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O dia vai transformar-se em noite: o mais longo eclipse solar do século já tem data marcada e a sua duração será impressionante.

Pessoas observam eclipse solar ao pôr do sol em colina, com a cidade e o rio ao fundo.

A primeira vez que vi o dia escorregar para a escuridão a meio da tarde, não estava a olhar para o céu. Estava a olhar para o rosto das outras pessoas. O burburinho na rua calou-se, os cães inclinaram a cabeça, e a luz ficou com aquela estranha cor metálica que não se vê em mais nenhum momento da vida. Parecia que o mundo tinha feito uma pausa a meio de uma frase.

Esse silêncio inquietante está a voltar, numa escala que não conhecemos neste século.

Desta vez, os astrónomos já têm uma data assinalada a vermelho.

E os números que estão a apresentar são quase irreais.

O eclipse solar mais longo do século: a data está marcada

A 2 de agosto de 2027, o dia vai transformar-se em noite durante mais tempo do que em qualquer outro momento deste século. Um eclipse total do Sol vai traçar um caminho desde o Oceano Atlântico, atravessando o Norte de África e o Médio Oriente, até ao Oceano Índico. Durante alguns minutos surreais, cidades soterradas por calor e sol vão estremecer sob a sombra.

O que torna este evento diferente não é apenas o trajeto. É o tempo. Os astrónomos esperam que a totalidade dure até 6 minutos e 23 segundos perto do ponto máximo do eclipse, ao largo da costa do Egito e da Líbia. Para comparação, muita gente que perseguiu eclipses em 2024 viu o Sol desaparecer por apenas 3 ou 4 minutos. Este quase duplica essa janela de escuridão.

Imagine-se em Luxor, no Egito, nessa tarde de agosto. Os barcos de turismo no Nilo abrandam até quase parar, os conveses cheios de pessoas a olhar para cima por trás de óculos de cartão. Os vendedores ambulantes interrompem a venda a meio. As crianças, que se queixavam do calor, de repente vestem um casaco quando a temperatura desce.

A sombra da Lua vai atingir a costa egípcia por volta do meio-dia, transformando destinos turísticos em zonas temporárias de crepúsculo. A totalidade varrerá cidades como Alexandria e Luxor, passará perto de Meca, atravessará o Mar Vermelho, deslizará sobre partes do Iémen e da Arábia Saudita e seguirá para o Oceano Índico. Nesse corredor estreito, a luz mais brilhante do mundo vai desaparecer - e os telemóveis vão aparecer mais depressa do que se consegue dizer “publica isso”.

Todos já sentimos esse instante em que percebemos, de repente, que estamos a viver uma manchete.

O que torna este eclipse tão longo é um bailado silencioso de geometria e de tempo. A Lua estará perto do seu ponto mais próximo da Terra, parecendo ligeiramente maior no céu. A Terra estará perto da sua maior distância ao Sol, fazendo o Sol parecer ligeiramente menor. Essa pequena diferença de tamanho compra-nos minutos extra de escuridão.

Além disso, o trajeto da sombra da Lua passará perto do equador da Terra, onde a rotação do planeta se alinha da forma certa. O resultado: a sombra demora mais a passar. É como se alguém carregasse no botão de câmara lenta num espetáculo cósmico que normalmente acontece num instante. Os cientistas fizeram as contas, refinaram os modelos orbitais e a dança Terra–Lua, e concordam: 2027 fica com a coroa do eclipse total do Sol mais longo do século XXI.

A Universo não tem outro tão longo marcado para as próximas gerações.

Como estar preparado quando o meio-dia virar meia-noite

Se quiser realmente viver este eclipse - e não apenas passar por ele no scroll - o primeiro passo é absurdamente simples: escolha o seu local com antecedência. Os melhores sítios ficam ao longo da faixa de totalidade no Egito, particularmente nas zonas de Luxor e Assuão, onde estatisticamente é comum haver céu limpo em agosto.

As agências de viagens já cheiram a oportunidade. Voos e cruzeiros no Nilo para o fim de julho e início de agosto de 2027 já começam a aparecer em documentos de planeamento e em ofertas antecipadas. Parece longe, mas quem persegue eclipses reserva com anos de antecedência. Uma ação concreta que pode fazer esta semana: anote a data, 2 de agosto de 2027, e bloqueie esses dias no seu calendário ou app de viagens. Quando isso fica lá escrito, o evento deixa de ser abstrato e começa a ser real.

Há outro tipo de preparação que as pessoas muitas vezes ignoram: a emocional. Muitos estreantes esperam “um escurecimento fixe do Sol” e acabam inesperadamente abalados. A cor do céu muda, os pássaros calam-se, o vento altera-se, e o próprio corpo parece ligeiramente fora de ritmo. Algumas pessoas choram. Outras riem. Outras ficam simplesmente ali, atónitas, e esquecem-se de carregar em gravar.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias.

