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Penteados depois dos 70: o maior erro que envelhece o rosto, segundo um cabeleireiro (dá um ar de “avó”).

Mulher idosa com cabelo grisalho sendo penteado por cabeleireiro em salão com espelho e produtos de beleza.

A mulher na cadeira do salão tinha aquele tipo de elegância que não se finge. Gabardina impecável, sapatos de couro lindíssimos, as mãos a tremer ligeiramente enquanto tirava os óculos. “Não quero parecer uma avó”, disse ao cabeleireiro, quase num sussurro. Tinha 74 anos. O cabeleireiro sorriu. “Então vamos evitar o ‘corte de avó’ que toda a gente continua a pedir sem perceber que os envelhece.” A mulher ficou surpreendida. “Quer dizer… curto?” Ele abanou a cabeça. “Não, não é por ser curto. É por ficar liso e colado à cabeça. Essa é a verdadeira armadilha.” À volta deles, os secadores zumbiam, uma rapariga filmava-se ao espelho, um homem respondia a e-mails entre duas folhas de alumínio. O tempo misturava-se. A única coisa que realmente denunciava a idade era um cabelo que já não se mexia.
Algo nessa frase fez a sala inteira ficar em silêncio por um segundo.

O verdadeiro erro do “penteado de avó” depois dos 70

Pergunte a qualquer cabeleireiro experiente que trabalhe com mulheres com mais de 70 anos e vai ouvir quase a mesma resposta. O penteado que mais envelhece o rosto não é o cabelo branco nem as rugas à volta dos olhos. É aquele corte rígido, demasiado estruturado, tipo capacete, que congela tudo da testa para baixo. O cabelo é curto, arredondado, muitas vezes desbastado em excesso nas pontas, por vezes encaracolado em ondas apertadas e encharcado em laca. O resultado: os traços parecem mais duros, a linha do maxilar “cai” visualmente e o rosto inteiro parece puxado para baixo.
Não são os anos que são cruéis ali - é a forma.

Uma hairstylist que entrevistei em Lyon contou-me sobre uma cliente habitual, 72 anos, que entrou com um pedido muito clássico. “Faça só outra vez o que a minha antiga cabeleireira fazia, não quero mudar.” A foto de referência? Um brushing perfeitamente esférico dos anos 90, franja enrolada para dentro, laterais coladas às têmporas. Ele convenceu-a com delicadeza a experimentar algo com mais volume na raiz e um pouco de movimento à volta das maçãs do rosto. Nada dramático. Sem corte radical, sem cor maluca. Quando voltou um mês depois, disse que as amigas continuavam a perguntar se tinha feito algum procedimento no rosto.
Tudo o que mudou foi aquele corte arredondado e sufocante.

Do ponto de vista técnico, este “efeito capacete” comprime o rosto na vertical e na horizontal. Raízes espalmadas fazem a testa parecer maior. Laterais arredondadas junto às orelhas encurtam o pescoço e criam um bloco com o maxilar. Pontas demasiado encaracoladas fazem o olhar parar ao nível das bochechas - exatamente onde muitas mulheres temem a flacidez. Junte um styling muito fixo e brilhante e o cérebro associa-o de imediato a um código geracional mais antigo. Não é a sua idade que diz “avó”, é a imobilidade. Cabelo que não respira envia a mensagem de que tudo o resto também está congelado. Movimento, mesmo que mínimo, é o que dá a impressão de presença e vitalidade.

Como evitar o “capacete” e refrescar o rosto

O primeiro gesto concreto, segundo os cabeleireiros, é incrivelmente simples: deixar o cabelo levantar ligeiramente da raiz, afastando-se do couro cabeludo. É só isso. Não precisa de um volume enorme nem de um brushing de apresentadora. Apenas alguns milímetros de elevação nas raízes, no topo e na frente, já mudam a perceção do rosto. Peça ao seu cabeleireiro para cortar em camadas suaves que aliviem o topo e evitem massas espessas e pesadas coladas aos lados. Mesmo em cabelo muito curto, um bocadinho de textura no topo abre os traços.
O objetivo não é “cabelo grande”; é haver ar entre o cabelo e o crânio.

