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Este hábito negligenciado no frigorífico causa odores persistentes nos alimentos.

Mãos seguram um pequeno frasco dentro de um frigorífico, rodeado por alimentos armazenados em recipientes e garrafas.

Este pequeno hábito “limpo” que, na verdade, aprisiona maus cheiros

Quando um frigorífico cheira mal, a suspeita costuma ser “algo estragado” escondido lá no fundo. Às vezes é. Mas, muito frequentemente, o problema é mais banal e constante: embalagens abertas ou mal fechadas que vão libertando aroma 24/7 num espaço fechado.

Pensa nos clássicos:

  • saco de queijo dobrado “mais ou menos”
  • cuvete de carne tapada com película a descolar
  • frasco de molho sem tampa “porque amanhã acabo”

Cada item parece inofensivo. Juntos, criam um “difusor” permanente de odores. Com o tempo, o cheiro não fica só no ar: prende-se ao plástico das gavetas, às prateleiras e às borrachas da porta. Por isso é que, mesmo depois de deitares fora o “culpado”, a baforada volta.

Há ainda um efeito silencioso: certos alimentos absorvem odores com facilidade (sobretudo os mais gordos). Manteiga, queijos, ovos, bolos e sobremesas tendem a apanhar “notas” do peixe, do alho ou do caril se estiverem na mesma prateleira e algo não estiver bem fechado. Não é paranoia; é migração de compostos aromáticos num microclima frio e húmido.

O mau hábito de “voltar a guardar como está” também traz custos práticos:

  • alimentos secam mais depressa (queijo e fiambre ganham crosta; sobras perdem textura)
  • alguns produtos degradam-se mais rápido ao contacto com ar e humidade
  • aumenta a probabilidade de derrames e contaminação cruzada (sobretudo em gavetas e borrachas)

A embalagem de origem (plástico fino, cartão, papel) raramente foi pensada para ficar dias “meio aberta” dentro do frigorífico. Funciona para transportar e vender; depois de aberta, muitas vezes deixa passar ar e cheiro.

A regra simples dos recipientes que transforma o teu frigorífico

A regra que mais resolve, sem complicar: abriu → ou consome rápido, ou passa para um recipiente realmente hermético. Não é taça com película mal colada. É tampa que encaixa e veda.

Se quiseres um critério simples e realista:

  • alimentos “fortes” (queijo, peixe, enchidos, pratos com molho, cebola/alho) não voltam ao frigorífico em saco/filme frouxo
  • sobras devem arrefecer e ser guardadas tapadas; na prática, a maioria aguenta melhor se for consumida em 2–3 dias
  • mantém o frigorífico por volta de 4 ºC (em muitas casas, 0–5 ºC é a zona segura); temperaturas mais altas amplificam cheiros e aceleram deterioração

O truque não é força de vontade; é reduzir fricção. Em vez de “logo vejo”, deixa um mini “kit” à mão (na prateleira da porta ou na gaveta vazia): 3–4 recipientes limpos prontos a usar. Quando o gesto demora 10 segundos, vira hábito.

Escolhas que fazem diferença (sem gastar fortunas):

  • vidro com vedante de silicone: aguenta bem alimentos gordos/odoríferos e não fica a cheirar tanto com o tempo
  • uma caixa dedicada ao queijo/enchidos: evita perfumar o resto e organiza melhor
  • frascos pequenos para cebola/alho/ervas: menos espaço vazio = menos cheiro a circular
  • etiqueta com data de abertura (ou fita de papel): corta as “sobras anónimas” que acabam esquecidas

Um erro comum é “organizar” uma vez e relaxar: ao fim de alguns dias, surgem tampas trocadas, pratos por cima, película amarrotada. É nesse ponto que o cheiro regressa. A regra só funciona quando é automática: abriu, fecha a sério.

Como fazer reset a um frigorífico malcheiroso - e mantê-lo assim

Quando o cheiro já está instalado, não basta tirar um alimento suspeito. O objetivo é remover o que está a alimentar o problema e limpar as zonas onde o odor fica preso (plástico, borrachas, cantos).

1) Esvazia e triagem rápida (5–10 min)
Tira tudo para a bancada, agrupa por tipo e decide sem cerimónia o que vai fora. Procura especialmente frascos “quase vazios”, molhos abertos, queijo sem caixa, sobras sem data.

