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"De modo nenhum": Roy Keane rejeita de forma direta a hipótese de Michael Carrick ser treinador permanente do Man Utd.

Dois homens conversam ao lado do campo de futebol; um aponta energicamente enquanto o outro observa sentado.

A câmara focou Roy Keane e quase se sentiu a temperatura no estúdio da Sky Sports descer uns dois graus. O Manchester United acabara de bater um adversário sob a orientação calma e discreta de Michael Carrick, e a sugestão surgiu - como sempre acontece nestes períodos desconfortáveis de interinidade: deve ficar com o cargo em definitivo? Keane não pestanejou. Não sorriu. Quase não se mexeu. E então veio a resposta que ecoou nas redes sociais em minutos: “Absolutamente não.”

As palavras caíram com o peso de uma entrada de carrinho.

Numa massa adepta desesperada por esperança, uma honestidade tão crua atinge de outra forma.

A honestidade brutal de Roy Keane encontra a audição silenciosa de Carrick

Nem era preciso ter o som ligado para ler a linguagem corporal de Keane. Braços cruzados, maxilar tenso, aquela mistura familiar de frustração e preocupação no olhar. A conversa no estúdio estava a derivar para o optimismo, para a ideia de que talvez - só talvez - Michael Carrick pudesse ser a solução para o carrossel interminável de treinadores do Manchester United. Então Keane cortou o ruído com duas palavras que soaram a duche de água fria.

Isto não foi um ataque pessoal. Foi um banho de realidade vindo de alguém que viveu por dentro os padrões do Manchester United.

Para perceber por que razão Keane reagiu de forma tão brusca, é preciso olhar para o padrão. Desde que Sir Alex Ferguson se reformou, o United tem cambaleado de experiência em experiência: David Moyes, Louis van Gaal, José Mourinho, Ole Gunnar Solskjær, Ralf Rangnick, Erik ten Hag. Cada melhoria de curto prazo trouxe o mesmo coro: “Dêem-lhe o cargo, ele percebe o clube.”

Ole fê-lo como interino e embalou numa série mágica. O cântico “Ole’s at the wheel” tornou-se meme antes de se tornar sinal de alarme. Os resultados caíram, os problemas regressaram e a decisão emocional pareceu dolorosamente ingénua. Os adeptos lembram-se disso agora, mesmo que nem sempre o admitam. A calma de Carrick na linha lateral disparou o mesmo déjà vu.

Keane tem pouca paciência para o que vê como sentimentalismo. A sua visão assenta na crença de que o Manchester United não deve ser um espaço de aprendizagem “em serviço”. Para ele, um “efeito interino” não apaga o caos institucional, os problemas de recrutamento ou a fragilidade mental que tem sido visível há uma década.

Por esse prisma, as críticas elogiosas e a curta sequência de resultados estabilizadores de Carrick não chegavam. Não se entrega um dos maiores cargos do mundo a alguém só porque endireitou um navio a meter água durante meia dúzia de jogos. O “Absolutamente não” de Keane não foi apenas sobre Carrick. Foi sobre o hábito do United de se apaixonar por soluções de curto prazo.

Porque Keane não acredita na solução do “tipo porreiro”

A posição de Keane vem de um lugar muito específico: ele acredita que o United precisa de uma figura comprovada, implacável, testada em batalhas - não de mais um homem simpático do clube. Carrick é admirado por antigos colegas, respeitado pela inteligência e elogiado pela calma à beira do relvado. Para Keane, é precisamente aí que está o problema.

Na cabeça dele, o United amoleceu - e pessoas “moles” não dão a volta a isso. Ele quer alguém capaz de entrar naquele balneário, afastar nomes grandes se for preciso e repor padrões sem hesitar. Uma promoção sentimental não encaixa nesse guião.

Os adeptos deixam-se puxar por Carrick porque ele representa algo reconfortante. Um regresso ao último grande United, uma cara familiar que não fala em clichés nem cria drama. Quando entrou como interino, houve calma visível: os jogadores pareceram um pouco mais organizados, os ruídos do balneário baixaram, e quase se conseguia imaginar uma transição pacífica e lógica.

Todos já passámos por isso: aquele momento em que uma opção simples e segura parece ser a resposta só porque as alternativas parecem confusas. A passagem de Carrick como treinador do Middlesbrough também alimentou a narrativa: futebol progressivo, resultados decentes, a sensação de que é um treinador “em ascensão”. É fácil costurar isso num conto de fadas. Fácil - e arriscado.

A frontalidade de Keane corta a direito esse amortecedor emocional. Aos seus olhos, o United não precisa apenas de um treinador que desenhe uma boa estrutura ou acalme um grupo fracturado. Precisa de alguém com gravitas para enfrentar a estrutura acima, resistir a tempestades mediáticas e manter o balneário na linha quando os resultados inevitavelmente vacilarem.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias ao nível exigido sem anos a ser queimado e endurecido por trabalhos de elite. É essa a frase nua e crua por baixo da reacção de Keane. O “Absolutamente não” é menos uma rejeição de Carrick enquanto pessoa e mais uma rejeição da ideia de que o United pode atalhar a saída de uma crise de identidade de dez anos com mais uma promoção esperançosa.

