Saltar para o conteúdo

Lidl lança gadget de inverno elogiado por Martin Lewis e clientes dividem-se entre poupar dinheiro ou ser um gasto disfarçado.

Pessoa ajusta aquecedor portátil numa mesa com chá fumegante, bloco de notas, calculadora e termómetro digital.

A fila à porta do Lidl no início de outubro não parecia muito diferente de qualquer outro sábado. Carrinhos a bater, miúdos a apontar para os snacks, aquela corrida familiar para o corredor do meio. Mas, se observasse com atenção, via pessoas a irem diretas à mesma prateleira, quase em piloto automático, olhos fixos numa única caixa de cartão.

Um pequeno aparelho branco, apresentado como a forma mais amiga da carteira de se manter quente este inverno.

Alguns murmuravam: “É aquele de que o Martin Lewis falou”, como se estivessem a trocar uma dica secreta de investimento. Outros franziram o sobrolho perante o preço, virando a caixa como se ela fosse confessar alguma coisa.

Havia entusiasmo, curiosidade e uma dúvida silenciosa a pairar no ar.

Calor barato… ou armadilha silenciosa na fatura?

O gadget de inverno do Lidl que, de repente, está em todo o lado

A estrela do momento é o aquecedor elétrico de encaixe do Lidl - um dispositivo minúsculo, com ventoinha, que se liga diretamente à tomada e promete calor aconchegante por cêntimos. Os compradores já conhecem este formato: mini-aquecedores semelhantes explodiram nas redes sociais, em segmentos de TV e, sim, em programas de poupança onde Martin Lewis elogiou o aquecimento pequeno e direcionado como alternativa inteligente a aquecer a casa inteira.

Por isso, quando o Lidl lançou a sua própria versão económica no corredor do meio, as pessoas reagiram depressa.

Tem o tamanho certo, na altura certa, com o nome certo a pairar por cima.

Os preços da energia podem ter descido do pico, mas ninguém relaxou verdadeiramente com a fatura. Nem por sombras. Este pequeno aquecedor cai em cheio nessa ansiedade.

Uma cliente de Leeds, a Claire, pegou nele “só para ver” e saiu com dois. Tinha visto Martin Lewis explicar a lógica de aquecer a pessoa, não a casa, e isso ficou-lhe na cabeça. O filho adolescente trabalha até tarde no quarto, enquanto o resto da casa está escuro e silencioso.

“Por isso pensei: se ele conseguir aquecer só o quarto em vez da casa toda, isso tem de poupar dinheiro, certo?”, disse-me ela, meio orgulhosa, meio insegura.

Outro cliente, a sair de mãos vazias, resmungou: “Isto é uma burla. Dizem ‘barato de usar’, mas são secadores de cabelo disfarçados.”

Duas pessoas. O mesmo corredor. Vereditos completamente diferentes.

A matemática por detrás do aparelho não é magia. A maioria das unidades como a do Lidl consome cerca de 400–500 watts, muito menos do que um aquecedor de ventoinha de 2 kW. No papel, parece suave: cerca de 13 pence por hora a 27 pence por kWh, mais coisa menos coisa consoante a sua tarifa.

Mas essa hora “barata” soma-se se o aquecedor se tornar um hábito de fundo. Uma noite em frente à Netflix, mais umas horas em teletrabalho, uma manhã fria antes da escola. De repente, o “pequeno” aquecedor já acumulou discretamente dez horas num dia.

Às empresas de energia não lhes interessa o quão fofo ou minúsculo é o dispositivo. Cobram-lhe o consumo puro.

O truque não é se o gadget é bom ou mau, mas como ele compete com tudo o resto que poderia estar a usar em alternativa.

Será que poupa mesmo dinheiro… ou só parece que sim?