2) Lavagem simples, mas completa
Água quente + detergente da loiça para sujidade. Depois, uma segunda passagem com água e vinagre branco (muita gente usa 1:1) ajuda a neutralizar cheiros em superfícies. Foca-te em:

  • gavetas (onde há condensação e derrames)
  • borrachas de vedação (retêm resíduos e cheiros)
  • cantos e calhas das prateleiras
  • orifício de drenagem no fundo (se estiver obstruído, fica um cheiro “a húmido”)

Evita misturar produtos (por exemplo, lixívia com vinagre). Se optares por desinfetar, faz isso em separado e enxagua bem.

3) Arejar e voltar a arrumar com regras novas
Deixa a porta aberta 10–15 minutos antes de voltar a pôr tudo. Ao arrumar:

  • “cheiros fortes” numa zona dedicada (muitas vezes prateleira inferior) e sempre em recipientes herméticos
  • carnes/peixe crus bem fechados e em tabuleiro/caixa para prevenir pingos
  • sobremesas e lacticínios longe de pratos muito aromáticos

Odores persistentes num frigorífico “limpo” raramente vêm de um único item. Normalmente são o resultado de várias embalagens abertas e sobras mal protegidas a libertar cheiro continuamente. Quando a maioria passa a estar hermeticamente fechada, o cheiro costuma cair muito em poucos dias.

Ponto-chave Detalhes Porque é importante para quem lê
Trocar embalagens abertas por recipientes herméticos Passar queijo, charcutaria, cebola e sobras de plástico/papel rasgado para recipientes com tampa que vede bem (idealmente no próprio dia, no máximo em 24 h). Corta a propagação de odores, abranda a secagem e reduz o “cheiro misto” ao abrir a porta.
Dar aos alimentos de cheiro forte a sua própria “zona” Guardar queijo, peixe, pratos com alho/caris numa prateleira inferior ou numa caixa dedicada. Protege alimentos neutros de absorver aroma e ajuda a ver o que deve ser consumido primeiro.
Fazer um reset rápido de 10 minutos por semana 1×/semana: deitar fora o que passou do ponto, limpar derrames e reencaixotar o que ficou meio aberto. Evita acumulação de odores, reduz desperdício e adia (muito) a limpeza a fundo.

Com o tempo, isto deixa de ser “uma mania” e vira piloto automático: viste um saco aberto, fechas bem; sobrou molho, passa para frasco; queijo cortado, vai para a caixa. Demora segundos e evita o ciclo infinito do cheiro que “misteriosamente” volta.

FAQ

  • Porque é que o meu frigorífico ainda cheira mesmo depois de o ter limpo?
    Porque o odor pode ficar preso nas borrachas, plásticos e cantos (e às vezes no ralo de drenagem). E, sobretudo, porque o cheiro volta rápido se continuarem a entrar embalagens meio abertas ou sobras mal tapadas.

  • Bicarbonato de sódio ou borras de café chegam para tirar os cheiros do frigorífico?
    Podem ajudar a absorver parte do odor no ar, mas são paliativos. Se a fonte (embalagens abertas, derrames, recipientes mal fechados) continuar, o cheiro regressa.

  • Que alimentos devem ir sempre para recipientes herméticos?
    Queijo, enchidos, peixe, pratos com molho, cebola/alho cortados, caris e comidas muito condimentadas. Também vale a pena para manteiga e bolos/sobremesas, que absorvem cheiro com facilidade.

  • Com que frequência devo fazer uma limpeza a fundo ao frigorífico para evitar maus cheiros?
    Em muitas casas, uma limpeza completa a cada 6–8 semanas chega, se fizeres uma triagem semanal e mantiveres os “cheiros fortes” bem vedados. Se o frigorífico estiver muito cheio ou se houver derrames, terás de antecipar.

  • É melhor manter a comida na embalagem de origem ou em recipientes?
    Fechada e intacta, a embalagem de origem costuma servir. Depois de aberta, muitas deixam passar ar e odores. Para guardar por alguns dias, um recipiente hermético (idealmente com vedante) tende a proteger melhor sabor, cheiro e textura.

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