Entre nostalgia e necessidade: o que o United realmente precisa

Se tirarmos a emoção, emerge um método simples na visão de Keane: separar afeição de avaliação. Ele pode gostar de Carrick, respeitar a carreira como jogador e, ainda assim, achar que não está pronto para o cargo permanente no United. É um hábito mental útil, sobretudo no futebol moderno, onde as narrativas correm mais depressa do que a lógica.

Para adeptos e comentadores, a tentação é sempre ligar pontos que encaixem numa história reconfortante. Ex-jogador. Conhece o clube. Boa sequência de jogos. “Dêem-lhe o cargo.” Keane começa do outro lado: o que é que este trabalho exige no seu pior cenário? E depois pergunta quem está realmente equipado para isso.

O erro comum - repetido de poucos em poucos anos em Old Trafford - é confundir pequenos lampejos de competência com adequação a longo prazo. Um treinador interino ganha três jogos e, de repente, é apresentado como herdeiro espiritual de Ferguson. A direcção aproveita o entusiasmo, as redes sociais amplificam, e antes de alguém respirar já o contrato está em cima da mesa.

Há uma espécie de bondade em querer que Carrick triunfe no United. Também é uma armadilha. Ele podia facilmente tornar-se o próximo ex-jogador atirado para a fornalha cedo demais, julgado para sempre por um cargo que nunca esteve preparado para assumir. A recusa de Keane em alinhar com esse sentimento é dura, mas tem também uma ponta de protecção.

“Absolutamente não”, disse Keane, quando lhe perguntaram se Carrick devia ser uma solução permanente. “Precisa de um treinador de topo, topo. O Michael é um bom rapaz, mas estamos a falar do Manchester United.”

  • Separar emoção de avaliação: admirar a calma de Carrick não significa que ele esteja pronto, neste momento, para o maior cargo da sua vida.
  • Respeitar a dimensão do cargo: o United não é “mais um clube”; o escrutínio, a pressão e a política destroem treinadores despreparados.
  • Aprender com experiências passadas: o percurso de Ole é um aviso - brilho interino, contrato permanente e depois um desmoronamento doloroso que afectou o seu legado.
  • Valorizar experiência em caos: a tempestade interna do United exige alguém habituado a gerir egos, direcções e furacões mediáticos ao mesmo tempo.
  • Proteger os ex-jogadores: por vezes, a coisa mais gentil é dizer “ainda não” em vez de empurrar uma figura querida para um trabalho impossível.

A verdade desconfortável com que os adeptos do United estão a debater-se

O “Absolutamente não” de Keane paira sobre uma questão maior: que tipo de clube querem ser os Manchester United nos próximos cinco anos? Um que duplica a aposta na nostalgia e no sentimento, ou um que abraça o caminho desconfortável de decisões duras e contratações impopulares? A opção fácil é sempre a cara familiar - o ex-jogador que fala bem do emblema e diz as coisas certas sobre a cultura.

O caminho mais difícil é aceitar que conforto e competência nem sempre são a mesma coisa. Para alguns adeptos, Carrick representa um United mais gentil, uma ponte de regresso a tempos melhores. Para Keane, essa gentileza é precisamente aquilo que precisa de ser quebrado.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Rejeição frontal de Keane “Absolutamente não” resumiu a sua visão de que o sentimentalismo não pode conduzir a próxima decisão sobre o treinador. Ajuda os adeptos a afastarem-se de reacções emocionais e a considerarem as exigências reais do cargo.
Padrão de hype com interinos Experiências passadas com Ole e outros mostram o perigo de reagir em excesso à forma de curto prazo. Dá contexto para avaliar a candidatura de Carrick com mais cautela e menos pensamento desejoso.
Necessidade de autoridade comprovada Keane acredita que o United precisa de uma figura experiente e implacável, não de um treinador em desenvolvimento. Enquadra o debate em torno de experiência, padrões e estabilidade a longo prazo.

FAQ:

  • Porque é que Roy Keane disse “Absolutamente não” sobre Carrick como treinador permanente? Keane sente que o cargo no Manchester United é grande demais e caótico demais para um treinador relativamente inexperiente, por muito respeitado ou simpático que seja.
  • Keane não gosta pessoalmente de Michael Carrick? Não há sinais disso. Ele tem elogiado Carrick de forma consistente como jogador e como pessoa; o seu problema é a ideia de mais uma nomeação emocional baseada no curto prazo.
  • Carrick fez, na verdade, um mau trabalho como treinador? Não. O seu período como interino no United foi estável, e o seu trabalho no Middlesbrough tem sido elogiado. O argumento de Keane é sobre a escala do cargo no United, não sobre o talento de Carrick.
  • Os adeptos do United estão divididos quanto à ideia de Carrick treinar o clube? Sim. Alguns adoram o romantismo de um antigo jogador regressar como treinador; outros têm medo de repetir o ciclo que se seguiu à nomeação de Ole.
  • Qual é a mensagem mais profunda por trás dos comentários de Keane? Ele está a avisar que o United tem de parar de tomar decisões emocionais, exigir autoridade comprovada ao mais alto nível e proteger tanto o clube como os seus ex-jogadores de mais uma experiência dolorosa.

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