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Se aos 70 ainda se lembra destas 7 coisas, a sua mente está mais afiada do que a maioria das pessoas da sua idade, dizem psicólogos.

Idosa escreve num caderno, sentada à mesa, cercada por fotos antigas, frascos, chave e relógio.

O velho de casaco de malha azul está no corredor do supermercado, a olhar fixamente para as prateleiras. O carrinho está meio cheio, a lista está dobrada no bolso e, ainda assim, ele não pega em nada. Depois percebe-se: tira a lista, percorre as palavras com o dedo, solta uma risadinha e vai direto à marca certa de chá, aquela que a mulher, já falecida, comprava sempre.
A poucos metros, uma jovem caixa observa-o com um respeito silencioso.

A nossa cultura adora pele sem rugas, mas os psicólogos acompanham discretamente algo bem mais precioso: que memórias sobrevivem aos anos e o que isso diz sobre o cérebro que ainda trabalha por trás daqueles olhos cansados.

E, por vezes, as mentes mais afiadas não são as que imaginaríamos à primeira vista.

Se ainda se recorda de ontem com detalhe, a sua “câmara mental” está bem acordada

Os psicólogos fazem muitas vezes uma pergunta aparentemente simples: “Conte-me como foi ontem, da manhã até à noite.”
Não as coisas grandes, mas a textura do dia. A forma como a luz entrou pela janela da cozinha. O que almoçou. Quem lhe ligou a meio da tarde.

Quando uma pessoa de 70 anos consegue rever ontem com cor, som e sequência, os especialistas veem aí um sinal de que os circuitos da memória episódica ainda estão ativos.
Importa menos ser perfeito e mais conseguir reconstruir uma história plausível, com princípio, meio e fim.

Esse fio narrativo funciona como um exame de saúde escondido.
Se ainda o consegue seguir, a sua mente está a fazer mais do que apenas “aguentar-se”.

Um investigador da memória em Paris falou-me recentemente de um motorista de autocarro reformado chamado Alain. Aos 72, conseguia descrever o dia anterior quase minuto a minuto.

Lembrava-se das palavras exatas que a neta usou no FaceTime. Do casaco vermelho da vizinha que o cumprimentou na escada. Da música que tocava enquanto queimava as cebolas para o jantar.
Nada de extraordinário. Apenas a vida, em alta resolução.

A ressonância magnética não era perfeita, claro. Uma ligeira atrofia aqui e ali. A idade deixa marcas. Ainda assim, a capacidade de ancorar o dia numa linha temporal clara equiparava-se à de pessoas dez, até quinze anos mais novas.
Segundo a psicóloga, é muitas vezes assim que se parece “envelhecer bem cá em cima”.

A memória episódica depende de redes que ligam o hipocampo a áreas que processam tempo, espaço e emoção.
Quando essas ligações são fortes, o dia de ontem parece um pequeno “filme” que se pode rever, em vez de um nevoeiro.

Isto não significa que nunca se esquece das chaves. Significa que mantém o esqueleto dos acontecimentos, onde ocorreram e em que ordem.
Essa estrutura sustenta o planeamento, a conversa e até a identidade.

Quando esses filmes do quotidiano ainda correm bem aos 70, a sua mente está a fazer um trabalho pesado nos bastidores.

As 7 coisas de que ainda se lembra se o seu cérebro estiver a envelhecer melhor do que a maioria

Os psicólogos que estudam o envelhecimento não perguntam apenas por datas e presidentes. Procuram sete tipos de memórias que tendem a manter-se em mentes mais lúcidas aos 70 e além.
Talvez se reconheça em algumas.

Primeiro: nomes associados a rostos. Não todos os nomes, nem sempre, mas a capacidade de olhar para um vizinho e recordar tanto o nome como onde se conheceram.
Segundo: percursos. Como ir de casa aos correios sem precisar de GPS.

Terceiro: compromissos nos próximos dias. Se ainda consegue manter na cabeça uma consulta no dentista ou um almoço sem entrar em pânico com o calendário, é um sinal discreto de resiliência.

Quarto: números de telefone antigos, moradas ou PINs de contas aprendidos há anos.
Esse tipo de memória de longo prazo é como um arquivo profundo; quando está acessível aos 70, mostra que o sistema de recuperação do cérebro continua bastante eficiente.

Quinto: letras de canções da adolescência e dos vinte e poucos. Pode esquecer-se do que foi fazer à cozinha e, mesmo assim, saber cada palavra de um êxito de 1973 enquanto cozinha.
Essa mistura de ritmo e emoção é um bastião cognitivo clássico.

Sexto: receitas ou sequências de “como fazer” que já nem pensa nelas, como mudar um pneu ou preparar o seu prato de assinatura.
Sétimo: momentos com forte carga emocional - o dia em que o seu filho nasceu, o emprego que perdeu, a noite em que um amigo não chegou a casa.
São memórias a que os investigadores do envelhecimento prestam muita atenção.

Cada um destes sete tipos de memória envolve um circuito cerebral ligeiramente diferente.
Por isso, quando alguém na casa dos setenta consegue aceder espontaneamente a vários deles, é como um check-up cognitivo em vários pontos, sem uma única folha de teste.

As memórias emocionais mostram que a amígdala e o hipocampo continuam a comunicar. Percursos e receitas revelam redes procedimentais e espaciais intactas. Nomes e compromissos apontam para memória de trabalho e atenção que ainda não se renderam por completo.

Sejamos honestos: ninguém consegue isto todos os dias.
Vai esquecer um nome, falhar um compromisso, ficar em branco numa estrofe. Isso é a idade, mas também é ser humano.

