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"Vou comprá-lo até aos 90": dermatologista revela o nome do seu champô de supermercado favorito.

Médica de bata branca aplica desinfetante nas mãos em laboratório com microscópio ao fundo.

A dermatologista chegou atrasada à nossa entrevista, com o cabelo ainda ligeiramente húmido, a bata meio aberta sobre um vestido de linho. Largou o saco de lona na cadeira, tirou uma garrafa de supermercado meio amarrotada e disse, quase a pedir desculpa: “Isto. Vou comprá-lo até aos 90.”

No mundo das farmácias iluminadas por fluorescentes e dos cuidados capilares de luxo, a declaração soou quase rebelde. Sem pipetas de vidro. Sem tampas douradas. Apenas uma garrafa de plástico que se apanha entre os iogurtes e o detergente da loiça.

Enquanto falava, os dedos a percorrerem inconscientemente o próprio cabelo macio, com reflexos prateados, percebi algo simples: a revolução silenciosa nas nossas casas de banho pode estar a acontecer na prateleira de baixo.

E não onde as marcas querem que olhe.

O champô de supermercado em que uma dermatologista confia de verdade

Chama-se Dra. Clara Montel, tem 48 anos, é dermatologista num hospital urbano muito movimentado e inimiga declarada de rotinas demasiado complicadas. Ao longo da carreira, testou centenas de produtos: desde tratamentos do couro cabeludo sujeitos a receita até champôs que custam mais do que um jantar fora.

O que ela recomenda sem hesitar? Um clássico de parafarmácia: La Roche-Posay Kerium Champô Extra Suave.

“Não é glamoroso”, ri-se. “Não promete cabelo de sereia nem minerais carregados pela lua. Simplesmente… funciona.”

Compra-o no mesmo supermercado onde vai buscar leite para os filhos adolescentes. Sem encomendas especiais. Sem cerimónia de salão. Apenas o atira para o carrinho ao lado dos cereais.

Conta-me o caso de uma doente, a Sophie, 36 anos, que apareceu com zonas em carne viva e irritadas ao longo da linha do cabelo. Vermelhas, com descamação, sempre a coçar. A Sophie tinha experimentado tudo o que “via no TikTok”: enxaguamentos com vinagre de sidra, esfoliantes para o couro cabeludo, três “champôs detox” diferentes.

A casa de banho parecia um laboratório capilar. O couro cabeludo parecia ter sobrevivido a uma pequena guerra.

A Dra. Montel simplificou tudo ao máximo. “Um champô suave. Nada mais”, disse-lhe, apontando o nome da garrafa de supermercado. Três semanas depois, as placas inflamadas tinham diminuído. A comichão quase desaparecera. A principal pergunta da Sophie foi simples: “Posso mesmo ficar só com este?”
A resposta da médica foi ainda mais simples: sim.

Explica porque é que esta garrafa de aspeto banal ganhou um lugar permanente no seu duche. A fórmula tem pouca fragrância, uma lista curta de ingredientes e tensioativos suaves que limpam sem remover o filme protetor natural do couro cabeludo. Sem sulfatos agressivos, sem silicones pesados que abafam as raízes, sem “efeito spa” de formigueiro que, na realidade, é irritação.

“As pessoas esquecem-se de que o couro cabeludo é pele”, diz. “Nunca lavarias o rosto com detergente da loiça, mas fazes isso à cabeça três vezes por semana.”

O champô de que ela gosta é aborrecido no melhor sentido: pH estável, base de água termal calmante, testado em pele sensível. Há algo discretamente poderoso num produto que não tenta ser emocionante e acaba por ser fiável.

Como uma dermatologista usa realmente o seu champô preferido

Quando fala de como o usa, há quase um ritual. Nada místico. Apenas pequenos gestos precisos. Molha bem o cabelo, depois coloca uma quantidade moderada de champô na palma da mão, “mais ou menos do tamanho de uma avelã para cabelo curto, uma noz se for comprido.”

Esfrega as mãos antes de tocar na cabeça. “Isto faz espuma antes”, explica, “para espalhar com suavidade em vez de despejar uma porção num único sítio.” Massaja com as pontas dos dedos, nunca com as unhas, começando no couro cabeludo e não nas pontas.

Depois vem a parte que poucos de nós respeitamos: enxaguar. Muito. Quase irritantemente muito. “A maioria dos problemas que vejo vem de produto mal removido”, diz, encolhendo os ombros. “Não é culpa do champô. É a nossa impaciência.”