Por isso, dê-se permissão com antecedência. Se acabar apenas a olhar em vez de filmar, está tudo bem. Se soltar um suspiro alto no meio de uma praça cheia em Luxor, também está tudo bem. Não temos muitas formas seguras e coletivas de nos sentirmos pequenos e maravilhados ao mesmo tempo. Esta é uma delas.

“Durante o meu primeiro eclipse total, tive este instinto estranho de desviar o olhar”, diz Leila, uma professora francesa que voou para os EUA para o evento de 2017. “O meu cérebro insistia: ‘O Sol não desaparece. Isto está errado.’ E de repente apareceu a coroa e toda a gente à minha volta começou a gritar. Esqueci-me de que tinha o telemóvel na mão.”

Para que a sua experiência em 2027 seja simultaneamente segura e mágica, algumas regras básicas são importantes. Pense nelas menos como trabalho de casa e mais como um kit simples para o seu “eu” do futuro:

  • Compre óculos próprios para eclipse a um vendedor certificado (norma ISO 12312-2) e teste-os antes da viagem.
  • Pratique tirar fotografias à Lua à noite com o telemóvel, para perceber os limites do equipamento.
  • Defina um papel principal para si: observador, fotógrafo, ou apoio a crianças/familiares mais velhos.
  • Tenha um local alternativo com horizonte desimpedido, caso o tempo local fique nublado.
  • Escreva num papel as horas exatas de início e fim da totalidade na sua cidade, e não apenas no telemóvel.

O que este eclipse diz, em silêncio, sobre o nosso lugar no tempo

Há algo estranhamente reconfortante num evento em 2027 que os astrónomos já conseguem descrever, minuto a minuto, segundo a segundo. Num mundo em que as notícias mudam de hora a hora e os algoritmos redesenham os nossos feeds enquanto dormimos, esta data fica ali, imóvel. A Lua vai deslizar à frente do Sol naquela tarde, quer nós vejamos quer não.

Para quem estiver na faixa de totalidade, pode acabar por se misturar com outras memórias: a primeira viagem ao estrangeiro, um momento de luto, uma relação nova, as perguntas de olhos bem abertos de uma criança. O eclipse é fixo; a vida à sua volta não é. Parte do poder estranho destes eventos é esse. São previsíveis no céu e imprevisíveis no chão.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Data oficial e duração Eclipse total do Sol a 2 de agosto de 2027, com até 6 min 23 s de totalidade Ajuda a decidir cedo se é uma viagem “obrigatória, uma vez na vida”
Melhores regiões de observação A faixa de totalidade atravessa o Egito, a Arábia Saudita, o Iémen e zonas próximas Orienta para cidades como Luxor ou Assuão, com maior probabilidade de céu limpo
Estratégia de preparação Marcar viagem cedo, comprar óculos certificados, definir o seu papel durante a totalidade Transforma um momento caótico e apressado numa experiência calma e memorável

FAQ:

  • Pergunta 1 Onde será visível a maior duração do eclipse solar de 2027? A totalidade máxima, cerca de 6 minutos e 23 segundos, ocorrerá sobre o Mediterrâneo oriental e perto da costa norte do Egito, com durações muito longas também no sul do Egito em direção ao Mar Vermelho.
  • Pergunta 2 É seguro olhar para o eclipse a olho nu em algum momento? Só pode olhar sem proteção durante a breve fase de totalidade, quando o Sol está completamente coberto. Em todos os outros momentos, incluindo as fases parciais antes e depois, precisa de óculos próprios para eclipse.
  • Pergunta 3 Preciso de equipamento fotográfico profissional para o captar? Não. Muitos smartphones conseguem captar a mudança de luz e o ambiente. Para fotos aproximadas do disco solar, vai precisar de filtros solares e de uma câmara com zoom ótico, mas as fotografias mais emocionais são muitas vezes planos abertos de pessoas e paisagem.
  • Pergunta 4 E se estiver nublado no dia? As nuvens podem bloquear a visão direta do Sol, mas ainda vai sentir a escuridão súbita, a descida de temperatura e a atmosfera estranha. Para reduzir o risco, escolha regiões com historicamente pouca nebulosidade no início de agosto e tenha um local alternativo de observação a uma distância curta de carro.
  • Pergunta 5 Haverá outros eclipses importantes neste século? Sim, vários eclipses totais e anulares vão atravessar diferentes partes do globo. Nenhum no século XXI deverá superar a duração de totalidade prevista para 2 de agosto de 2027, razão pela qual este já está a ser chamado “o grande” entre os caçadores de eclipses.

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