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Más notícias: A partir de 15 de fevereiro, será proibido cortar relva entre o meio-dia e as 16h.

Calendário marcando 15 de fevereiro ao lado de um cortador de relva, casa ao fundo com duas pessoas sentadas.

No sábado, mesmo antes do almoço, a aldeia estava em alvoroço. Não com pessoas, mas com cortadores de relva. Atrás de uma sebe, um velho trator vermelho resmungava por entre a erva alta. Do outro lado da rua, um corta‑relva elétrico novinho em folha zumbia como um mosquito gigante. As crianças gritavam, um cão ladrava e, algures, um rádio lutava bravamente pela supremacia. Então, quando os sinos da igreja marcaram o meio‑dia, um vizinho apoiou-se no ancinho e largou a frase que congelou toda a gente por um segundo: “Aproveitem enquanto podem. A partir de 15 de fevereiro, isto vai ser ilegal entre o meio‑dia e as 16h.”

As pessoas riram-se e depois perguntaram se ele estava a falar a sério. Ele puxou do telemóvel e mostrou a nova regra local.

De repente, o som dos motores pareceu diferente.

Do ruído do dia a dia às horas proibidas: o apagão de corte entre as 12h e as 16h

A nova regra é simples no papel: a partir de 15 de fevereiro, fica proibido cortar a relva entre o meio‑dia e as 16h na zona. Sem exceções para “só 10 minutos”, sem aquela última passagem rápida antes de chegarem convidados. Para muitos proprietários, essas quatro horas são exatamente quando finalmente têm tempo para tratar do jardim. A famosa janela “depois do almoço, antes da correria da tarde”.

Assim, o cenário muda. Em vez do zumbido habitual às 13h30, silêncio. Só pássaros, algumas vozes, talvez loiça a tilintar através de janelas abertas. Um tipo de quietude que só se nota quando o ruído de fundo habitual desaparece de repente.

Vejamos a Claire, por exemplo. Trabalha a semana inteira, sai de casa às 8h e volta às 18h30. No inverno, isso significa chegar a casa já de noite. Para ela, as tardes de fim de semana eram sagradas: um almoço rápido e depois cortar a relva, aparar as bordas, soprar as folhas. Às 16h, estava tudo impecável e ela podia aproveitar o resto do dia.

Agora sente-se presa entre dois relógios. Demasiado cedo de manhã e incomoda os vizinhos que finalmente conseguem dormir até mais tarde. Demasiado tarde ao fim da tarde e os trabalhos de casa das crianças chocam com a jardinagem. A “pequena” proibição das 12h às 16h deixa de parecer pequena quando se soma a uma agenda semanal já cheia.

Por trás da medida, a lógica é suficientemente clara. As câmaras municipais e juntas locais estão soterradas em queixas sobre ruído, sobretudo aos fins de semana. Quem trabalha por turnos noturnos precisa de dormir ao meio‑dia. Vizinhos idosos descansam depois do almoço. Famílias esperam por um único período verdadeiramente tranquilo no dia. O corta‑relva, que antes simbolizava uma casa bem cuidada, tornou-se discretamente um símbolo de stress de fundo constante.

Há também o fator calor. Em muitas regiões, o sol do meio‑dia é agressivo e cortar a relva torna-se um pequeno risco para a saúde. Uma pausa forçada pode ser vista como um convite para abrandar para todos, não apenas para os vizinhos. A regra pode parecer desajeitada e brusca, mas reflete uma tensão mais profunda: conforto privado versus paz partilhada.

Como reorganizar a rotina de corte sem perder os fins de semana

O primeiro reflexo é praguejar contra o novo horário e continuar a resmungar. Mas, passada a emoção, surge uma pergunta mais prática: quando é que se corta agora? Um método simples é dividir o trabalho em partes mais pequenas. Em vez de um grande bloco de duas horas depois do almoço, corta-se em sessões de 30–40 minutos nas margens do dia.

De manhã cedo para o relvado da frente, ao fim da tarde para o de trás. Uma pequena zona no sábado, outra no domingo. Ao início sabe a pouco, quase inacabado. Depois percebe-se que a relva fica cuidada com mais regularidade, em vez de passar de selva a campo de golfe numa única sessão extenuante.

Há outro ajuste: escolher as ferramentas de forma diferente. Um corta‑relva a gasolina, pesado e ruidoso, era o normal. Com horários mais apertados e regras de ruído, muitos estão a mudar para modelos elétricos ou a bateria, mais silenciosos. Alguns até optam pela rotação lenta de um robô corta‑relva que trabalha fora das horas restritas.

