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Nem natação nem pilates: especialistas revelam a melhor atividade para quem sofre de dores no joelho.

Homem agachado numa sala de ginásio, segurando um kettlebell. Há um relógio, um rolo de espuma e plantas ao fundo.

Numa manhã de terça‑feira, numa sala de espera de fisioterapia cheia, três pessoas sentam‑se lado a lado, todas a segurar a mesma parte do corpo. Os joelhos. Uma professora reformada, com as leggings arregaçadas, esfrega o joelho direito como se tentasse apagar anos de dor. Ao lado, um jovem pai com camisola de ciclismo percorre o telemóvel, fazendo uma careta sempre que muda de posição. Do outro lado, uma mulher na casa dos quarenta tira o sapato em silêncio e flete os dedos do pé, como se procurasse um lugar onde o corpo não doa.

A todos lhes disseram a mesma coisa: “Experimente natação, ou Pilates, é suave.”

E, no entanto, continuam aqui, continuam a coxear, continuam à procura de algo que resulte mesmo.

Um fisioterapeuta abre a porta e chama um nome.
O que acontece naquela sala não é o que a maioria das pessoas espera.

Porque é que os seus joelhos ainda doem mesmo quando “faz tudo bem”

Se vive com dor no joelho, provavelmente conhece esta mistura estranha de culpa e frustração. Reduziu as corridas, cortou nas escadas, talvez até tenha desistido do seu desporto preferido. Os amigos dizem‑lhe para ir à piscina. O Instagram sugere Pilates. Tenta ser “sensato”.

E, mesmo assim, o joelho parece um colega de casa teimoso que se recusa a ir embora. Às vezes é uma fisgada aguda quando se levanta. Noutros dias é uma dor pesada e surda no fim de uma caminhada longa. Fica à espera do momento milagroso em que simplesmente… pára. Raramente pára.

Os fisioterapeutas vêem o mesmo padrão semana após semana. Uma mulher de 58 anos que deixou de fazer caminhadas na natureza e agora nada três vezes por semana, mas continua a coxear nas idas ao supermercado. Uma trabalhadora de escritório de 35 anos que comprou uma subscrição de Pilates e segue rotinas intermináveis de “joelho suave” no YouTube, e mesmo assim tem medo de sair do carro.

Uma clínica desportiva francesa acompanhou recentemente doentes com dor crónica no joelho durante seis meses. Muitos tinham mudado para atividades “suaves”, como hidroginástica e Pilates de tapete. Mais de metade referiu não ter havido uma alteração real da dor. Uma fatia surpreendente até se sentiu mais fraca no dia a dia, como se o corpo estivesse a proteger demasiado os joelhos.

O que os especialistas estão a observar é simples: atividades que evitam a dor a todo o custo muitas vezes evitam também o trabalho essencial. Natação e Pilates podem ser excelentes para mobilidade, postura ou capacidade cardiovascular. Só que nem sempre trabalham o “motor” específico que estabiliza o joelho quando sobe um degrau ou se levanta de uma cadeira.

O joelho não vive isolado. Depende de músculos fortes e responsivos à volta das ancas, coxas e gémeos. Quando esses músculos estão pouco treinados ou mal coordenados, o joelho paga a fatura. É por isso que cada vez mais especialistas dizem, em voz baixa, a mesma coisa ligeiramente impopular: a melhor atividade para os joelhos não é a mais suave. É a que, com cuidado, os volta a ensinar a suportar carga.

A atividade que os especialistas agora defendem: força lenta, com carga, para joelhos da vida real

Pergunte hoje a três bons médicos de medicina desportiva o que recomendam para dor crónica no joelho, e ouvirá uma expressão que antes assustava as pessoas: treino de força com carga. Não culturismo. Não treinos punitivos. Movimentos calmos e controlados com pesos ou bandas elásticas, duas a três vezes por semana.

Pense em agachamentos até à cadeira. Subidas para um degrau baixo. Prensa de pernas com resistência leve. Devagar, com foco, a respirar de forma estável, com um olhar treinado a vigiar a linha do joelho como um falcão. É neste mundo que muitos doentes redescobrem algo que julgavam ter perdido para sempre: confiança nas próprias pernas.

