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Se tem mais de 60 anos, este hábito simples ajuda a saúde do coração sem esforço.

Homem a caminhar num parque, segurando uma garrafa de água. Árvores e um banco ao fundo.

A sala de espera do cardiologista estava estranhamente silenciosa para uma manhã de terça-feira. Sem telefones a tocar, sem a televisão ligada aos berros, apenas o som suave de chinelos e sapatos de caminhada a arrastar-se. Junto à janela, uma mulher na casa dos 60 rodava o anel de casamento, com os olhos a saltarem para os cartazes na parede: “Conheça os seus números”, “Mexa-se mais, sente-se menos”, “Proteja o seu coração depois dos 60”. Suspirou e murmurou ao homem ao lado: “Estão sempre a dizer-me para fazer exercício, mas os meus joelhos não concordam.” Ele acenou, com uma mão pousada numa bengala dobrada. Uma enfermeira saiu e chamou um nome, depois fez uma pausa e sorriu: “Sabe, até um hábito suave pode fazer maravilhas pelo seu coração. Não é preciso suar.”
A sala inclinou-se ligeiramente para a frente.
Ninguém quer que lhe digam para correr maratonas aos 65.

O ritmo suave que protege o seu coração em silêncio

Pergunte a qualquer cardiologista o que gostaria que os seus doentes com mais de 60 anos fizessem mais, e vai ouvir muitas vezes a mesma palavra: caminhar. Não é marcha rápida, com braços a balançar e ténis fluorescentes. É apenas caminhar de forma constante e confortável. Do tipo que se faz com a roupa normal, talvez com um casaco leve e as chaves no bolso.

Para o coração, este ritmo lento e regular é como um metrónomo suave. Não provoca choques. Não exige esforço. Simplesmente mantém as coisas a mexer, empurrando o sangue através dos vasos, acordando os músculos, dando aos pulmões algo para fazer para além de suspirar para uma cadeira.

Veja o caso do Bernardo, 72 anos, motorista de autocarro reformado. Depois de um pequeno susto no coração, o médico disse-lhe: “Não, não precisa de ginásio. Precisa de um hábito.” Então começou a dar a volta ao quarteirão uma vez por dia. Depois, duas.

Três meses depois, a pressão arterial tinha baixado e ele conseguia subir os dois lanços de escadas até ao apartamento sem parar para recuperar o fôlego. Continua a caminhar com o mesmo casaco velho, ao mesmo ritmo tranquilo. Fala com os mesmos donos de cães, repara no mesmo bordo a mudar lentamente com as estações. O médico chama-lhe treino cardiovascular. O Bernardo chama-lhe “a minha voltinha”.

Do ponto de vista médico, essa “voltinha” está a fazer mais do que ele imagina. A caminhada suave aumenta a circulação, o que ajuda a reduzir a rigidez dos vasos sanguíneos e apoia uma pressão arterial mais estável. O coração não é atingido por um esforço repentino; é convidado, com gentileza, a trabalhar um pouco mais do que o habitual.

Este movimento de baixa intensidade também ajuda os músculos a usar açúcar e gorduras de forma mais eficiente, o que pode contribuir para níveis de colesterol mais saudáveis. Com o tempo, os investigadores observam o impacto: menos eventos cardíacos, melhor resistência, menos falta de ar para as mesmas tarefas do dia a dia. O corpo não fica mais jovem, mas aprende novas formas, mais silenciosas, de se proteger.

Transformar a caminhada num verdadeiro hábito para o coração depois dos 60

O segredo não é caminhar uma vez. O segredo é caminhar outra vez amanhã. E no dia a seguir. Um hábito suave só protege o seu coração se realmente se tornar… um hábito.

Um objetivo realista para muitas pessoas com mais de 60 anos é 20–30 minutos de caminhada fácil, na maioria dos dias da semana. Pode ser tudo de uma vez, ou três mini-caminhadas de 10 minutos: até à padaria, à volta do parque de estacionamento, rua abaixo para “dizer olá às flores”, como me contou uma leitora de 68 anos. O ritmo é simples: consegue falar enquanto caminha, talvez um pouco ofegante, mas ainda capaz de manter uma conversa.

