo turbo, a lançar ar quente à volta da comida tão depressa que a doura como se estivesse numa cozinha de restaurante. A experiência aproxima-se mais de um mini forno profissional do que de um micro-ondas.

Pergunte por aí e vai ouvir a mesma história. Alguém comprou uma air fryer “para experimentar”, a pensar que seria um gadget divertido para batatas fritas. Três meses depois, a porta do micro-ondas mal se abre. Uma mãe de dois filhos em Chicago disse-me que agora aquece pizza, assa legumes, cozinha coxas de frango e até coze bolachas na air fryer.

O micro-ondas, outrora a estrela dos jantares durante a semana, ficou reduzido a duas tarefas: derreter manteiga e aquecer café que arrefeceu. Não é propriamente um papel de poder.

Há uma razão simples pela qual, segundo especialistas, este novo aparelho é muito mais eficiente. Os micro-ondas aquecem as moléculas de água dentro dos alimentos de forma desigual, e é por isso que se obtém aquele desastre de quente nas bordas e gelado no meio. Uma air fryer usa resistências potentes e uma ventoinha para fazer circular ar quente por toda a superfície da comida, cozinhando de fora para dentro, com muito melhor controlo.

Analistas de energia apontam que, por ser mais pequena e mais focada do que um forno grande, aquece menos ar e perde menos calor. Consegue comida dourada, estaladiça e bem aquecida em menos tempo, com menos eletricidade. Para muitos cozinheiros caseiros, era tudo o que precisavam de ouvir.

Como cozinhar mesmo “ao estilo micro-ondas” numa air fryer

Se está habituado a meter um prato no micro-ondas e carregar em “30 segundos”, uma air fryer parece outro planeta ao início. A principal mudança: pense em tabuleiro em vez de prato, e em circulação em vez de rotação. Espalhe a comida numa única camada para que o ar quente chegue a todos os lados.

A massa do dia anterior vai num pequeno recipiente próprio para forno, coberto de forma solta com folha de alumínio. As fatias de pizza vão diretamente para o cesto ou tabuleiro. Sopas e guisados aquecem numa tigela de cerâmica. Para a maioria dos aquecimentos, 160–180°C durante 4–8 minutos é o ponto ideal. Parece mais do que no micro-ondas, mas em troca obtém comida que sabe a ontem - não a cantina de hospital.

É aqui que muita gente fica frustrada: espera a velocidade do micro-ondas com resultados de restaurante. A verdade: troca 1–2 minutos extra por um salto enorme na qualidade. O maior erro é encher demasiado o cesto “para poupar tempo”.

Comida empilhada sobre comida nunca fica estaladiça - apenas coze a vapor. Outro erro clássico é pôr a temperatura no máximo, a pensar que mais rápido é melhor. Acaba com as bordas queimadas e o centro frio, e depois culpa a máquina. Já todos estivemos aí: aquele momento em que fecha a porta com força e pensa: “Tenho saudades do estúpido micro-ondas.”

“Do ponto de vista energético, uma air fryer moderna pode ser até 50% mais eficiente do que usar um forno tradicional para pequenas quantidades”, explica a engenheira de eletrodomésticos Marta González. “As pessoas subestimam quanta energia é necessária para aquecer um forno de tamanho normal só para aquecer um prato de comida.”

  • Use o recipiente certo
    Vidro, cerâmica ou tabuleiros metálicos funcionam melhor. Recipientes de plástico que sobreviveram ao micro-ondas não têm lugar aqui.
  • Pré-aqueça pouco, não eternamente
    Dois ou três minutos costumam chegar. Não está a assar um peru - está a “reviver” sobras.
  • Mexa ou vire a meio
    Para arroz, massa ou pratos com pedaços, mexer a meio ajuda a distribuir melhor e mais depressa o calor.
  • Temperatura mais baixa, um pouco mais de tempo
    Procure um calor suave para evitar que seque. A comida fica suculenta, não coriácea.
  • Limpe à medida que vai usando
    Passe um pano no cesto e na gaveta quando arrefecerem. A acumulação de gordura afeta o desempenho e o sabor. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias.

Estamos mesmo a dizer adeus ao micro-ondas?

Afaste-se do entusiasmo por um segundo e o quadro fica interessante. Não, o micro-ondas não vai desaparecer de um dia para o outro; escritórios, residências universitárias e salas de pausa cheias vão mantê-lo vivo durante anos. Mas nas cozinhas de casa - especialmente nas urbanas e mais pequenas - a mudança já é visível. As pessoas estão a comprar air fryers em vez de substituir um micro-ondas a morrer. Algumas guardam o micro-ondas na despensa “para o caso de ser preciso” e acabam por perceber que nunca mais o ligam.

O que está a acontecer, em silêncio, é uma mudança de expectativas. Já não nos basta comida apenas quente. Queremos comida que saiba como sabia da primeira vez - ou ainda melhor.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Eficiência energética Cavidade mais pequena, circulação de calor mais rápida do que num forno tradicional Menor consumo e cozinhados do dia a dia mais rápidos
Melhor aquecimento Estaladiça e doura em vez de ficar ensopada ou borrachuda Sobras que parecem refeições acabadas de fazer
Versatilidade Assa, coze, aquece e até desidrata num só aparelho Menos tralha e menos eletrodomésticos na bancada

FAQ:

  • Pergunta 1 A air fryer consegue mesmo substituir totalmente o micro-ondas?
    Para muitas pessoas, sim - sobretudo se aquece maioritariamente alimentos sólidos e cozinha porções pequenas. Ainda vai sentir falta do micro-ondas para tarefas ultra-rápidas, como derreter chocolate ou aquecer uma única caneca de leite.
  • Pergunta 2 Uma air fryer gasta mais eletricidade do que um micro-ondas?
    Por minuto, a potência (watts) pode ser semelhante ou um pouco mais alta, mas os tempos e a eficiência muitas vezes fazem com que o consumo total seja igual ou menor - sobretudo quando a alternativa seria ligar um forno grande.
  • Pergunta 3 É seguro pôr os meus pratos e recipientes normais numa air fryer?
    Só se forem próprios para forno. Pense em vidro, cerâmica ou metal. Plástico com a indicação “próprio para micro-ondas” não é necessariamente seguro em calor seco e elevado.
  • Pergunta 4 Que alimentos funcionam mal numa air fryer?
    Pratos muito líquidos, como sopas finas, ou itens muito delicados podem ser difíceis. Nesses casos, o fogão ou um pequeno tacho pode continuar a ser melhor do que micro-ondas e air fryer.
  • Pergunta 5 Que tamanho de air fryer é melhor para substituir um micro-ondas?
    Procure um cesto de 4–6 quarts (aprox. 3,8–5,7 L) ou um modelo pequeno do tipo “forno com air fryer”. Demasiado pequena e vai cozinhar em lotes intermináveis; demasiado grande e perde parte da vantagem de eficiência.

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