Martin Lewis defende há muito a ideia de “aquecer o humano, não a casa”. Mantas aquecidas, cobertores elétricos, aquecedores pequenos de divisão, roupa por camadas - tudo coisas que o aquecem diretamente em vez de desperdiçar gás ou eletricidade em espaço não utilizado. O aquecedor do Lidl encaixa nessa mentalidade, e é por isso que tantos compradores o associam ao conselho dele, mesmo quando ele não recomendou este modelo em específico.

O princípio de base faz sentido.

Se vive sozinho, ou passa as noites apenas numa divisão, ligar um pequeno aquecedor elétrico ali pode custar menos do que pôr a funcionar um sistema a gás para aquecer corredores vazios e quartos de hóspedes. É a essa teoria que as pessoas se agarram enquanto seguram a caixa, pesando-a como uma moeda na mão.

Pense numa casa geminada típica numa noite fria. O aquecimento central está nos 20 °C e a caldeira liga durante três horas. O gás continua, em geral, a ser mais barato por unidade do que a eletricidade, mas aquecer a casa toda quando só a sala está ocupada pode ser puro desperdício.

Agora imagine a mesma cena com a caldeira desligada e o gadget do Lidl a zumbir suavemente junto ao sofá. Está a empurrar ar quente para um canto acolhedor onde alguém lê ou desliza o dedo no telemóvel. O resto da casa mantém-se fresco, mas a pessoa está confortável o suficiente para não querer saber.

Com a tarifa certa e usado por um número limitado de horas, essa troca pode cortar algo relevante numa fatura mensal. Quem experimentou e manteve uma rotina rígida garante, de forma convicta, que o débito direto desceu.

O outro lado da história também é familiar: o aquecedor que nunca se desliga.

Compra-o para “só aquecer um bocadinho”, e depois torna-se uma peça permanente no corredor ou no quarto. Chegam visitas, as crianças queixam-se de pés frios, e em pouco tempo está a funcionar de manhã à noite.

É aqui que a promessa de poupança se desfaz silenciosamente. Aquecedores elétricos são animais simples; cada watt que lhes dá transforma-se em calor, e paga por cada um. Não há um bónus de eficiência escondido dentro de uma caixa de plástico.

A verdade nua e crua é que um gadget do Lidl não pode reescrever as leis da física - só pode ajudá-lo a usá-las de forma diferente.

Como usar o aquecedor do Lidl sem se queimar na fatura

Há um hábito simples que separa o grupo do “isto fez-nos poupar” do grupo do “nunca mais”: um limite de tempo rigoroso.

Quem realmente reduz custos trata o aquecedor como uma chaleira, não como um radiador. Liga-se 20–40 minutos para tirar o frio, depois desliga-se, sem discussão. Alguns até o ligam a uma tomada com temporizador para que, fisicamente, não possa ficar a trabalhar a noite toda.

O segundo ponto-chave é escolher a divisão certa. Um espaço pequeno e fechado - um escritório, um quarto pequeno, um canto aconchegado da sala - retém calor. Uma área em open space deixa-o escapar, e fica com uma ventoinha a soprar e pouco resultado.

Onde muitos de nós escorregamos é no “deslizamento do conforto”. Compra o aquecedor para aquelas manhãs geladas e, lentamente, ele passa a ser o padrão. Ligado enquanto trabalha. Ligado enquanto come. Ligado enquanto faz scroll no telemóvel na cama.

Sejamos honestos: ninguém controla, ao minuto, cada hora que tem um aparelho ligado.

As pessoas que acabam desapontadas com o aquecedor do Lidl, normalmente, não fizeram nada de absurdo - só subestimaram quantas vezes o iam ligando. Isso é humano. Está com frio, carrega no botão. Repetidamente.

Por isso, se comprar um, imponha uma regra antes mesmo de o tirar da caixa. Talvez duas horas no máximo por dia, ou só quando o aquecimento central estiver completamente desligado.