A maior armadilha é tentar fazer “demasiado, demasiado depressa” por sentir culpa pelos anos em que não se mexeu. Depois doem os joelhos, as costas queixam-se, e volta-se ao sofá, zangado com o corpo e consigo próprio. Todos já passámos por isso: o momento em que o corpo diz “pare” mais alto do que o médico diz “vá”.

Comece onde está, não onde acha que “devia” estar. Se cinco minutos à porta de casa parecem escalar uma montanha, essa é a sua linha de partida, não o seu fracasso. Uma leitora disse-me que começou por caminhar no corredor de casa, da porta até à janela, cinco vezes por dia, agarrada à parede. Seis meses depois, faz caminhadas de 25 minutos no parque.

“Digo a mesma coisa aos meus doentes com mais de 60 anos”, afirma a Dra. Lina Morales, cardiologista de prevenção. “Não se pergunte: ‘Isto é exercício suficiente?’ Pergunte: ‘Consigo repetir isto amanhã?’ Se a resposta for sim, o seu coração já está a ganhar.”

  • Comece primeiro em terreno plano e, depois, vá acrescentando pequenas subidas quando o corpo se adaptar.
  • Use calçado que seja gentil para os pés, mesmo para uma volta curta ao quarteirão.
  • Use bancos, paredes ou corrimões como “estações de descanso” em vez de forçar através da dor.
  • Ligue a caminhada a uma rotina que já tem: depois do pequeno-almoço, depois das notícias, depois de dar de comer ao gato.
  • Registe um pequeno sinal de progresso por semana: menos ofegar, menos paragens, um percurso ligeiramente mais longo.

Quando uma caminhada se torna algo mais profundo do que exercício

A certa altura, para muitas pessoas, caminhar deixa de ser uma “tarefa de saúde” e começa a parecer um pequeno compromisso privado consigo próprias. Uma avó de 64 anos contou-me que faz o mesmo caminho junto ao rio todas as tardes, não porque o médico mandou, mas porque é nessa altura que consegue ouvir os próprios pensamentos.

O coração não bombeia apenas sangue. Carrega o peso da preocupação, do luto, das memórias e das alegrias silenciosas reunidas ao longo de seis décadas. Mexer o corpo, mesmo suavemente, também alivia parte desse peso invisível. Passos lentos têm uma forma de desfazer nós em pensamentos pesados.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
A caminhada suave protege o coração 20–30 minutos na maioria dos dias, a um ritmo em que ainda consegue falar Melhora a circulação e a pressão arterial sem sobrecarregar as articulações
A consistência vence a intensidade Caminhadas pequenas, diárias ou quase diárias, protegem mais do que treinos raros e muito intensos Proporciona progresso realista e sustentável após os 60
Adapte-se ao seu corpo Percursos planos, calçado com bom suporte, pontos de descanso integrados Reduz a dor e o receio de se mexer, tornando o hábito mais fácil de manter

FAQ:

  • Pergunta 1: Quantos passos por dia devo tentar fazer depois dos 60 para ajudar o meu coração?
    Resposta 1: A investigação sugere que os benefícios podem começar por volta dos 6.000–7.000 passos em adultos mais velhos, mas, se estiver longe disso, comece com o que consegue fazer e vá acrescentando algumas centenas de passos de cada vez, lentamente.
  • Pergunta 2: E se eu não conseguir caminhar 20–30 minutos seguidos?
    Resposta 2: Divida em caminhadas de 5–10 minutos ao longo do dia; três períodos curtos podem apoiar o seu coração quase tanto como uma saída mais longa.
  • Pergunta 3: Caminhar em casa ou num corredor continua a ser útil?
    Resposta 3: Sim, desde que esteja a mover-se de forma contínua e sinta um aumento suave da respiração e da frequência cardíaca, o seu coração beneficia.
  • Pergunta 4: Como sei se estou a caminhar depressa demais para a minha condição?
    Resposta 4: Se não conseguir falar em frases completas, sentir dor no peito, tonturas ou falta de ar invulgar, abrande e fale com o seu médico antes de continuar.
  • Pergunta 5: Preciso de equipamento especial ou de um smartwatch para acompanhar o meu progresso?
    Resposta 5: Não. Um relógio simples e uma nota mental de “quanto tempo” ou “quão longe” é suficiente; os gadgets ajudam algumas pessoas, mas não são necessários para o seu coração beneficiar.

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