A cabeleireira ata a capa preta à volta do pescoço e, no espelho, ela apanha a própria expressão antes de a conseguir esconder. Sessenta e três. Uma nova década. Pele mais macia, maxilar mais suave, cabelo que já não cai como antes. À sua volta, mulheres mais novas deslizam o dedo no telemóvel, madeixas envolvidas em papel de alumínio, a perseguir a próxima grande tendência. Ela não está a perseguir nada. Só quer voltar a parecer ela própria, sem lutar com o cabelo todas as manhãs.
A cabeleireira pergunta: “Então, o que vamos fazer hoje?”
Ela ouve-se responder: “Algo que pareça eu. Mas… mais descansada.”
A tesoura pára a meio do ar. Um pequeno sorriso. E é aí que tudo muda, silenciosamente.
O corte que favorece sem se esforçar demasiado
Há um tipo muito específico de magia num bom corte de cabelo depois dos 60. Não é o corte drástico de que se arrepende a caminho de casa. Nem o capacete apertado de caracóis que parece um disfarce. É uma forma macia, em camadas, ligeiramente desconstruída, que parece dizer: acordei assim… e, de algum modo, acredita.
É aqui que entra o corte descontraído a roçar os ombros: um estilo de comprimento médio, com camadas leves, que acompanha a textura natural em vez de a contrariar. Move-se quando caminha. Não exige uma hora com uma escova redonda. Apenas enquadra o rosto, suaviza os traços e permite que o cabelo grisalho, sal e pimenta, ou pintado, pareça vivido em vez de rígido.
Imagine a Fran, 67, que entrou num salão de bairro com um bob à altura do maxilar que ia aparando “exatamente igual” desde 1998. O cabelo tinha afinado nas têmporas, encaracolava ligeiramente nas pontas, mas o corte nunca mudava. Nesse dia, saiu com um formato em camadas, a roçar os ombros, que permitiu às ondas soltarem-se e caírem naturalmente.
Três semanas depois, voltou com uma fotografia que a filha tirara num almoço de família. Sem filtros. Sem poses cuidadas. Apenas ela a rir, o cabelo a cair à volta das clavículas, macio e fácil. “Finalmente pareço ter a minha idade de uma forma de que gosto”, disse. O corte não a tornou mais nova. Tornou-a coerente.
Há uma razão para este comprimento médio descontraído resultar tão bem em tantas mulheres com mais de 60. À medida que os traços do rosto suavizam, uma linha dura ao nível do maxilar pode parecer severa, enquanto o cabelo demasiado comprido pode puxar o rosto para baixo. Um comprimento pelos ombros ou pelas clavículas dá estrutura sem peso. Camadas leves acrescentam elevação no topo e movimento nas pontas, contrariando o alisamento natural que acontece com o cabelo mais fino.
Respeita a realidade do cabelo que tem hoje, em vez do cabelo que tinha aos 35. E esse é o seu poder discreto: o corte adapta-se a si, e não o contrário.
Como pedir este corte (e consegui-lo mesmo)
O segredo não é apenas o comprimento. É a forma como fala com a sua cabeleireira. Em vez de chegar com uma fotografia de celebridade e as palavras “Faça isto”, comece por como quer sentir-se. Diga que quer um corte pelos ombros ou a roçar as clavículas, com camadas suaves e leves que acompanhem a sua textura natural. Realce que quer um resultado solto, para secar ao ar, e não algo que precise sempre de uma escova e brushing de salão.
Peça algumas mechas subtis a enquadrar o rosto, a começar ao nível das maçãs do rosto ou do queixo, consoante a suavidade que deseja. E insista que lhe mostrem como o corte fica quando seca apenas com os dedos e, talvez, um pouco de produto. Se não conseguir reproduzir o resultado em casa, o corte não está realmente a funcionar para si.
Há uma armadilha em que muitas mulheres com mais de 60 caem: agarrarem-se a um corte “de assinatura” muito para lá do momento em que as favorece, ou irem para o extremo oposto e cortarem dramaticamente curto porque acham que “devem”. Não deve a ninguém um corte pixie só porque chegou à reforma.
Outro erro comum é pedir camadas pesadas ou um desbaste agressivo para “dar volume”. Em cabelo mais fino e envelhecido, isso pode deixar as pontas espigadas e a forma geral sem estrutura. O objetivo são camadas leves, invisíveis, que sustentem o formato sem degraus óbvios nem linhas aos bocados. E sim, todos já passámos por isso: sair do salão e passar três semanas à espera que um corte errado cresça. Por isso, tem o direito de ser precisa e até um pouco exigente.
