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Um novo aparelho de cozinha está prestes a substituir o micro-ondas de forma definitiva e especialistas dizem que é muito mais eficiente.

Pessoa a abrir fritadeira de ar quente preta com legumes cozinhados, na cozinha.

Ao meio, um micro-ondas velho geme enquanto aquece uma caneca de leite esquecida. A porta bate, ouve-se um bip estridente, o vapor escapa… e, ainda assim, o centro continua frio.

Em cima da bancada, mesmo ao lado, há uma caixinha discreta, sem janela amarela nem prato giratório a ranger. Uma nova máquina, pouco maior do que uma torradeira topo de gama, engole uma taça de massa de ontem. Quatro minutos depois, não há rebordo seco nem coração gelado. A textura é surpreendentemente próxima de um prato acabado de cozinhar.

Ninguém o admite bem, mas nesta cena banal pode estar a desenhar-se o fim do reinado do micro-ondas. Desta vez, a concorrência chega com argumentos difíceis de varrer para debaixo do tapete.

O novo “assassino do micro-ondas” que mostra-se silencioso em cima da bancada

Chamam-lhe forno de infravermelhos de nova geração, forno de tecnologia híbrida, ou simplesmente “smart oven”. O princípio mantém-se: aquecer depressa. Mas a forma como o faz muda tudo. Em vez de “regar” a comida com ondas que atravessam de forma pouco previsível, esta nova geração combina infravermelhos, convecção direcionada e sensores de temperatura ultrassensíveis.

A máquina reconhece o tamanho do prato, o nível de humidade, e ajusta o calor como um cozinheiro a vigiar a cozedura. Resultado: nada daquela textura borrachosa que nos faz arrepender de ter usado o micro-ondas. E menos energia perdida no ar à volta.

Os fabricantes falam numa redução de consumo até 30 a 50% face a um micro-ondas clássico, para o mesmo resultado de aquecimento. Alguns modelos testados por laboratórios independentes apresentam tempos semelhantes, por vezes ligeiramente mais longos, mas com uma temperatura mais homogénea e alimentos menos ressequidos. Já não se trata apenas de ganhar tempo, mas de ganhar qualidade sem perder conforto.

Num teste conduzido por um grande retalhista norte-americano, uma taça de sopa fria, uma porção de lasanha e um prato de legumes congelados passaram tanto por um micro-ondas standard de 900 W como por um destes novos fornos híbridos. O micro-ondas terminou primeiro na sopa, mas deixou um canto gelado na lasanha e legumes moles e aguados.

O forno de infravermelhos, por sua vez, demorou mais um minuto na sopa, mas serviu uma lasanha uniformemente quente, com o topo ligeiramente gratinado. Os legumes saíram brilhantes, ainda firmes, com menos água no fundo do prato. Os testadores atribuíram o dobro dos pontos ao sabor global - o que, para um simples aquecimento, muda o jogo a longo prazo.

Para as famílias que aquecem quase tudo no micro-ondas - café, sobras, refeições individuais - esta diferença de textura acumula-se dia após dia. Ao fim de algumas semanas, começamos a ver o micro-ondas como uma máquina para “sobreviver” e não para comer como deve ser. O novo aparelho, esse, aproxima-se mais de um forno a sério, mantendo-se rápido, compacto e relativamente poupado.

Do ponto de vista técnico, estes novos aparelhos usam resistências de infravermelhos e um fluxo de ar controlado para aquecer diretamente a superfície dos alimentos, enquanto sensores ajustam a potência em tempo real. Isto permite uma subida de temperatura mais inteligente, sem queimar as bordas nem deixar o centro frio. O micro-ondas, pelo contrário, agita as moléculas de água onde quer que as ondas penetrem, criando zonas quentes e frias difíceis de controlar.

Na fatura da eletricidade, a diferença começa a notar-se nas casas onde o micro-ondas trabalha várias vezes por dia. Um modelo híbrido moderno consome menos, porque concentra melhor a energia no alimento e gere com mais precisão os ciclos de aquecimento. A vida útil também tende a ser maior, com menos peças mecânicas frágeis, como o prato rotativo. O velho reflexo do “serve para aquecer” começa a parecer um pouco datado.

