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Mistério em Chernobyl: cães azuis encontrados na zona de exclusão intrigam investigadores

Quatro cães azuis ao lado de uma pessoa em traje de proteção branca, ao lado de uma cabine cinzenta.

Quase quatro décadas após a explosão do reator em 1986, a vida continua a regressar lentamente à zona de exclusão de 30 quilómetros. As câmaras captam agora lobos, javalis, alces - e, ultimamente, cães errantes, deambulando livremente, cujos pelos parecem de um azul elétrico à luz do dia.

Cães azuis perto da central de Chernobyl

As equipas de campo que trabalham com o programa Dogs of Chernobyl relataram os avistamentos enquanto cuidavam de animais abandonados nos pátios industriais que circundam a central desativada. As imagens espalharam-se depressa - e a especulação também. A radiação faz manchetes. Pelo brilhante também. Ainda assim, aqui vence a hipótese mais simples.

Veterinários no terreno apontam um corante sanitário vívido, proveniente de uma sanita portátil danificada, como a origem mais provável dos pelos azuis.

A lógica faz sentido. As sanitas portáteis usam um líquido desinfetante azul para mascarar odores e inibir microrganismos. Se um depósito racha ou tem uma fuga, os cães podem rebolar na poça e levar o corante no pelo. As equipas na zona encontraram tanto os cães como uma unidade velha e partida no mesmo local. O tom coincide com aditivos comuns dessas sanitas. Os animais moviam-se livremente e apresentaram comportamento normal durante as observações.

Isto não elimina os riscos do local. A zona de exclusão ainda contém “pontos quentes”, e a exposição varia consoante o sítio. A Organização Mundial da Saúde atribui cerca de 20 000 casos de cancro da tiroide, na Ucrânia, Bielorrússia e Rússia, ao impacto radioativo entre 1986 e 2016. Esses números dizem respeito à saúde humana. Para os cães, a tonalidade azul imediata indica contacto com um pigmento, não exposição a radiação ionizante.

O que é, provavelmente, o químico azul

A maioria dos líquidos para sanitas portáteis contém um corante azul, um biocida, fragrâncias e tensioativos. O corante pode manchar superfícies porosas e a haste do pelo. A luz solar e a lavagem fazem-no desvanecer com o tempo. A absorção pela pele tende a ser baixa. A ingestão pode irritar a boca e o trato gastrointestinal.

  • Ingredientes prováveis: compostos de amónio quaternário, glicóis, corante azul, fragrância.
  • Principais vias: rebolar em líquido derramado; lamber-se após o contacto.
  • Sinais típicos após ingestão: salivação excessiva, vómitos, diarreia, ligeira letargia.
  • Primeiros socorros: enxaguar com água limpa, impedir que lamba, monitorizar apetite e comportamento, procurar cuidados veterinários se os sintomas persistirem.

Os cuidadores na zona já usam luvas, proteção ocular e lavagem das mãos. Transportam soro fisiológico e champô suave para descontaminação localizada. As equipas documentam cada cão, assinalam localizações e fazem acompanhamento durante rondas de vacinação e esterilização/castração.

Mitos sobre radiação e riscos reais para os cães de Chernobyl

A radiação faz muitas coisas. Tingir o pelo de azul não é uma delas. A radiação ionizante pode danificar o ADN, aumentar o risco de cancro e reduzir a fertilidade. Não deposita pigmento. Alterações de cor apontam, normalmente, para químicos, minerais ou corantes.

A radiação não tinge o pelo dos animais; a mudança de cor sinaliza contacto com pigmento, não exposição ionizante.

Os investigadores continuam a acompanhar com particular atenção a saúde dos cães da zona. Populações perto da central e na cidade próxima de Slavutych mostram diferenças genéticas, provavelmente moldadas pelo isolamento e por condições locais. Esse trabalho não prova adaptação à radiação. Mostra uma população semi-selvagem única a viver ao lado de perigos complexos.

Para as pessoas que trabalham nas imediações da central, os riscos reais do dia a dia incluem poeiras contaminadas, detritos cortantes, animais agressivos e resíduos químicos de antigas atividades industriais. Os protocolos contam. As equipas usam dosímetros, limitam o tempo em pontos quentes, evitam fossas de resíduos conhecidas e mudam de luvas entre animais para prevenir a transmissão de doenças.