Claro que nem toda a gente consegue investir em novo equipamento de um dia para o outro. E nem toda a gente quer uma máquina autónoma a circular pelo jardim. Assim, o meio-termo passa a ser o planeamento. Um calendário simples no frigorífico, uma conversa rápida com o vizinho sobre as horas habituais de corte, e de repente a regra deixa de ser uma armadilha e passa a ser uma condicionante contornável.

O maior erro é fingir que nada mudou. Esperar por um dia nublado, improvisar, ligar o corta‑relva “só desta vez” às 13h porque se está com pressa. É assim que começam as tensões. Uma persiana batida, uma piada sarcástica por cima da vedação, uma queixa na câmara. Sejamos honestos: quase ninguém lê o edital municipal do princípio ao fim, mas quando começa um conflito, toda a gente passa a citá-lo.

“O ruído é como um cheiro”, diz Marc, mediador de vizinhança. “Não o vemos, mas sentimos em todo o lado. Uma única tarde a cortar à hora errada pode desfazer meses de convivência tranquila.”

Para manter a sanidade, ajuda enquadrar os pontos essenciais:

  • Verifique os horários e dias exatos autorizados na sua localidade.
  • Planeie sessões curtas fora do período das 12h–16h.
  • Fale abertamente com os vizinhos sobre as suas limitações e as deles.
  • Considere ferramentas mais silenciosas ou equipamento partilhado na rua.
  • Aceite que, em alguns fins de semana, a relva não ficará perfeita - e isso não tem mal.

Para lá da proibição: uma nova forma de viver com o ruído, o tempo e os nossos jardins

À primeira vista, esta proibição de cortar a relva entre as 12h e as 16h parece apenas mais um detalhe burocrático no quotidiano. Uma regra entre centenas, perdida no labirinto das normas locais. No entanto, toca em algo muito concreto: como organizamos os nossos dias, como partilhamos o espaço, como aceitamos ou rejeitamos o ruído dos outros. Não se trata apenas do comprimento da relva. Trata-se do contrato silencioso que liga pessoas que vivem lado a lado.

Todos já passámos por aquele momento em que o vizinho finalmente se senta no terraço e o primeiro motor arranca do outro lado da sebe. Talvez esta nova condicionante seja também um convite a recuperar outras formas de cuidar dos espaços exteriores: deixar um canto selvagem para a biodiversidade, cortar menos vezes, escolher outras horas, conversar mais. A lei traça uma linha, mas o que acontece de cada lado dessa linha continua a depender de nós, em diálogo com as pessoas que ouvem os nossos cortadores através das janelas do quarto.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Proibição 12h–16h A partir de 15 de fevereiro, cortar a relva é proibido neste período em certas zonas Antecipar coimas e evitar conflitos com vizinhos
Novo ritmo de corte Sessões mais curtas de manhã e ao fim da tarde, repartidas pelo fim de semana Manter a relva cuidada sem sacrificar descanso nem infringir a regra
Diálogo na vizinhança Conversar sobre horários, limitações e níveis de tolerância ao ruído Reduzir tensões e criar um ambiente de vida mais pacífico e respeitador

FAQ:

  • Posso mesmo ser multado por cortar a relva entre as 12h e as 16h? Sim, se o seu município ou autoridade local tiver adotado formalmente esta regra. As coimas variam, mas as autoridades podem responder a queixas e aplicar sanções quando a proibição está prevista na regulamentação local.
  • A proibição aplica-se todos os dias ou só aos fins de semana? Depende da sua zona. Alguns locais visam fins de semana e feriados, outros aplicam a regra todos os dias. Verifique sempre as regras oficiais de ruído ou de boa vizinhança no site da câmara ou no edital/placard municipal.
  • E outras ferramentas de jardim, como corta‑sebes ou sopradores de folhas? Muitas vezes estão incluídas na mesma regulamentação de ruído que os corta‑relvas. O período 12h–16h pode abranger todo o equipamento motorizado. O texto do despacho/edital local costuma listar os tipos de ferramentas abrangidas.
  • Se eu usar um corta‑relva elétrico muito silencioso, fico isento? Regra geral, não. A regra baseia-se no horário, não no nível exato de decibéis da máquina. Mesmo uma ferramenta mais silenciosa pode ser considerada incómoda se quebrar o período de silêncio acordado.
  • O meu vizinho ignora a proibição. O que posso fazer? Primeiro passo: fale com calma e explique a regra; por vezes as pessoas simplesmente não sabem. Se o problema persistir e se tornar uma perturbação repetida, pode contactar a câmara municipal ou a polícia local, que decidirão se devem intervir.

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