Como cozinhar realmente melhor com este novo aparelho

O primeiro truque com estes novos fornos é confiar neles… mas não cegamente. Os programas automáticos são impressionantes para sobras, pizzas e alguns pratos congelados. Coloca-se o prato, escolhe-se “reheat” ou “leftovers”, e o aparelho trata do resto, ajustando a potência continuamente.

Ainda assim, os especialistas recomendam manter algumas referências simples. Para pratos com molho ou sopas, usar uma tampa compatível ou uma taça com campânula ajuda a manter a humidade e evita salpicos. Para alimentos estaladiços - nuggets, batatas fritas, folhados - selecionar o modo combinado de ar quente (convecção) + infravermelhos dá aquele dourado impossível num micro-ondas clássico.

Todos já passámos por aquele momento em que abrimos o micro-ondas e encontramos uma pizza mole, triste, colada ao cartão. Com um forno híbrido, o reflexo muda: um ligeiro pré-aquecimento, uma grelha colocada um nível acima, alguns minutos no modo estaladiço, e a massa volta a ter consistência ao trincar. A grande força destes aparelhos é alternar entre calor direto e calor do ar para salvar pratos que julgávamos condenados à borracha.

Os erros mais frequentes vêm muitas vezes de um hábito herdado do micro-ondas: querer fazer tudo à potência máxima. Os engenheiros entrevistados repetem: é melhor uma cozedura um pouco mais longa com intensidade média. Nestes aparelhos, a noção de “100% de potência” já não faz grande sentido, porque eles modulam muito internamente.

Outro problema: sobrecarregar a cavidade. Quando se empilham três pratos ou se enche o tabuleiro com caixas, o fluxo de ar deixa de circular corretamente. Resultado: reaparecem zonas mornas, e a culpa cai na máquina. Mais vale aquecer em duas passagens rápidas do que numa só muito carregada.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, em “modo perfeito”. Chega-se tarde, mete-se o prato lá dentro, carrega-se no primeiro botão que aparece. A vantagem aqui é que a margem de erro é maior. Mesmo no modo automático, a qualidade fica claramente acima do que se obtém com um micro-ondas apressado e mal usado.

Os cozinheiros que já trabalham com estes fornos miniatura dizem-no: a adoção passa por um pequeno período de adaptação. Testa-se, observa-se, percebe-se que pratos ganham mais ao passar por ali.

“Na primeira semana, usei-o como um micro-ondas um pouco caro”, conta uma chef consultora em Londres. “Na segunda semana, comecei a grelhar legumes, a aquecer peixe sem o secar, a terminar a cozedura de um frango assado. Aí percebi que não ia voltar atrás.”

Para ajudar a dominar a máquina, vários especialistas resumem os bons hábitos numa espécie de memorando de cozinha moderna:

  • Usar sistematicamente o modo “crisp” ou “air fry” para tudo o que deve ficar estaladiço.
  • Reservar tigelas fechadas e tampas para pratos com molho, sopas, arroz e massas.
  • Testar uma vez cada programa automático com um prato que se conheça bem, para depois ajustar o tempo ao gosto pessoal.

Este tipo de pequeno guia prático já circula entre vizinhos, colegas ou em grupos de pais sobrecarregados. A tecnologia é nova, mas os gestos mantêm-se simples, quase instintivos ao fim de alguns dias. E quando as crianças pedem as sobras de ontem dizendo “assim é melhor”, o argumento torna-se muito concreto.

Porque esta mudança pode mesmo alterar os nossos hábitos alimentares do dia a dia

No fundo, a história deste novo aparelho não é só uma questão de watts e sensores. É uma questão da relação com a refeição rápida. Há anos que o micro-ondas simboliza uma cozinha de recurso, por vezes vivida com um toque de culpa. Aquece-se, descongela-se, “desenrasca-se” um prato que merecia melhor.

Quando um dispositivo compacto começa a oferecer uma textura mais próxima de um forno tradicional, a fronteira entre “cozinha rápida” e “cozinha a sério” torna-se menos nítida. Damos por nós a dar uma segunda oportunidade a sobras de legumes assados, a finalizar um gratinado em vez de abrir um prato congelado. A cozinha do quotidiano ganha dignidade, sem exigir mais tempo.

