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Truque de decoradores para fazer a sala parecer maior (funciona em qualquer espaço pequeno).

Pessoa a estender um tapete num chão de madeira, próximo de uma janela com cortinas transparentes e sofá cinza.

A primeira coisa que se nota não é o sofá nem a mesa de centro.
É a sensação de que os ombros descem assim que entra. A divisão é minúscula no papel, e ainda assim o seu corpo reage como se tivesse acabado de entrar num loft. Olha em volta, à procura do truque. Não, as paredes não foram recuadas durante a noite. O teto não está mais alto. O mobiliário não é em miniatura.

Há outra coisa a acontecer.

Uma amiga decoradora adora este momento, quando o convidado fica ligeiramente confuso e diz: “Espera… como é que esta sala é tão grande?”
Ela sorri sempre, aponta para um detalhe muito específico e diz: “Aquilo. Aquilo é o segredo.”
E, quando o vê, já não consegue deixar de o ver.

O truque visual simples que os designers usam para “esticar” qualquer divisão

Entre em qualquer sala pequena bem decorada e os seus olhos são guiados com suavidade, sem que dê por isso. Deslizam ao longo de uma linha, sobem uma risca, atravessam uma faixa de cor ou de luz. Esse é o truque: os decoradores usam discretamente linhas fortes e contínuas para criar a ilusão de mais espaço.

Uma risca a subir pela parede, umas cortinas penduradas mais alto do que a janela, um tapete que conduz o olhar através da sala. O seu cérebro lê essas linhas como “profundidade”, “altura”, “largura”. As paredes ficam no mesmo sítio, mas parecem recuar. Isto é psicologia visual pura disfarçada de estilo.

Uma vez visitei um apartamento parisiense de 20 m² onde a “sala” era, basicamente, um corredor com um sofá. No papel, parecia deprimente. Na vida real, era estranhamente generosa. A proprietária, uma jovem stylist, tinha pintado uma faixa larga em branco sujo que começava a meio de uma parede, contornava a divisão e continuava pelo teto.

Essa faixa funcionava como uma pista de corrida para os olhos. Você seguia-a, dava a volta à sala, e o cérebro arquivava silenciosamente o espaço como “maior do que o esperado”. Combinada com um tapete comprido de juta e cortinas do chão ao teto, a sala parecia esticada por todos os lados. Sem demolições, sem mobiliário por medida - apenas algumas linhas ousadas nos sítios certos.

Há uma razão para isto funcionar. Os nossos olhos não “vêem” uma divisão como uma câmara. Nós varremos, seguimos formas, ligamos pontos. Quando uma linha é ininterrupta - uma estante alta, um espelho vertical, um carril de cortinas contínuo - ela diz ao cérebro que o espaço “continua”. Quando o olhar continua a viajar, a divisão parece maior.

Quebre essas linhas com demasiadas cores, alturas aleatórias de móveis, cortinas curtas, e o olhar começa a tropeçar. Esse “ruído” visual envia a mensagem oposta: apertado, baixo, cheio. A arquitetura não mudou nada - só mudou o caminho que os seus olhos são autorizados a fazer.

Como usar linhas contínuas em casa (e o que costuma deitar tudo a perder)

Então, qual é este “favorito” dos decoradores na versão mais acessível? Uma palavra: linhas. A versão mais fácil e universal é usar verticais de altura total para fingir altura, e horizontais longas para fingir largura.

Pendure as cortinas o mais perto possível do teto e deixe-as tocar no chão. Escolha uma estante alta e esguia em vez de uma volumosa e baixa. Acrescente um espelho que começa perto do chão e sobe, não um pequeno a “flutuar” a meio da parede. Sempre que dá ao olhar um caminho longo para seguir, ganha metros quadrados visuais.

Numa sala muito pequena, procure ter pelo menos uma vertical forte e uma horizontal forte que se leiam claramente desde a entrada.

É aqui que a maioria de nós se desvia. Apaixonamo-nos por peças “queridas” e pequenas, móveis baixos para a TV, cortinas curtas que param no peitoril da janela. Todas essas interrupções cortam as linhas em fragmentos estranhos. A sala parece aos bocadinhos e apertada, mesmo que esteja arrumada.

