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Indignação após a Lidl juntar-se a Martin Lewis para promover aparelho de inverno que muitos dizem explorar as famílias mais pobres.

Mulher preocupada observa conta de eletricidade. Criança sentada no sofá ao fundo. Termómetro e moedas sobre a mesa.

A mulher no corredor do Lidl continuava a virar a caixa nas mãos. Um aquecedor branco compacto, “poupança de energia”, “baixo custo”, “essencial de inverno” estampados em tipos de letra simpáticos no cartão. Ao lado, um expositor amarelo berrante trazia um nome familiar: Martin Lewis. Um logótipo minúsculo. Uma citação sobre reduzir as contas.

Ela parecia cansada, como alguém que já está a escolher entre carregar o contador e encher o frigorífico. A etiqueta marcava menos de £20 - baixo o suficiente para soar a esperança, alto o suficiente para doer se não resultasse.

À volta, ouvia‑se o murmúrio: “O Martin diz que estes são bons, não diz?” Uma mistura de confiança, confusão e, em surdina, ressentimento.

Havia qualquer coisa nisto que não parecia certa.

Porque é que um gadget barato de inverno desencadeou uma reação tão forte

Entre agora num supermercado discount no Reino Unido e verá a mesma cena a repetir‑se. Pilhas de aquecedores de tomada, estendais aquecidos, mantas elétricas e “aquecedores de divisão”, todos apresentados como truques inteligentes de inverno para enfrentar a escalada das contas de energia. Colocados à altura dos olhos, perto da entrada, precisamente onde passam todas as semanas pessoas com orçamentos apertados.

Quando uma marca como o Lidl os alinha sob a sombra do guru de poupança mais conhecido da Grã‑Bretanha, a coisa soa diferente. Isto não é apenas um produto; começa a parecer um conselho. Parece permissão. Para quem já se está a afogar em aumentos de preços, isso vale mais do que qualquer slogan.

A tempestade atual começou quando clientes viram o Lidl a promover fortemente um aquecedor de tomada de baixa potência, com cartões de exposição a referirem orientações do Martin Lewis e do MoneySavingExpert sobre “aquecer a pessoa, não a casa”. As redes sociais encheram‑se de fotografias do aparelho e legendas indignadas.

Uma pensionista com deficiência, de Birmingham, escreveu que tinha usado um aquecedor semelhante no ano anterior. A conta disparou na mesma e a pequena mancha de calor mal a alcançava na poltrona. “Confiei no que diziam na televisão”, publicou. “Agora o Lidl está a empurrar a mesma coisa para pessoas como eu.”

Esses comentários cresceram e tornaram‑se algo maior: a sensação de que uma voz de confiança sobre pobreza estava a ser usada para vender produtos, quer ele goste, quer não.

A lógica destes aquecedores não é uma burla pura. No papel, um aparelho de 400W ou 500W custa menos por hora do que um sistema de aquecimento central de 2.000W. Se estiver literalmente sentado mesmo ao lado, imóvel e gelado, pode parecer mais barato. Algumas pessoas beneficiam genuinamente - sobretudo em divisões pequenas ou por curtos períodos.

O problema surge quando esse conselho cuidadoso e condicionado se transforma numa mensagem de retalho, direta e simplista. Um expositor na ponta do corredor não sussurra: “Use isto apenas por pouco tempo, num espaço minúsculo, se a sua caldeira a gás for terrivelmente ineficiente.” Grita: “É assim que poupa dinheiro.” E para muitos agregados de baixos rendimentos em casas mal isoladas, isso simplesmente não é verdade.

Onde acabam as dicas de poupança e começa a exploração

No centro desta polémica está uma tensão simples: as pessoas confiam mais no Martin Lewis do que em qualquer empresa de energia, supermercado ou ministro. Durante anos, ele disse aos espectadores para compararem tarifas, contestarem faturas injustas, reclamarem apoios de que nem sabiam que tinham direito. Em invernos de crise, o tom dele tem sido mais próximo de um aviso de emergência do que de uma rubrica de consumo.

