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Segundo os cabeleireiros, a técnica "shampoo sandwich" é a melhor forma de lavar o cabelo.

Mulher a lavar o cabelo com champô numa casa de banho, frascos e toalha sobre o lavatório.

A primeira vez que uma cabeleireira me disse que eu estava a “lavar o cabelo mal”, eu ri-me. Como é que se estraga uma coisa que fazemos desde crianças? Eu estava sentada na cadeira do salão, com o pescoço dobrado sobre a bacia, enquanto ela tocava de leve no meu couro cabeludo e suspirava como os mecânicos quando espreitam debaixo do capô de um carro. “Estás a usar champô”, disse ela, “mas não estás realmente a limpar.” As minhas raízes ficavam oleosas ao segundo dia, as pontas pareciam palha, e eu culpava tudo - das hormonas à água dura. Ela culpou a minha técnica. Depois mencionou uma expressão que soava quase a tendência do TikTok: “sanduíche de champô”. Revirei os olhos - até experimentar.
A parte estranha? De repente, o meu cabelo aguentou quatro dias sem chapéu.

Porque é que a tua rotina “normal” de champô não está a resultar

Para a maioria de nós, lavar o cabelo é um sprint. Entrar no duche, despejar champô na mão, esfregar a cabeça durante 20 segundos, enxaguar depressa, pôr amaciador, feito. Dez minutos depois, estamos de toalha, a perguntar-nos porque é que as raízes já parecem um pouco murchas. A água estava quente, a espuma era abundante, o cabelo cheirava a coco. Portanto tem de estar limpo, certo? Os cabeleireiros discordam, discretamente. Vêem a mesma coisa, dia após dia: raízes brilhantes durante algumas horas, comprimentos ressequidos, pontas ásperas, e pessoas convencidas de que simplesmente têm “mau cabelo”.

Uma cabeleireira disse-me que consegue identificar uma lavagem apressada assim que a cliente se senta. Acumulação oleosa a persistir junto à nuca, zonas escamosas atrás das orelhas, aquela combinação curiosa de topo da cabeça oleoso e comprimentos fofos e frisados. Mostrou-me, separando o cabelo em secções, revelando uma película branca ténue agarrada ao couro cabeludo. “Isto”, disse ela, “é produto e pele que ficaram. Estás só a espalhar.” Algumas clientes juram que já tentaram tudo: champôs detox, esfoliantes do couro cabeludo, máscaras purificantes. Depois ela ensina este novo hábito, o “sanduíche de champô”, e duas semanas depois elas voltam com raízes mais leves e muito menos champô seco nas malas.

A lógica por trás disto é brutalmente simples. Uma só aplicação de champô tem de cortar a oleosidade, produtos de styling, poluição, SPF do rosto e suor dos treinos. Essa primeira passagem está apenas a desfazer a confusão. A segunda é que limpa mesmo o cabelo e o couro cabeludo. O amaciador fecha o processo. Assim, ficas com um “sanduíche”: champô, champô, amaciador. Parece mais trabalho, mas dá-te mais tempo entre lavagens, cabelo mais suave e um couro cabeludo mais equilibrado. E sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Esse é o objetivo - não vais precisar.

Como fazer um verdadeiro “sanduíche de champô” passo a passo

O método começa antes de o champô sequer tocar na tua cabeça. Primeiro, encharca o cabelo. Não é uma molhadela rápida - são 60–90 segundos completos de água morna, das raízes às pontas. Os cabeleireiros dizem que metade do trabalho fica feito nesta fase, porque a água começa a soltar a sujidade e a oleosidade. Depois vem o primeiro champô: usa uma pequena quantidade, mais ou menos do tamanho de uma avelã, e foca-te apenas no couro cabeludo. Não te preocupes se não fizer muita espuma. Essa pouca espuma é um sinal de que o teu cabelo estava carregado de oleosidade e produto. Massaja com as pontas dos dedos à volta da linha do cabelo, no topo e na nuca durante pelo menos um minuto inteiro.

Enxagua bem e repete com a mesma quantidade de champô. É aqui que a magia acontece. A segunda passagem costuma fazer mais espuma com facilidade, deslizando pelo couro cabeludo em vez de ficar presa em manchas. Pensa nisto como lavar uma frigideira engordurada: o primeiro detergente só mexe a gordura, o segundo tira-a mesmo. Trabalha em pequenos círculos com pressão suave, quase como se estivesses a “levantar” o couro cabeludo. Depois enxagua outra vez até a água sair totalmente limpa. Só então entra o amaciador, mas apenas nos comprimentos e pontas, onde o cabelo é mais antigo e mais seco. As raízes já tiveram atenção suficiente.