O que as equipas fazem no terreno

O Dogs of Chernobyl combina tarefas humanitárias e científicas. Veterinários vacinam contra a raiva e o parvovírus. Técnicos colocam microchips, recolhem sangue e registam coordenadas GPS. Voluntários montam postos de alimentação longe de estruturas inseguras. O grupo também partilha dados com biólogos de radiação e epidemiologistas. Cada viagem acrescenta mais uma camada de números sólidos a um lugar que continua a atrair mitos.

Hipótese Evidência no local Probabilidade
A exposição à radiação alterou a cor do pelo Não há mecanismo para tingir o pelo; cães saudáveis; cor parece superficial e irregular Baixa
Corante químico de uma sanita portátil partida Unidade danificada nas proximidades; azul vivo e uniforme no pelo; comportamento de rebolar observado Alta

Não é a primeira história de cães azuis

Cães azuis chamaram a atenção em 2021 em Dzerzhinsk, na Rússia. Um grupo ficou com uma cor intensa após contacto com corante industrial perto de uma fábrica química abandonada. As fotografias pareciam semelhantes: cor saturada, concentrada no dorso e nos flancos, com olhos e gengivas normais. Os investigadores atribuíram o caso a resíduos de fabrico, não à radiação. Esse episódio mostrou quão rapidamente animais urbanos podem encontrar químicos “herdados” quando as vedações falham.

O que isto significa para a saúde animal e para a limpeza

Cães errantes adaptam-se à desordem humana. Dormem debaixo de camiões, farejam bidões e rebolam em cheiros novos. Zonas industriais antigas favorecem acidentes. Uma sanita portátil com fuga está baixo na escala de perigos quando comparada com ácidos, solventes ou metais pesados. Ainda assim, cria confusão e pode causar mal-estar gastrointestinal se os animais se lamberem após o contacto.

As equipas de campo podem reduzir casos repetidos removendo unidades sanitárias danificadas, mudando para aditivos menos manchantes e vedando pátios de trabalho. Medidas simples ajudam: fixar tampas, verificar fissuras e manter material absorvente disponível. Pelos azuis atraem atenção, o que ajuda na sensibilização. Os veterinários podem aproveitar o momento para vacinar, esterilizar/castrar e registar os animais de que, subitamente, todos querem falar.

Se alguma vez vir um animal errante tingido

Em qualquer cidade, é possível encontrar um animal de companhia ou errante salpicado com pigmento - desde pós de festivais até corantes de anticongelante. Segurança em primeiro lugar. Evite contacto direto se não conseguir confirmar a substância. Mantenha o animal calmo. Use água morna e um champô suave para animais se optar por enxaguar. Não use solventes. Observe a respiração e a deglutição. Procure um veterinário se vir vómitos, tremores ou queimaduras na pele.

  • Não deixe o animal lamber a zona manchada.
  • Evite contacto dos olhos com a água tingida durante o enxaguamento.
  • Tire uma fotografia e anote a localização para os serviços locais de proteção animal.
  • Denuncie unidades sanitárias partidas ou recipientes químicos aos responsáveis do local.

Porque é que a história importa para além da cor

As imagens dos cães azuis lembram o mundo de que a zona de exclusão de Chernobyl ainda alberga uma comunidade viva de animais que depende de cuidados humanos. Cada visita acrescenta vacinas, dados e um mapa mais claro de perigos ambientais que persistem muito depois de um desastre. A ciência avança com pequenos passos, firmes. O trabalho de bem-estar melhora vidas já hoje.

Para leitores curiosos sobre radiação versus químicos: um contador Geiger portátil mede a taxa de dose ambiental, não pigmentos. Um teste de esfregaço pode sinalizar contaminação superficial. Nenhum dos testes faz aparecer pelo azul. O pigmento sai com lavagem. A radiação, se presente, exige procedimentos. Essa distinção ajuda a cortar o ruído quando imagens estranhas disparam pelas redes sociais.

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