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Segundo investigadores, a partir de certa idade torna-se mais difícil fazer novos amigos.

Três pessoas conversam e bebem na esplanada de um café, uma delas segura um capacete de bicicleta.

Estás numa festa de aniversário a que quase não foste. Música, caras meio conhecidas, aquele momento estranho com um prato de papel na mão quando, de repente, percebes: na verdade, não conheces ninguém aqui o suficiente para lhe mandares mensagem amanhã. Conversas, sorris, dizes “temos de ir tomar um café um dia destes” e ambos sabem que, provavelmente, não vai acontecer.
Depois chegas a casa e isso bate mais forte do que a subida de açúcar do bolo. Quando é que fazer amigos começou a parecer… trabalho? Houve um tempo em que a amizade simplesmente acontecia - nos corredores, nos anfiteatros e nos apartamentos partilhados.
Agora os teus dias estão cheios, o teu círculo é pequeno, e caras novas entram e saem como figurantes de fundo.
Os investigadores dizem que há uma idade muito específica em que esta mudança se torna mesmo evidente.
E, quando souberes o número, já não o consegues deixar de ver.

A idade em que as amizades começam a atingir o pico… e depois a cair

Os sociólogos têm estudado quando é que estamos rodeados pelo maior número de pessoas - não só online, mas na vida real. Um dos estudos mais citados, baseado em dados de telemóvel de milhões de utilizadores, aponta para um momento bastante preciso. A nossa vida social atinge o pico no início dos 20 anos, com um auge acentuado por volta dos 25 anos.
A partir daí, a curva não cai a pique, mas começa a descer de forma discreta.
Não o sentes de maneira dramática.
Apenas acordas um dia e percebes que a tua lista de “contactos” é longa, mas a lista de “pessoas a quem eu podia ligar às 2 da manhã” é assustadoramente curta.

Pensa na tua vida aos 22 ou 23. Talvez vivesses numa casa partilhada onde as portas nunca estavam totalmente fechadas. Havia sempre alguém na cozinha a fazer massa. Outro amigo mandava “copo?” e cinco pessoas diziam que sim em dez minutos. Não marcavas “tempo social”; estavas mergulhado nele.
Aos 28 ou 30, o cenário muda. Os amigos mudam-se, aparecem parceiros, chegam bebés, os cargos ficam mais compridos, os trajetos para o trabalho alongam-se. Uma pessoa desmarca uma bebida, depois outra, e tu deixas de sugerir tantas vezes.
Aquele silêncio lento entre mensagens? Nem sempre é drama.
Às vezes é só a vida adulta a fazer o que a vida adulta faz.

Os investigadores chamam-lhe “cristalização de papéis sociais”. Por volta da meia dúzia de anos após os 20, carreiras, relações e responsabilidades começam a encaixar e a fixar-se. Isso traz coisas boas: mais estabilidade, mais rendimento, mais clareza. Também fecha portas sem te pedir licença. Vês os mesmos colegas, os mesmos vizinhos, os mesmos pais à porta da escola. O teu mundo não fica pior - apenas mais estreito.
O nosso cérebro empurra-nos para investir mais em algumas pessoas-chave e menos em ligações casuais. Do ponto de vista evolutivo, faz sentido.
Mas, na experiência subjetiva, pode parecer que a janela para novas amizades vai descendo devagarinho, centímetro a centímetro, enquanto estás ocupado a enviar mais um “Desculpa, podemos remarcar?”

Porque é que fazer novos amigos parece mais difícil depois dos 25 - e o que fazer com isso

A maior mudança depois dos 25 é o esforço. Antes, a amizade vinha embalada no teu dia a dia: colegas, companheiros de casa, noites de clubes, bares baratos. Depois dos 25, tens de criar tu as situações. É a parte que ninguém explica bem na graduação.
Um método concreto que os investigadores destacam é o “contacto repetido e de baixa pressão”. Não grandes encontros intensos, mas muitos pequenos. Inscreve-te numa aula semanal, num clube desportivo, num grupo de hobbies. Aparece - mesmo quando estás cansado. E depois continua a aparecer.
A frequência vence a intensidade na construção de confiança.
Não precisas de ser brilhante. Só precisas de estar lá, vezes sem conta, até que “a pessoa daquela aula” se transforme lentamente em “o meu amigo daquela aula”.

Claro que é aqui que a vida real entra sem pedir licença. Estás exausto depois do trabalho, os fins de semana estão marcados com três meses de antecedência, e mal tens tempo para tratar da roupa, quanto mais para novos humanos. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias.
O erro que muitos de nós cometemos é esperar que a amizade se sinta espontânea, como aos 19. Esperamos um clique imediato, uma proximidade instantânea, ou então rotulamos como “estranho” e recuamos. Na realidade, a amizade adulta parece mais café de filtro a fazer lentamente do que um expresso duplo.
Vai haver conversas engasgadas. Vai haver pessoas que nunca mais voltas a ver. Isso não significa que sejas mau nisto. Significa que estás a fazer a parte confusa e necessária de que a maioria das pessoas não fala.

