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Novo gadget Lidl aprovado por Martin Lewis divide opiniões: uns consideram-no indispensável para o inverno, outros dizem que é apenas uma manobra de marketing.

Mulher sentada à mesa com um roupão, observando um humidificador Lidl que solta vapor, numa sala de estar iluminada.

A fila serpentava para lá do corredor da padaria, passava pelos biscoitos de Natal, até chegar ao meio da secção “do meio do nada” do Lidl. Era uma terça-feira de manhã em Croydon, mal passava das 9h, e as pessoas agarravam a mesma caixa de cartão como se fosse o último bilhete dourado do Willy Wonka. Um pequeno aparelho branco, £40 no preço da prateleira, a prometer cortar a factura do aquecimento e secar roupa sem tocar na caldeira.

Lá à frente, uma mulher com um casaco parka azul-marinho sussurrou: “O Martin Lewis diz que vale a pena, por isso vou levar um antes que esgotem.” Atrás dela, um homem com um colete reflector resmungou: “Sim… ou então somos todos uns patos.”

É isso que acontece com este novo aparelho do Lidl.

Não é só um produto, é um teste de tornassol.

O que é este aparelho do Lidl de que toda a gente está a discutir?

Se entrou num Lidl nas últimas semanas, pode tê-lo visto: um híbrido compacto, branco, entre estendal eléctrico e desumidificador, a zumbir discretamente no corredor do meio. Sem cores berrantes, sem app “inteligente”, nada que grite “revolução tecnológica”. Apenas uma promessa: mais barato de usar do que o aquecimento central, mais amigo da carteira do que a máquina de secar roupa.

O truque é simples. Liga-se à tomada, pendura-se a roupa húmida nas barras, e o aparelho sopra ar morno e concentrado enquanto retira humidade. Uma “cápsula” de secagem e um desumidificador num só, vendido sob a marca económica do Lidl, embrulhado em frases de marketing sobre ser um essencial de inverno. Para muita gente a olhar para débitos directos e para o ecrã do contador inteligente, essa promessa acerta em cheio.

Basta percorrer as redes sociais para ver a divisão, em tempo real. Uma mulher publica orgulhosamente uma foto do corredor de casa transformado numa mini-lavandaria, com a legenda: “Duas máquinas secas num dia, aquecimento quase desligado. Obrigada Lidl e Martin Lewis!” Nos comentários, chovem perguntas: “Faz muito barulho?” e “Quanto é que te está a custar por hora?”.

Depois há o outro lado. Um pai no TikTok mostra o monitor de energia antes e depois de experimentar o aparelho, a praguejar por entre dentes quando os números disparam. Outro utilizador filma-se a devolvê-lo ao Lidl, chamando-lhe “basicamente uma ventoinha chique numa caixa”. No X (Twitter), um fio chega a centenas de respostas: uns dizem que é a única coisa que impede o bolor de tomar conta das paredes, outros dizem que se sentem enganados e gostavam era de ter comprado um estendal básico e um desumidificador barato.

Então porque é que um electrodoméstico tão banal se tornou tão explosivo? Em parte, é o timing. Estamos a entrar noutro inverno de custos energéticos de cortar a respiração, com pessoas já a racionar duches quentes e a discutir a temperatura do termóstato. Um aparelho que promete secar roupa e aquecer uma divisão por cêntimos alimenta directamente essa ansiedade.

E depois há o Martin Lewis. Quando a voz mais credível do Reino Unido em poupança dá um aceno cauteloso a uma categoria - dizendo que estendais aquecidos podem ser muito mais baratos do que aquecer a casa toda - as marcas correm a colar à sua versão um ar de “aprovado”. O marketing do Lidl surfa essa onda, mesmo quando as contas reais são mais matizadas. A verdade nua e crua é: um aparelho pode ser útil e, ao mesmo tempo, sobrevalorizado.

Como usar o aparelho de inverno do Lidl sem se queimar

Se já trouxe um destes do Lidl, ou se está a hesitar, a diferença costuma estar na forma como o utiliza. Coloque-o numa divisão pequena, isolada, e pode parecer uma “gruta” de secagem pessoal, quente e eficiente. Ponha-o num corredor com correntes de ar e vai ver o calor a desaparecer escada abaixo.

O ponto ideal é uma divisão pequena a média, com a porta quase sempre fechada e uma janela que possa entreabrir por breves momentos quando a humidade se acumula. Pendure a roupa numa só camada, sem sobrepor camisolas pesadas, e vá rodando a meio do processo. Quem elogia o aparelho tende a tratá-lo como uma pequena estação de secagem gerida activamente, e não como uma máquina milagrosa de “ligar e esquecer”.

