A ventoinha da casa de banho zune, a luz está um pouco brilhante demais e os azulejos parecem mais frios do que antes. Denise, 72 anos, está de roupão, com a mão no manípulo do chuveiro, a contar os dias na cabeça. Terá tomado banho ontem? Ou foi há três dias? A filha insiste num banho diário. O médico disse “não tão frequentemente”. Os joelhos dizem “despacha-te, por favor”.
Suspira, ri-se de si própria ao espelho e pergunta-se quando é que algo tão simples como lavar-se se transformou numa pequena negociação com o próprio corpo. Algures entre os 65 e os 90, a pergunta muda de “Tenho tempo?” para “De que é que a minha pele, a minha energia, a minha dignidade realmente precisam?”. E a resposta não é a que a maioria de nós aprendeu.
Então, com que frequência se deve mesmo tomar banho depois dos 65?
Pergunte a dez pessoas mais velhas com que frequência tomam banho e vai ouvir dez histórias totalmente diferentes. Todos os dias, dia sim dia não, duas vezes por semana, “só quando me sinto suado/a” - o intervalo é grande. Hoje, muitos médicos dizem que, depois dos 65, a velha regra do “um banho por dia” pode fazer mais mal do que bem à pele fragilizada.
O corpo muda, mesmo que não gostemos de o admitir. A pele fica mais fina, mais seca, mais facilmente irritada. As articulações queixam-se, o equilíbrio parece menos seguro. A higiene continua a importar, claro, mas o ritmo precisa de mudar.
A parte interessante é que saúde e conforto muitas vezes se encontram na mesma frequência.
Veja o caso do Bernard, 78 anos, que seguia o hábito militar de toda a vida: um duche frio todas as manhãs, às 7 em ponto. Cortante, rápido, sem desculpas. No inverno passado começou a ter manchas vermelhas e com comichão nas canelas e nos braços. O dermatologista explicou-lhe, com calma, que a sua “disciplina” estava a retirar a proteção natural da pele.
Concordaram numa nova rotina: um banho completo duas a três vezes por semana, mais uma “toalete” rápida ao lavatório nos outros dias. Sabão suave apenas para as axilas, virilhas, pés e mãos. Água morna em vez de jatos gelados.
Ao fim de um mês, a comichão diminuiu. O Bernard manteve o sentido de ordem, mas o calendário na parede da casa de banho deixou de ter uma marca todos os dias.
O que médicos e enfermeiros de geriatria repetem hoje é surpreendentemente simples: a maioria das pessoas com mais de 65 dá-se melhor com dois a três banhos completos por semana, e não mais. Nos restantes dias, a lavagem dirigida é suficiente. Esse ritmo protege a barreira cutânea - uma espécie de escudo natural feito de óleos e microrganismos que ajuda a afastar irritantes.
Banhos diários, sobretudo com água quente e gel perfumado, removem esse escudo. Quando desaparece, a secura racha a pele, e pele rachada é um convite para infeções. Uma rotina menos frequente, mas mais inteligente, mantém esse escudo ativo.
Ironicamente, tomar banho com menos frequência - mas melhor - costuma fazer com que se sinta mais fresco/a.
A rotina de higiene saudável depois dos 65: menos pressão, mais precisão
Como é que “dois a três banhos por semana” se traduz na vida real? Pense em dias âncora. Por exemplo: terça-feira, sexta-feira e domingo são os dias de banho completo. Nesses dias, lave o corpo todo com água morna, use um produto de limpeza suave e sem perfume nas zonas-chave e, no fim, seque com uma toalha macia, a dar toques, e não a esfregar com força.
Nos outros dias, uma lavagem rápida ao lavatório foca-se nos sítios que realmente precisam de atenção diária: rosto, axilas, partes íntimas, pés e mãos. Isto pode demorar cinco minutos, sentado/a num banco se estiver cansativo ficar de pé.
Esta estrutura simples dá ritmo sem rigidez. Tira o peso do “tenho de tomar banho” e substitui-o por “hoje é um dia de higiene leve”.
