Em feeds de redes sociais e em grupos de família no WhatsApp, está a espalhar-se um novo êxito viral: um pudim de dois ingredientes que dispensa ovos, usa básicos do supermercado e, ainda assim, parece um flan clássico. Criadores de conteúdos de culinária dizem que é tão “à prova de falhas” que até iniciantes nervosos conseguem, à primeira tentativa, uma sobremesa brilhante e que se corta à fatia.
Porque é que este pudim de 2 ingredientes está a tornar-se viral
À primeira vista, a ideia parece quase demasiado minimalista. Sem ovos, sem leite, sem amido de milho. Apenas leite condensado açucarado e iogurte natural gordo. Ainda assim, o resultado, quando vai ao forno suavemente em banho-maria, é um creme firme, de textura lisa e cremosa, com uma camada dourada de caramelo por cima.
A receita explodiu no TikTok, no Instagram e em canais brasileiros de cozinha, com vídeos a somarem milhões de visualizações. O apelo é evidente: menos ingredientes significam menor custo, menos planeamento e menos margem para erro.
Este pudim troca o habitual emaranhado de ovos e leite por dois ingredientes do dia a dia, reduzindo a receita ao essencial.
Para muitos cozinheiros caseiros, essa mudança faz diferença. Pudins assados clássicos podem talhar, rachar ou cozer de forma irregular. Os ovos reagem rapidamente ao calor e exigem atenção constante. Ao deixar que o iogurte forneça estrutura, a mistura torna-se mais estável. A distância entre “no ponto” e “passado” aumenta, o que tranquiliza quem não costuma fazer doces.
Em que difere de um pudim/flan tradicional
O pudim brasileiro tradicional aproxima-se do que leitores do Reino Unido e dos EUA conhecem como crème caramel: um creme de ovos assado, vertido sobre caramelo e refrigerado até ficar firme. Os ovos dão riqueza e aquele tremelicar delicado, mas também introduzem risco.
Na versão de dois ingredientes, o iogurte entra como agente de coagulação. As suas proteínas e gorduras firmam no forno, enquanto o leite condensado fornece doçura e corpo. O resultado é um pouco mais denso e com um ligeiro toque ácido do que um flan clássico - muitos fãs comparam o sabor a um cruzamento entre cheesecake e creme de leite condensado.
Sem ovos, menos variáveis: o iogurte dá a estrutura; o leite condensado dá a doçura e a cremosidade.
A ciência por trás da textura
Quando a mistura coze suavemente em banho-maria, acontecem três coisas:
- As proteínas do iogurte coagulam lentamente e formam uma rede.
- Os açúcares do leite condensado ajudam a reter humidade, mantendo o centro cremoso.
- O calor moderado do forno e o vapor do banho-maria impedem que as bordas sequem demasiado depressa.
Este equilíbrio cria a textura tão desejada: firme o suficiente para cortar à fatia, macia o suficiente para derreter na boca.
A receita-base: o que é mesmo necessário
Uma das razões para esta sobremesa se ter espalhado tão depressa é depender de ingredientes que muitas casas já compram.
| Componente | Ingrediente | Quantidade típica |
|---|---|---|
| Creme | Leite condensado açucarado | 2 latas (cerca de 790 g no total) |
| Estrutura | Iogurte natural gordo | Aproximadamente 320 g |
| Caramelo | Açúcar + água | 1 chávena de açúcar, ½ chávena de água |
Criadores de conteúdos desaconselham leite condensado magro ou “diet” nesta receita, porque a redução de gordura pode enfraquecer a estrutura e deixar a superfície com aspeto granuloso. O iogurte costuma ser usado à temperatura ambiente para se misturar de forma homogénea com o leite condensado.
Passo a passo: de dois ingredientes a um pudim brilhante
O método mantém o ritmo familiar de um flan tradicional: fazer caramelo, misturar o creme, cozer em banho-maria e depois refrigerar.
1. Fazer um caramelo simples
Primeiro, derrete-se o açúcar num tacho de fundo grosso até ficar dourado. Depois, adiciona-se água com muito cuidado para o soltar e transformar numa calda vertível. O caramelo quente é rodado numa forma de pudim com chaminé (tipo anel), cobrindo fundo e laterais. Essa camada transforma-se mais tarde no topo brilhante quando o pudim é desenformado.
Para muitos, esta é a parte mais difícil. Juntar água a caramelo quente pode provocar salpicos. Os criadores sublinham a importância de usar uma colher de cabo comprido e manter as mãos afastadas do vapor.
2. Misturar o creme do pudim
O creme em si mal podia ser mais simples. Deita-se o leite condensado numa taça, junta-se o iogurte e mexe-se até ficar totalmente integrado. Uma vara de arames ou uma colher chega; não é preciso liquidificador, que pode incorporar ar e criar bolhas.
O creme faz-se todo numa só taça: sem ovos para separar, sem natas para aquecer e sem aparelhos.