“Não acho que os mini-aquecedores sejam vilões”, disse-me um consultor de energia. “São ferramentas. Usados para aquecimento localizado no cenário certo, são ótimos. Deixados ligados sem pensar, são só mais uma linha na sua fatura.”

  • Use-o apenas numa divisão pequena e fechada - portas abertas e escadas “engolem” o calor.
  • Combine com camadas e mantas, em vez de tentar aquecer o espaço todo.
  • Defina um limite diário de tempo - por exemplo, 60–90 minutos, e cumpra-o.
  • Compare um mês de utilização com uma fatura de inverno anterior, não apenas uma semana.
  • Evite usá-lo ao mesmo tempo que outros aquecedores de elevado consumo.

Um gadget pequeno, uma pergunta maior

O aquecedor de inverno do Lidl é mais do que uma compra impulsiva do corredor do meio. É um retrato de quão nervosos ficámos em torno do calor, do conforto e do e-mail mensal do fornecedor de energia. As pessoas não estão apenas a comprar um gadget; estão a comprar um pouco de controlo. Ou, pelo menos, a sensação dele.

Alguns jurarão que esta pequena unidade, usada com cabeça, os ajudou de facto. Outros vão olhar para uma fatura mais alta do que esperavam e renegar aquecedores de tomada para sempre. Ambos podem ter razão, nas suas próprias circunstâncias.

A pergunta mais interessante é o que estamos realmente a procurar: custos mais baixos, ou a tranquilidade de estar a “fazer alguma coisa” em relação a eles. Um dispositivo inteligente pode ajudar, mas não substitui o trabalho aborrecido de compreender tarifas, isolamento e hábitos.

Da próxima vez que passar pela pilha de caixas no Lidl, talvez volte a sentir-se tentado. Só pare um segundo e imagine como, honestamente, o usaria às 19h de uma terça-feira gelada. Essa resposta provavelmente dirá mais do que o marketing alguma vez dirá.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
O aquecimento direcionado funciona Aquecer uma divisão ou uma pessoa pode custar menos do que aquecer a casa toda Ajuda a decidir quando um mini-aquecedor faz mesmo sentido
Os hábitos de utilização importam mais do que as especificações Uso prolongado e “descontraído” elimina qualquer vantagem de “barato de usar” Incentiva a definir limites de tempo e a usar o dispositivo com intenção
O contexto decide se poupa Tamanho da casa, isolamento, tarifa e rotina mudam o resultado Os leitores podem avaliar se o gadget do Lidl se adequa à sua situação

FAQ:

  • O aquecedor de encaixe do Lidl é mesmo mais barato do que o aquecimento central? Numa divisão pequena e bem confinada, usado durante algumas horas, pode ser mais barato do que ligar um sistema a gás para a casa toda - sobretudo se viver sozinho ou usar apenas um espaço ao fim do dia.
  • O Martin Lewis recomenda o aquecedor específico do Lidl? Ele apoia, em geral, a ideia de aquecer a pessoa, não a casa, e já elogiou o aquecimento elétrico em pequena escala em alguns cenários, mas não recomenda modelos específicos de supermercados.
  • Quanto custa por hora usar um aquecedor de 500 W? A uma tarifa típica no Reino Unido de cerca de 27 pence por kWh, uma unidade de 500 W custa aproximadamente 13–14 pence por hora, subindo ou descendo conforme a sua tarifa exata.
  • Posso deixar um mini-aquecedor ligado toda a noite? Não é recomendado por razões de segurança nem de custo; use-o para aquecer o quarto antes de dormir e depois confie em edredões, camadas e, possivelmente, numa manta aquecida de baixa potência.
  • Qual é uma alternativa melhor se a minha casa tiver muitas correntes de ar? Vedar correntes de ar, usar cortinas grossas e apostar em mantas aquecidas ou cobertores elétricos costuma dar mais conforto direto por cêntimo do que “disparar” um pequeno aquecedor de ventoinha numa divisão com fugas de ar.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário