Através das redes sociais brasileiras, uma sobremesa surpreendentemente simples está a roubar as atenções e a encher os feeds com fatias brilhantes e tremelicantes.
O que parece um clássico pudim assado é, na realidade, algo muito mais fácil: um pudim de dois ingredientes que dispensa ovos, exige quase nenhuma técnica e ainda assim fica com aquele brilho familiar do caramelo. Criadores de conteúdos gastronómicos dizem que é daquelas receitas que se faz uma vez “só para experimentar” e depois se repete em todos os almoços de família.
Porque é que este pudim de 2 ingredientes está a tornar-se viral
O pudim que está em alta no Brasil neste momento parece um pudim tradicional, mas o método reescreve discretamente as regras. Em vez do trio habitual de ovos, leite e açúcar, a base assenta em dois básicos de supermercado: leite condensado adoçado e iogurte natural gordo.
Esta versão elimina completamente os ovos, mas ainda assim solidifica em fatias limpas e cremosas que mantêm a forma no prato.
O leite condensado traz doçura e aquele corpo denso e aveludado familiar a quem cresceu com sobremesas latino-americanas. O iogurte contribui com proteína e gordura, que ganham firmeza ao assar em banho-maria e ao arrefecer no frigorífico. Juntos, formam uma estrutura tipo creme/pudim sem o risco de os ovos talharem.
Essa fórmula sem complicações explica grande parte do apelo. Não há temperar, não há bater ao lume, nem ansiedade com “o ponto certo” de um creme. Se sabe mexer, sabe fazê-lo.
Como é que o truque dos 2 ingredientes funciona de facto
Por trás da tendência viral está alguma ciência alimentar bastante simples. O leite condensado é leite evaporado e adoçado, pelo que contém proteínas e açúcares concentrados. Quando aquecido suavemente, essas proteínas ajudam a formar uma rede tipo gel.
O iogurte, por sua vez, já foi fermentado e parcialmente espessado. As suas proteínas (caseína) e a gordura do leite dão estrutura quando vai ao forno. Mesmo sem ovos, a mistura solidifica em algo entre um flan e um cheesecake, sobretudo quando cozinhada devagar e a baixa temperatura em banho-maria.
Em vez de um creme de ovos, está essencialmente a assar um creme doce de iogurte que fica firme à medida que arrefece.
O método mantém-se próximo do pudim brasileiro clássico: forma forrada com caramelo, um creme líquido liso e cozedura suave num tabuleiro com água quente. O resultado é suficientemente familiar para soar nostálgico, mas simplificado o bastante para quem está a começar.
Dentro da receita: o que realmente precisa
A base do pudim
A grande atração é a lista curta de ingredientes. Para o pudim em si, a fórmula viral mais comum é:
| Ingrediente | Quantidade | Notas |
|---|---|---|
| Leite condensado adoçado | 2 latas (cerca de 790 g no total) | Use o normal, não “light”/diet, para uma textura estável |
| Iogurte natural gordo | Cerca de 320 g | Sem açúcar e à temperatura ambiente para misturar facilmente |
A cobertura de caramelo
Para obter aquela camada âmbar intensa que escorre lentamente pelas laterais, continua a fazer-se um caramelo básico no fogão:
- 1 chávena de açúcar (cerca de 200 g), granulado ou fino
- 1/2 chávena de água (cerca de 120 ml), adicionada com cuidado ao caramelo quente
O açúcar derrete-se em lume brando até ficar dourado e depois aligeira-se com a água, vertendo-se numa forma de buraco (tipo anel) ou forma tipo bundt, cobrindo o fundo e as laterais.
Passo a passo: como os brasileiros estão a fazê-lo em casa
1. Primeiro o caramelo
O processo costuma começar pelo caramelo, porque precisa de arrefecer ligeiramente antes de entrar a mistura cremosa.
- Aqueça o açúcar num tacho de fundo grosso em lume brando.
- Deixe derreter e escurecer para um dourado intenso, mexendo apenas se algumas zonas começarem a ganhar cor depressa demais.
- Adicione a água com cuidado - pode salpicar - e mexa até quaisquer grumos duros se dissolverem.
- Verta o caramelo quente para uma forma de anel de 18 cm, inclinando para cobrir o fundo e as laterais.
2. Misture o creme
Depois vem a parte que está a gerar tanto entusiasmo online: sem liquidificador, sem batedeira, só uma taça e uma colher.
- Deite o leite condensado numa taça grande.
- Junte o iogurte.
- Mexa com uma vara de arames ou colher até a mistura ficar completamente lisa.
