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Esqueça o cabelo ondulado: as “ondas Brontë” vão valorizar o seu cabelo este inverno e são fáceis de fazer.

Mulher com cabelo castanho encaracolado usando modelador de cabelo, sentada numa sala iluminada por janela.

A primeira vez que ouvi alguém sussurrar “ondas Brontë” num salão, imaginei primeiro uma charneca varrida pelo vento e só depois um ferro de ondular. Era uma terça‑feira chuvosa, casacos a pingar no chão, toda a gente a despir cachecóis e gorros para revelar aquele cabelo clássico de inverno: raízes achatadas, comprimentos frisados, pontas que claramente já tinham desistido.

No cadeirão do canto, uma mulher com uma camisola cinzenta grossa pediu “ondas suaves, mas não aqueles caracóis de influencer, sabe?” A cabeleireira sorriu e respondeu: “Quer ondas Brontë.”

Dez minutos depois, o cabelo dela parecia o de quem tinha acabado de voltar de uma caminhada por campos enevoados com um livro no bolso, não de quem vinha do metro sobreaquecido. Nem demasiado polido, nem demasiado desarrumado. Só aquele volume discreto e romântico que apanha a luz.

Houve um pequeno silêncio em frente ao espelho.

De repente, toda a gente quis o mesmo.

O que são “ondas Brontë” e porque estão em todo o lado este inverno

As ondas Brontë são o oposto daqueles caracóis perfeitos do Instagram, em modo copiar‑colar. Pense num cabelo ligeiramente fustigado pelo vento, suave e contemplativo, como a personagem principal de um romance do século XIX que acabou de voltar de uma longa caminhada com sentimentos a mais.

A onda não é apertada nem saltitante. É alongada, arejada, com dobra em vez de espiral, e um toque de drama a meio do comprimento. As raízes mantêm‑se quase direitas, as pontas afinam, e o resultado sussurra mais do que grita.

Num dia cinzento de inverno, esta textura dá vida ao cabelo sem berrar “passei uma hora a arranjá‑lo”. Emoldura o rosto com delicadeza, sobretudo nas maçãs do rosto e na linha do maxilar, e funciona tão bem com gola alta e óculos como com batom vermelho e um casacão.

Percorra as passadeiras vermelhas de inverno e vai reconhecê‑las depressa. Florence Pugh com um casaco comprido e comprimentos suavemente dobrados e escovados. Daisy Edgar‑Jones com aquelas dobras caídas, quase sonolentas, que parecem ter surgido naturalmente no ar frio.

Até o TikTok - terra de caracóis bem marcados e ondas de praia - está lentamente a ser invadido por texturas mais suaves e esfumadas com etiquetas como “cabelo vitoriano”, “ondas literárias” e, agora, ondas Brontë. Um tutorial somou milhões de visualizações num fim de semana, por um look que é basicamente: “Leio poesia, mas estou atrasada para o café.”

O que as pessoas estão a captar não é só o penteado, é o estado de espírito. Sente‑se romântico sem esforço. Um pouco nostálgico. Um pouco como se tivesse ido a algum sítio interessante, mesmo que só tenha apanhado o autocarro.

Há também uma razão prática para esta tendência estar a explodir no inverno. As clássicas ondas de praia nasceram para o verão: spray de sal, humidade, sol, ombros à mostra. O cabelo de inverno tem inimigos completamente diferentes.

O ar frio achata as raízes. O aquecimento interior seca os comprimentos. Os cachecóis roçam na nuca e desfazem quaisquer caracóis certinhos. As ondas Brontë foram feitas para sobreviver a tudo isso. A textura começa mais abaixo, a forma é mais solta, e até fica melhor quando o dia a “amarrota” um pouco.

Além disso, a silhueta combina com casacos e golas altas. Uma raiz direita a deslizar para dobras suaves à altura da clavícula assenta lindamente sobre tecidos pesados. É como se o seu cabelo vestisse a sua própria narrativa longa e varrida.

Como criar ondas Brontë em casa (sem equipa de glamour)

Comece com o cabelo seco, idealmente lavado no dia anterior, quando já tem um pouco mais de “agarre”. Cabelo ultra‑limpo e escorregadio tende a perder este tipo de onda ao fim de uma hora.

Primeiro, prepare com um spray protetor de calor leve e, se o seu cabelo for fino, uma mousse de volume só na raiz. Escove tudo para não haver nós.

Depois, escolha a ferramenta: uma prancha ou um ferro de ondular grande (28–32 mm) funciona melhor. Separe uma madeixa com mais ou menos a largura de dois dedos. A partir do nível das maçãs do rosto, prenda a madeixa, dobre ligeiramente para fora do rosto, deslize alguns centímetros e depois dobre suavemente para o lado oposto.

