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Um hidratante clássico, longe das marcas de luxo, foi eleito pelos dermatologistas como a escolha número um.

Mulher aplica creme no rosto frente ao espelho; toalha, bloco de notas e creme sobre bancada da casa de banho.

As embalagens sofisticadas brilhavam sob as luzes brancas da loja, prometendo “radiância de diamante” e “brilho 24K”. Uma jovem, de casaco de lã, virou cada uma ao contrário, suspirou ao ver a etiqueta do preço e, depois, deslizou discretamente a mão até à prateleira de baixo. Ali, num boião simples, ligeiramente amolgado, com um rótulo desbotado, estava o produto que acabou por comprar. Sem campanha com celebridades. Sem vidro fosco. Apenas um creme humilde que a avó usava, em que a mãe ainda jurava confiar e que, curiosamente, muitos dermatologistas recomendam em silêncio nos seus consultórios, todos os dias.

Saiu com um pequeno saco de plástico, a sentir-se meio culpada, meio aliviada.

O segredo? A escolha número um da dermatologia não é aquela em que está a pensar.

Quando os dermatologistas sussurram a mesma marca

Pergunte a cinco dermatologistas o que é que realmente usam em casa e, muitas vezes, recebe um sorriso tímido antes de confessarem: um hidratante barato, à moda antiga, da prateleira da farmácia. Daqueles que ficam ao lado dos discos de algodão e do bálsamo labial, e não numa vitrina de vidro trancada. Estes cremes não nasceram no TikTok. Nasceram em hospitais, em clínicas de dermatologia, em laboratórios onde o objetivo não era glamour, mas sim pele saudável.
Provavelmente já viu os principais candidatos: CeraVe Moisturizing Cream, Vanicream, Eucerin, Nivea na sua lata azul, e até pomadas simples à base de petrolato.

Os dermatologistas gostam de falar em reparação da barreira cutânea. Parece técnico, mas a ideia é simples: a sua pele é uma parede, e a de muitas pessoas está cheia de microfissuras. Há décadas, marcas como a CeraVe chegaram com ceramidas e álcoois gordos concebidos por verdadeiros cientistas da pele, não por equipas de marketing. Primeiro, chegaram às clínicas, muito antes de chegarem ao Instagram.
Uma dermatologista de Nova Iorque disse-me que mantém uma embalagem gigante, do tamanho do Costco, de creme básico em todas as casas de banho, “porque no inverno gastamos isto como se fosse água”.

Então porque é que estes hidratantes pouco glamorosos vencem em todos os rankings de especialistas? Fazem uma coisa nada sexy incrivelmente bem: hidratam e selam sem drama. Sem ardor, sem nuvem de jasmim, sem brilho, sem nada para arrancar em película. Uma lista curta de ingredientes. Sem perfume. Sem óleos essenciais a fingirem que são cuidados de pele.
É exatamente isto de que a pele irritada, com rosácea, ou pós-tratamento precisa.
Quando os dermatologistas veem milhares de rostos a reagirem a produtos da moda, o “boião branco aborrecido” começa a parecer um herói.

Como usar realmente um creme à moda antiga como um profissional

O gesto que muda tudo é absurdamente simples: aplique o seu creme à moda antiga com a pele ligeiramente húmida. Não encharcada. Apenas aquela janela de 30 segundos depois de lavar o rosto ou sair do duche. Aplique com toques, não esfregue, até o brilho diminuir.

Esta técnica prende a água que a pele já tem, em vez de depender apenas do que está dentro do boião. Em dias muito secos, os dermatologistas fazem frequentemente camadas: primeiro um sérum hidratante ou glicerina simples e, por cima, o hidratante mais espesso como um “cobertor”.

A maioria de nós sabota estes cremes sem se aperceber. Passamos um ativo forte - retinol, ácidos, vitamina C - e depois culpamos o hidratante quando o rosto arde. Ou compramos a versão “rica” para o verão e depois queixamo-nos de borbulhas. Sejamos honestos: quase ninguém lê o rótulo traseiro inteiro antes de pagar.
Os dermatologistas costumam aconselhar que se ajuste a textura ao estado da pele, e não apenas ao tipo de pele. A descamar e repuxada? Vá para o boião espesso. Brilhante e com tendência para acne? Experimente a loção mais leve da mesma linha à moda antiga, em vez de saltar para um gel-creme de luxo cheio de perfume.

“As pessoas querem um milagre num boião”, explica uma dermatologista com base em Londres com quem falei. “O que realmente precisam, 90% das vezes, é de um creme que hidrate, proteja a barreira e não cause problemas. As fórmulas discretas e básicas fazem isso melhor.”

