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Este hábito diário de limpeza enfraquece as pestanas com o tempo.

Pessoa segurando disco de algodão no banheiro, com produtos de maquilhagem e toalha na bancada.

A casa de banho está silenciosa, exceto pela torneira.

Inclinas-te para o espelho, disco de algodão na mão, a funcionar em piloto automático depois de um dia longo. Algumas passagens firmes pelas pálpebras, um pouco de fricção para tirar o último resto de máscara, um enxaguamento rápido. Feito. Já nem olhas realmente para as tuas pestanas - simplesmente assumes que elas lá estão, como sempre estiveram.

Na manhã seguinte, reparas numa pestana solitária na tua bochecha. Depois duas no lavatório. Pisca-se os olhos, a pensar se é do stress, da idade, da máscara nova. Deslizas no telemóvel e vês séruns, extensões, lifting de pestanas. Ninguém fala da parte mais básica da rotina: como as limpas. E, no entanto, é exatamente aí que as coisas começam a correr mal, de forma silenciosa. E está a acontecer todas as noites.

O hábito diário de limpeza que vai quebrando as tuas pestanas lentamente

A maioria das pessoas não “limpa” as pestanas. Ataca-as. O ritual repete-se em tantas casas de banho: máscara à prova de água, dia longo, depois um disco de algodão embebido em qualquer desmaquilhante que esteja à mão. O disco vai e vem sobre os olhos, a pressionar, a arrastar, a tentar derreter o produto teimoso à pressa.

A pele é fina, as pestanas são minúsculas, mas o movimento é grande e impaciente. Esse esfregar de um lado para o outro parece eficiente. Rápido. Prático. Só que cada passagem puxa por folículos minúsculos que nunca foram feitos para esse tipo de fricção diária. Não vês os danos numa noite. Vês meses depois, quando a linha das pestanas de repente parece… mais fraca.

Pergunta a qualquer técnica de pestanas ou dermatologista e vão contar-te a mesma história: as pessoas aparecem a culpar a máscara, a idade, até as hormonas. Quando se olha para o panorama geral, há quase sempre um fio condutor. A remoção da maquilhagem é agressiva demais, apressada demais, mecânica demais. Na maior parte das vezes, não é o produto de limpeza que é o vilão. É o gesto. O hábito de usar um disco de algodão como se fosse uma escova de esfregar. Essa rotina pequena, repetida 700 noites seguidas, vai desgastando as pestanas em silêncio.

Numa tarde de terça-feira, numa clínica movimentada em Londres, uma dermatologista mostrou-me uma foto em grande plano da pálpebra de uma paciente. Sem filtros, sem maquilhagem - apenas a realidade crua sob uma luz forte. A linha das pestanas parecia irregular, com falhas como dentes em falta. “Ela achava que foi o sérum que causou isto”, disse a médica. “É a forma como ela limpa.” A mulher fazia dupla limpeza religiosamente, orgulhosa da sua disciplina. Todas as noites, esfregava os olhos até o disco ficar branco outra vez.

À superfície, isso parecia boa higiene. Pele limpa, sem restos de máscara, fronha protegida. Por baixo, porém, cada movimento de fricção estava a dobrar e a soltar folículos minúsculos. Um estudo de consumidores de 2022, de uma grande marca de beleza, concluiu que mulheres que esfregavam os olhos com força durante a limpeza tinham quase o dobro da probabilidade de relatar afinamento das pestanas após 12 meses, mesmo usando produtos “suaves”. O problema não era a fórmula. Era a força.

Falamos muito de quebra do cabelo na cabeça - calor, escovagem, rabos-de-cavalo apertados. As pestanas passam por um stress semelhante, só que em silêncio. Os folículos que seguram cada pestana são estruturas delicadas, embebidas na pele frágil da pálpebra. Quando esfregas com vigor, a tração distribui-se ao longo de todo o pelo. Algumas pestanas partem a meio, outras são ligeiramente puxadas pela raiz. O corpo substitui-as, mas nem sempre ao mesmo ritmo, e a linha das pestanas começa a parecer rala ou desigual.

