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Se te sentes inquieto mentalmente nos momentos de silêncio, a psicologia explica porquê.

Homem segurando xícara de chá, sentado à mesa com caderno aberto, ramos verdes e toalha dobrada, luz suave da manhã.

Estás deitado na cama, o telemóvel finalmente virado para baixo, o quarto em silêncio.
Disseste a ti próprio que precisavas disto - uma noite calma, sem scrolling, sem barulho.

Mas o silêncio não parece suave nem reconfortante.
Parece afiado. Agressivo.

O teu cérebro, de repente sem supervisão, começa a correr.
Conversas antigas. Desastres futuros. Aquele e-mail que enviaste há três dias.

O teu corpo está quieto, mas por dentro estás a percorrer corredores de um lado para o outro.
Estendes a mão para o telemóvel outra vez sem pensar, desesperado por qualquer coisa - o que for - que abafe o zumbido na tua cabeça.

Perguntas-te, não pela primeira vez: porque é que eu não consigo simplesmente relaxar?

Quando o silêncio aumenta o volume na tua cabeça

Há um paradoxo estranho na vida moderna.
Quanto mais silencioso fica o que te rodeia, mais alto parece ficar o teu pensamento.

Os psicólogos têm um nome para esta sensação de zumbido interno: inquietação mental.
Não é exatamente ansiedade, nem exatamente stress. É como se os teus pensamentos não soubessem sentar-se e parar de mexer.

Por fora podes parecer calmo, até preguiçoso no sofá.
Por dentro, a tua mente está a fazer scroll mais depressa do que qualquer feed de redes sociais.

Às vezes parece quase físico, como uma comichão atrás da testa que não consegues coçar.
Não queres pensar tanto, mas os pensamentos continuam a fazer fila.

Imagina isto.
Estás num comboio, sem Wi‑Fi, com 5% de bateria.

A paisagem passa e, durante talvez dois minutos, ficas apenas a olhar.
Depois começa a sensação picante. Lembras-te de tarefas por acabar, de pessoas a quem não respondeste, de coisas que “deverias” estar a fazer.

Puxas outra vez do telemóvel, mesmo sabendo que não há nada para ver.
Ou começas a bater com o pé, a roer o lábio, a abrir a mesma app de e-mail três vezes seguidas.

Um estudo de 2021 da Western University concluiu que muitas pessoas preferiam pequenos choques elétricos a ficar sozinhas com os próprios pensamentos durante 15 minutos.
Parece absurdo.
E também parece… desconfortavelmente credível.

Os psicólogos ligam esta inquietação mental a várias forças que se sobrepõem.
Parte é biológica: os nossos cérebros evoluíram para procurar perigo, não para flutuar em paz no vazio.

Parte é cultural.
Vivemos num mundo que, silenciosamente, venera a produtividade, por isso a quietude parece suspeita, quase culpada.

E parte vem do hábito.
Sempre que foges a um momento de silêncio com um ecrã, o teu cérebro aprende que o tédio é “mau” e o ruído é “alívio”.

Com o tempo, a cablagem muda.
O silêncio deixa de ser neutro e começa a parecer ameaçador.
Então a tua mente preenche o espaço com preocupação, planeamento, repetição - tudo menos estar aqui, neste momento, sem nada para fazer.

Como reeducar, com suavidade, uma mente inquieta

O primeiro pequeno passo não é forçar a calma, mas reparar na inquietação.
Da próxima vez que os teus pensamentos começarem a disparar num momento silencioso, rotula-o com delicadeza: “Ah, é outra vez este zumbido mental.”

Este pequeno ato de dar nome cria um espaço entre ti e o turbilhão.
Tu não és o caos; és quem observa o caos.

Depois, experimenta micro-pausas.
Dez segundos a sentir os pés no chão.
Uma respiração lenta, contando de um a quatro na inspiração e de um a seis na expiração.

Não estás a tentar apagar pensamentos.
Estás apenas a oferecer ao teu sistema nervoso uma opção diferente de correr.

Um truque prático que muitos terapeutas sugerem é o “sentar de 30 segundos”.
Uma vez por dia, sentas-te ou deitas-te, sem telemóvel, sem música, e simplesmente reparas nos teus sentidos durante meio minuto.

O que consegues ouvir na divisão ao lado?
Como é que o ar se sente nas tuas bochechas?

É só isso.
Não transformas isto numa grande mudança de estilo de vida ou numa rotina de duas horas.
Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, religiosamente.