Veja o caso do Marc, 62 anos, que não subia uma encosta há três anos por causa de “joelhos destruídos”, como lhes chamava. Cumpria religiosamente as sessões na piscina, juntava folhas de exercícios de fisioterapia e continuava a evitar escadas. Quando o novo terapeuta sugeriu treino de força, ele riu‑se. “Com estes joelhos? Está a brincar.”

Começaram com um movimento simples: sentar‑se e levantar‑se de uma cadeira segurando um peso de 2 kg junto ao peito. Três séries de oito, duas vezes por semana. Um mês depois, passou para a máquina de prensa de pernas, pouco peso, ritmo lento. Ao fim de oito semanas, não estava sem dor, mas já conseguia levar sacos de compras um piso acima sem parar. Para ele, aquele primeiro lanço de escadas soube a um pequeno cume.

O que mudou para o Marc não foi magia. Foi carga. Quando vai aumentando progressivamente a carga sobre os músculos à volta do joelho - quadríceps, isquiotibiais, glúteos e até os pequenos estabilizadores à volta da anca - eles adaptam‑se. A articulação fica melhor suportada. Os sinais de dor acalmam porque o corpo deixa de se sentir constantemente “ameaçado”.

É por isso que cada vez mais investigação aponta o treino de força progressivo como padrão‑ouro para muitos tipos de artrose do joelho e dor crónica. Não apenas alongamentos. Não apenas movimento “suave”. Desafios reais, metódicos, aos músculos, ajustados ao seu nível. O objetivo não é mexer‑se sem medo desde o primeiro dia. É convencer, devagar, o seu cérebro de que o joelho pode voltar a ser confiável.

Como começar treino de força amigo dos joelhos sem entrar em pânico

A porta mais segura para este mundo não é um desafio “macho” de ginásio. É uma rotina tranquila, quase aborrecida, que repete semana após semana. Comece com três movimentos‑chave: sentar‑e‑levantar de uma cadeira, agachamento com apoio na parede e subida para um degrau baixo (ou um livro grosso). Use uma escala de dor de 0 a 10. Manter‑se entre 0 e 4 durante e após a sessão é, em geral, aceitável para a maioria das pessoas.

Faça 2–3 séries de 8–12 repetições por exercício, duas ou três vezes por semana. Descanse um dia entre sessões. Se no dia seguinte a dor estiver apenas um pouco mais alta e assentar em 24 horas, está numa boa zona. Se disparar e se mantiver, nesse dia foi demasiado. A arte não é forçar. É ajustar, como afinar um rádio até o som ficar limpo o suficiente para ouvir.

Uma grande armadilha é assumir que, por um exercício ser “simples”, pode acelerar o movimento. Repetições rápidas e descuidadas são o pior inimigo do joelho. Abrande tanto que quase consiga contar em voz alta: três segundos a descer, um segundo a subir. Sinta o peso no calcanhar e no meio do pé, não apenas nos dedos.

Outro erro é ir com tudo durante duas semanas e depois parar um mês. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Duas ou três sessões por semana, com consistência, já mudam o jogo. Se a vida está caótica (e normalmente está), aponte para “com frequência suficiente” em vez de perfeito. Uma semana falhada não é um fracasso. O único problema real é nunca voltar.

Nesta fase, muitas pessoas entram em pânico por fazerem algo “errado”. É aqui que o acompanhamento especializado vale ouro. Um fisioterapeuta, médico do desporto ou um bom treinador pode corrigir a técnica e escolher exercícios adequados ao seu historial. Um especialista em artrose do joelho resumiu assim numa entrevista:

“As pessoas têm pavor da carga, mas o que estraga os joelhos a longo prazo é a subutilização. O nosso trabalho é reintroduzir o peso, passo a passo, de uma forma que o corpo ache tranquilizadora, não traumática.”