Com o tempo, a fricção crónica pode irritar as margens palpebrais. Aí é quando começam a surgir vermelhidão, sensibilidade, ou pestanas que crescem em direções diferentes. O corpo faz o melhor que consegue para reparar microtraumas constantes. É um processo lento, quase invisível no dia a dia - até uma manhã em que percebes que a tua máscara já não “assenta” como antes.

Como limpar as pestanas sem as destruir lentamente

A solução não exige um sérum caro. Começa por reeducar as mãos. Em vez de esfregar, pensa em “deixar atuar”. A forma mais amiga das pestanas de remover maquilhagem dos olhos é quase aborrecida: embebes um disco de algodão num desmaquilhante bifásico ou à base de óleo, pressionas suavemente sobre o olho fechado e manténs-no ali durante 15–20 segundos. Sem esfregar, sem pressa.

Durante essa pausa curta, os óleos dissolvem a máscara e o eyeliner na base das pestanas. Depois disso, deslizas o disco para baixo, na direção do crescimento das pestanas, como se estivesses a alisar uma fita. Uma ou duas passagens lentas costumam remover a maior parte do produto. Depois, se for preciso, dobrar o disco, usar uma parte limpa e repetir o mesmo movimento descendente. Parece gentil demais, sobretudo se estás habituada a esfregar. Mas é esse o objetivo.

Géis ou espumas de limpeza também podem funcionar, desde que o movimento se mantenha suave e orientado. Imagina que estás a lavar algo frágil que pediste emprestado a uma amiga e que não queres mesmo partir. Discos de microfibra ou discos reutilizáveis podem facilitar, porque “agarram” o produto sem precisares de tanta pressão. Não estás a tentar “polir” a zona dos olhos. Estás a tentar dissolver e deslizar a maquilhagem de ontem com fricção mínima. Mãos calmas, toque leve, ritmo mais lento.

A maioria das pessoas não danifica as pestanas porque as odeia. Danifica-as porque está cansada. São 23:30, só queres tirar a cara, e a tentação de apressar é enorme. Um erro clássico é usar o gel de limpeza do rosto diretamente sobre os olhos, em modo massagem, e depois esfregar com a toalha. Outro: tentar remover máscara à prova de água com água micelar comum, o que quase garante esfregar mais.

O arrependimento costuma aparecer semanas depois. Pestanas curtas e “toscas” onde antes havia comprimento. Pestanas que caem facilmente, por vezes com um pequeno desconforto na raiz. É aí que começam as compras em pânico: séruns de crescimento, suplementos, óleo de rícino. Mas, se o gesto de limpeza não mudar, o ciclo continua. O ato mais subestimado de cuidado das pestanas é simplesmente dar-lhes descanso da violência todas as noites. Imagina a diferença que um ano de remoção gentil e deliberada poderia fazer.

Uma especialista em pestanas disse-me algo que ficou comigo:

“As tuas pestanas não caem por causa de uma noite má. Caem por causa das cem noites em que não pensaste duas vezes.”

Essa frase muda o foco de soluções milagrosas para hábitos banais. As pequenas escolhas invisíveis à beira do lavatório.

Para tornar essas escolhas mais fáceis, ajuda manter as coisas concretas:

  • Escolhe um desmaquilhante que realmente derreta a máscara que usas (especialmente se for à prova de água).
  • Pressiona e mantém o disco, em vez de esfregar para trás e para a frente.
  • Passa na direção do crescimento das pestanas, não atravessado.
  • Seca com toques com uma toalha macia, sem esfregar.
  • Dá às tuas pestanas um ou dois dias “ao natural” por semana, quando for possível.