Estes novos fornos de infravermelhos inserem-se também numa lógica mais ampla: menos desperdício, mais controlo sobre a energia e melhor aproveitamento do que já foi preparado. Um resto de arroz pode tornar-se uma taça aromática com a superfície ligeiramente tostada, em vez de uma massa compacta e seca. Um frango de domingo pode alimentar mais dois almoços, com a pele novamente estaladiça.

O que se joga aqui é discreto, quase invisível à escala de um dia. À escala de um mês, de um orçamento, de uma fadiga mental perante a pergunta “o que é que vamos comer hoje?”, o efeito é mais claro. Menos encomendas de última hora, menos refeições feitas à pressa “porque é só para mim”. Uma máquina não muda uma vida, mas pode inclinar as nossas escolhas numa direção um pouco mais suave e responsável.

A grande questão não é se o micro-ondas vai desaparecer amanhã, mas quanto tempo continuará a ser a estrela incontestada daquele canto da bancada. Como tantas vezes, a mudança começa com uma frase ouvida em casa de um amigo: “Queres aquecer isso? Usa o outro, é melhor.”

Ponto-chave Detalhes Porque é importante para os leitores
Eficiência energética vs. micro-ondas tradicional A maioria dos novos fornos de bancada por infravermelhos/híbridos usa cerca de 1200–1500 W, mas aquece de forma mais direta e precisa de menos tempo à potência máxima. Testes independentes indicam até 30–40% menos eletricidade para tarefas típicas de aquecimento ao longo de uma semana. Numa fatura de uma casa movimentada, isso pode retirar uma parte considerável ao longo de um ano, especialmente se o micro-ondas atual for usado várias vezes por dia.
Textura e sabor dos alimentos A combinação de elementos de infravermelhos e fluxo de ar controlado mantém as superfícies estaladiças enquanto aquece o interior de forma uniforme. Pizza do dia anterior, batatas assadas e pratos à base de pão ficam mais perto de “acabado de sair do forno” do que de “borrachoso”. As refeições tornam-se mais satisfatórias, o que pode reduzir a tentação de pedir comida só porque as sobras aquecidas “sabem a triste”.
Capacidade de cozinhar no mundo real A maioria dos modelos lida confortavelmente com uma pizza standard de 30 cm, um tabuleiro de lasanha familiar ou dois pratos de jantar ao mesmo tempo. Alguns incluem grelhas para cozinhar em dois níveis sem bloquear o fluxo de ar. Torna realista substituir tanto o micro-ondas como muitas tarefas de “forninho” com um só aparelho, libertando espaço em cozinhas pequenas.

FAQ

  • Este novo forno é mesmo mais rápido do que um micro-ondas? Para uma caneca de café ou uma pequena taça de sopa, um micro-ondas potente ainda ganha por um ou dois minutos. Para pratos completos, sobras com molho, ou qualquer coisa estaladiça, os fornos híbridos muitas vezes igualam ou superam o tempo total, porque não é preciso acrescentar minutos extra para corrigir zonas frias ou texturas encharcadas.
  • Posso colocar lá dentro os meus recipientes habituais de micro-ondas? A maioria dos recipientes de vidro, cerâmica e formas próprias para forno (incluindo as adequadas para metal) funcionam muito bem, e muitas caixas de plástico para micro-ondas não são recomendadas devido às temperaturas mais elevadas à superfície. Verifique sempre o guia do fabricante e mude gradualmente para recipientes próprios para forno.
  • Vai substituir o meu forno grande encastrado? Para gratinados familiares gigantes ou fornadas de bolachas, não. Para o aquecimento do dia a dia, pequenos assados, legumes, peixe e refeições congeladas, uma boa unidade híbrida de bancada cobre facilmente 70 a 80% dos usos de um forno clássico.
  • É seguro para crianças e adolescentes? Sim, desde que lhes mostre dois ou três hábitos básicos: usar luvas para recipientes metálicos, não tapar completamente as aberturas de ventilação e escolher os programas automáticos em vez de improvisar tempos extremos.
  • Faz mais barulho ou aquece mais a cozinha? A ventoinha pode notar-se um pouco mais do que num micro-ondas silencioso, mas fica na mesma gama de um exaustor no mínimo. Como o calor é melhor direcionado para o interior, a divisão aquece menos do que com um forno tradicional grande.

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