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Pessoas com mais de 65 anos que adotam esta mentalidade lidam melhor com as mudanças físicas.

Idosa em exercício de alongamento com faixa elástica, sentada no tapete numa sala iluminada.

A primeira vez que reparei nisso no meu pai foi no parque de estacionamento do supermercado.
Ele costumava sair do lugar do condutor num só movimento, com facilidade. Nesse dia, parou, agarrou-se à ombreira da porta e respirou com cuidado antes de pôr os pés no chão.

Ele desvalorizou, a rir. Disse que o banco do carro tinha “encolhido”.
Mas a forma como ele varreu o passeio com os olhos, quase a medir a distância ao chão, contava outra história.

Mais tarde, em casa, disse, quase casualmente: “Acho que é isto que a velhice parece.”
E eu lembro-me de pensar: nem toda a gente fala do envelhecimento assim.
Algumas pessoas da idade dele ficam mais lentas com as mudanças. Outras levam pancadas físicas tão fortes… e, ainda assim, conseguem manter-se emocionalmente mais leves.

A diferença, muitas vezes, não está nos joelhos nem na visão.
Começa muito mais acima.

O poder silencioso de uma mentalidade flexível depois dos 65

Passe uma tarde em qualquer sala de espera de uma consulta de geriatria e começa a notar um padrão.
Duas pessoas com praticamente o mesmo diagnóstico reagem de formas completamente diferentes.

Uma parece derrotada pela palavra “artrite” antes de o médico acabar a frase.
Outra começa a perguntar onde são as aulas de exercício e se ainda pode viajar de comboio.

Os corpos estão a envelhecer a um ritmo mais ou menos igual.
A diferença está na forma como falam consigo próprias sobre o que está a acontecer.
Essa conversa interior - essa mentalidade - molda discretamente quanto se mexem, quem veem e como lidam quando algo dói.

Veja o caso da Maria, 72 anos, ex-professora, recém-reformada.
Quando o equilíbrio começou a falhar um pouco, deixou de descer as escadas para o jardim. Disse à família: “Se eu caio, acabou-se, vou parar a um lar.”

O vizinho dela, Jean, 76, passou pela mesma fase de vertigens.
Disse ao médico: “Certo, o que é que eu preciso de aprender agora?”
Inscreveu-se numa aula suave de tai chi, mandou instalar um corrimão ao longo das escadas e passou a fazer compras cedo, de manhã, quando as ruas estavam sossegadas.

Ao fim de um ano, os registos clínicos eram semelhantes.
Mas as vidas não.
O Jean continuava a fazer churrascos com amigos, andava de autocarro, queixava-se dos árbitros de futebol. O mundo da Maria tinha-se encolhido lentamente até ao sofá e ao comando da televisão.

Os psicólogos chamam a isto uma “mentalidade adaptativa” ou “mentalidade de crescimento”, e não aparece por magia à nascença.
É a ideia de que, mesmo depois dos 65, ainda se pode aprender, ajustar e encontrar novas formas de viver bem num corpo em mudança.

As pessoas com esta mentalidade não fingem que envelhecer é fácil.
Simplesmente recusam ver cada mudança física como o fim da história.
Uma nova dor significa “vou precisar de uma nova estratégia”, não “a minha vida acabou”.

Os investigadores que estudam o envelhecimento notam algo impressionante.
Os adultos mais velhos que veem o envelhecimento como uma fase de aprendizagem e adaptação tendem a caminhar mais, recuperar melhor após cirurgias e relatar menos depressão.
Não são mais fortes porque “pensam positivo”.
São mais fortes porque a forma como pensam os empurra para pequenas ações diárias que os mantêm em movimento.

A mudança de mentalidade que muda tudo

A mentalidade que parece ajudar mais as pessoas com mais de 65 anos é surpreendentemente simples:
“Não consigo controlar todas as mudanças no meu corpo, mas posso sempre escolher o meu próximo pequeno passo.”

Leia isso outra vez, devagar.
Parece quase básico demais, mas funciona como âncora quando as articulações doem, a audição piora ou a energia baixa.

Em vez de fixarem o olhar no que foi perdido, procuram o que pode ser ajustado hoje.
Sapatos diferentes. Caminhadas mais curtas, mas mais frequentes. Exercícios sentados em vez de longas sessões no ginásio.
Tratam cada limite físico não como uma porta fechada, mas como um corredor com várias outras portas para experimentar.

Esta frase interior - “Qual é o meu próximo pequeno passo?” - torna-se uma espécie de voz amiga.
Sem negar a dor. Apenas a orientar a atenção para movimento, escolha e possibilidade.

Muitos adultos mais velhos caem numa armadilha mental sem se aperceberem.
Comparam-se com o “eu” dos 40 anos e cada diferença parece um fracasso.

Por isso deixam de ir dançar porque já não aguentam ficar fora até tarde.
Deixam de visitar amigos porque agora precisam de uma sesta.
Deixam de caminhar no parque porque às vezes têm de se sentar num banco a meio.

A mentalidade adaptativa inverte a comparação.
Em vez de “ando menos do que aos 50”, a pergunta passa a ser: “Que tipo de caminhada ainda me sabe bem agora?”

Essa simples reformulação pode salvar uma tarde inteira.
Uma caminhada lenta de 10 minutos, com pausas, ainda alimenta os músculos, acalma a mente e mantém a vida um pouco maior do que a sala de estar.

Há uma verdade simples no centro disto.
Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, sem falhar.

Mesmo a pessoa mais resiliente de 70 anos tem dias em que tudo parece pesado demais, rígido demais, injusto demais.
A mentalidade adaptativa não é sobre ser herói.
É sobre voltar, vezes sem conta, à ideia de que ainda é possível um pequeno ajuste.

Em dias maus, isso pode significar apenas: “Hoje vou ligar a um amigo em vez de cancelar tudo.”
Ou: “Hoje vou alongar os tornozelos enquanto vejo as notícias.”

Com o tempo, estes gestos minúsculos enviam uma mensagem mais profunda ao cérebro:
“Eu ainda estou aqui, ainda participo, o meu corpo e eu estamos nisto juntos.”
Essa mensagem suaviza a ansiedade e faz com que a próxima mudança pareça um pouco menos assustadora.

Formas práticas de desenvolver esta mentalidade depois dos 65

Um dos pontos de partida mais fáceis é mudar a forma como fala do seu corpo em voz alta.
As palavras moldam a mentalidade mais do que pensamos.

Troque “as minhas costas estão arruinadas” por “as minhas costas agora precisam de um tipo diferente de cuidado”.
Troque “já não consigo fazer nada” por “já não consigo fazer como antes, mas talvez haja outra maneira”.

Experimente este método simples durante uma semana.
Sempre que se apanhar a dizer algo absoluto - “nunca”, “acabou”, “inútil” - edite a frase com gentileza.
Acrescente um “neste momento” no fim. Ou acrescente “desta forma”.

“Não consigo subir escadas… da mesma forma.”
De repente, o seu cérebro tem espaço para procurar um corrimão, um elevador ou um ritmo mais lento.

Outro hábito poderoso é planear “microvitórias” em vez de grandes objetivos impressionantes.
Muitas pessoas com mais de 65 ainda pensam como quando eram mais novas e definem metas que, em silêncio, as castigam.

Prometem que vão caminhar uma hora por dia, todos os dias, a partir da próxima segunda-feira.
Inscrevem-se num ginásio e esperam ir três vezes por semana.
Em duas semanas, a vida mete-se no caminho, o corpo protesta, o plano desaba.

A vergonha instala-se: “Vês? Eu sabia que já era demasiado velho para isto.”
Uma mentalidade adaptativa perdoa estes “crashes” e reduz a ambição.

Cinco minutos de alongamentos enquanto a chaleira ferve.
Duas voltas ao corredor, com a mão na parede.
Um copo extra de água.
No papel, isto parece pouco.
Por dentro, reconstrói a confiança entre si e o seu corpo em mudança.

“Deixei de perguntar se ainda conseguia fazer tudo o que fazia aos 40”, diz o André, 79 anos.
“Comecei a perguntar: ‘O que é que me mantém a sentir-me eu?’ E depois fiz uma versão mais pequena disso.”

  • Faça uma pergunta curiosa por dia
    Em vez de julgar o seu corpo, pergunte: “O que é que me ajudou a sentir-me um pouco melhor hoje?” Isto mantém a mente em modo de aprendizagem, não de culpa.
  • Mantenha um pequeno “caderno de adaptações”
    Anote truques que funcionam: uma almofada melhor, um alongamento de manhã, uma rota de autocarro com menos degraus. Com o tempo, torna-se um guia pessoal de sobrevivência.
  • Construa uma equipa de duas pessoas
    Escolha um amigo, filho ou vizinho que “perceba”. Partilhe com essa pessoa a sua mudança de mentalidade. Deixe-a lembrá-lo quando escorregar para o discurso do “já acabei”.
  • Celebre vitórias do corpo em voz alta
    Andou um pouco mais? Dormiu melhor? Precisou de menos analgésicos? Diga-o, partilhe, talvez até marque num calendário. O seu cérebro presta atenção ao que você destaca.
  • Limite conversas de desgraça
    Todos já passámos por isso: aquele momento em que um café com amigos vira uma competição sobre quem dói mais. Saia desses círculos com suavidade, ou conduza a conversa para o que cada um ainda está a apreciar.

