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Penteados após os 50: este corte, que foi tendência nos anos 60, vai voltar à moda em 2026.

Mulher idosa num salão de cabeleireiro, cabelo curto castanho, sentada de perfil, cabeleireiro ajustando o corte.

Friday à tarde, cabeleireiro cheio, impermeáveis pendurados em cada cadeira. No espelho, entre a franja cortinada de uma adolescente e o bob polido de alguém nos trinta, uma mulher na casa dos cinquenta fixa o reflexo e suspira. «Quero algo fresco, mas não quero parecer que estou a tentar ter 25», diz à cabeleireira.

A cabeleireira sorri, abre no tablet um mood board de inspiração vintage e desliza até uma fotografia a preto e branco dos anos 60. Volume arredondado, laterais suaves, franja a emoldurar o olhar. O rosto da cliente ilumina-se. «A minha mãe usava o cabelo assim», sussurra. «Na passagem de ano.»

Duas horas depois, sai com uma versão moderna daquele corte da fotografia. Estranhamente chic. Familiar e ultra-atual ao mesmo tempo.

Este penteado dos anos 60 está, discretamente, a preparar o seu regresso para 2026.

O regresso surpreendente do bob desgrenhado dos anos 60 depois dos 50

Entre num salão trendy hoje e repare com atenção: entre as camadas longas clássicas e o bob curto padrão, uma forma muito específica está a voltar, devagarinho. Um corte arredondado, de comprimento médio, que bate ao nível do maxilar ou ligeiramente abaixo, com camadas suaves e volume fácil. Pense num bob desgrenhado dos anos 60 - mas mais leve, mais livre, menos «capacete», com mais movimento.

Em mulheres com mais de 50, o efeito é marcante. As maçãs do rosto sobressaem, o pescoço parece mais comprido, a linha do maxilar mais firme. Não grita «acabei de copiar uma tendência do TikTok». Sussurra outra coisa: sei quem sou e posso divertir-me.

Isto não é uma fantasia isolada do Pinterest. Salões franceses já reportam um aumento de pedidos por formas retro-inspiradas, e stylists em Londres e Nova Iorque publicam fotos lado a lado: 1967 versus 2025, a mesma ideia, com um acabamento mais suave.

Uma cabeleireira londrina descreve-o como «o corte que faz o cabelo grisalho parecer intencional, não acidental». No Instagram, vêem-se mulheres de 54 anos a documentar o seu «corte de promoção pós-carreira» e mulheres de 62 a mostrar antes/depois em que um cabelo pesado e comprido se transforma, de repente, em algo leve e cheio de balanço.

Todas já passámos por isso: aquele momento em que o cabelo começa a parecer um figurino de uma vida que já não assenta. É aí que o bob desgrenhado dos anos 60 entra e, com calma, reinicia a narrativa.

Porquê este corte, e porquê agora? Porque os rostos mudam depois dos 50, mas as velhas regras de «não cortes demasiado curto, não arrisques demasiado» estão a ruir. O bob desgrenhado dos anos 60 acerta num equilíbrio raro. Emoldura o rosto sem linhas duras. Dá volume sem exigir um campo de treino diário com escova redonda.

Sejamos honestas: ninguém faz uma rotina completa de brushing todos os dias. É aqui que esta forma ganha. As camadas suaves ajudam o cabelo a cair no sítio mesmo quando seca ao ar. Os anos 60 deram-nos o contorno. 2026 traz a textura, a leveza, o acabamento descontraído à francesa. Mesmo espírito, outra era.

Como adaptar o bob desgrenhado dos anos 60 a um rosto pós-50

O ponto de partida é simples: comprimento ao nível do maxilar ou ligeiramente abaixo, com contornos arredondados. Peça ao/à cabeleireiro/a um bob com camadas internas suaves e um acabamento «desconstruído» nas pontas. O objetivo não é uma bolha perfeita; é um oval gentil que acompanha as maçãs do rosto.

Se estiver nervosa, comece um pouco mais comprido, mesmo acima dos ombros, e peça ao/à stylist para ir retirando peso aos poucos. Peça que corte mais com o cabelo seco, para que o movimento que vê no espelho seja real, não teórico.

Quanto à franja, pense anos 60 mas atualizada: franja cortinada ou uma franja leve, a roçar as sobrancelhas, que possa abrir ao meio. Isto suaviza instantaneamente as linhas da testa e devolve atenção aos olhos sem parecer uma cortina rígida.

A maior armadilha depois dos 50 é confundir «fácil de manter» com «sem volume». O bob desgrenhado moderno dos anos 60 vive no meio: não é exigente, mas também não é sem vida. O erro que muitas cometemos é pedir um bob reto, de um só comprimento, «para simplificar», e acabar com um bloco pesado que puxa o rosto para baixo.

No extremo oposto, camadas a mais podem expor zonas com menos densidade ou deixar o cabelo com aspeto espigado. Aqui, uma conversa honesta com o/a stylist é essencial: falem sobre as suas rotinas reais, o seu nível de paciência, a sua textura.

E seja gentil consigo. O cabelo muda com hormonas, stress, medicação. Não está a «fazer mal»; está a adaptar-se a uma nova versão de si.

