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Este erro ao fixar a maquilhagem realça ainda mais as linhas finas.

Mulher aplica maquilhagem no rosto em frente a um espelho com pincel; mesa com produtos de beleza ao redor.

“O pó deve desfocar o que já está lá, não construir uma nova camada de textura”, diz a maquilhadora Emma Cole, baseada em Londres.

O espelho diz “luminoso e fresco”.
A câmara do telemóvel diz “cansado e com vincos”.

Misturaste a base com paciência de monge, aplicaste o corretor como um profissional e fixaste tudo com pó ou spray… e, poucas horas depois, aquelas linhas finas que mal vês a olho nu parecem de repente pequenos desfiladeiros. A maquilhagem que era suposto desfocar o tempo acaba por realçar cada ano.

A parte desconfortável? Muitas vezes não é a tua base. Também não é o teu corretor. É o que fazes nos últimos 30 segundos da rotina que, discretamente, estraga tudo.

Há um pequeno erro de fixação que muita gente comete, sobretudo à volta dos olhos e da boca. E faz as linhas finas saltarem à vista.

Este passo de fixação que envelhece a tua maquilhagem sem dares conta

Provavelmente já viste isto mil vezes no TikTok e no YouTube. Pincel grande e fofo. Nuvem de pó solto. “Faz baking debaixo dos olhos, fica tããão suave.”

Na vida real, fora de luzes de estúdio e filtros, esse truque pode correr muito mal. Uma camada espessa de pó, pressionada ou “assada” numa pele que se mexe o dia todo, assenta exatamente onde a pele dobra. O resultado é um paradoxo estranho: mais produto, mais textura, e de repente cada vinco vira uma linha branca.

Numa pessoa de 20 anos sem linhas, parece efeito soft-focus. Num rosto que vive de verdade - sorri, semicerrar os olhos a e-mails e rir-se de memes - pode envelhecer em minutos.

Pensa naquela amiga que jura que o corretor “fica sempre com vincos, aconteça o que acontecer”. Ela dá mais batidinhas, acrescenta mais uma camada de corretor iluminador e depois carrega no pó translúcido porque uma criadora disse que “prende tudo durante 12 horas”.

À hora de almoço, a zona abaixo dos olhos dela está mais seca do que a caixa de entrada às 3 da manhã. Linhas que não existiam às 8 aparecem quando ela sorri. Ela verifica a câmara no elevador, horrorizada, faz zoom e belisca o ecrã como se isso arranjasse a maquilhagem.

Nas redes sociais, isto está por todo o lado. Truques virais que parecem irreais em pele filtrada e alisada, mas que, em rostos normais, amplificam linhas finas e sombras. Os números não mentem: “como evitar que o corretor marque vincos” soma milhões de visualizações, porque muita gente sente, em silêncio, que a rotina de fixação a traiu.

Tecnicamente, faz sentido. Quanto mais fina a pele, mais visível a textura. Debaixo dos olhos, à volta da boca, entre as sobrancelhas - estas zonas mexem-se constantemente e têm menos óleo natural. Quando colocas por cima uma textura pesada e seca, ela agarra, cola e estala ao longo do dia.

O erro clássico? Fixar tudo da mesma forma, com o mesmo produto, a mesma pressão, o mesmo pincel. A zona T adora um véu suave de pó matificante. A zona abaixo dos olhos, geralmente, não. Ainda assim, muita gente trata o rosto inteiro como se fosse uma grande testa.

Assim, a maquilhagem não fica apenas “assente” na pele. Separa-se, apanha a luz em cada dobra e aquelas linhas finas que antes eram quase invisíveis passam a parecer… realçadas.

Como fixar a maquilhagem sem dar destaque às linhas finas

A solução começa antes de sequer tocares no pó. Olha para o rosto como um mapa, não como uma superfície plana. Algumas zonas precisam de fixação, outras só precisam de suavidade.

Começa pelos pontos que realmente ficam oleosos: laterais do nariz, centro da testa, queixo. Usa um pincel pequeno e macio, apanha a menor quantidade possível de pó solto, sacode o excesso e depois pressiona e faz um movimento de “rolar” sobre a pele em vez de varrer. O gesto de pressionar e rolar suaviza sem empurrar pó para dentro dos vincos.

Debaixo dos olhos, muda as regras. Troca para um pincel micro ou uma esponja húmida e apanha o véu mais fino possível de um pó bem moído. Pensa “sussurro”, não “cobertor”. Um toque leve apenas onde o corretor costuma marcar - normalmente o canto interno e a primeira linha - muitas vezes é suficiente.

Um hábito simples muda tudo: fixa depois de os vincos aparecerem, não antes.

Aplica o corretor, esbate e espera 20–30 segundos. Olha para cima, sorri ligeiramente, faz algumas expressões. Deixa que as primeiras dobrinhas apareçam. Depois, com a ponta do dedo limpa ou uma esponja, dá pequenas batidas para as suavizar. Só então fixa essa superfície lisa com a camada mais fina de pó.

Muita gente salta este micro-passo e vai diretamente do esbater para o baking. O problema é que acabas por “congelar” a maquilhagem permanentemente no primeiro vinco que ela criou. E, por mais luxuosos que sejam os produtos, uma vez fixados numa linha, essa linha vai ficando mais marcada ao longo do dia.

Há algumas armadilhas comuns em que quase toda a gente cai: usar uma rotina de fixação pesada “da era do Instagram” no dia a dia; copiar técnicas de baking pensadas para luzes quentes de estúdio e sessões de oito horas, e depois levá-las para um escritório com luz suave.

