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Higiene após os 65: nem diariamente, nem semanalmente; saiba a frequência ideal do banho para o seu bem-estar.

Mulher idosa de roupão branco aplica creme nas mãos numa casa de banho bem iluminada.

Terça-feira de manhã, 7h40, e a porta da casa de banho de um pequeno apartamento nos subúrbios volta a bater com força. A chaleira apita, o rádio resmunga as notícias e, atrás da porta, Marianne, de 72 anos, já vai no seu segundo duche completo do dia. “Caso contrário, não me sinto limpa”, diz ela, enrolando-se numa toalha, com a pele vermelha por causa da água quente. A neta faz scroll no telemóvel à mesa, meio divertida, meio preocupada. Dermatologistas no TikTok dizem precisamente o contrário. O médico de família encolhe os ombros. Os amigos enviam-lhe artigos contraditórios no WhatsApp.

Quem tem razão quando a sua pele, as hormonas e a energia mudaram, mas os seus hábitos não?

E com que frequência deve, afinal, pôr-se debaixo de água depois dos 65 para se manter saudável, independente e, ainda assim, sentir-se como você?

Porque é que tomar duche todos os dias depois dos 65 pode sair-lhe caro

Pergunte a qualquer grupo de pessoas com mais de 65 anos sobre duches e vai ouvir a mesma resposta confiante: “Todos os dias, claro.” Para uma geração criada com a ideia de que limpeza é sinónimo de respeitabilidade, saltar um dia pode soar a preguiça. O problema é que, a partir de certa idade, o corpo muda as regras em silêncio.

A pele fica mais fina. As hormonas descem. Os óleos naturais que antes recuperavam até ao fim da tarde passam a precisar de dias para voltar ao normal. Um hábito de duche que aos 40 parecia energizante pode transformar-se, aos 70, numa erosão lenta da barreira cutânea. O que era um enxaguamento rápido passa a deixar com comichão, com frio e, estranhamente, mais cansado.

Veja-se o caso de Jean, 68 anos, ex-motorista de autocarro, sempre meticuloso. Durante décadas, lavou-se da cabeça aos pés com água muito quente e sabonete forte, de manhã e à noite. “Passei o dia inteiro a transportar pessoas, não podia cheirar mal”, explica. Depois da reforma, a rotina manteve-se. Em menos de um ano, as canelas estavam gretadas, os braços cobertos de pequenas manchas vermelhas, e ele acordava às 3 da manhã a coçar-se.

O médico de família acabou por lhe dizer algo que ele nunca esperou ouvir: “Está limpo de mais.” Mudaram para água morna, um produto sem perfume apenas nas “zonas estratégicas” e um duche completo a cada dois ou três dias. Três semanas depois, a comichão quase desapareceu. A parte mais surpreendente para ele: ninguém notou diferença no cheiro.

Dermatologistas que trabalham com pessoas mais velhas veem este padrão todos os dias. Depois dos 65, a camada mais externa da pele torna-se mais frágil e as glândulas que produzem óleos naturais abrandam. A água quente e os sabonetes agressivos removem esses óleos, deixando microfissuras. Essas fissuras são portas abertas para irritação, bactérias e até infeções.

A verdade simples: tomar duche com demasiada frequência pode envelhecer a sua pele mais depressa do que o próprio tempo. Além disso, o equilíbrio e a tensão arterial mudam com a idade. Duches longos e muito quentes aumentam o risco de tonturas, quedas e fadiga. O que antes parecia autocuidado pode, discretamente, tornar-se autossabotagem.

O ponto ideal: com que frequência tomar duche depois dos 65 para se manter fresco e bem

A rotina que mantém a maioria das pessoas com mais de 65 anos a funcionar bem é surpreendentemente modesta. Para muitos, o ponto ideal é um duche completo duas a três vezes por semana, com lavagens rápidas “por cima e por baixo” no lavatório nos outros dias. Isto significa cuidados diários para axilas, zonas íntimas, pés e rosto, mas não necessariamente um banho completo do couro cabeludo aos calcanhares.

Nos dias de duche, quanto mais curto, melhor: cinco a dez minutos, água morna e um produto de limpeza suave e sem perfume nas zonas que realmente precisam. Pense nos braços, pernas e costas como convidados, não como clientes habituais. Não precisam de esfrega todos os dias. Assim, mantém-se limpo, cheira a fresco e a sua pele ainda tem oportunidade de reconstruir o seu escudo natural.

Todos já passámos por isto: sai do duche e sente-se absolutamente impecável… durante cerca de duas horas. Depois começa a sensação de repuxamento. As mãos pedem creme, as costas ficam “de papel” e, de repente, está enrolado numa manta polar apesar do aquecimento ligado. Em pessoas mais velhas, este “abaixo pós-duche” costuma ser mais intenso.

Imagine Rosa, 76 anos, que passou a tomar três duches por semana depois de um susto com a anca. Nos dias sem duche, senta-se numa cadeira estável junto ao lavatório, usa uma toalhita macia para as zonas íntimas, axilas, pescoço e atrás das orelhas, e depois veste roupa de algodão lavada. “Achei que me ia sentir suja”, admite. “Em vez disso, sinto-me menos exausta. E as minhas pernas já não ardem.” Limpo nem sempre significa encharcado.

Há lógica neste ritmo mais gentil. O suor e as bactérias acumulam-se sobretudo onde a pele dobra ou roça: axilas, virilhas, debaixo das mamas, entre os dedos dos pés e, por vezes, no couro cabeludo. O resto do corpo simplesmente não fica tão sujo tão depressa, especialmente se os seus dias envolvem mais caminhadas e conversa do que trabalho de construção. A sua pele não é uma bancada de cozinha; é um órgão vivo que precisa de alguns dos seus próprios óleos para funcionar.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias exatamente como os “especialistas” descrevem nos folhetos. Ainda assim, uma combinação realista de lavagens no lavatório, duches mais curtos e roupa lavada pode reduzir bastante o odor corporal, diminuir a comichão e baixar o risco de escorregadelas na casa de banho. A higiene depois dos 65 tem menos a ver com frequência e mais a ver com estratégia.