Os investigadores que estudam a solidão repetem uma ideia que parece simples, mas dói um pouco: não dá para terceirizar o primeiro passo. Alguém tem de enviar a primeira mensagem, propor o primeiro passeio, sugerir a primeira bebida depois do trabalho. E sim, às vezes esse alguém vais ser tu.

“Descobrimos que, depois dos 25 anos, as redes sociais tendem a encolher não porque as pessoas deixem de valorizar as amizades, mas porque subestimam o quanto os outros acolheriam um contacto mais profundo”, observa um psicólogo social que estudou a ligação entre adultos.

Para isto ficar menos abstrato, pensa em movimentos pequenos e executáveis:

  • Envia uma mensagem por semana do tipo “olá, lembrei-me de ti quando vi isto”.
  • Transforma uma atividade recorrente (ginásio, aula, trajeto) num momento rápido de conversa.
  • Diz “temos de repetir” e segue com uma data e uma hora concretas.
  • Organiza algo pequeno: duas pessoas para um café chega.
  • Mantém uma lista curta de “pessoas que gostava de conhecer melhor” e vai alternando os convites.

O que o número 25 significa, na prática, para as tuas amizades agora

Saber que 25 é a idade em que os nossos círculos sociais começam a encolher pode parecer que uma porta se fechou atrás de ti. Mas os dados descrevem uma tendência, não uma sentença. Muita gente constrói as suas amizades mais profundas nos 30, 40 e até 60 anos. O pico a meio dos 20 mostra sobretudo quando a passadeira rolante de ligações prontas a usar começa a abrandar.
O que muda depois disso não é a tua capacidade de te ligares aos outros, mas a infraestrutura que antes fazia metade do trabalho por ti. Já não és constantemente atirado, por defeito, para novos grupos. Por isso, a pergunta muda em silêncio de “Quem é que, por acaso, está à minha volta?” para “Quem é que eu quero mesmo à minha volta - e o que é que estou disposto a fazer em relação a isso?”

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
A amizade atinge o pico por volta dos 25 Estudos mostram que as redes sociais são maiores a meio dos 20 e depois encolhem gradualmente Ajuda a explicar porque é que fazer novos amigos pode, de repente, parecer mais difícil
O esforço substitui a espontaneidade Depois dos 25, dependes menos de contextos “prontos” (escola, universidade) e mais de ações deliberadas Incentiva-te a criar oportunidades regulares e de baixa pressão para conhecer pessoas
Os pequenos gestos contam mais Gestos consistentes e modestos constroem confiança mais do que gestos grandes e raros Dá-te formas realistas e pouco stressantes de aumentar e aprofundar amizades

FAQ:

  • Pergunta 1: Os 25 são mesmo a idade em que passa a ser “tarde demais” para fazer novos amigos?
  • Resposta 1: Não. A investigação mostra que o número de contactos tende a atingir o pico por volta dos 25, não que a capacidade de fazer amizades “expira”. Depois dessa idade, precisas apenas de mais intenção e repetição do que antes.
  • Pergunta 2: E se eu sentir que tenho quase nenhuns amigos aos 30 ou 40?
  • Resposta 2: Estás longe de estar sozinho. Muitas pessoas passam por isto em silêncio. Começa com passos muito pequenos: um clube, uma atividade semanal, uma pessoa a quem passas a mandar mensagem mais vezes. A consistência lenta vence as “reinvenções” dramáticas.
  • Pergunta 3: As amizades online contam como “amigos reais” nestes estudos?
  • Resposta 3: Alguns estudos acompanham chamadas telefónicas ou contacto presencial; outros incluem interações digitais. O que mais importa para o teu bem-estar é a proximidade sentida - não se se conheceram num ecrã ou num bar.
  • Pergunta 4: Quanto tempo demora a transformar um conhecido num amigo de verdade?
  • Resposta 4: A investigação sugere que podem ser necessárias dezenas de horas juntos para uma ligação aprofundar, muitas vezes distribuídas ao longo de semanas ou meses. É por isso que o contacto regular e leve funciona melhor do que encontros raros e intensos.
  • Pergunta 5: Há algum truque para me sentir menos estranho ao tentar fazer amigos em adulto?
  • Resposta 5: Parte do princípio de que a maioria das pessoas está, no mínimo, tão nervosa como tu. Faz perguntas simples, partilha um pequeno detalhe da tua vida e foca-te em ser curioso em vez de impressionante. Só isso reduz a pressão para os dois lados.

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