Por isso, quando o Lidl se apoia nessa aura para vender um único gadget de inverno, muita gente sente que se ultrapassou uma linha. A ferramenta escapou da caixa de ferramentas e virou um atalho que cheira a armadilha.

Veja‑se um cenário típico que as instituições de solidariedade descrevem cada vez mais. Uma mãe solteira numa casa arrendada mal isolada, contador pré‑pago elétrico a descer como um relógio de contagem decrescente. Compra um destes aquecedores, a pensar que vai conseguir “aquecer só a divisão onde estamos” enquanto as crianças fazem os trabalhos de casa.

Acaba por o deixar ligado durante horas porque a divisão nunca fica realmente confortável. O contador devora o crédito mais depressa do que ela esperava. No fim da semana, o gadget de £20 custou‑lhe mais £15–£20 em carregamentos extra. O aquecimento central continua desligado, as crianças continuam a queixar‑se de frio, e instala‑se a sensação de falhanço. É essa parte que os rótulos brilhantes na prateleira nunca mostram.

Numa calculadora, nada disto é misterioso. O custo de energia é a potência em watts multiplicada pelas horas de uso. Um aquecedor de 500W a funcionar sem parar pode, discretamente, acumular custos semelhantes aos de uma caldeira a gás que aquece várias divisões de uma só vez, sobretudo com os preços elevados da eletricidade no Reino Unido.

A ideia original de “aquecer a pessoa” era sempre sobre uso direcionado, curto e tático: aquecer uma única pessoa numa secretária durante uma hora, vestir camadas, manter o resto da casa mais fresco. Quando essa nuance escorre para o retalho de massas, ao estilo “dica de dieta”, transforma‑se. O marketing adora histórias simples. A pobreza não.

Formas mais inteligentes de se manter quente sem cair no hype

Felizmente, há formas de aproveitar a parte boa deste conselho sem ir diretamente parar a um choque na fatura. O ponto de partida é aborrecido mas poderoso: saber quanto está, de facto, a pagar por hora. Pegue no seu preço por kWh (por exemplo, 30p por kWh), multiplique pelos quilowatts do aquecedor (0,4 kW para 400W), e tem o custo horário. Neste exemplo, cerca de 12p por hora.

Depois compare com o gás ou com o seu aquecimento existente. Uma caldeira a gás relativamente eficiente pode custar muito menos por hora para aquecer várias divisões. O aquecedor pequeno só “ganha” se o usar mesmo por curtos períodos e num espaço confinado. Ou seja: uma pessoa, um canto, uma hora.

Outro passo prático é construir camadas no corpo antes de recorrer à tomada. Camadas térmicas de base, meias grossas, um polar barato, uma botija de água quente, uma manta. Nada disso parece glamoroso ou “instagramável”, mas é muitas vezes aí que estão as verdadeiras poupanças.

Todos já estivemos nesse momento em que somos tentados por um gadget porque parece um truque engenhoso para contornar um problema muito maior. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias, de forma perfeita e racional, a calcular cada unidade de energia. É precisamente por isso que o marketing que mistura “dica” com “produto” pode ferir quem tem menos margem para errar.

Um técnico de apoio à habitação resumiu de forma crua: “Se precisa de o ter ligado durante horas só para se sentir vagamente humano, não é um dispositivo de poupança, é um imposto de conforto sobre os pobres.”

  • Antes de comprar: verifique a potência (W) e faça no telemóvel o cálculo rápido do custo por hora.
  • Pergunte a si próprio: vou mesmo estar num só lugar, perto disto, por poucas horas… ou vai acabar ligado a noite inteira?
  • Dê prioridade a soluções que o aquecem diretamente (manta aquecida, colete aquecido) em vez de gadgets que tentam aquecer uma divisão inteira e cheia de correntes de ar.
  • Procure apoios pontuais, descontos para casas aquecidas, ou esquemas de associações locais antes de gastar dinheiro precioso em equipamentos.
  • Se um produto é apresentado como “para os mais pobres”, pare e pergunte: quem é que lucra mais com esta venda?