Envelhecer sem encolher por dentro

O corpo vai continuar a enviar novos desafios depois dos 65.
Alguns serão geríveis, outros serão pesados, outros serão francamente assustadores.

Não pode escolher todos os diagnósticos.
Mas pode escolher se esse diagnóstico se torna a sua identidade inteira.

Adotar uma mentalidade adaptativa e flexível não cura a dor por magia nem apaga relatórios médicos.
O que faz é proteger algo incrivelmente frágil: o seu sentido de ser uma pessoa ativa, e não apenas um número de doente.

Quando os adultos mais velhos se veem como experimentadores - dispostos a testar uma nova almofada, uma nova rota de caminhada, uma nova forma de descansar - sofrem menos com a sensação de serem “deixados para trás pelo próprio corpo”.
Continuam a fazer o luto pelas mudanças. Mas também continuam a notar o que permanece e o que ainda pode crescer.

Pense nas pessoas com mais de 65 que conhece e que parecem discretamente firmes, mesmo quando o corpo abranda.
Elas costumam partilhar os mesmos hábitos.

Riem-se do próprio esquecimento.
Queixam-se durante uns minutos e depois mudam para planear a próxima saída, a próxima visita, o próximo ajuste.

Não romantizam o envelhecimento, e também não o dramatizam.
A sua mentalidade vive no meio: naquele lugar honesto onde tanto a perda como a invenção têm espaço.

É aí que o coping se transforma em algo mais do que sobrevivência.
Torna-se uma conversa contínua e criativa entre o corpo que muda e a pessoa que se recusa a desaparecer dentro dessas mudanças.

Talvez esse seja o verdadeiro segredo: não manter-se jovem, mas manter-se em diálogo - consigo, com os outros, com cada novo dia que o seu corpo lhe oferece.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Mudar para o pensamento do “próximo pequeno passo” Focar-se no que ainda pode ser ajustado hoje em vez do que se perdeu para sempre Reduz a sensação de sobrecarga e incentiva ação suave e realista
Usar linguagem mais gentil e flexível Substituir frases absolutas (“já acabei”) por frases abertas (“preciso de uma nova forma de fazer isto”) Muda o tom emocional e apoia a resiliência no dia a dia
Recolher pequenas adaptações e vitórias Caderno, microvitórias, um parceiro de apoio no processo Aumenta a confiança e torna as estratégias visíveis e repetíveis

FAQ:

  • O que significa realmente uma “mentalidade adaptativa” depois dos 65?
    É o hábito de ver as mudanças físicas como sinais para ajustar, não como o fim das suas capacidades. Aceita que o corpo está diferente, ao mesmo tempo que procura novas formas de se mexer, de se ligar aos outros e de aproveitar os dias.
  • Isto não é apenas pensamento positivo com outro nome?
    Não exatamente. O pensamento positivo muitas vezes nega as dificuldades. Uma mentalidade adaptativa começa por reconhecer o que dói ou o que mudou e depois pergunta: “Dado isto, que pequeno passo ainda está disponível para mim?” É prática, não ilusória.
  • Alguém com mais de 80 ainda consegue mudar a sua mentalidade?
    Sim. Estudos e histórias da vida real mostram que os hábitos mentais podem mudar em qualquer idade. Normalmente acontece através de pequenas experiências repetidas de “experimentei algo diferente e ajudou, nem que fosse um pouco”.
  • E se eu já for bastante negativo em relação ao meu corpo?
    Não tem de virar otimista de um dia para o outro. Comece por suavizar uma frase por dia. Troque “não consigo” por “tenho dificuldade com isto neste momento”. Essa pequena abertura costuma ser suficiente para deixar entrar um pouco mais de esperança e criatividade.
  • Como é que os familiares podem apoiar esta mentalidade?
    Evite comentar apenas os limites. Pergunte o que ainda sabe bem, o que ajuda, o que a pessoa gostaria de experimentar. Ofereça-se para testar em conjunto: uma caminhada mais curta, uma cadeira nova, um horário diferente. Apoie os pequenos passos, não apenas os grandes marcos médicos.

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