Uma armadilha comum é a lógica do tudo ou nada. Ou um banho completo e exaustivo com lavagem de cabelo, esfregar, e dobrar-se em todas as direções - ou nada, porque “não tenho energia”. É assim que se passa de tentar tomar banho todos os dias para, de repente, perceber que já passou uma semana inteira.
O caminho do meio é menos glamoroso, mas muito mais sustentável. Um banho completo não precisa de incluir champô todas as vezes. Muitas pessoas, depois dos 65, ficam bem com uma lavagem do cabelo por semana. No resto do tempo, uma escovagem suave e um pouco de água na linha do cabelo chegam.
Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias exatamente da mesma maneira - e está tudo bem.
“Depois dos 70, a higiene não é sobre perseguir a sensação de ‘perfeitamente limpo’”, explica uma enfermeira comunitária que conheci numa ronda de visitas domiciliárias. “É sobre manter a saúde, prevenir infeções e preservar a confiança no próprio corpo. A rotina perfeita é aquela que consegue manter, semana após semana.”
- Frequência
2–3 banhos completos por semana, mais lavagem diária dirigida das áreas-chave. - Temperatura da água
Morna, não quente, para evitar secura e tonturas. - Produtos
Produto de limpeza suave e sem perfume; sem esfoliantes agressivos nem sabonetes que ressequem. - Apoio à segurança
Tapete antiderrapante, barras de apoio e banco de duche se o equilíbrio for um problema. - Cuidados após o banho
Secar com toques suaves e aplicar um hidratante simples nos braços, pernas e tronco.
Quando a higiene se torna uma conversa, não uma regra
A higiene depois dos 65 muitas vezes esconde outras questões atrás da porta da casa de banho. Como está o seu equilíbrio? Consegue chegar aos pés com facilidade? Tem medo de escorregar na banheira, mas não se atreve a dizê-lo em voz alta? Já todos passámos por esse momento em que o corpo hesita e o orgulho se cala.
Falar sobre a frequência do banho com um médico, um cuidador ou a família pode parecer estranho, até um pouco embaraçoso. No entanto, é nessas conversas que surgem soluções reais: acrescentar um banco, mudar o chuveiro, optar por banhos de esponja nos dias de maior cansaço, ou planear dias de banho “com ajuda” com um apoio domiciliário.
Por vezes, o obstáculo não é a água nem o sabão. É a fadiga, o medo, ou uma casa de banho que já não acompanha o corpo que lá vive.
| Ponto-chave | Detalhe | Valor para o/a leitor/a |
|---|---|---|
| Frequência ideal depois dos 65 | 2–3 banhos completos por semana + lavagem diária dirigida | Protege a pele, reduz o risco de infeção e poupa energia |
| Rotina suave | Água morna, produto suave, sabão limitado a certas zonas, hidratação | Limita secura, comichão e irritação, mantendo sensação de frescura |
| Segurança e adaptação | Banco, barras de apoio, tapetes antiderrapantes e dias flexíveis de higiene “leve” | Reduz o risco de quedas e torna a higiene mais realista a longo prazo |
FAQ:
- Quantas vezes por semana deve uma pessoa de 70 anos tomar banho?
Para a maioria das pessoas saudáveis por volta dos 70, dois a três banhos completos por semana são suficientes, combinados com lavagem diária do rosto, axilas, virilhas e pés ao lavatório.- Tomar banho todos os dias faz mal à pele mais velha?
Banhos diários, especialmente com água quente e sabonete comum, podem secar e danificar a pele madura, aumentando o risco de comichão, fissuras e infeções.- Que partes do corpo precisam de lavagem diária depois dos 65?
Axilas, partes íntimas, pés, mãos e rosto beneficiam de limpeza diária, mesmo nos dias sem banho completo.- Com que frequência devem os seniores lavar o cabelo?
A maioria dá-se bem com champô uma vez por semana, a menos que transpire muito ou tenha condições específicas do couro cabeludo acompanhadas por um médico.- E se alguém se recusar a tomar banho durante vários dias?
Vale a pena explorar a razão: medo de cair, dor, depressão ou demência. Adaptar a casa de banho, oferecer ajuda e mudar para rotinas mais curtas e suaves costuma resultar melhor do que insistir numa regra rígida.
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