O que se seguiu remodelou o poder aéreo ocidental durante décadas.
A Força Aérea dos EUA rejeitou-o, as folhas orçamentais fecharam-se sobre o seu processo, e a história poderia ter terminado ali. Em vez disso, aviadores navais, governos aliados e lobistas da defesa transformaram silenciosamente esse fracasso num dos programas de aeronaves de combate mais influentes do final do século XX.
Um perdedor no papel, um vencedor à espera
A história começa com o programa Lightweight Fighter, um impulso da Guerra Fria por parte da Força Aérea dos EUA para colocar em serviço um jato ágil e acessível. Dois protótipos defrontaram-se em meados da década de 1970: o YF‑16 da General Dynamics e o YF‑17 bimotores da Northrop, alcunhado “Cobra”.
A competição foi brutal. Custo, manutenção, desempenho e política - tudo contou. O YF‑16, mais leve e mais barato de operar, levou o prémio e tornou-se o F‑16 Fighting Falcon, um dos caças mais produzidos da história. O YF‑17 parecia condenado a ficar como uma nota de rodapé.
O YF‑17 perdeu o concurso da Força Aérea, mas a sua forma básica acabou por definir a aviação embarcada durante gerações.
No papel, a decisão fazia sentido. Um único motor significava menor consumo de combustível e logística mais simples. O YF‑16 também oferecia uma agilidade impressionante, graças à estabilidade estática relaxada e a controlos de voo avançados (para a época). Num Pentágono em tempo de paz, a aritmética venceu a redundância e a robustez.
O que essas folhas de cálculo não captavam totalmente era o apelo de um projeto bimotor sobre o mar e longe de casa, onde uma falha num único motor podia ser fatal.
Resgatado pela Marinha: nascimento do Hornet
Precisamente quando as perspetivas do YF‑17 colapsavam, a Marinha dos EUA perseguia um objetivo diferente. Os seus envelhecidos jatos de ataque A‑7 Corsair II e os caças F‑4 Phantom precisavam de substituição. O ramo queria uma aeronave flexível, capaz de operar a partir de porta-aviões, que pudesse conquistar superioridade aérea e atacar alvos em terra ou no mar.
A Northrop juntou-se à McDonnell Douglas, a empresa por detrás do F‑4, para propor uma versão navalizada do YF‑17. A parceria tornou-se a segunda vida da aeronave.
De protótipo leve a cavalo de batalha de porta-aviões
Transformar o YF‑17, pensado para operar em terra, num caça de convés exigiu cirurgia séria:
- Trem de aterragem reforçado para sobreviver a violentas aterragem em porta-aviões
- Ganchos e estrutura da fuselagem mais robustos para recuperações com cabos de retenção
- Asas maiores e extensões do bordo de ataque para controlo a baixa velocidade
- Proteção contra corrosão para exposição permanente ao ar salgado
- Aviônica atualizada para suportar missões multifunções
O resultado, designado F/A‑18 Hornet, entrou ao serviço da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA no início da década de 1980. A própria designação “F/A” sinalizava o conceito: uma só aeronave para missões de caça (F) e de ataque (A).
O Hornet foi concebido como um canivete suíço voador: combate aéreo ao pequeno-almoço, ataque de precisão ao almoço, defesa da frota à noite.
Os dois motores do Hornet tranquilizavam os pilotos que operavam a centenas de quilómetros da pista mais próxima. O seu cockpit e a sua aviônica foram pensados para a flexibilidade: os pilotos podiam passar de combate aproximado para bombardeamento e para reconhecimento com reconfiguração mínima.
Uma revolução silenciosa nas batalhas de exportação
Depois de o Hornet se provar no mar, Washington promoveu-o agressivamente no estrangeiro. Tornou-se uma referência entre os caças multifunções ocidentais durante o final da Guerra Fria e nos anos 1990.
| País | Aeronave escolhida | Função |
|---|---|---|
| Canadá | CF‑18 Hornet | Defesa aérea e operações da NATO |
| Austrália | F/A‑18A/B, depois F/A‑18F | Ataque e superioridade aérea |
| Espanha | EF‑18 | Caça de primeira linha da força aérea |
| Suíça | F/A‑18C/D | Policiamento aéreo sobre espaço aéreo neutro |
| Finlândia | F/A‑18C/D | Dissuasão contra ameaças regionais |
| Kuwait | F/A‑18C/D, mais tarde Super Hornet | Defesa regional e missões de coligação |
Em muitos destes concursos, o principal rival vinha de França: primeiro o Mirage 2000, mais tarde o Rafale. Os projetos franceses eram rápidos, ágeis e comprovados em combate. Ainda assim, na NATO e entre parceiros ocidentais próximos, o Hornet - e mais tarde o F/A‑18E/F Super Hornet - venceu repetidamente.
Porque é que tantos aliados optaram pelo F/A‑18
A decisão raramente dependia apenas do desempenho. Vários fatores recorrentes empurraram governos na direção do jato americano:
- Política de alianças: comprar aos EUA significava crédito político em Washington.
- Armas padronizadas:
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