Muita frustração aparece quando as pessoas assumem que isto substitui por completo o aquecimento central. Não substitui. Aquece a zona à volta e acelera a secagem, mas não é um radiador mágico para a casa toda. Se o deixar ligado eternamente numa divisão fria e húmida, o ar pode até parecer abafado, em vez de acolhedor.

Todos já passámos por isso: comprar algo em pânico de inverno e esperar que resolva tudo. Depois percebe-se que, sim, ainda é preciso pensar na ventilação, no local onde o coloca, e se faz mesmo sentido deixá-lo ligado seis horas seguidas. Sejamos honestos: quase ninguém faz isto todos os dias. E, no entanto, quem o considera um “salva-vidas” costuma ser quem ajustou um pouco a rotina, em vez de esperar por um milagre de tomada.

“O Martin Lewis não disse ‘comprem este modelo exacto do Lidl’; disse que estendais aquecidos podem ser mais baratos do que usar o aquecimento”, explica um consultor energético num grupo comunitário do Facebook. “O engano nem sempre está no produto - às vezes está na forma como ouvimos apenas o que queremos ouvir.”

  • Disciplina no tempo de utilização
    Defina um temporizador no telemóvel para 2–3 horas, não “o dia todo”. É em períodos curtos e focados que estes aparelhos compensam.

  • Colocação inteligente
    Use a divisão mais pequena possível, com a porta fechada, e abra uma janela durante dez minutos depois da secagem para deixar a humidade sair.

  • Expectativas realistas
    Um estendal aquecido pode ajudar a reduzir o uso da máquina de secar e a secar uniformes escolares durante a noite. Não vai substituir todos os radiadores nem aquecer uma moradia com quatro quartos.

É um salva-vidas, um engodo, ou algo pelo meio?

Fale com dez casas diferentes e vai ouvir dez veredictos diferentes sobre o mais recente “tem de ter” do Lidl. Para um reformado num T1, pode significar deixar de pendurar roupa nos radiadores e de lutar contra o bolor negro em Janeiro. Para uma família de cinco numa moradia geminada cheia de correntes de ar, pode parecer apenas mais um trambolho a ocupar o patamar, sem quase mexer na montanha de roupa.

As duas histórias podem ser verdade ao mesmo tempo. Preços da energia, planta da casa, horários de trabalho, até o que cada um tolera num quarto frio às 21h - tudo isso molda se vê este aparelho como herói ou embuste. O que mudou é que agora discutimos estas escolhas em público, em feeds e grupos de chat, com clips do Martin Lewis a circular como se fossem evangelho.

A pergunta mais funda está por baixo do plástico. Estaremos tão desesperados por controlo sobre as contas que qualquer “truque” parece salvação? Ou estaremos, com razão, mais cépticos em relação a cada “solução” com marca que diz vencer um sistema energético avariado? Aquelas caixas do Lidl empilhadas nos carrinhos dizem algo sobre o medo da próxima conta do aquecimento, mas também sobre a esperança de que uma correcção de £40 possa inclinar as probabilidades.

Quer tenha comprado o aparelho, devolvido, ou revirado os olhos e seguido caminho, faz parte deste debate nacional silencioso. Este inverno é sobre ferramentas inteligentes, ou sobre aprender a viver de forma diferente com as que já temos?

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
A poupança de energia depende do uso Sessões curtas e direccionadas de secagem numa divisão pequena podem custar menos do que ligar o aquecimento central ou a máquina de secar Ajuda a decidir se o aparelho se adequa à sua casa e rotina
A colocação importa mais do que a marca Portas fechadas, ventilação ligeira e roupa numa só camada fazem mais diferença do que o logótipo na caixa Dá-lhe formas práticas de obter melhores resultados com qualquer estendal aquecido
Hype vs. realidade O Martin Lewis apoiou o conceito de estendais aquecidos, não cada modelo ou promessa de marketing Protege-o de desilusões e de compras impulsivas “milagrosas”

FAQ:

  • Pergunta 1 O estendal aquecido/desumidificador do Lidl é mesmo mais barato do que usar o aquecimento?
  • Pergunta 2 Este aparelho aquece a casa toda ou apenas uma divisão?
  • Pergunta 3 O que é que o Martin Lewis disse realmente sobre este tipo de aparelhos?
  • Pergunta 4 Isto pode ajudar com humidade e bolor num apartamento pequeno?
  • Pergunta 5 Qual é uma forma sensata de o testar sem desperdiçar dinheiro?

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