Depois, verte-se a mistura com cuidado sobre o caramelo já arrefecido na forma. Alguns cozinheiros colocam a forma alguns minutos no frigorífico antes de adicionar o creme, para o caramelo engrossar ligeiramente e “agarrar” melhor.
3. Cozer lentamente em banho-maria
A forma é tapada com folha de alumínio, colocada dentro de um tabuleiro maior e rodeada por água quente. Vai tudo ao forno baixo, cerca de 160°C, por aproximadamente uma hora.
O banho-maria (bain-marie) protege o pudim do calor direto. Mantém a temperatura mais uniforme e reduz o risco de bolhas, fendas ou bordas elásticas. Quando a superfície estiver firme ao toque suave, retira-se o pudim e deixa-se arrefecer totalmente antes de o refrigerar durante várias horas, muitas vezes de um dia para o outro.
Só depois deste longo repouso no frio é que a magia aparece: passa-se uma faca à volta da borda, coloca-se um prato de servir por cima e vira-se a forma. Com um som surdo e um fio lento de calda âmbar, o pudim claro desliza para fora, brilhante de caramelo.
Porque é que dizem que é “impossível de estragar”
Nas redes sociais, a frase “impossível de falhar” aparece repetidamente. Não é literalmente verdade - acidentes de cozinha acontecem -, mas vários fatores tornam esta sobremesa mais tolerante.
- A mistura já é espessa por causa do leite condensado, por isso separa-se com dificuldade.
- As proteínas do iogurte coagulam numa faixa ampla de temperaturas, criando margem caso o forno aqueça mais ou menos.
- Não é preciso temperar ovos nem controlar um creme delicado no fogão.
- O caramelo, uma vez dominado, é sempre igual: só açúcar e água.
Muitos estreantes relatam que o pudim ficou “nível restaurante” à primeira, o que ajuda a explicar porque continua a circular em Reels e vídeos curtos.
Variações sem estragar a estrutura
Embora o corpo da receita dependa da proporção entre iogurte e leite condensado, pequenos ajustes podem personalizar o sabor sem comprometer o ponto.
Pequenos toques seguros
- Algumas gotas de essência de baunilha no creme acrescentam um aroma clássico de pastelaria.
- Raspa fina de limão ou laranja dá uma nota cítrica leve que corta a doçura.
- Fruta fresca, como morangos, kiwi ou uvas, pode ser servida à parte para cor e acidez.
- Para reduzir açúcar, alguns substituem parte do leite condensado por uma versão mais leve, aceitando um pudim um pouco mais macio.
Pequenos toques - baunilha, raspa de citrinos, fruta fresca - permitem adaptar o pudim a diferentes ocasiões sem complicar o método.
Alguns criadores brasileiros também têm testado iogurtes aromatizados, como baunilha, ou estilo grego, para ver como influenciam a textura. As versões gordas tendem a resultar bem, enquanto opções muito líquidas ou magras podem dar um pudim mais mole, melhor para servir em copos em vez de desenformar.
Saúde, orçamento e praticidade
Do ponto de vista nutricional, esta sobremesa continua a ser bastante doce. O leite condensado é denso em açúcar e calorias. O iogurte acrescenta proteína e gordura, aumentando a saciedade em comparação com sobremesas à base de gelatina, mas não transforma isto numa opção “leve”. Para quem controla o consumo de açúcar, porções menores e fruta ao lado são uma forma de moderar.
Onde a receita brilha é no orçamento e no desperdício alimentar. Duas latas estáveis na despensa e um iogurte tornam-se numa sobremesa que alimenta um grupo. Muitas casas aproveitam iogurte perto do fim do prazo, convertendo o que poderia ser deitado fora num doce para partilhar.
Para famílias ocupadas, este pudim também facilita a organização: coze-se no dia anterior, guarda-se no frigorífico e serve-se diretamente de lá, o que o torna prático para aniversários, almoços de domingo ou convívios no trabalho.
De tendência viral a sobremesa do dia a dia
Muitas receitas virais desaparecem tão depressa como surgem. Esta tem mais hipóteses de ficar por uma razão simples: encaixa na vida real. Os ingredientes são baratos, fáceis de encontrar e familiares. Os passos são acessíveis a iniciantes. E o resultado é suficientemente vistoso para receber visitas.
Os cozinheiros caseiros já a estão a adaptar: fazendo mini versões em formas de queques, aromatizando o caramelo com uma pitada de sal, ou servindo em copos individuais sem desenformar. Em aulas de culinária e grupos comunitários, tem sido sugerida como receita de iniciação para adolescentes ou adultos intimidados pela pastelaria.
Para quem sempre evitou cremes e flans por receio de talhar os ovos, esta tendência brasileira oferece uma entrada suave. Dois ingredientes, uma taça e alguma paciência no frigorífico podem chegar para servir uma fatia direitinha de pudim com caramelo numa próxima refeição em família.
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