«Mulheres na casa dos cinquenta entram a pedir desculpa pelo cabelo», diz Claire, 48 anos, proprietária de um salão em Lyon. «Eu digo-lhes: não precisam de pedir desculpa. O vosso cabelo só precisa de outra história. O bob dos anos 60 funciona porque diz “mulher adulta” e “brincalhona” na mesma frase.»

  • Para cabelo fino: peça camadas mínimas e estratégicas no topo e à volta do rosto, além de uma nuca ligeiramente mais curta para criar elevação na coroa.
  • Para cabelo espesso ou ondulado: solicite desbaste interno em vez de camadas curtas no topo, para manter a forma sem ficar triangular.
  • Para cabelo grisalho ou “sal e pimenta”: combine o corte com madeixas suaves (highlights) ou luzes baixas (lowlights) junto ao rosto para imitar o jogo de luz das fotografias de cinema dos anos 60.

Cabelo depois dos 50: mais do que um corte, uma afirmação discreta

Há algo interessante quando este corte inspirado nos anos 60 chega à cabeça de uma mulher em 2026. Não é só sobre centímetros a menos ou camadas a mais. É sobre permissão. Permissão para deixar de se esconder atrás de comprimentos pesados usados «para o caso de», permissão para deixar de perseguir as mesmas ondas de praia que a sua filha, permissão para habitar a sua própria era sem ficar estacionada no passado.

As mulheres que melhor usam este bob desgrenhado não estão a tentar parecer mais novas a qualquer custo. Estão a tentar parecer despertas. Presentes. Alinhadas com a vida que realmente vivem agora - com caminhadas cedo, trabalho de cuidado, reuniões no Zoom e jantares em que ler a ementa exige boa luz e zero vergonha.

O fascinante é a rapidez com que o corte reescreve a postura. Vêem-se ombros a endireitar, cabeças ligeiramente mais erguidas, sorrisos a durar mais um segundo. Um penteado não resolve tudo, claro. Mas quando o espelho deixa de discutir com a sua idade e começa a colaborar com ela, algo descontrai.

Este corte dos anos 60 regressa em 2026 com todo o seu drama silencioso, mas a mensagem mudou. Na altura, dizia «dona de casa moderna, pronta para revista». Hoje, diz: ainda não acabei de evoluir. Posso mudar o cabelo aos 55, aos 63, aos 71 - e isso não é uma crise. É só mais uma estação.

Talvez seja por isso que a tendência ressoa tanto nas redes sociais, sobretudo entre mulheres que nunca se viram como «pessoas de cabelo». É uma forma retro que não exige uma vida retro. Pode usá-la com sapatilhas, com óculos bifocais, com raízes prateadas, com batom vermelho. Pode deixá-la crescer outra vez no próximo ano.

A verdadeira revolução pode ser esta: estamos, lentamente, a abandonar a ideia de que depois dos 50 as escolhas de cabelo têm de ser sobre desaparecer, suavizar, misturar-se. O bob desgrenhado dos anos 60, renascido e ligeiramente imperfeito, empurra com delicadeza a ideia oposta: que pode ser visível. Mesmo vista de trás, na fila do supermercado.

Ponto-chave Detalhe Valor para a leitora
Forma do bob desgrenhado dos anos 60 Corte arredondado ao nível do maxilar ou ligeiramente mais comprido, com camadas suaves e franja leve Dá uma ideia clara para discutir com o/a cabeleireiro/a e adaptar a cada rosto
Adaptado ao cabelo maduro Funciona em cabelo fino, espesso, ondulado ou grisalho quando as camadas são personalizadas Mostra que a tendência é acessível mesmo com textura e volume em mudança
Styling de baixo esforço Corte pensado para assentar bem com secagem ao ar e poucos produtos Torna realista um visual moderno e chic no dia a dia depois dos 50

FAQ:

  • O bob desgrenhado dos anos 60 é adequado se eu tiver rosto redondo? Sim, desde que o volume fique um pouco mais alto na coroa e as laterais sejam suavizadas em vez de armadas. Peça mechas mais compridas à volta do rosto e evite uma franja que corte a direito a meio da testa.
  • Posso usar este corte com cabelo naturalmente encaracolado? Sem dúvida, mas o equilíbrio das camadas é crucial. O/a stylist deve cortar caracol a caracol ou com o cabelo seco, mantendo a forma arredondada sem criar um efeito «cogumelo». Um pouco de creme de caracóis e secagem ao ar pode ser suficiente.
  • E se o meu cabelo estiver a ficar mais ralo no topo? Então o objetivo é leveza, não cortar mais. Uma nuca ligeiramente mais curta, camadas suaves na coroa e uma franja leve podem camuflar zonas menos densas sem expor o couro cabeludo. Peça corte em ponta (point-cutting) em vez de linhas retas e duras.
  • Preciso mesmo de franja para este look funcionar? Não, mas uma franja suave ou uma franja cortinada comprida reforça muito o espírito dos anos 60. Se estiver na dúvida, comece com mechas compridas a emoldurar o rosto, que possa prender para trás ou pentear como uma pseudo-franja nos dias em que lhe apetecer.
  • Com que frequência devo aparar um corte destes? A cada 6 a 8 semanas mantém a forma viva sem parecer demasiado exigente. Se o seu cabelo cresce devagar, pode esticar até 10 semanas e pedir micro-ajustes em vez de uma remodelação completa em cada visita.

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