Também pode sentir-se tentado por uma parede de quadros por cima do sofá, com molduras espalhadas a alturas diferentes. Bonito, sim, mas visualmente barulhento num espaço apertado. Todos já passámos por isso: aquele momento em que se pergunta porque é que a parede inspirada no Pinterest, de repente, faz a sala parecer mais pequena. Sejamos honestos: quase ninguém planeia o mobiliário a pensar em linhas de visão à primeira.

“Pense nas linhas como os ossos da sua divisão”, diz a designer de interiores Léa Marceau. “Cor, almofadas, velas - isso é maquilhagem. Os ossos decidem se a divisão parece apertada ou espaçosa. Num espaço pequeno, o objetivo é simples: menos quebras, linhas mais longas.”

  • Eleve o olhar: cortinas até ao teto, candeeiros altos, espelhos verticais, estantes que quase tocam no teto.
  • Estique o chão: um tapete generoso que fique por baixo da maior parte do mobiliário, em vez de vários tapetinhos.
  • Desanuvie os cantos: deixe pelo menos dois cantos da sala visualmente “limpos”, para as linhas fluírem sem interrupções.
  • Acalme as paredes: mantenha grandes superfícies relativamente simples para que as linhas-chave se destaquem, em vez de competirem.
  • Repita uma vez: escolha um tipo de linha (vertical ou horizontal) como protagonista e depois ecoe-o discretamente em dois ou três pontos.

Para lá do truque: deixar o seu espaço pequeno respirar como um grande

Quando começar a reparar em linhas, vai vê-las em todo o lado. Nos braços do sofá, nas prateleiras, nos caixilhos das janelas, até nos cabos da TV. Algumas alongam e acalmam a sala; outras cortam-na em pedaços. Faça um pequeno jogo: fique à entrada da sala e pergunte: “Para onde é que os meus olhos viajam naturalmente?”

Se o seu olhar bate nas costas do sofá e pára, já sabe no que trabalhar. Se desliza ao longo da cortina, sobe pelo espelho, atravessa o tapete e segue para outra divisão, criou fluidez. É essa sensação de espaço que procura - não a perfeição de um moodboard.

Este truque também se adapta bem a outros sítios. Funciona num corredor estreito que parece um túnel, num quarto minúsculo onde a cama ocupa tudo, num canto desarrumado de escritório em casa dentro da sala. Não precisa de repintar tudo nem de deitar fora o mobiliário. Às vezes, basta mover uma estante, mudar a altura das cortinas ou trocar um tapete pequeno por um maior e mais simples para destrancar a divisão.

O interessante é o quão emocional pode ser o resultado. Um espaço que respira um pouco mais tende a fazê-lo respirar um pouco mais também.

Pode até notar uma mudança subtil na forma como vive em casa. Os convidados ficam mais um pouco no sofá. Você deixa de pedir desculpa pela sua “sala minúscula”. Começa a desfrutar do café da manhã junto à janela porque a vista já não parece encaixotada.

As paredes não se mexeram. Os metros quadrados não mudaram. Só a sua forma de olhar mudou. E, depois de ver o que uma única linha bem colocada consegue fazer, é difícil não olhar em volta e pensar: onde mais poderia eu esticar o espaço, só um bocadinho?

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Usar linhas verticais contínuas Cortinas de altura total, espelhos altos, estantes esguias perto do teto Cria a sensação de tetos mais altos e paredes mais “arejadas” sem obras
Esticar o chão visualmente Um tapete grande sob o mobiliário em vez de vários pequenos Faz a sala parecer mais larga e mais unificada; reduz a confusão visual
Reduzir quebras visuais Limitar alturas desencontradas, paredes de quadros muito “ocupadas” e peças pequenas “a flutuar” Ajuda o olhar a viajar de forma suave, fazendo qualquer espaço pequeno parecer maior

FAQ:

  • Pergunta 1 Este truque funciona mesmo se eu viver numa casa arrendada e não puder pintar as paredes?
  • Pergunta 2 As linhas verticais são sempre melhores do que as horizontais?
  • Pergunta 3 Que tipo de cortinas devo escolher para uma sala pequena?
  • Pergunta 4 Posso continuar a ter uma parede de quadros sem encolher a sala?
  • Pergunta 5 Em quanto tempo posso ver diferença depois de mudar estas linhas?

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