  • Cremes ricos em ceramidas – imitam os lípidos naturais da pele; ótimos para secura crónica e peles com tendência para eczema.
  • Pomadas à base de petrolato – ultra-oclusivas; ideais para “slugging” sobre zonas irritadas ou áreas pós-procedimento.
  • Loções sem fragrância – mais leves; melhores para pele mista ou com tendência para erupções, sobretudo por baixo da maquilhagem.
  • Misturas com ureia ou ácido láctico – suavizam delicadamente zonas ásperas no corpo, cotovelos e calcanhares, sem esfoliantes agressivos.
  • Latas clássicas de farmácia – reconfortantes, emolientes; um bom ponto de entrada se estiver a mudar de manteigas corporais perfumadas.

Porque é que o creme mais barato muitas vezes ganha a longo prazo

Há um alívio silencioso em perceber que o produto que os especialistas adoram não exige pânico no cartão de crédito. Quando o hidratante custa menos do que um almoço para levar, usa-se realmente a quantidade recomendada, em vez de o racionar. Só isso já muda os resultados. Canelas secas, bochechas repuxadas, mãos que estalam à volta das unhas - tudo é tratado porque já não está a tratar o creme como ouro líquido.
Todos já passámos por isso: aquele momento em que dá pequenas pancadinhas no boião de vidro com um dedo, a tentar esticar a última semana.

A verdade simples é esta: muitos hidratantes caros gastam o orçamento na textura e na história, não necessariamente em melhores resultados na pele. Muitas vezes, paga por um boião bonito, uma cara famosa e um nome poético. Os cremes de farmácia à moda antiga gastam o dinheiro em grandes lotes clínicos, testes de estabilidade aborrecidos e em encher boiões gigantes. Não fica bem em fotografia, mas a sua pele não quer saber da estética. Só quer que a barreira esteja calma, hidratada e intacta.

Há também uma mudança psicológica quando a rotina deixa de parecer frágil. Pode pôr aquele creme branco e espesso no quarto das crianças sem ficar a controlar. Pode viajar com ele, partilhá-lo com o parceiro, usá-lo em bochechas queimadas pelo vento ou por cima de uma tatuagem recente, sem duvidar de cada ingrediente. Essa robustez - essa fiabilidade de “pegar e usar” - é um tipo de luxo que não cabe em anúncios brilhantes.
E talvez seja por isso que os dermatologistas continuam a coroar, discretamente, o mesmo boião modesto como a sua escolha número um.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Os dermatologistas favorecem fórmulas simples Cremes à moda antiga com ceramidas, glicerina, petrolato e pouca ou nenhuma fragrância Menor risco de irritação e resultados mais consistentes ao longo do tempo
A técnica bate o preço Aplicar com a pele húmida, ajustar a textura às estações e ao estado da pele Melhor hidratação sem comprar vários “luxos” de reserva
Económico é sustentável Embalagens grandes e acessíveis incentivam uso regular e generoso no rosto e no corpo Barreira cutânea mais saudável e menos tentação de perseguir tendências constantes

FAQ:

  • Pergunta 1 Qual é o hidratante à moda antiga que os dermatologistas mais recomendam?
  • Resposta 1 Em muitos inquéritos e conversas em consultório, o CeraVe Moisturizing Cream aparece frequentemente em primeiro lugar, juntamente com Vanicream, Eucerin e pomadas simples de petrolato como a Vaselina para uso localizado.
  • Pergunta 2 Um creme barato pode mesmo superar um hidratante de luxo?
  • Resposta 2 Para hidratação essencial e reparação da barreira, sim. As fórmulas de luxo podem ser mais agradáveis ao toque ou cheirar melhor, mas para pele sensível ou danificada, os cremes simples de farmácia muitas vezes funcionam tão bem ou melhor.
  • Pergunta 3 Estes cremes espessos vão obstruir os meus poros?
  • Resposta 3 Algumas fórmulas pesadas podem ser demasiado para rostos muito oleosos ou com tendência para acne. Procure indicações “não comedogénico”, versões de loção mais leve e use as texturas mais espessas sobretudo nas zonas mais secas ou à noite.
  • Pergunta 4 Com que frequência devo aplicar um hidratante à moda antiga?
  • Resposta 4 A maioria dos dermatologistas sugere duas vezes por dia no rosto nas estações mais secas e uma a duas vezes por dia no corpo, especialmente logo após o duche, quando a pele ainda está ligeiramente húmida.
  • Pergunta 5 Posso combinar ativos como retinol com estes cremes básicos?
  • Resposta 5 Sim. Muitos dermatologistas recomendam até “amortecer” ativos fortes aplicando uma camada de hidratante simples antes ou depois, para reduzir a irritação e, ainda assim, obter benefícios a longo prazo.

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