O segundo gesto acontece em casa, em frente ao espelho da casa de banho - e é aí que muitas mulheres recaem em hábitos antigos. Pegamos na escova redonda, enrolamos tudo perfeitamente para dentro e depois pulverizamos laca até que nem um fio ouse mexer. Parece arrumado, parece seguro, e no entanto é exatamente assim que o capacete regressa. Uma stylist explicou-me que muitas vezes diz às clientes para deixarem de finalizar os últimos 10%. Seque o cabelo, dê-lhe forma e depois deixe um bocadinho de suavidade: uma madeixa irregular, uma ponta mais livre. Sejamos honestas: ninguém faz isto todos os dias. Mas mesmo que faça duas vezes em cada três, o cabelo já vai parecer mais vivo e menos “formatado”.

“O pior erro depois dos 70 não é cortar o cabelo curto”, diz a cabeleireira parisiense Claire M. “É cortá-lo numa bolha perfeita e congelá-lo ali. O rosto precisa de luz, não de uma moldura que se fecha sobre ele.”

  • Peça suavidade no contorno do rosto – Algumas madeixas mais leves e mais desfiadas à volta das bochechas suavizam as linhas e evitam o efeito de “bloco”.
  • Evite pontas ultra-finas em cortes muito curtos – Colam-se ao couro cabeludo e espalmam tudo, em vez de criarem movimento.
  • Mantenha algum comprimento onde os traços precisam de suporte – Junto ao maxilar ou na nuca, um ou dois centímetros podem levantar visualmente toda a silhueta.
  • Use styling flexível em vez de laca rígida – Espuma leve, spray texturizante ou um creme suave envelhecem muito menos do que um acabamento brilhante e duro, tipo verniz.
  • Aceite um pouco de imperfeição – Aquela madeixa “teimosa” é muitas vezes o que quebra o código de “avó” e a traz de volta ao presente.

Cabelo depois dos 70: escolher-se a si, não ao seu ano de nascimento

O que impressiona quando se passa tempo num salão é quantas mulheres com mais de 70 chegam já a pedir desculpa. “Na minha idade, não posso usar mais comprido.” “Na minha idade, devo cortar curto.” Essas regras não vêm do cabelo; vêm de uma cultura que durante muito tempo disse às mulheres para desaparecerem discretamente quando atingem um certo número. A verdadeira mudança acontece quando a conversa passa da idade para a personalidade. Sente-se mais “você” com um bob suave à altura da clavícula, ou com um pixie com franja despenteada? Gosta de prender o cabelo atrás das orelhas, ou prefere senti-lo a roçar no pescoço quando caminha?

Todas já estivemos lá: aquele momento em que vê uma foto antiga e percebe que não foi o número de velas no bolo que a envelheceu, mas um estilo que nunca foi verdadeiramente seu. O mesmo acontece com o cabelo depois dos 70. Um bob branco, ligeiramente ondulado, à altura do maxilar pode parecer mais moderno do que um “capacete” castanho pintado - se combinar com os seus traços e com a sua forma de se mover. A verdade simples é esta: o efeito “avó” começa no segundo em que deixa de se reconhecer ao espelho e passa a arranjar-se apenas para obedecer a uma regra. Quando o cabelo acompanha a sua vida real - os seus óculos, a sua roupa, as suas caminhadas, os seus jantares, até as suas sestas - deixa de gritar a sua idade e começa a sussurrar a sua história.

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora
Volume, não capacete Elevação na raiz e camadas leves em vez de formas arredondadas e coladas à cabeça O rosto parece mais levantado; os traços ficam mais suaves e despertos
Movimento em vez de rigidez Styling flexível, um pouco de textura, pontas que não ficam todas enroladas para dentro Quebra o código “avó” e dá uma sensação mais fresca e atual
Personalidade em primeiro lugar Comprimento e forma escolhidos pelo estilo de vida e pelo rosto, não por regras de idade Ajuda-a a parecer você mesma, não um estereótipo de “mulher com mais de 70”

FAQ:

  • Pergunta 1 Qual é o comprimento mais favorecedor depois dos 70 para evitar o efeito “avó”?
  • Pergunta 2 Assumir totalmente o grisalho envelhece automaticamente o rosto?
  • Pergunta 3 Cabelo muito curto pode ser moderno depois dos 70 ou fica sempre demasiado rígido?
  • Pergunta 4 Que produtos de styling devo priorizar para evitar o efeito capacete?
  • Pergunta 5 Com que frequência devo ajustar o corte à medida que o rosto muda com a idade?

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