Rituais práticos que protegem a sua pele, dignidade e independência

Pense no duche depois dos 65 como uma pequena cerimónia bem planeada, não como um hábito apressado. Antes de entrar, coloque um tapete antiderrapante na banheira ou na base de duche, mantenha uma cadeira firme ou banco de duche por perto e tenha uma toalha grande ao alcance. Depois, regule a água para morna, não a escaldar. A sua pele nunca deveria ficar vermelho-lagosta.

Use um produto de limpeza suave e sem perfume apenas nas zonas de “muito tráfego”: axilas, zonas íntimas, pés e quaisquer pregas cutâneas. Deixe a água simples tratar do resto. Seque a pele com toques suaves em vez de esfregar. Em até três minutos, aplique um hidratante simples e rico, especialmente nas pernas, braços e costas. Esse último passo é onde muito conforto se ganha - ou se perde.

Um erro silencioso que muitas pessoas mais velhas cometem: insistir teimosamente nos produtos que usavam aos 30. O sabonete com cheiro a limão, o gel de banho espumoso que deixava a pele a “chiar” de tão limpa, a mesma esponja áspera de sempre. A pele depois dos 65 não recupera desse tipo de ataque. Inflama, dá comichão e fica mais propensa a nódoas negras.

Outra armadilha é tomar duche logo após as refeições ou quando se sente mais fraco. A tensão arterial pode descer, a divisão enche-se de vapor e, de repente, o simples ato de lavar-se torna-se arriscado. Não há vergonha nenhuma em passar para duches ao fim da manhã ou início da tarde, quando o corpo está mais estável e há alguém por perto em casa. Manter-se seguro na casa de banho faz parte de se manter independente.

“Limpar um corpo mais velho é uma questão de respeito, não de esfregar”, diz a Dra. Léa Martin, geriatra que aconselha famílias sobre cuidados diários. “O objetivo é conforto, dignidade e proteção da pele, não perseguir uma ideia impossível de ‘limpeza perfeita’.”

  • Opte por dois a três duches completos por semana, com lavagem diária direcionada no lavatório.
  • Use água morna e um produto sem perfume apenas nas zonas-chave.
  • Mantenha os duches abaixo de dez minutos para evitar fadiga e secura da pele.
  • Hidrate generosamente logo a seguir, sobretudo pernas e braços.
  • Adapte horários e segurança (barras de apoio, tapete, cadeira) assim que o equilíbrio se torne menos seguro.

Repensar o “limpo” depois dos 65: menos pressão, mais conforto

Quando aceita que “duche todos os dias” era uma regra escrita para pele mais jovem e para um estilo de vida diferente, algo se solta em silêncio. A culpa de saltar um dia desvanece-se. As conversas com pais, companheiros ou vizinhos sobre higiene tornam-se menos acusatórias e mais práticas. Percebe que o que realmente importa não é quantas vezes a água corre, mas se a pessoa se sente bem no próprio corpo.

As famílias descobrem pequenos rituais que funcionam: uma toalhita morna depois do pequeno-almoço, meias lavadas a meio do dia, creme massajado suavemente nas gémeas cansadas enquanto se conversa sobre as notícias. Esses momentos protegem contra infeções, sim, mas também protegem contra a solidão e o medo de “perder o controlo”. O ritmo certo de duche depois dos 65 não é um número escrito no calendário da casa de banho. É um acordo vivo entre corpo, mente e vida diária. E pode ser ajustado, as vezes que forem necessárias, sem pedir desculpa.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Frequência ideal Dois a três duches completos por semana, mais lavagem diária direcionada Reduz problemas de pele mantendo-o fresco e confiante
Método suave Água morna, produto suave nas zonas-chave, hidratação rápida Protege a pele frágil e diminui comichão, vermelhidão e repuxamento
Segurança e dignidade Duches mais curtos, ambiente antiderrapante, horário adaptado Reduz o risco de quedas e ajuda a manter a independência por mais tempo

FAQ:

  • Com que frequência deve, de facto, uma pessoa de 70 anos tomar duche? Para a maioria das pessoas por volta dos 70, dois a três duches completos por semana são suficientes, desde que axilas, zonas íntimas, pés e rosto sejam lavados diariamente no lavatório.
  • Não vou cheirar mal se não tomar duche todos os dias? O odor corporal vem sobretudo de bactérias em zonas quentes e húmidas. Se lavar essas áreas diariamente, usar roupa limpa e mudar a roupa interior com regularidade, o cheiro mantém-se controlado mesmo sem um duche completo diário.
  • Tomar duche demasiadas vezes pode ser prejudicial para séniores? Sim. Duches muito frequentes, quentes e com sabonete podem secar e gretar a pele mais velha, aumentar a comichão e elevar o risco de tonturas ou quedas na casa de banho.
  • Que tipo de sabonete é melhor depois dos 65? Use um produto de limpeza líquido suave e sem perfume ou um syndet (barra sem sabão) indicado para pele sensível ou madura, e evite esfoliantes agressivos ou perfumes fortes.
  • E se um pai/mãe se recusar a tomar banho de todo? Comece com pequenos passos: ofereça uma lavagem com toalhita morna, ajuste a temperatura da divisão, trate o medo de cair e fale com um médico para excluir depressão, dor ou problemas cognitivos que possam estar por trás da resistência.

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