A maioria de nós apressa isto e depois pergunta-se porque é que o cabelo não colabora. Usamos um punhado de champô, esfregamos agressivamente, mal enxaguamos, e depois colocamos amaciador a mais nas raízes. O resultado: topo da cabeça pesado e com aspeto encerado, comprimentos secos e aquela sensação de não estar bem limpo logo no dia seguinte. Se te revês aqui, não estás sozinho/a. Todos já passámos por isso - aquele momento em que sais do duche e o teu cabelo, de alguma forma, já parece “dia três”. O “sanduíche” inverte o guião: pequenas quantidades, duas passagens, amaciador direcionado. Parece mais lento na primeira vez e depois fica estranhamente óbvio quando vês como o cabelo assenta a seguir.

“Pensa em qualidade, não em quantidade”, diz a cabeleireira Claire D., baseada em Paris, que jura pelo sanduíche de champô para clientes de cidade. “Duas lavagens leves são mais gentis do que uma esfrega agressiva. Tens melhor saúde do couro cabeludo e os comprimentos não sofrem. As pessoas acham que mais champô significa cabelo mais limpo. É a técnica, não a montanha de espuma, que faz o trabalho.”

  • Passo 1: Encharcar - Molha bem o cabelo durante pelo menos um minuto antes de tocar em qualquer produto.
  • Passo 2: Primeiro champô - Pequena dose, foco só no couro cabeludo, massagem suave, pouca espuma.
  • Passo 3: Segundo champô - Mesma dose, mesmo foco no couro cabeludo, massagem mais longa, espuma mais rica.
  • Passo 4: Amaciador - Apenas nos comprimentos e pontas, deixa atuar 2–3 minutos e depois enxagua bem.
  • Passo 5: Secar com toalha com suavidade - Pressiona com a toalha em vez de esfregar, para não levantar a cutícula.

O que muda quando começas a “fazer sanduíche” com o champô

A primeira coisa que muita gente nota não é um brilho perfeito de Instagram. É tempo. O dia de lavagem passa discretamente de dia sim, dia não, para cada três ou quatro dias - às vezes mais. O couro cabeludo sente-se mais leve, menos comichão ao segundo dia, e o champô seco deixa de ser uma muleta diária e passa a ser um recurso ocasional. O cabelo junto às raízes ganha um pouco mais de elevação, porque não fica pesado com oleosidade antiga e restos de amaciador. Para algumas pessoas, o frizz acalma porque deixam de desengordurar em excesso numa única lavagem e, a seguir, atacar as pontas com máscaras pesadas. A rotina fica mais solta: menos produtos, gestos mais direcionados, melhores resultados.

A mudança emocional é subtil, mas real. Passas menos tempo a olhar para o espelho a perguntar porque é que o teu “bom champô” não está a cumprir. Entras menos em pânico com jantares inesperados ou reuniões de última hora porque o teu cabelo ainda parece aceitável ao terceiro dia. Podes dar por ti a usar ferramentas de calor com menos frequência, porque a textura natural comporta-se melhor. Há uma frase simples por baixo de tudo isto: cabelo com aspeto saudável costuma ser couro cabeludo limpo mais pontas protegidas, nada de especial. O sanduíche de champô dá-te ambas as coisas, sem exigir uma rotina de 12 passos ou uma prateleira inteira de produtos de salão.

Ponto-chave Detalhe Valor para o/a leitor/a
Dupla aplicação de champô limpa melhor A primeira desfaz a oleosidade e o produto; a segunda limpa de facto o couro cabeludo Mais tempo entre lavagens, raízes menos oleosas
Amaciador direcionado apenas nos comprimentos As raízes ficam leves enquanto os comprimentos e pontas ficam nutridos Cabelo mais suave sem aspeto pesado e achatado no topo
Massagem suave e enxaguamento adequado Massagem de 1–2 minutos no couro cabeludo e enxaguamento até a água sair limpa em cada passagem Couro cabeludo mais calmo, menos descamação, melhor volume nas raízes

FAQ:

  • Com que frequência devo fazer um sanduíche de champô? A maioria dos cabeleireiros sugere usar este método em cada dia de lavagem e depois espaçar as lavagens para duas ou três vezes por semana, dependendo do teu tipo de cabelo e estilo de vida.
  • Duas aplicações de champô não vão secar o meu cabelo? Não, se usares uma fórmula suave e mantiveres o foco no couro cabeludo, seguindo com amaciador apenas nos comprimentos e pontas.
  • Isto funciona em cabelo encaracolado ou crespo? Sim, mas muitos especialistas em caracóis recomendam espaçar mais os dias de lavagem e usar um champô bem hidratante, além de cuidados extra ao desembaraçar após o amaciador.
  • Posso fazer isto com um champô sem sulfatos? Absolutamente. Muitos cabeleireiros até preferem fórmulas sem sulfatos com este método, porque a dupla lavagem compensa os tensioativos mais suaves.
  • E se o meu cabelo ainda parecer oleoso depois de duas aplicações? Tenta passar mais tempo a molhar e a enxaguar, massajar por secções e reduzir produtos de styling pesados que se acumulam no couro cabeludo entre lavagens.

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