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Nem Nivea, nem Neutrogena: O hidratante discretamente eleito o número um por especialistas

Mãos aplicando loção hidratante Eucerin PH5 junto a um lavatório com produtos similares ao fundo.

As prateleiras das drogarias parecem cheias de promessas brilhantes, afirmações ousadas e preços confusos, enquanto a maioria das pessoas só quer uma pele que deixe de coçar.

Por trás desses frascos azuis, brancos e em tons pastel, testadores independentes coroaram discretamente uma nova loção corporal número um - e não vem das marcas que provavelmente espera.

Como um teste independente abalou o corredor das loções

Em Espanha, a associação de consumidores OCU analisou recentemente 14 loções corporais populares. Avaliaram produtos vendidos em supermercados e parafarmácias, comparando-os em várias dimensões: hidratação, textura, aroma, fórmula e relação qualidade/preço.

A primeira conclusão deve tranquilizar quem tem um cesto cheio de cremes em casa: todas as loções testadas conseguiram hidratar a pele a um nível razoável e deixaram nos testadores uma sensação geral agradável após a utilização. A maioria das fórmulas assenta num trio familiar: água, óleos e emolientes que ajudam a reparar a barreira cutânea e a abrandar a perda de humidade.

Uma loção bem formulada faz duas coisas ao mesmo tempo: suaviza a pele e ajuda a barreira a reter água durante mais tempo.

Essa combinação traduz-se, em geral, numa pele que se sente mais flexível, menos repuxada e mais confortável, sobretudo logo após a aplicação. As diferenças reais começaram a surgir quando os especialistas aprofundaram a textura, o conforto a longo prazo e a experiência de utilização.

O vencedor inesperado: Eucerin pH5 fica no topo

Entre os 14 produtos, houve um creme que se destacou claramente: Eucerin pH5. Segundo a classificação da OCU, ficou em primeiro lugar graças a uma textura cuidadosamente equilibrada e a resultados de hidratação fortes.

Os testadores salientaram que a loção era suficientemente rica para nutrir zonas secas, mas sem deixar aquela película gordurosa persistente que se cola à roupa. O aroma manteve-se discreto e limpo, em vez de perfumado ou demasiado intenso. Para muitos utilizadores, esse perfil “silencioso” importa mais do que uma fragrância chamativa, especialmente se a aplicam da cabeça aos pés.

No preço, a Eucerin pH5 posiciona-se a meio da tabela, à volta de 20 euros por frasco, dependendo do formato e do retalhista. Isto reflete o posicionamento de parafarmácia e o foco na tolerância para pele sensível ou reativa.

Quando um hidratante é agradável, espalha-se facilmente e é absorvido depressa, as pessoas acabam por o usar diariamente - e é aí que começam os verdadeiros benefícios para a pele.

Este ponto pesa mais do que a maioria das afirmações de marketing. Um creme que fica intocado numa prateleira da casa de banho não ajuda ninguém, por mais avançada que pareça a fórmula no rótulo. O resultado do teste sugere que a Eucerin pH5 encontra esse equilíbrio entre uma seriedade “médica” e o conforto do dia a dia.

Como se saíram os grandes nomes: Nivea, Neutrogena e outros

O estudo não colocou de lado outras marcas famosas. Várias loções bem conhecidas tiveram bom desempenho, sobretudo no acabamento “não pegajoso” que tantos consumidores procuram. Neutrogena e Natural Honey, por exemplo, destacaram-se por texturas que permitem vestir rapidamente depois da aplicação.

Para quem detesta ficar à espera enrolado numa toalha, este pormenor pode decidir que frasco conquista um lugar permanente ao lado do duche.

Marcas a melhorar em embalagem e sustentabilidade

A análise da OCU também abordou os esforços ambientais. Dove, Nivea, Weleda e Yves Rocher receberam notas positivas por utilizarem mais materiais reciclados nas embalagens.

Esta mudança reflete uma tendência mais ampla: hoje, as pessoas avaliam um produto de cuidados de pele não só pela sensação que deixa, mas também pelo desperdício que gera.

  • Dove, Nivea: aumento de plástico reciclado nos frascos
  • Weleda, Yves Rocher: maior atenção a embalagens com ecodesign
  • Várias marcas: frascos maiores “tamanho familiar” para reduzir o plástico por utilização

Estas medidas não alteram diretamente a profundidade com que uma loção hidrata. No entanto, influenciam o quão confortável o consumidor se sente em comprá-la com regularidade.

Porque “testado dermatologicamente” não diz o que pensa

Nos rótulos das loções corporais, uma expressão surge repetidamente: “testado dermatologicamente”. Soa tranquilizador. Também soa científico. A OCU alerta os consumidores para lerem esta frase com algum distanciamento.

Os cosméticos vendidos na Europa, no Reino Unido e nos EUA já têm de cumprir regras de segurança rigorosas antes de chegarem às prateleiras. Quando as marcas dizem que um produto foi testado sob controlo dermatológico, normalmente significa que foi experimentado num pequeno grupo de voluntários sob supervisão - não que tenha passado por um ensaio médico independente e de grande escala.

“Testado dermatologicamente” indica que foram feitos alguns controlos, mas não garante que um creme sirva para toda a pele, sempre.

Para pessoas com pele muito reativa ou propensa a alergias, o teste de tolerância (“patch test”) continua a fazer sentido. Aplicar um creme novo numa pequena área - como a parte interna do antebraço - durante 24 a 48 horas pode ajudar a detetar vermelhidão, ardor ou comichão antes de o usar no corpo todo.

Etiquetas de preço, marketing e aquilo por que realmente paga

Uma das mensagens mais claras do relatório da OCU: o preço não acompanha automaticamente o desempenho. O estudo encontrou grandes diferenças de preço entre produtos que, no papel, ofereciam níveis semelhantes de hidratação e conforto.

Vários fatores fazem o custo final subir ou descer:

Fator Impacto no preço
Posicionamento da marca Marcas estabelecidas ou “dermo” cobram frequentemente mais pela reputação e confiança.
Embalagem Frascos mais pesados, doseadores e tampas mais sofisticadas tendem a aumentar o preço na prateleira.
Complexidade da fórmula Ingredientes ativos adicionais, fragrâncias e “claims” podem aumentar os custos.
Investimento em marketing Publicidade e campanhas com influencers acabam por se refletir no PVP.

Muitas loções acessíveis igualaram discretamente - ou até superaram - rivais mais caras na hidratação pura. O teste põe em causa a ideia de que só hidratantes topo de gama conseguem manter a pele em boa condição.

Ingredientes sob escrutínio: o que alguns especialistas evitam

Embora o panorama geral de segurança se mantenha positivo, algumas substâncias nas fórmulas cosméticas enfrentam críticas crescentes. Em particular, os químicos potencialmente desreguladores endócrinos geram preocupação em parte da comunidade científica e entre reguladores.

Nomes frequentemente referidos nestes debates incluem certos parabenos e ftalatos, que alguns estudos associaram a potenciais efeitos hormonais ou na fertilidade. Nem todos os produtos os contêm, e os reguladores definem limites estritos. Ainda assim, muitos consumidores preferem fórmulas que os excluam totalmente quando existem alternativas.

Outros compostos, como o BHT (butil-hidroxitolueno) e a benzofenona, também chamam a atenção por possíveis efeitos a longo prazo. A maioria das loções que os utiliza mantém-se dentro dos limites legais de segurança, mas um número crescente de marcas opta por os deixar de fora para reduzir preocupações dos consumidores.

Escolher uma fórmula “mais limpa” tem muitas vezes menos a ver com perigo imediato e mais com reduzir pequenas exposições repetidas ao longo de anos.

As aplicações de análise de ingredientes tornaram este processo mais simples. Ferramentas como a Yuka, ou serviços semelhantes, permitem digitalizar um código de barras e ver uma classificação rápida da fórmula. Os seus algoritmos não substituem aconselhamento científico, mas ajudam as pessoas a identificar ingredientes controversos e a decidir mais depressa no corredor.

Como escolher o hidratante certo para a sua pele

Para além dos rankings, a melhor loção depende muito do seu tipo de pele, dos hábitos diários e do gosto pessoal. Uma lista simples pode reduzir rapidamente as opções.

Comece pela sua principal necessidade de pele

  • Pele muito seca ou repuxada: procure texturas mais ricas com glicerina, óleos vegetais, ceramidas ou manteiga de karité.
  • Pele normal a mista: leites ou géis mais leves evitam a sensação pesada e pegajosa.
  • Pele reativa ou propensa a alergias: fórmulas sem perfume ou com pouca fragrância, com listas de ingredientes mais curtas, reduzem o risco de irritação.
  • Pele envelhecida ou com danos solares: pode querer ativos adicionais como niacinamida ou pantenol para suporte extra da barreira.

O aroma também importa. Algumas pessoas consideram que fragrâncias fortes desencadeiam dores de cabeça ou vermelhidão. Outras apreciam um cheiro leve e confortável e sentem-se mais motivadas a manter o hábito quando gostam da forma como o produto cheira no corpo.

Textura, embalagem e praticidade no dia a dia

As qualidades sensoriais transformam um passo aborrecido num ritual diário. Cremes que se espalham facilmente e são absorvidos em menos de um minuto parecem mais simples de usar depois do duche de manhã. Bálsamos mais densos podem resultar melhor à noite, quando há mais tempo antes de vestir.

A embalagem pode influenciar a higiene e a durabilidade. Frascos com doseador reduzem o contacto repetido com a fórmula, algo relevante em casas de banho húmidas. Doseadores de grande formato também incentivam uma aplicação generosa, de que a pele muito seca costuma precisar.

Para quem pensa no desperdício, recargas (refill), plásticos recicláveis e fórmulas concentradas que exigem menos produto por utilização são formas de reduzir a pegada dos cuidados diários.

Dicas extra: tirar mais partido de qualquer loção corporal

Mesmo o hidratante melhor classificado não resolve tudo se o resto da rotina estiver a jogar contra ele. Alguns ajustes simples podem melhorar drasticamente o que o seu creme consegue na pele.

  • Aplicar sobre pele ligeiramente húmida após o banho: ajuda a “prender” água nas camadas superiores.
  • Preferir duches mornos, não muito quentes: a água muito quente remove lípidos da barreira cutânea.
  • Limitar esfoliantes agressivos: a esfoliação em excesso pode enfraquecer a barreira e agravar a secura.
  • Hidratar pelo menos uma vez por dia no inverno: o ar frio e os sistemas de aquecimento secam a pele mais depressa.

Para pessoas com eczema, psoríase ou dermatite crónica, uma loção padrão pode não ser suficiente. Os dermatologistas recomendam frequentemente emolientes específicos ou tratamentos sujeitos a receita médica. Nesses casos, um produto como a Eucerin pH5 pode complementar os cuidados médicos, mas não os deve substituir.

Há também um lado psicológico nos cuidados de pele que os resultados de laboratório raramente captam. O simples ato de massajar uma loção na pele pode ajudar a pessoa a reconectar-se com o próprio corpo, sobretudo após doença, gravidez ou alterações de peso. Uma textura que “assenta bem” e um aroma que conforta podem dar a essa rotina diária de dois minutos um peso emocional real, muito para além do que qualquer tabela de rankings consegue mostrar.

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