Para ser mais fácil de lembrar, aqui fica uma caixa simples a ter em mente:

  • Comece com dor entre 0 e 4/10
  • Treine 2–3 vezes por semana, não todos os dias
  • Mova‑se devagar e com controlo, sobretudo na descida
  • Aumente o peso ou a dificuldade apenas a cada 1–2 semanas
  • Pare e reavalie se a dor disparar e se mantiver por mais de 48 horas

Joelhos, idade e a revolução silenciosa na forma como nos movemos

Há algo quase cultural em ser aconselhado a “ir nadar” mal os joelhos doem. A água parece segura, os movimentos são leves, o esforço é discreto. O Pilates tem a mesma reputação: elegante, preciso, suave. Estas práticas não são as vilãs da história. Para muitas pessoas, são excelentes apoios para flexibilidade, postura e bem‑estar geral.

Ainda assim, mais especialistas dizem em voz alta o que antes sussurravam: para muitos joelhos doridos, o ponto de viragem chega quando deixamos de os tratar como vidro frágil e começamos a reconstruí‑los como estruturas vivas. Ossos, cartilagem, ligamentos, músculos - todos respondem à carga, em qualquer idade mais do que imaginamos.

Todos já passámos por isso: aquele momento em que ouvimos um estalido a subir escadas e pensamos: “É isto, estou a ficar velho.” O medo que se segue empurra‑nos muitas vezes para a evasão: menos caminhadas, menos escadas, menos riscos. Ironicamente, é exatamente esse caminho que leva a mais fraqueza, mais dor, mais perda de liberdade.

O treino de força para joelhos doridos não parece heroico. Acontece muitas vezes em cantos silenciosos de centros de reabilitação e em ginásios modestos. Uma cadeira. Um degrau. Uma banda elástica. Uma pessoa que se atreve a fletir a perna um pouco mais esta semana do que na anterior. É aí que está a revolução. Se vive com dor no joelho, a verdadeira pergunta hoje já não é “Devo proteger o meu joelho?”, mas sim “Como posso ensiná‑lo a voltar a transportar‑me, na vida que quero viver?”

Ponto‑chave Detalhe Valor para o leitor
A carga progressiva vence o exercício “apenas suave” Trabalho de força lento com pesos ou resistência dá melhor suporte à articulação do joelho ao longo do tempo Dá uma alternativa concreta quando só natação ou Pilates não aliviam a dor
A frequência importa mais do que a perfeição 2–3 sessões curtas por semana são suficientes para criar mudanças se repetidas durante meses Torna o plano realista para pessoas ocupadas, cansadas ou desmotivadas
A orientação reduz medo e erros Trabalhar com fisioterapeuta ou treinador qualificado ajuda a ajustar níveis de dor, técnica e progressão Aumenta a segurança, a confiança e a probabilidade de manter o programa

FAQ:

  • Qual é, na prática, a melhor atividade para dor no joelho? A maioria dos especialistas favorece hoje o treino de força progressivo com carga (pesos ou resistência) focado em pernas e ancas, combinado com caminhada, em vez de apenas atividades “suaves” como a natação.
  • Posso continuar a nadar ou a fazer Pilates se me doem os joelhos? Sim. Ambos podem ser úteis para mobilidade e condição física geral, mas funcionam melhor como complemento, e não como substituto, do trabalho de força dirigido aos músculos que suportam os joelhos.
  • Levantar pesos não é perigoso para joelhos danificados? Exercícios mal escolhidos ou feitos à pressa podem ser; no entanto, trabalho de força lento, bem orientado e dentro de uma faixa de dor tolerável é considerado seguro e frequentemente recomendado para artrose e dor crónica.
  • Quanto tempo até sentir diferença? Muitas pessoas notam pequenas mudanças em 4–6 semanas, com melhorias mais claras na dor e na função após 8–12 semanas de treino regular.
  • Preciso de inscrição num ginásio para começar? Não. Pode começar em casa com exercícios com o peso do corpo, uma cadeira, um degrau e uma banda elástica, e depois acrescentar equipamento ou ginásio mais tarde, se quiser mais opções.

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