Não está a torcer. Está a desenhar um “S” preguiçoso com calor. Mantenha as pontas quase direitas. É isso que impede o resultado de parecer “cabelo de noiva” e mantém aquele ar vivido e literário.

A principal armadilha é tentar fazer todas as ondas iguais. É aí que o estilo perde charme e vira “cabelo de evento”. Deixe o tamanho das secções variar um pouco. Algumas dobras mais acima, outras mais abaixo. Se uma madeixa ficar encaracolada demais, puxe‑a suavemente enquanto ainda está quente para a relaxar.

Outro erro comum: insistir em volume a todo o custo. As ondas Brontë não são sobre “cabelo gigante”, são sobre movimento subtil. Se desfiar demasiado na raiz ou aplicar laca pesada, anula a suavidade que torna este look interessante.

Já todos passámos por isso: aquele momento em que seguimos um tutorial passo a passo e mesmo assim acabamos com um ar mais de baile de finalistas do que de heroína poeta. Seja gentil consigo. Este estilo até fica melhor um bocadinho imperfeito, com uma madeixa rebelde aqui e ali.

Quando toda a cabeça estiver ondulada, deixe o cabelo arrefecer completamente antes de lhe mexer. Depois, em vez de usar um pente, use os dedos ou uma escova paddle macia para unir tudo.

Vaporize um spray texturizante bem leve nos comprimentos médios e amasse suavemente, concentrando‑se sobretudo nas madeixas da frente que emolduram o rosto. Evite fórmulas que deixem rígido. Pense em véu, não em capacete.

“As ondas Brontë são basicamente a versão em penteado de um livro com as orelhas dobradas”, ri a cabeleireira parisiense Léa Martín. “Um pouco gasto, um pouco romântico, e dez vezes mais interessante do que algo intocado.”

  • Use um cilindro maior do que acha que precisa, para dobras mais suaves
  • Deixe os últimos 2–3 cm das pontas diretos para um toque moderno
  • Alterne direções de forma solta, mas dobre sempre as madeixas da frente para fora do rosto
  • Confie no spray texturizante, não numa laca forte, para manter a forma
  • Durma com o cabelo num “coque nuvem” alto e solto para manter as ondas no dia seguinte

Tornar as ondas Brontë suas este inverno

O que faz as ondas Brontë parecerem atuais é o quão adaptáveis são. Um bob pelos ombros, camadas longas, curtain bangs, até uma franja crescida - a técnica ajusta‑se a quase qualquer corte. Só muda o ponto onde a dobra começa.

Em cabelo mais curto, comece a primeira onda mesmo por baixo do olho para evitar o efeito “bolha”. Em cabelo muito comprido, deixe a primeira dobra cair na zona do maxilar para uma moldura suave e depois alongue o resto para um comprimento mais calmo. Cabelo encaracolado ou crespo também pode entrar na tendência: estique os caracóis primeiro com uma escova de brushing e secador e, depois, adicione algumas dobras intencionais por cima.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. A boa notícia é que as ondas Brontë quase ficam melhores no segundo e no terceiro dia. Um pouco de champô seco nas raízes, uma névoa de água nos comprimentos, uma dobra rápida nas madeixas da frente, e volta a entrar na história.

Ponto‑chave Detalhe Benefício para a leitora/o leitor
Ondas suaves e alongadas As dobras começam a meio do comprimento, as pontas mantêm‑se mais direitas Movimento romântico sem caracóis “de concurso”
Styling à prova de inverno Textura solta resiste a cachecóis, casacos e variações de humidade O cabelo continua bonito após um dia inteiro na rua
Rotina fácil e flexível Funciona com prancha ou ferro de ondular, dura vários dias Menos esforço diário para um ar polido mas vivido

FAQ:

  • Em que diferem as ondas Brontë das ondas de praia? As ondas de praia começam mais acima na cabeça e têm um ar salgado e separado em madeixas, enquanto as ondas Brontë são mais suaves, começam mais abaixo e têm um acabamento escovado e romântico.
  • Consigo fazer ondas Brontë sem ferramentas de calor? Sim: faça duas tranças soltas em cabelo ligeiramente húmido, torcendo apenas os comprimentos médios, deixe secar totalmente e depois escove para obter uma dobra suave.
  • Isto resulta em cabelo fino? Sem dúvida - prepare com uma mousse leve na raiz e evite óleos pesados; use menos calor e secções maiores para a onda não colapsar.
  • Quanto tempo costumam durar as ondas Brontë? Na maioria dos cabelos, uma sessão pode durar dois a três dias com retoques nas madeixas da frente e um pouco de champô seco nas raízes.
  • Que corte favorece mais as ondas Brontë? Qualquer corte com alguma graduação: lobs, camadas longas, shags suaves ou cabelo com curtain bangs realçam lindamente as dobras e o volume subtil.

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