O objetivo é mostrar ao teu cérebro que pequenas doses de silêncio, curtas e geríveis, são suportáveis.
Às vezes até sabem… bem. Quase luxuosas, como alongar um músculo de que te tinhas esquecido.

Uma armadilha comum é transformar a “inquietação mental” em mais uma coisa em que estás a falhar.
Podes pensar: “Nem sequer consigo relaxar como deve ser, o que é que se passa comigo?”

Essa crítica interior só acrescenta uma segunda camada de ruído em cima da primeira.
Tu não estás avariado. Estás adaptado a um mundo hiperestimulante.

“A inquietação é muitas vezes a forma de a mente dizer: ‘Fui sobrealimentada de informação e subalimentada de pausas reais’”, explica um psicólogo clínico com quem falei. “O silêncio não cria ansiedade. Revela o que já estava a zumbir por baixo da superfície.”

  • Nomeia o estado: diz mentalmente “mente inquieta” quando reparares nele.
  • Reduz o alvo: começa com 30 segundos de silêncio, não 30 minutos.
  • Ancora no corpo: sente a respiração, as mãos ou os pés.
  • Baixa a fasquia: o objetivo é tolerância, não relaxamento perfeito.
  • Procura apoio se necessário: quando a inquietação é esmagadora ou constante, falar com um profissional traz estrutura e alívio.

Repensar o que “calma” devia supostamente sentir

Talvez a verdadeira mudança comece quando deixamos de tratar a calma como uma folha em branco no cérebro.
Para muitos de nós, a calma terá sempre algum ruído de fundo - como um apartamento na cidade onde ainda se ouve trânsito lá fora.

Quando aceitas isso, os momentos de silêncio deixam de parecer um teste em que estás a falhar.
Passam a ser mais como um espaço de treino. Um lugar onde podes dizer: “Ok, mente, corre à vontade. Eu continuo aqui.”

Podes começar a notar padrões no que aparece quando o exterior fica silencioso.
Medos antigos. Luto por resolver. Verdades desconfortáveis sobre o quão cansado realmente estás.
Isso não é um sinal para fugir. É um sinal de que finalmente te estás a ouvir.

Com o tempo, com pequenas experiências - um café sem ecrãs, uma caminhada mais lenta, algumas respirações antes de desbloqueares o telemóvel - a inquietação pode amolecer.
Não desaparecer, mas aliviar o aperto.

E muitas vezes isso chega.
Não uma mente perfeitamente imóvel, apenas uma que não entra em pânico quando o mundo à volta finalmente fica em silêncio.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
A inquietação no silêncio é comum Ligada à biologia, à cultura da produtividade e a hábitos digitais Normaliza a experiência e reduz a auto-culpabilização
Pequenas pausas seguras reeducam o cérebro “Sentar” de 30 segundos, foco simples na respiração, nomear o estado Dá ferramentas concretas que cabem em vidas reais e ocupadas
Calma não significa zero pensamentos Aceitar ruído mental de fundo muda as expectativas Ajuda os leitores a sentirem-se bem com um silêncio “imperfeito”

FAQ:

  • Porque é que a minha mente acelera assim que tudo fica em silêncio? O teu cérebro está habituado à estimulação constante e vê o silêncio como um espaço a preencher. Preocupações antigas, listas de tarefas e emoções por resolver entram a correr porque já não há distrações a afastá-las.
  • A inquietação mental é o mesmo que ansiedade? Sobrepõem-se, mas não são idênticas. A inquietação pode ser um zumbido mais leve e geral, enquanto a ansiedade costuma vir com medos específicos, tensão no corpo e um sentido mais forte de ameaça.
  • Devo obrigar-me a meditar se detesto isso? Não necessariamente. Podes começar com práticas minúsculas e menos formais - um gole de café em silêncio, uma respiração lenta antes de abrires uma app, uma curta caminhada sem auscultadores.
  • Quando é que isto é sinal de que preciso de ajuda profissional? Se a inquietação te impede de dormir, trabalhar ou desfrutar de qualquer coisa, ou se vem acompanhada de pânico, tristeza profunda ou pensamentos assustadores, vale a pena contactar um terapeuta ou médico.
  • Uma mente inquieta pode mesmo mudar? Sim, mas geralmente de forma gradual. Com pausas curtas repetidas, diálogo interno mais gentil e menos “fugas de emergência” para a distração, o cérebro aprende que a quietude não é perigosa - apenas desconhecida.

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