O que esta controvérsia diz realmente sobre confiança, marcas e sobrevivência

Por baixo do ruído sobre um gadget do Lidl e uma celebridade de poupança está algo muito mais pesado: um país onde o calor básico parece agora um puzzle que supostamente se resolve com “hacks”. É um lugar brutal para viver.

Quando nomes de confiança se enredam em campanhas de retalho, mesmo indiretamente, abana um dos últimos pilares estáveis que muitas pessoas ainda tinham: a sensação de que, pelo menos, alguém está do seu lado sem lhes tentar vender nada. Para muitos, essa sensação vale mais do que qualquer brinde ou desconto.

Esta raiva não é só sobre quilowatts ou manchetes caça‑cliques. É sobre quem pode ocupar o terreno moral mais alto numa crise do custo de vida. Supermercados falam em ajudar “famílias em dificuldades”, depois aumentam silenciosamente os preços dos alimentos enquanto vendem gadgets “económicos” que podem ou não ser mais baratos de usar. Especialistas de TV dão conselhos cuidadosamente condicionados, depois veem esses conselhos ser despidos de nuance e colados em caixas.

Quem vive com margens mínimas sente a distância entre relações‑públicas e realidade nas pontas dos dedos sempre que segura uma chave fria do contador. Não querem perfeição. Querem conversa franca, matemática honesta e a liberdade de não serem transformados num segmento de marketing sempre que passam por uma promoção.

Ponto‑chave Detalhe Valor para o leitor
Verificar custos reais de funcionamento Use potência (W) × horas × preço por kWh para estimar quanto um gadget lhe custará por dia Reduz o risco de faturas surpresa com aquecedores “poupadores”
Priorizar aquecer‑se a si Camadas, mantas, mantas aquecidas ou roupa aquecida costumam vencer aquecedores de tomada para a divisão Mais calor por cada libra gasta em energia
Questionar o marketing Quando marcas se apoiam em especialistas de confiança ou na linguagem de “ajudar os mais pobres”, leia as letras pequenas Ajuda a manter o controlo das escolhas em vez de ser levado pelo hype

FAQ:

  • O Martin Lewis está a endossar pessoalmente o aquecedor do Lidl?
    Não foi anunciado qualquer endosso formal. O que irritou muita gente foi o Lidl usar linguagem e ideias associadas ao conselho “aquecer a pessoa, não a casa” para promover um produto específico.
  • Os aquecedores de tomada de baixa potência são sempre uma má ideia?
    Nem sempre. Podem funcionar em situações muito limitadas: divisões pequenas, períodos curtos, uma pessoa sentada perto. O problema começa quando funcionam durante horas em espaços grandes e com correntes de ar, onde podem acabar por custar mais do que o aquecimento central.
  • Qual é a diferença entre um aquecedor de tomada e uma manta aquecida?
    Um aquecedor de tomada aquece o ar; uma manta aquecida aquece diretamente o corpo. O calor direto geralmente permite usar menor potência e menos tempo, o que costuma sair mais barato para a mesma sensação de conforto.
  • Como posso saber se um gadget “poupador” vale mesmo a pena?
    Verifique a potência, calcule o custo por hora com a sua tarifa, e pense realisticamente quanto tempo o vai usar por dia. Compare com o custo de usar o aquecimento existente pelo mesmo período e considere se o gadget o mantém suficientemente quente.
  • O que devo fazer antes de gastar dinheiro em gadgets de inverno?
    Procure primeiro apoios gratuitos ou subsidiados: Warm Home Discount, pagamentos de custo de vida, esquemas da autarquia local e melhorias de eficiência energética como vedação de correntes de ar. Depois, se ainda precisar de equipamento, priorize itens que o aquecem diretamente e que tenham informação clara sobre custos de funcionamento.

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