O que os psicólogos notam não é a perfeição, mas o padrão. Um cérebro que ainda mantém várias destas “portas” abertas costuma envelhecer melhor do que as estatísticas preveem.

Os hábitos simples do dia a dia que protegem secretamente essas memórias

O mais interessante é que muitas pessoas que mantêm estas sete competências de memória não seguem programas complicados de treino cerebral.
Apenas construíram alguns rituais pequenos que se repetem dia após dia.

Um dos mais fortes: contar e recontar histórias.
Não discursos longos, apenas recapitulações simples - “Isto foi o que fiz hoje” ou “Lembras-te daquela viagem de 98?” - partilhadas com o companheiro, um amigo ou os netos ao telefone.

Outro superpoder discreto é mexer o corpo o suficiente para ficar ligeiramente sem fôlego. Uma caminhada rápida de 20 minutos, algumas escadas, jardinagem que o faça respirar mais fundo. O fluxo sanguíneo alimenta precisamente as regiões que mantêm essas memórias vivas.
E quem continua a andar, continua a falar; quem continua a falar, tende a continuar a lembrar-se.

O erro comum número um é desistir demasiado cedo.
No momento em que alguém se esquece de um nome ou repete uma história, sente vergonha e recua. Menos encontros sociais, menos histórias contadas, menos oportunidades para o cérebro praticar.

Os psicólogos veem isto constantemente, e custa-lhes. Todos já passámos por aquele momento em que nos ouvimos a perguntar: “Já te contei isto?” e desejamos que a terra nos engula.
O truque não é afastar-se, mas tratar o cérebro como um músculo que prospera com uso suave e diário.

Outra armadilha é depender apenas de ecrãs para estímulo.
Palavras cruzadas e apps são úteis, mas o treino cerebral mais rico continua a vir da vida real, barulhenta e imperfeita: conversar num café, orientar-se num mercado cheio, aprender uma receita nova com um amigo.

“A memória aos 70 tem menos a ver com ‘nunca esquecer’ e mais com manter-se ligado ao mundo”, explica a neuropsicóloga Laura Germine. “As pessoas que envelhecem melhor cognitivamente raramente são as que ficam sozinhas a tentar ser perfeitas.”

  • Fale sobre o seu dia em voz alta: uma recapitulação de cinco minutos todas as noites, com alguém ou até consigo.
  • Mexa-se diariamente: movimentos curtos e regulares batem esforços heróicos uma vez por mês.
  • Aprenda coisas pequenas e novas: um nome novo, um facto novo, uma rua nova por semana.
  • Proteja o sono: uma hora de deitar consistente ajuda o cérebro a “arquivar” o dia como deve ser.
  • Mantenha vida social com ruído: um café com um amigo muitas vezes vence qualquer app de treino cerebral.

Uma mente afiada aos 70 é menos milagre e mais atitude

Fale com pessoas mais velhas que ainda se lembram de percursos, receitas, canções e do almoço de ontem, e nota-se algo para lá da genética.
Carregam uma curiosidade teimosa, uma decisão de continuar a aparecer na vida mesmo quando cansa, ou quando as palavras escapam.

Continuam no chat de grupo da família, mesmo que escrevam devagar. Continuam a fazer perguntas no consultório. Continuam a consultar a lista de compras e depois desafiam-se a recordá-la de memória, só por brincadeira.
Perdem-se de vez em quando, riem, pedem indicações e acrescentam aquele café novo ao mapa mental.

Os psicólogos têm cuidado para não romantizar o envelhecimento - a demência é real e cruel, e nem sempre é evitável.
Ainda assim, os dados voltam sempre à mesma verdade silenciosa: manter-se envolvido, mexer-se, dormir de forma decente e falar com outros seres humanos dá ao cérebro a melhor hipótese.

Pode não controlar tudo, mas pode escolher contar mais uma história, aprender mais um nome, andar mais um quarteirão.
Esses pequenos atos, repetidos sem drama, separam muitas vezes a pessoa de 70 anos que se sente mentalmente “acabada” daquela que está a planear a viagem do próximo verão, a trautear a letra de um êxito esquecido enquanto faz as malas.

Se se reconhece nestas sete memórias - a letra da canção, o caminho para o dentista, o número de telefone que insiste em não sair da cabeça - talvez o seu cérebro esteja a sair-se melhor do que lhe dá crédito.
E, se não se reconhece, a história ainda não acabou.

A mente mantém uma plasticidade surpreendente em qualquer idade.
Ainda pode, com gentileza, empurrá-la para lembrar, ligar-se e importar-se.

Um dia, pode ser você no corredor do supermercado, a recordar em silêncio a marca exata de chá que alguém querido costumava comprar - e alguém mais novo olhará para si e pensará, sem dizer uma palavra: é isto que uma mente afiada parece.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Sete memórias “marcadoras” Nomes, percursos, compromissos, números antigos, letras, sequências, acontecimentos emocionais Forma rápida de avaliar como a sua memória está realmente aos 70
Micro-hábitos diários Contar histórias, caminhar, contacto social, sono, pequenas aprendizagens novas Alavancas concretas para proteger e até melhorar a memória ao longo do tempo
Atitude acima da perfeição Aceitar falhas, manter-se envolvido, evitar retraimento e isolamento Reduz a ansiedade com o envelhecimento e apoia uma mente mais saudável e ativa

FAQ:

  • Pergunta 1 Esquecer nomes significa que estou a desenvolver demência?
  • Pergunta 2 Ainda posso melhorar a minha memória depois dos 70?
  • Pergunta 3 As apps de treino cerebral são suficientes para me manter “afiado”?
  • Pergunta 4 Como sei quando a perda de memória é grave?
  • Pergunta 5 Qual é uma coisa simples que posso começar a fazer hoje?

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