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Esta configuração ignorada pode aumentar silenciosamente a sua conta de eletricidade.

Pessoa ajusta uma régua de energia inteligente sobre um móvel de madeira. TV e planta em segundo plano.

A sala parecia em descanso, mas o contador no corredor não.

TV desligada, consola quieta, máquina de lavar parada. Só o básico: frigorífico, router, um portátil a carregar. Ainda assim, a fatura veio um pouco mais alta. Nada dramático. Só… persistente.

Quando nada mudou nos hábitos, vale a pena suspeitar do que muda “sozinho”: uma opção escondida nas definições, muitas vezes ativada por defeito.

A definição escondida que está a drenar energia em silêncio

Em muitas casas, há um culpado discreto: modos como “Sempre ligado” (Always on), “Ligação instantânea” (Instant on), “Arranque rápido” (Quick Start) ou “Standby em rede”.

A ideia é simples: ligar mais depressa, receber atualizações, ficar disponível para comandos por app/voz. O problema é que, em vários equipamentos, isso não é “standby” leve - é um estado semiacordado a consumir energia 24/7.

Um exemplo típico: uma smart TV com “Arranque rápido” pode ficar a puxar alguns watts a dezenas de watts, dependendo do modelo e do que fica ativo (Wi‑Fi, ligação à box, assistente de voz, etc.). Parece pouco… até fazer as contas.

Regra rápida (útil em Portugal):

Custo anual (€) ≈ Potência em standby (W) × 8,76 × preço do kWh
Se pagar ~0,18–0,25 €/kWh: - 5 W constantes podem dar ~8–11 €/ano
- 15 W constantes podem dar ~24–33 €/ano
- 30 W constantes podem passar ~47–66 €/ano

E isto é por dispositivo. Some TV + box + consola + soundbar + “pen” de streaming, e o “nada ligado” começa a pesar.

Isto encaixa no que muitas auditorias domésticas encontram: o entretenimento (TV/box/consola/áudio) pode representar uma fatia surpreendente do consumo “invisível”. A Agência Internacional de Energia tem chamado a atenção para este fenómeno há anos, sobretudo no chamado “standby em rede”, que mantém ligações e verificações ativas.

A razão de existir é humana: ninguém gosta de esperar. Os fabricantes otimizam para arranque rápido e conveniência - e a energia fica a pagar a conta quando você não está a olhar.

Como domar o “sempre ligado” sem arruinar o seu conforto

A boa notícia: quase sempre dá para reduzir isto sem mudar de vida - só a forma como os aparelhos “dormem”.

Smart TVs (LG/Samsung/Sony/Philips, etc.)
Vá a Definições e procure “Eco”, “Energia”, “Geral” ou “Sistema”. Normalmente encontra: - “Arranque rápido” / “Quick Start” - “Ligação instantânea” - “Standby em rede” / “Manter ligado para apps”

Ao desativar, a TV demora mais a arrancar, mas fica muito mais perto de um desligar real.

Consolas (PlayStation/Xbox)
No menu de energia: - prefira “Poupança de energia” em vez de “Ligação instantânea” - ajuste o tempo para desligar totalmente após inatividade
Trade-off honesto: pode perder atualizações automáticas durante a noite - mas ganha previsibilidade na fatura.

Boxes de TV e sticks de streaming
Algumas boxes (incluindo as do operador) têm opções de “início rápido” e “standby em rede”. Nem sempre dá para desligar tudo, e às vezes há funcionalidades (gravações, atualizações, comandos) que dependem disso. Ainda assim, vale procurar por “Eco”/“Energia” e testar.

Router, colunas inteligentes, impressoras
Aqui é caso a caso. O router, por exemplo, pode ter “horário de Wi‑Fi” para desligar apenas a rede sem fios durante a noite (mantendo a internet por cabo), mas atenção: isto pode afetar alarmes, câmaras, domótica ou chamadas Wi‑Fi. Se tiver esses sistemas, evite cortes automáticos.

Uma dica prática que poupa tempo: um medidor de consumo (dos simples, de tomada) custa pouco e mostra a realidade em watts. É a forma mais rápida de descobrir quais são os “vampiros” verdadeiros na sua casa, em vez de adivinhar.

E sim: usar uma régua com interruptor ou um temporizador pode ser o caminho mais simples para equipamentos que passam dias sem uso. Só evite cortar a alimentação quando estiverem a atualizar (TV/consola/box) ou quando dependem de estar sempre ligados (router principal, NAS, etc.).

Para tornar isto concreto, muitas famílias fazem uma “hora da energia” por ano: entram nos menus, desligam o que faz sentido e seguem a vida.

  • Passo 1: Liste os principais ecrãs e equipamentos de entretenimento (TVs, consolas, boxes de streaming).
  • Passo 2: Abra as definições de energia/eco e desligue quaisquer modos Instant/Quick/Always-on.
  • Passo 3: Para o que raramente usa, adicione um interruptor simples on/off ou uma tomada inteligente e corte a alimentação quando estiver parado.

O objetivo não é perfeição. É cortar o consumo constante que não lhe dá valor no dia a dia.

A satisfação silenciosa de uma fatura que finalmente faz sentido

A melhor “vitória” aqui raramente é uma descida gigante. É uma fatura mais previsível - sem o mistério do “como é que gastámos isto se quase não ligámos nada?”

Quando mexe nestas definições, começa a ver o padrão noutros sítios: equipamentos que ficam “em rede” sem necessidade, luzes decorativas sempre ligadas, periféricos sempre prontos para uma tarefa que acontece uma vez por semana.

A pergunta útil passa a ser: “Isto está a trabalhar para mim agora - ou está só à espera?”

No fim, estas microdecisões somam. Menos consumo inútil à noite, menos picos desnecessários, e uma casa que faz o básico melhor: gastar menos quando ninguém está a usar.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Modos Always-on / Instant-on Mantêm os dispositivos num estado semiacordado para um arranque mais rápido Explica por que razão a fatura sobe mesmo quando “está tudo desligado”
O consumo em standby acumula Poucos watts 24/7 viram dezenas de kWh por ano, por dispositivo Ajuda a encontrar poupanças sem mudar hábitos
Alterações simples nas definições Desativar arranque rápido e reduzir standby em rede Reduz custos com um impacto pequeno no conforto

FAQ:

  • Quanto é que posso realmente poupar ao mudar estas definições? Depende dos watts em “quase ligado”, do número de equipamentos e do seu preço do kWh. Em muitas casas, só o conjunto TV/box/consola pode representar dezenas de euros por ano se estiver em modos de arranque rápido 24/7.
  • A minha TV ou consola vai arrancar muito mais devagar se eu desligar o Instant On? Normalmente sim: conte com mais alguns segundos (por vezes 10–40 s). A maioria das pessoas adapta-se rápido - e só nota quando volta a ativar o modo rápido.
  • Os carregadores de telemóvel e portátil na tomada têm a mesma importância? Em geral, não. Podem consumir algum standby, mas o impacto costuma ser bem menor do que TVs, consolas e boxes em “standby em rede” ou arranque rápido.
  • Usar uma régua com interruptor é seguro para os meus dispositivos? Regra prática: para TV, consola e periféricos, uma régua de boa qualidade (idealmente com proteção contra sobretensões) costuma ser suficiente. Evite desligar na tomada durante atualizações, gravações ou processos em curso.
  • Com que frequência devo verificar as definições de energia dos meus dispositivos? Uma vez quando compra/instala o aparelho e depois um pequeno “check-up” anual (ou após grandes atualizações) costuma chegar para manter isto sob controlo.

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