“Depois dos 60, o melhor corte é aquele que a perdoa num dia mau”, diz Marie, uma hairstylist formada em Paris que hoje trabalha sobretudo com clientes acima dos 55. “Quer uma forma que volte ao lugar com um pouco de água e as mãos. Se só fica ótimo depois de 30 minutos de penteados, é o corte errado para a sua vida.”
- Peça: camadas suaves de comprimento médio
À volta dos ombros ou das clavículas, com camadas delicadas apenas onde precisa de elevação e movimento. - Apoie a sua textura, não lute contra ela
Cabelo ondulado? Trabalhe com a onda. Cabelo liso? Opte por uma forma suave e com balanço, em vez de caracóis forçados. - Pouco esforço, não esforço zero
Uma quantidade do tamanho de uma ervilha de creme, um pente de dentes largos e cinco minutos a secar é realista. Sejamos honestas: ninguém faz isto todos os dias, religiosamente.
Viver com um acabamento natural e descontraído todos os dias
O que faz este corte brilhar não é o momento no salão. É a forma como se comporta numa terça-feira de manhã, quando está meio vestida, a chaleira está a ferver e tem exatamente sete minutos antes de ter de estar nalgum lado. Um bom corte descontraído para mulheres acima dos 60 deve ficar quase tão bem depois de secar ao ar como depois de um brushing profissional.
Isso pode significar aceitar uma pequena curvatura nas pontas, uma onda suave de um lado, uma risca um pouco mais desalinhada do que costumava permitir. As “imperfeições” é que o mantêm moderno. Não está a tentar congelar-se no tempo. Está a deixar o seu cabelo mover-se com o resto da sua vida: almoços com amigas, dias a tomar conta dos netos, viagens, manhãs lentas em que pentear o cabelo é o máximo de esforço que está disposta a dar.
| Ponto-chave | Detalhe | Valor para a leitora |
|---|---|---|
| Comprimento à volta dos ombros | Ao nível das clavículas ou ligeiramente acima, para evitar que puxe o rosto para baixo | Suaviza os traços e dá um contorno elevado e elegante |
| Camadas leves e estratégicas | Camadas subtis no topo e à volta do rosto | Cria movimento e volume sem afinar ainda mais o cabelo já fino |
| Styling com textura natural | Pouco produto, secagem com os dedos e aceitação de ondas ligeiras | A rotina diária torna-se mais fácil, rápida e realista |
FAQ:
- Pergunta 1: Este corte descontraído de comprimento médio funciona se o meu cabelo for muito fino?
- Resposta 1: Sim, desde que as camadas sejam leves e não demasiado desbastadas. Uma boa profissional mantém as pontas ligeiramente direitas para dar densidade e, depois, acrescenta apenas o suficiente de camadas internas para dar movimento e elevação na raiz.
- Pergunta 2: E se o meu cabelo for encaracolado ou ondulado e ganhar frizz?
- Resposta 2: Um corte a roçar os ombros é ideal para caracóis e ondas, porque lhes dá espaço para formarem o padrão. Peça camadas pensadas para caracóis e use uma pequena quantidade de creme ou sérum para definir a textura em vez de a alisar.
- Pergunta 3: Posso manter o meu cabelo grisalho com este estilo, ou fica melhor pintado?
- Resposta 3: Cabelo grisalho, prateado ou sal e pimenta fica lindíssimo com um corte descontraído, porque o movimento apanha a luz. Se preferir cor, opte por madeixas suaves (luzes) ou lowlights em vez de uma cor chapada e uniforme.
- Pergunta 4: Com que frequência devo aparar este corte?
- Resposta 4: A cada 8 a 10 semanas funciona para a maioria das mulheres. Mantém o formato, continuando a ser fácil de manter e compatível com a sua agenda e orçamento.
- Pergunta 5: O que devo dizer à minha cabeleireira se estiver nervosa com a mudança?
- Resposta 5: Diga que quer um corte pelos ombros, com aspeto natural e camadas suaves, e peça para retirarem comprimento de forma gradual. Pode até combinar um “ponto de pausa” a meio, para se manter no controlo e sentir-se confortável com a mudança.
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