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Este atalho de limpeza de cozinha danifica o inox com o tempo.

Mãos limpam acessório preto com pano branco sobre lava-loiça, com dispensador de sabão e torneira ao fundo.

O spray sibilou, o papel de cozinha chiou e, em dez segundos, a impressão digital gordurosa desapareceu da porta do frigorífico.

À primeira vista, parece perfeito: inox a brilhar, tarefa despachada. O problema é o que não se vê na hora - micro-riscos e zonas baças que se acumulam com o “pano rápido”, até o aço perder aquele aspeto novo.

O inox não é frágil, mas também não é “à prova de tudo”. A superfície tem um acabamento (escovado ou polido) e uma película protetora invisível. O atalho errado vai gastando as duas coisas, devagar e de forma irreversível.

Este atalho do “passar um pano rápido” que marca o inox

O inox está em todo o lado: frigorífico, forno, máquina de lavar loiça, exaustor, caixotes do lixo. Quando começa a ficar baço, muita gente assume “desgaste normal”. Muitas vezes é hábito de limpeza.

O culpado típico é a combinação:

  • limpa-tudo (muitas vezes mais agressivo do que parece)
  • papel de cozinha ou pano áspero
  • movimentos circulares e pressão para “cortar” gordura

Funciona depressa, por isso vira rotina. Só que o inox tem um “veio” (linhas finas no metal). Esfregar em círculos cruza esse veio e cria espirais de microabrasão. Ao longo de meses, esses micro-riscos retêm gordura e sujidade - e isso leva a mais força, produtos mais fortes e mais riscos. Ciclo feito.

Há ainda um risco menos óbvio: produtos com cloro (lixívia) e alguns desengordurantes fortes podem atacar a película protetora do inox e favorecer manchas e corrosão localizada (pequenas “picadas”), sobretudo se o produto ficar a atuar e não for bem enxaguado.

A forma certa de limpar inox (sem o tratar como se fosse de porcelana)

A regra que poupa mais inox é simples: pano macio + detergente suave + sempre a seguir o veio.

1) Descubra o veio
Procure linhas ténues horizontais/verticais na porta. Passe os dedos: sente menos resistência quando acompanha o veio.

2) Limpeza normal (segura e rápida)
Use um pano de microfibra com água morna + 1–2 gotas de detergente da loiça. Limpe em passagens longas, sem círculos.

3) Enxaguar e secar (o passo que evita “marcas”)
Passe um pano humedecido só com água limpa e seque logo com outro pano macio. Em muitas zonas de Portugal, a água deixa calcário com facilidade; secar evita manchas e aquele aspeto “enevoado”.

4) Manchas de gordura e impressões digitais teimosas
Em vez de esfregar mais forte, deixe o pano húmido com detergente pousado 30–60 segundos e volte a passar a seguir o veio. Se precisar de um reforço pontual, álcool (ex.: solução alcoólica) num pano pode ajudar a desengordurar; no fim, limpe com água e seque para não ficar a riscar nem a manchar.

Para o dia a dia, ajuda separar em duas rotinas: uma passagem rápida (pano húmido) e uma limpeza mais cuidada semanal/quinzenal. O ganho vem mais do movimento e do pano certo do que de demorar muito mais tempo.

O inox não é frágil - mas lembra-se de cada esfregadela.

Regras práticas, sem complicar:

  • Tenha um pano de microfibra só para inox (sem amaciador na lavagem, porque perde eficácia).
  • Limpe sempre a seguir ao veio; evite círculos, mesmo “de leve”.
  • Se não sai, mais tempo a atuar vence mais força quase sempre.
  • Esponjas abrasivas ficam para tachos e grelhas - não para frentes de eletrodomésticos.

O que usar, o que evitar e como corrigir danos antigos

O melhor “kit base” costuma ser simples: detergente da loiça suave, água, microfibra e secagem no fim. Se quiser dar acabamento, uma gota de óleo mineral/óleo próprio para inox pode uniformizar o brilho - mas use muito pouco e remova o excesso, senão fica pegajoso e marca mais.

Evite (ou use só com extremo cuidado e enxaguamento imediato): - lixívia/cloro e desinfetantes clorados - limpa-fornos e desengordurantes muito alcalinos - pós/pastas abrasivas e palhas de aço - “esponjas mágicas” (melamina) em inox escovado/polido: limpam, mas também micro-lixam - ácidos fortes tipo alguns tira-calcário: podem manchar se ficarem na superfície

Como lidar com inox já baço ou riscado: - Riscos leves: muitas vezes melhoram ao mudar para limpeza consistente a seguir o veio e, ocasionalmente, um polidor próprio para inox, sempre testado numa zona discreta e aplicado com mão leve. - Riscos profundos (junto a puxadores/dispensadores): raramente desaparecem. A solução realista pode ser refinamento profissional do acabamento ou aceitar que a meta é “disfarçar”, não “apagar”. - Erro comum: tentar “corrigir” com mais abrasão. Normalmente só aumenta a área baça.

Resumo rápido do que interessa:

  • Atalho errado: multiusos + papel/esponja áspera + círculos = micro-riscos e baço cumulativo.
  • Limpeza certa: microfibra + água morna com detergente + seguir o veio + enxaguar e secar.
  • Prevenção/recuperação: nada de cloro/abrasivos; polidor de inox só com moderação e teste prévio.

Perguntas frequentes (FAQ)

  • Que atalho de limpeza comum danifica mais o inox?
    Limpa-tudo + esfregadela em círculos com papel de cozinha, pano áspero ou esponja abrasiva. O dano não aparece logo, mas acumula-se em micro-riscos que prendem gordura e tiram brilho.

  • Posso alguma vez usar uma esponja abrasiva em eletrodomésticos de inox?
    Em geral, não nas frentes. Mesmo “suave”, tende a marcar o acabamento (especialmente em inox escovado). Se for uma sujidade muito agarrada, prefira amolecer com detergente e tempo.

  • Qual é um detergente seguro para usar no dia a dia em inox?
    Água morna com algumas gotas de detergente da loiça. Aplique com microfibra, limpe a seguir ao veio, enxague com pano húmido e seque para evitar marcas e calcário.

  • Como posso saber para que lado vai o veio?
    Procure as linhas finas no metal (horizontal/vertical) ou passe os dedos: há mais resistência quando atravessa o veio do que quando o acompanha.

  • É possível reparar riscos existentes?
    Riscos finos podem ficar menos visíveis com limpeza correta e, às vezes, polidor próprio usado com moderação. Riscos profundos são difíceis de remover sem intervenção profissional.

  • Vale a pena comprar sprays específicos para inox?
    Podem ajudar a reduzir marcas e a uniformizar o aspeto, sobretudo em inox “anti-dedadas”. Ainda assim, não substituem o essencial: pano macio, pouco produto, seguir o veio e secar no fim.

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