Winter transforma as casas em ninhos acolhedores, cheios de bebidas quentes, maratonas de streaming e têxteis macios que, na verdade, nunca têm descanso.
Mantemos um olho nos cestos da roupa e na roupa de cama, sobretudo quando os vírus se espalham. Ainda assim, há um item comum do inverno que muitas vezes passa despercebido no nosso radar de limpeza - apesar de estar mesmo em contacto com a nossa pele.
Este têxtil esquecido, à vista de todos
Pergunte às pessoas o que lavam mais no inverno e, normalmente, dizem camisolas, meias, pijamas, talvez lençóis. Quase ninguém menciona mantas de sofá e cobertores. No entanto, esses xadrezes aconchegantes que ficam no sofá ou aos pés da cama trabalham tanto quanto a sua roupa.
Acumulam de tudo: escamas de pele, suor, migalhas de comida, pêlo de animais, pó, germes trazidos da rua pela roupa. Nos meses frios, enrolamo-nos neles durante horas, muitas vezes com as janelas fechadas e menos ventilação.
As mantas e cobertores de inverno comportam-se como “segundos lençóis” ou “roupa do sofá”, mas muitas casas lavam-nos apenas uma vez por estação - às vezes, ainda menos.
Esta diferença entre uso e cuidado cria um problema de higiene silencioso. Dermatologistas e especialistas em alergias já o chamam de um dos pontos cegos das rotinas de limpeza de inverno.
O que vive realmente nas suas mantas e cobertores
Sempre que se enrosca debaixo de uma manta, o seu corpo deixa um rasto microscópico. A pele renova-se constantemente. O suor evapora em parte, mas não por completo. Cabelos, caspa e até vestígios de cosméticos ou loção corporal acabam no tecido.
Além disso, no inverno o ar interior já transporta mais pó porque abrimos menos as janelas. Tudo isto assenta nas superfícies macias em que mais tocamos.
Mesmo sem parecer suja, uma manta pode aparentar estar perfeitamente limpa e, ainda assim, albergar ácaros do pó, bactérias, esporos de fungos e alergénios presos no fundo das fibras.
Como o seu próprio corpo alimenta o problema
Os cientistas estimam que uma pessoa pode produzir cerca de 26 litros de suor ao longo de um ano. Parte dessa humidade acaba nos têxteis: colchões, lençóis, pijamas… e, sim, mantas.
Humidade + calor = um ambiente favorável para:
- Ácaros do pó, que se alimentam de células mortas da pele.
- Fungos, que prosperam em fibras ligeiramente húmidas.
- Bactérias da pele e da saliva.
- Alergénios do pó, de animais e de partículas do exterior.
Nada disto transforma uma manta num perigo biológico de um dia para o outro. Mas a acumulação ao longo de semanas de uso intenso pode desencadear sintomas, sobretudo em pessoas sensíveis.
Riscos para a saúde quando não lava as mantas
A maioria das pessoas nota sinais precoces sem os associar aos têxteis. Um nariz entupido ao fim da tarde, comichão nos braços, ou olhos vermelhos depois de uma maratona de TV debaixo da mesma manta.
Mantas e cobertores por lavar não causam todas as tosses ou erupções cutâneas, mas podem agravar problemas existentes como alergias, asma ou eczema.
Sintomas que podem vir de mantas negligenciadas
Os médicos apontam algumas queixas recorrentes no inverno:
- Congestão nasal ou corrimento quando se senta no sofá ou se deita.
- Pele com comichão no pescoço, braços ou pernas onde a manta toca diretamente.
- Olhos vermelhos ou irritados após longas noites debaixo da mesma manta.
- Espirros mais frequentes na sala do que noutras divisões.
Para pessoas com problemas respiratórios ou alergia a ácaros, uma manta “sobrecarregada” pode funcionar como um gatilho constante. Crianças que fazem sestas no sofá e animais que dormem nas mantas aumentam o contacto e adicionam mais material biológico à mistura.
Com que frequência deve lavar cobertores e mantas no inverno?
Especialistas em higiene doméstica aproximam hoje as mantas mais da roupa e dos lençóis do que da decoração. A recomendação geral fica em torno de duas em duas semanas durante períodos de uso intenso.
Se uma manta é usada diariamente, sobretudo no sofá, faz mais sentido tratá-la como pijamas ou roupa de estar frequentemente usada do que como decoração sazonal.
Vários fatores podem justificar lavagens mais frequentes:
- Come regularmente no sofá (migalhas, bebidas, molhos).
- Tem animais que sobem para a mobília ou dormem nas mantas.
- Alguém em casa tem alergias, asma ou problemas crónicos de pele.
- Crianças pequenas dormem a sesta ou brincam enroladas na mesma manta todos os dias.
Por outro lado, uma manta decorativa no fundo de uma cama de hóspedes, quase nunca usada, pode aguentar mais algumas semanas - especialmente numa divisão bem ventilada.