E, claro, aquele pincel enorme e fofo que parece inofensivo. Parece leve, mas pode depositar muito mais pó do que imaginas, sobretudo debaixo dos olhos. Falando claro: muitos de nós usam o mesmo pincel para bronzer, pó e às vezes até blush, e depois perguntam-se porque é que a zona abaixo dos olhos fica acinzentada e seca. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias com a disciplina de um maquilhador profissional.

As rotinas de fixação mais “perdoadoras” são as mais leves. Menos contacto, menos produto, mais intenção.

“Quando as linhas finas de repente ‘aparecem’ depois de fixar, o que estás a ver é o pó a assentar no movimento natural da pele.”

  • Usa um pincel pequeno, dedicado, apenas para a zona abaixo dos olhos e linhas do sorriso.
  • Escolhe pós ultrafinos, sem talco ou híbridos, para áreas delicadas.
  • Reserva o baking para espetáculos, sessões fotográficas ou pele muito oleosa - não para todas as terças-feiras.
  • Experimenta primeiro uma bruma de spray fixador e depois aplica pó apenas onde o brilho reaparece.
  • Em pele mais madura ou seca, testa não usar pó debaixo dos olhos - por vezes, uma micro-quantidade no canto interno chega.

Repensar o que “impecável” devia significar

A certa altura, o objetivo mudou discretamente de “fresco e vivo” para “plano e sem poros”. Os rostos começaram a parecer retocados, mesmo na vida real, e qualquer sinal de uma linha passou a soar a falhanço.

O problema desta pele de fantasia é que ela não se mexe. No segundo em que ris, semicerras os olhos ao sol ou falas demasiado tempo numa videochamada, a maquilhagem que foi fixada em excesso estala como tinta seca. As linhas finas não são o inimigo. A forma como os produtos assentam nelas pode ser.

Quando começas a tratar a fixação como uma edição suave, e não como um bloqueio rígido, algo muda. O rosto volta a parecer pele. As linhas continuam lá, mas já não gritam na câmara.

Na prática, isto também é conforto. Uma maquilhagem “cimentada” com demasiado pó pode sentir-se repuxada, comichosa e pesada ao fim da tarde. Tocamos mais no rosto, esfregamos os olhos e, ironicamente, a maquilhagem desgasta-se mais depressa aos pedaços.

Uma rotina de fixação mais leve e direcionada faz o contrário. A zona T mantém-se mate sem parecer calcária. As bochechas conservam o brilho. A zona abaixo dos olhos parece descansada em vez de enrugada. E a pele aguenta um dia inteiro de trabalho, café e scroll noturno sem suplicar para ser limpa assim que chegas a casa.

Todos já tivemos aquele momento em que nos apanhamos numa luz má e pensamos: “Quando é que a minha pele começou a ficar assim?” Às vezes, não é a pele a envelhecer de um dia para o outro. É o passo de fixação a gritar mais alto do que devia.

A mudança mais interessante acontece quando as pessoas deixam um pouco de vida aparecer no rosto. Uma linha suave perto do olho, amaciada com um toque de corretor refletor de luz e um sopro de pó, muitas vezes parece mais jovem do que uma zona abaixo dos olhos totalmente “congelada” que não se mexe.

Maquilhadores que trabalham com atores e apresentadores sabem bem isto. Raramente fazem baking debaixo dos olhos para close-ups em HD; aplicam camadas finas e fixam apenas onde a câmara apanha brilho indesejado. A pele parece real, expressiva e ainda assim aguenta as luzes de estúdio. O mesmo princípio funciona no dia a dia, só com menos pressão e mais personalidade.

Por isso, da próxima vez que culpares a idade ou a genética por linhas finas “mais profundas” de repente, talvez valha a pena olhar para o último passo em vez de olhares para o espelho. O erro é pequeno, quase invisível. Mas a diferença no teu rosto não é.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
O pó acumulado nas dobras Produto a mais, sobretudo debaixo dos olhos, instala-se nas linhas finas e acentua-as Perceber porque é que as linhas parecem mais marcadas depois da maquilhagem
Fixação direcionada, não uniforme Matificar a zona T e aliviar/adaptar a fixação à volta dos olhos e da boca Ajustar a rotina para um resultado mais natural e favorecedor
Técnicas suaves de fixação Pressionar e rolar, micro-quantidades, esperar antes de aplicar pó, eventual uso de spray fixador Ter gestos concretos para limitar o efeito “pele a estalar”

FAQ:

  • Saltar o pó debaixo dos olhos faz o corretor marcar mais vincos? Nem sempre. Em algumas peles, sobretudo secas ou maduras, uma quantidade mínima de pó ultrafino apenas no canto interno e na primeira linha resulta melhor do que fixar toda a área.
  • O baking é sempre mau para linhas finas? Não necessariamente. Pode funcionar em pele muito oleosa e jovem ou para eventos curtos e sessões fotográficas, mas tende a realçar textura em zonas móveis e delicadas na luz do dia a dia.
  • Que tipo de pó é melhor para não realçar linhas? Pós soltos bem moídos, com efeito soft-focus ou ligeiramente luminoso, costumam ser mais gentis com linhas finas do que fórmulas pesadas, muito mate e ricas em talco.
  • Um spray fixador pode substituir totalmente o pó? Pode ajudar, sobretudo em pele mais seca, mas muitas pessoas obtêm o melhor resultado com uma bruma leve primeiro e depois pó apenas onde o brilho aparece.
  • Como sei se estou a usar demasiado pó? Se vês claramente o pó “sentado” na pele, ou se o rosto fica repuxado e baço ao fim de algumas horas, é sinal para reduzir e trocar para um pincel mais pequeno ou uma esponja.

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