Quando lhe pergunto sobre erros comuns, os olhos brilham. Já viu de tudo. Lavar todos os dias porque “se não lavar, o meu cabelo parece sujo”. Duplicar produtos de limpeza agressivos. Copiar influenciadores cujos couros cabeludos não se parecem nada com o nosso.

É delicada ao enumerá-los, sem julgamento na voz. “Eu percebo. O cabelo é emocional. Num dia de mau cabelo, tudo parece fora do sítio.” Recomenda começar com duas lavagens por semana com este champô suave e depois ajustar conforme a rapidez com que as raízes ficam oleosas.

Sejamos honestos: ninguém massaja durante três minutos completos todos os dias. Mas ela incentiva as pessoas a, pelo menos, abrandarem numa lavagem por semana. “Chamem-lhe a vossa lavagem de reset”, diz. “O mesmo champô, só com mais presença.”

Depois confessa-me algo que soa quase a desabafo.

“Eu podia ter qualquer marca profissional de graça. Envio de PR, amostras, lançamentos sofisticados. E mesmo assim, quando empurro o carrinho no corredor do supermercado, pego no meu Kerium como quem pega em pão ou pasta de dentes. Já faz parte da minha vida”, diz. “Se alguma vez deixarem de o produzir, acho que entro um bocadinho em pânico.”

Para simplificar, ela resume quem pode beneficiar deste tipo de champô suave de supermercado:

  • Pessoas com couro cabeludo sensível ou facilmente irritável
  • Quem pinta o cabelo e quer evitar que a cor desvaneça demasiado depressa
  • Qualquer pessoa com comichão, sensação de repuxar ou ardor após a lavagem
  • Pessoas cansadas de gerir cinco champôs diferentes “para o caso de…”
  • Pais à procura de uma opção familiar, simples e sem dramas no duche

Para além da garrafa: o que esta escolha de champô realmente diz

Ao ouvi-la, percebe-se que a garrafa é quase um símbolo. Uma dermatologista com acesso às fórmulas mais avançadas escolher um champô de supermercado é como um chef a comer satisfeito uma omelete simples em casa. Desafia, de forma discreta, a ideia de que caro significa sempre melhor.

A posição dela não é contra cuidados capilares profissionais. Alguns couros cabeludos precisam mesmo de fórmulas medicamentosas ou tratamentos específicos. Ela prescreve-os quando é necessário. O que questiona é a pressão constante para “subir de nível” em cada passo da rotina, como se o nosso valor estivesse escrito no rótulo em letras metálicas.

Há um alívio estranho em ouvir uma especialista dizer, com calma: “Isto chega.”

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
A fórmula suave vence Pouca fragrância, tensioativos suaves, testado em pele sensível Reduz irritação, sensação de repuxar e comichão sem comprometer a limpeza
Uma rotina simples é válida Um champô fiável, usado corretamente, supera uma prateleira de produtos agressivos Poupa dinheiro e tempo, protege o couro cabeludo e reduz o stress
A técnica importa Pouca quantidade, massagem com as pontas dos dedos, enxaguamento prolongado Maximiza os resultados até de um produto básico de supermercado

FAQ:

  • Posso usar este champô todos os dias? A Dra. Montel diz que a maioria dos couros cabeludos normais a sensíveis tolera o uso diário de um champô muito suave, mas ainda assim incentiva a apontar para 2–4 lavagens por semana, se possível. Ouça as suas raízes e o seu estilo de vida, em vez de regras rígidas.
  • Um champô suave limpa bem se eu usar produtos de styling? Sim, desde que dedique tempo a trabalhar a espuma nas raízes e enxagúe muito bem. Se usar ceras ou sprays pesados, pode fazer uma segunda lavagem leve com o mesmo champô, em vez de mudar para uma fórmula mais agressiva.
  • Este champô é bom para cabelo pintado ou com madeixas? É precisamente o tipo de cabelo que muitas vezes beneficia de fórmulas suaves que não “arrancam” a fibra. Um champô de supermercado suave como o Kerium tende a ajudar a cor a durar mais e reduz aquela sensação de palha ao fim de algumas semanas.
  • E se o meu couro cabeludo for muito oleoso? Pode começar na mesma com um champô suave. Aumente ligeiramente a frequência ou faça duas lavagens leves seguidas. Se a oleosidade continuar extrema após algumas semanas, é aí que um dermatologista pode acrescentar um produto direcionado - não necessariamente substituir o champô base suave.
  • Preciso de um amaciador da mesma marca? Não. Pode combinar este tipo de champô simples e amigo do couro cabeludo com praticamente qualquer amaciador ou máscara para comprimentos que já goste. Só mantenha o amaciador longe das raízes para o couro cabeludo conseguir “respirar”.

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