Como lavar mantas e cobertores sem os estragar
Muitas pessoas adiam a lavagem de mantas grandes por receio de encolherem, danificarem as fibras ou sobrecarregarem a máquina. A etiqueta de cuidados costuma indicar a opção mais segura e merece uma leitura rápida antes de fazer seja o que for.
| Tipo de manta | Temperatura sugerida | Principais precauções |
|---|---|---|
| Manta de polar (fleece) ou poliéster | 30–40°C (frio a morno) | Programa delicado, detergente suave, evitar altas temperaturas na secagem. |
| Manta de algodão | 40°C, por vezes 60°C | Verificar a etiqueta; mais calor pode ajudar contra ácaros, mas pode encolher algodão de baixa qualidade. |
| Lã ou mistura com lã | Frio ou programa de lã | Usar detergente para lã, não centrifugar a alta velocidade, secar na horizontal. |
| Malha grossa / manta artesanal | Lavagem à mão a frio | Demolhar suavemente, evitar torcer, retirar a água pressionando com uma toalha. |
Mantas grandes podem pesar muito mais quando molhadas, o que força a máquina. Para itens volumosos, muitas famílias optam por uma lavandaria com tambores maiores no início ou no fim da estação.
Secagem e arejamento: a metade escondida da higiene
A lavagem remove germes, mas a secagem conclui o trabalho. Têxteis húmidos guardados cedo demais podem ganhar cheiro a mofo e novo crescimento de fungos. No inverno, esse risco aumenta quando se seca dentro de casa em radiadores ou estendais em divisões pequenas.
Uma manta que cheira “um pouco a húmido” indica que não secou totalmente, mesmo que pareça limpa.
Boas práticas incluem:
- Estender as mantas num estendal largo, para o ar circular entre as dobras.
- Usar uma secagem suave na máquina para tecidos compatíveis, verificando com regularidade.
- Abrir as janelas por breves períodos durante a secagem para reduzir a humidade interior.
- Guardar mantas completamente secas em sacos respiráveis ou capas de algodão, não em plástico selado.
Entre lavagens: pequenos hábitos que fazem diferença
Nem todas as casas conseguem lavar mantas grandes todas as semanas. Mas alguns gestos reduzem muito a acumulação entre lavagens.
- Sacudir as mantas ao ar livre uma a duas vezes por semana para remover pó e pêlos soltos.
- Usar um rolo tira-pêlos se tiver animais; remove tanto a caspa como o pêlo.
- Rodar as mantas: alternar duas mantas reduz para metade o desgaste e prolonga a limpeza.
- Arejar as mantas num dia seco e frio pode refrescá-las; o ar frio reduz a atividade dos ácaros.
Algumas famílias tratam agora as mantas do sofá como fronhas: têm duas ou três em circulação e lavam-nas no mesmo ciclo que toalhas ou roupa de estar.
Porque é que o inverno agrava o problema
O inverno combina várias condições que favorecem o crescimento microbiano: mais têxteis, mais camadas, mais horas no sofá e menos ar fresco a circular. Os sistemas de aquecimento secam o ar em algumas casas, mas criam zonas quentes onde ácaros e bactérias se mantêm ativos nos tecidos.
O estilo de vida de “cocooning”, tão popular nos meses frios, significa mais tempo de contacto com a mesma manta, com quase nenhuma pausa para limpeza.
Ao mesmo tempo, muitos vírus circulam, e superfícies tocadas repetidamente podem funcionar como portadores temporários. Embora as mantas não sejam a principal via de infeção, uma manta usada por várias pessoas sem lavar pode transmitir gotículas de saliva, sobretudo se alguém adormecer diretamente sobre ela.
Outros têxteis domésticos que as pessoas muitas vezes esquecem
Quando começa a tratar as mantas como roupa, outros itens negligenciados tornam-se evidentes. Capas de almofadas do sofá, protetores de colchão, colchas e até peluches partilham o mesmo perfil de risco: uso intenso, baixa frequência de lavagem.
Uma forma simples de ajustar sem transformar a vida numa lavandaria permanente é criar uma rotação mensal:
- Semana 1: lençóis e fronhas.
- Semana 2: mantas e cobertores do sofá.
- Semana 3: capas de almofadas e protetores de colchão.
- Semana 4: colchas ou mantas decorativas.
Este ritmo mantém os têxteis sob controlo sem sobrecarregar a máquina de lavar nem a sua agenda.
Para lá dos germes: conforto, sono e alergias
Mantas limpas fazem mais do que remover microrganismos. Influenciam a forma como dormimos e relaxamos. Têxteis saturados de pó e suor tendem a parecer mais pesados, menos respiráveis e ligeiramente pegajosos na pele. As pessoas acordam mais durante a noite quando a roupa de cama e as mantas retêm demasiado calor e humidade.
Para quem sofre de alergias, ajustar o cuidado das mantas pode funcionar como uma experiência na vida real. Lavar as mantas de duas em duas semanas, combinado com arejamento regular do colchão e roupa de cama mais respirável, muitas vezes reduz a tosse noturna e a congestão matinal. Registar sintomas durante um mês enquanto muda estes hábitos dá um feedback concreto - e custa muito menos do que remodelar todo o quarto.
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