Sejamos honestos: ninguém segue todos os passos “ideais” todas as noites. A vida complica-se, os telefones brilham, a cama chama. O objetivo não é perfeição, é padrão. Se o teu padrão for gentileza, uma limpeza apressada de vez em quando não deita tudo a perder. A tua linha de pestanas perdoa um momento preguiçoso ocasional - desde que esfregar com força não seja a regra.

Repensar a relação que tens com as tuas pestanas

As pestanas são coisas estranhas. São decorativas, sim, mas também são protetoras - pequenos guardas que apanham poeiras e partículas antes de chegarem aos olhos. Estão mesmo na fronteira entre a vaidade e a biologia. Por isso, perdê-las é tão desconcertante. Não é só uma questão de beleza. É uma questão de rosto.

A nível emocional, pestanas ralas podem, em silêncio, tirar-te aquele ar de “acordada” ou expressiva. A nível prático, quando os folículos estão cronicamente inflamados ou danificados, podem não recuperar com a mesma facilidade, por mais na moda que esteja o sérum. Isso não significa pânico, nem culpa por hábitos passados. Significa apenas que o que fazes hoje à noite importa mesmo daqui a seis meses. Não de forma dramática, transformadora. De forma pequena, real e visível - que vais notar sempre que te aproximares do espelho.

Num autocarro, numa casa de banho, em casa de uma amiga depois de um dia longo, é aí que a limpeza suave passa a ser mais do que uma dica de skincare. É um pequeno ato de respeito por uma parte do teu rosto que raramente recebe agradecimento. Não tens de ficar obcecada. Só um pouco mais consciente. As mesmas mãos que, sem querer, enfraqueceram as tuas pestanas durante anos podem, com a mesma facilidade, tornar-se a razão pela qual elas parecem mais cheias, mais macias e mais fortes daqui a algumas estações. Mesma rotina. Toque diferente.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Esfregar enfraquece os folículos Movimentos de limpeza de vaivém puxam pelas pestanas e irritam a linha das pestanas ao longo do tempo Ajuda a explicar porque as pestanas afinam mesmo com produtos “bons”
Deixar atuar, não esfregar Deixar o desmaquilhante atuar e depois limpar para baixo, na direção do crescimento Mudança simples no gesto que protege o comprimento e a densidade
A gentileza consistente ganha Pequenos hábitos noturnos importam mais do que tratamentos ocasionais Dá ao leitor uma estratégia realista e de baixo esforço para pestanas mais fortes

FAQ:

  • É normal perder algumas pestanas todos os dias? Sim. As pestanas têm um ciclo de crescimento natural, e perder 1–5 por olho por dia pode ser completamente normal. O que preocupa mais é um afinamento súbito e persistente ou falhas visíveis ao longo da linha.
  • A máscara à prova de água danifica mais as pestanas do que a normal? Não necessariamente, mas é mais difícil de remover. Esse esforço extra leva muitas vezes a mais fricção, o que pode causar quebra. Se usas frequentemente máscara à prova de água, um desmaquilhante oleoso adequado é essencial.
  • Os séruns de pestanas conseguem reparar danos causados por uma limpeza agressiva? Podem apoiar o crescimento se os folículos ainda estiverem saudáveis, mas não conseguem desfazer totalmente um trauma crónico. Sem mudar o hábito de limpeza, mesmo o melhor sérum tem impacto limitado.
  • Os discos de algodão são maus para as pestanas? Os discos de algodão em si não são o problema. O problema é a força e a frequência com que são arrastados sobre os olhos. Tecidos mais macios e movimentos mais gentis reduzem drasticamente a fricção.
  • Quanto tempo demora a ver melhorias depois de mudar a rotina? Os ciclos das pestanas variam, mas muitas pessoas notam menos queda e um aspeto mais cheio após 6–8 semanas de limpeza mais suave. Uma mudança estrutural real pode demorar alguns meses - por isso, a paciência compensa.

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