- Verta com cuidado sobre o caramelo já assentado, para não se misturar com a calda.
A base mistura-se à mão em minutos, o que torna a receita acessível até para quem diz que “não faz bolos”.
3. Asse em banho-maria
A forma cheia é tapada bem com folha de alumínio, com o lado brilhante virado para dentro, e colocada num tabuleiro maior. Deite água quente à volta até cerca de meio da altura da forma.
- Asse a cerca de 160°C durante aproximadamente 1 hora.
- O pudim está pronto quando o centro parece firme, mas ainda ligeiramente tremelicante.
- Deixe arrefecer à temperatura ambiente e depois leve ao frigorífico por várias horas.
- Descole as bordas com uma faca fina e desenforme num prato fundo para o caramelo escorrer por cima.
Porque é que as redes sociais adoram este pudim
No TikTok e no Instagram, vídeos da sobremesa a ser fatiada somam milhões de visualizações. A colher entra sem esforço. A fatia treme, mas aguenta. O caramelo escorre lentamente pelas laterais. Para quem vê, é conteúdo puramente sensorial.
Parte do encanto está na barreira de entrada baixa. Os ingredientes são baratos no Brasil, onde o leite condensado é um básico de despensa. O método perdoa erros, tornando-se atrativo para estudantes, pais ocupados e pessoas a cozinhar em cozinhas pequenas e arrendadas, com pouco equipamento.
Para muitos cozinheiros caseiros, está no ponto certo: nostálgico como o pudim da avó, mas simplificado para a vida moderna e apressada.
Pequenas variações que não estragam a textura
Apesar da fórmula minimalista, a receita aceita ajustes suaves. O segredo é não desequilibrar a relação entre líquido e gordura, que dá estrutura ao pudim.
- Algumas gotas de extrato de baunilha incorporadas no creme dão aroma de pastelaria.
- Raspa fina de limão ou laranja traz um toque cítrico discreto sem dominar o caramelo.
- Fruta fresca - morangos, kiwi ou uvas - pode ser colocada à volta das fatias para cortar a doçura.
- Alguns cozinheiros trocam parte do leite condensado por uma versão “light”, aceitando que a textura pode ficar ligeiramente menos sedosa.
Como se compara com flan tradicional e cremes assados
Os flans clássicos dependem de ovos para solidificar. Se cozinhar em excesso, corre o risco de ficar borrachudo e com pequenos alvéolos de ar. Esta tendência de dois ingredientes contorna essa preocupação ao usar proteínas lácteas já estabilizadas pelo processamento e pela fermentação.
A textura fica algures entre um iogurte assado e um cheesecake ao estilo Nova Iorque, mas um pouco mais leve. Corta-se com facilidade e derrete na boca, sobretudo após um longo repouso no frio - muitas receitas brasileiras indicam até oito horas no frigorífico para o melhor resultado.
Dicas práticas e pequenos riscos a ter em conta
Apesar da fama de ser “impossível de estragar”, ainda há algumas armadilhas. Temperatura demasiado alta pode fazer o pudim borbulhar e criar buracos. Por isso, a maioria das versões insiste numa temperatura relativamente baixa e numa forma tapada.
Usar iogurte magro também pode alterar o resultado. Menos gordura significa menos estrutura e sensação na boca, e o pudim pode ficar mais mole. Em cozinhas muito quentes, compensa deixar o caramelo arrefecer um pouco mais antes de verter o creme, para não começar a cozinhar a mistura nas bordas.
Calor suave, lacticínios gordos e paciência no frigorífico são as três regras silenciosas por trás desta receita viral.
Para onde poderá ir esta tendência a seguir
Bloggers de comida no Brasil já estão a testar variações: versões com café para adultos, alternativas com iogurte de coco para uma nota tropical e pudins individuais em ramequins para arrefecer mais depressa.
Há também interesse em adaptar o conceito para quem tem restrições alimentares. Iogurtes vegetais de coco ou soja, combinados com “leite” condensado vegan, poderão obter uma solidificação semelhante, embora os sabores e a firmeza mudem. Estas tentativas mostram como uma tendência viral pode estimular uma experimentação mais ampla, em vez de ficar presa a uma fórmula única e exata.
Para quem tem curiosidade por doces ao estilo brasileiro, este pudim de dois ingredientes é uma porta de entrada suave. Capta muito do que torna a pastelaria caseira partilhável hoje: poucos ingredientes, um resultado visualmente satisfatório e um toque de nostalgia, tudo numa receita que parece muito mais difícil do que realmente é.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário