Saturday de manhã, luz suave no espelho, e a Anne está a encarar o seu reflexo. Sessenta e três, fios prateados a emoldurar-lhe o rosto, e uma pergunta que não a larga: “E se eu finalmente o cortasse curto… mas não demasiado curto?”
Ela afasta uma madeixa para trás da orelha, faz scroll no telemóvel e vê sempre o mesmo - cortes dramáticos, cores arrojadas, estilos que ficam incríveis em modelos e assustadores na vida real.
O que ela quer é mais discreto. Um corte que a deixe parecer ela mesma, apenas um pouco mais apurada, um pouco mais leve, um pouco mais livre.
Aquele tipo de elegância que se nota num segundo, mas que não se consegue bem definir.
O corte que sussurra, não grita
Há um corte que aparece sempre quando se fala com cabeleireiros que gostam mesmo de trabalhar com mulheres com mais de 60 anos. Um bob suave e em camadas, que roça a linha do maxilar ou apenas toca o pescoço, com movimento leve à volta do rosto e nada demasiado rígido ou “arquitetónico”.
Não grita “novo visual!” do outro lado da sala.
Em vez disso, eleva discretamente os traços, deixa o olhar mais luminoso e funciona quer o cabelo seja branco, prateado, sal e pimenta, ou ainda com tons quentes.
Visto de lado, a nuca fica limpa mas não severa, o volume assenta um pouco mais alto no topo da cabeça, e as pontas parecem mais leves do que cortadas a direito.
É discreto, mas a diferença na presença é real.
Um stylist de Paris contou-me sobre uma cliente, Maria, 67, que chegou com um rabo de cavalo comprido e ralo que não mudava desde os quarenta. Não queria um corte “jovem”; queria sentir-se “arranjada” sem passar 40 minutos na casa de banho todas as manhãs.
Conversaram, riram, e decidiram por um bob até ao pescoço, com camadas suaves e uma franja delicada de lado.
Nada radical. Nada de lado rapado, nada de ângulo selvagem.
Quando a Maria voltou seis semanas depois, disse que as amigas não perguntaram: “Cortaste o cabelo?” Perguntaram: “O que fizeste? Estás com um ar descansado.”
A linha do maxilar parecia mais definida, os ombros mais leves, como se alguém tivesse editado discretamente a moldura à volta do rosto.
É exatamente por isso que este corte funciona tão bem depois dos 60. O cabelo tende a ficar mais fino, mais seco, por vezes mais “colado” à raiz, enquanto o rosto perde um pouco de firmeza. Comprimentos pesados puxam tudo para baixo.
Camadas suaves num bob redistribuem o volume onde faz falta: um pouco de elevação no topo, algum movimento à volta das maçãs do rosto, e uma suavidade gentil na linha do pescoço.
O olhar é puxado para cima, em vez de para pontas caídas.
É nestes pequenos ajustes - e não em transformações radicais - que vive a elegância subtil.
É isso que torna este corte discretamente luxuoso, em vez de “esforçado”.
Como pedir (e conseguir mesmo)
O primeiro passo não são as tesouras. É a conversa na cadeira antes de acontecer seja o que for. Leve 2 ou 3 fotografias de mulheres com mais de 50–60 com um bob de que goste - não 20 screenshots de celebridades na casa dos trinta.
Aponte o comprimento: maxilar, queixo, ou um pouco acima dos ombros. Depois fale de textura: quer as pontas ligeiramente desfiadas, ou mais estruturadas, mais “gráficas”?
Diga ao/à cabeleireiro/a como costuma arranjar o cabelo. Escova e sai? Brushing uma vez por semana? Nunca pegou numa escova redonda na vida?
Este corte só resulta se for compatível com os seus hábitos reais, não com a sua versão idealizada.
Aqui é onde muitas mulheres se desiludem: pedem “algo elegante, não muito curto”, e depois, por medo, deixam o comprimento quase intacto. O resultado? Um pequeno aparo que não muda a forma, apenas os centímetros.
Neste caso, a elegância vem da forma - não só do comprimento.
Seja honesta sobre o que mais a incomoda. É a falta de volume no topo? O efeito “triângulo” nas pontas? O cabelo na nuca que vira para fora sozinho?
Diga ao/à seu/sua stylist quais os traços do seu rosto de que gosta. Olhos? Maçãs do rosto? Pescoço? Um bom bob em camadas vai emoldurar esses pontos, suavizar o resto e evitar o efeito capacete que tantas mulheres temem em segredo.
Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias - o brushing completo, a escova redonda, a mousse. Por isso, o corte tem de ficar bem também nos dias de pouco esforço.
“Mulheres com mais de 60 não precisam de um corte radical para parecerem modernas”, diz a Claire, cabeleireira em Lyon que trabalha sobretudo com clientes maduras. “Precisam de um corte preciso, que respeite quem são e como vivem. A elegância está nos detalhes que nem se notam à primeira vista.”
- Peça camadas suaves, não um desbaste extremo nas pontas.
- Escolha um comprimento entre o maxilar e a clavícula para máxima versatilidade.
- Considere uma franja leve, de lado, se a preocupam as linhas na testa.
- Mantenha alguma densidade à volta das orelhas e na nuca para não ficar severo.
- Planeie um retoque a cada 6–8 semanas para manter a linha limpa e a forma favorecedora.
Um corte que cresce consigo, não contra si
A beleza deste bob discreto é que não a prende a uma única versão de si. O cabelo cresce, o rosto muda, a vida anda. Este corte pode acompanhar suavemente.
Numa estação, pode usá-lo à altura do maxilar com um toque de franja. Uns meses depois, deixa-o transformar-se num bob mais comprido, a roçar os ombros, com mais movimento e uma risca lateral suave.
Pode colocar um lado atrás da orelha para um ar mais definido, ou deixar cair naturalmente para uma moldura mais macia.
Nos dias em que se sente mais ousada, basta um pouco de spray texturizante e secar ao ar com os dedos para aquele ar francês descontraído que todos acabamos por pesquisar à noite.
No dia em que quer algo mais polido para um casamento ou evento, uma escova redonda e mais cinco minutos resolvem.
| Ponto-chave | Detalhe | Valor para a leitora |
|---|---|---|
| Bob suave em camadas | Comprimento do maxilar à clavícula, movimento leve, nuca limpa | Eleva os traços sem parecer drástico ou “a tentar parecer mais nova” |
| Adaptado ao estilo de vida | Corte pensado para rotinas simples e textura natural | Resultado elegante mesmo em dias com pouco tempo ou styling mínimo |
| Elegância subtil | Foco na forma, enquadramento e equilíbrio, em vez de mudança dramática | Sensação de estar “bem arranjada” mantendo-se com ar natural |
FAQ:
- Este corte é adequado para cabelo muito fino? Sim, desde que as camadas sejam leves e as pontas não sejam demasiado desbastadas. Manter um contorno compacto e algum volume no topo evita que o cabelo pareça “colado”.
- E se o meu cabelo for naturalmente ondulado ou com algum frisado? Este bob funciona lindamente com ondas suaves. Peça um comprimento que deixe a onda formar-se e camadas gentis que respeitem o movimento natural.
- Posso usar este corte com os meus cabelos grisalhos naturais? Absolutamente. O contraste entre a linha limpa do bob e a suavidade do grisalho ou do branco costuma ficar extremamente elegante e moderno.
- Com que frequência preciso de ir ao salão? Normalmente, a cada 6–8 semanas é suficiente para manter a forma definida e evitar que o estilo “caia” ou fique sem estrutura.
- Preciso de franja para resultar? Não. Pode usar sem franja, com franja leve de lado, ou com uma franja suave e esfiapada. Fale com o/a seu/sua stylist sobre a sua testa, os seus óculos e o seu conforto pessoal.
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