Para muitas pessoas com mais de 40 anos, o verdadeiro ponto de viragem não é mais uma dieta, mas finalmente aprender a “acordar” e fortalecer os músculos abdominais profundos que mantêm tudo no sítio.
Porque é que a sua barriga parece inchada, mesmo quando não está a comer em excesso
Um abdómen saliente é muitas vezes atribuído aos hidratos de carbono, às hormonas ou ao “envelhecer”. Tudo isso pode ter influência, mas a explicação costuma ser mais física - e mais fácil de resolver.
O core não é apenas um “six-pack”. É um conjunto de músculos em forma de colete que envolve a coluna e o abdómen. Quando estes músculos estão fracos ou “desligam” ao longo do dia, a barriga pode parecer empurrada para a frente e permanentemente “relaxada”.
Um core mais forte e mais inteligente funciona como um cinto interno, ajudando o abdómen a ficar mais plano e a cintura a parecer mais definida, mesmo sem perda de peso.
A idade, estar sentado durante horas, gravidezes anteriores, dores nas costas e a respiração associada ao stress (elevar os ombros em vez de usar o diafragma) reduzem a ativação do core. Por isso, pode estar a fazer abdominais tradicionais com disciplina e, ainda assim, ver uma zona média arredondada e com aspeto inchado.
Três exercícios de core que realmente mudam a forma como a sua barriga “assenta”
Estes três movimentos focam-se na estabilidade profunda, em vez de repetições intermináveis e rápidas. Funcionam bem para pessoas acima dos 40 e 50, mas leitores mais jovens beneficiam igualmente.
1. Dead bug: ensinar o core a “travar”
O dead bug parece suave, mas treina os abdominais profundos para manterem a coluna estável enquanto os braços e as pernas se movem - exatamente o que precisa na vida real.
- Deite-se de costas, joelhos fletidos a 90 graus por cima das ancas, braços esticados em direção ao teto.
- Achate ligeiramente a zona lombar contra o chão, contraindo a parte inferior do abdómen, como se estivesse a apertar umas calças de ganga justas.
- Baixe lentamente o braço direito para trás da cabeça e a perna esquerda em direção ao chão.
- Pare mesmo antes de as costas começarem a arquear ou de a barriga fazer um “domo” para fora.
- Volte à posição inicial e troque de lado.
Comece com 6–8 repetições lentas por lado, durante 2 séries. Descanse 30–45 segundos entre séries.
Se a barriga “salta” durante o movimento, foi longe demais - o objetivo é controlo, não amplitude.
2. Prancha lateral modificada: apertar o “colete”
A prancha lateral trabalha os oblíquos e os estabilizadores profundos que “afinam” a cintura. A versão completa costuma ser exigente demais no início, especialmente após os 45, por isso uma versão com apoio do joelho é mais segura e ainda assim muito eficaz.
- Deite-se de lado com o cotovelo por baixo do ombro, joelhos fletidos e alinhados um em cima do outro.
- Eleve as ancas do chão, mantendo o corpo em linha reta dos ombros aos joelhos.
- Imagine que está a afastar a parte inferior da cintura do chão, em vez de apenas empurrar as ancas para a frente.
- Mantenha a posição a respirar calmamente e depois desça com controlo.
Mantenha 15–25 segundos por lado, 2–3 rondas. À medida que ganhar força, passe para a prancha lateral completa com as pernas estendidas.
A prancha lateral é uma das formas mais eficientes de apoiar a zona lombar e, ao mesmo tempo, tornar a cintura visualmente mais fina.
3. Bear hold: ativar toda a zona média
O bear hold parece pequeno, mas ensina core, ancas e ombros a trabalharem como uma unidade. É especialmente útil para quem sente que o estômago “cai” para a frente ao estar de pé ou a caminhar.
- Comece em posição de quatro apoios, mãos por baixo dos ombros, joelhos por baixo das ancas.
- Encaixe os dedos dos pés no chão e eleve suavemente os joelhos 2–5 cm.
- Mantenha as costas direitas, como se estivesse a equilibrar um tabuleiro em cima delas.
- Puxe ligeiramente o abdómen para dentro, em direção à coluna, enquanto respira pelo nariz.
Mantenha 10–20 segundos, repita 3–4 vezes. Não deixe as ancas subirem para uma posição em “V”; fique baixo e compacto.
Com que frequência deve treinar o core para ver mudanças visíveis?
Não precisa de uma hora de abdominais todos os dias. Sessões curtas e consistentes vencem “maratonas” ocasionais.
| Dia | Foco do core | Duração |
|---|---|---|
| Segunda-feira | Dead bug + bear hold | 10–15 minutos |
| Quarta-feira | Variações de prancha lateral | 10 minutos |
| Sexta-feira | Os três exercícios em circuito | 15–20 minutos |
Pode juntar este mini-plano a uma caminhada, a uma sessão leve de força ou até à sua rotina matinal antes do trabalho. A chave é a atenção: repetições lentas, respiração controlada, sem pressas.
Porque é que a prancha clássica nem sempre é a resposta “mágica”
A prancha tornou-se um cliché do fitness, mas para muitas pessoas com mais de 50 anos é demasiado estática ou simplesmente mal executada. Os ombros colapsam, a zona lombar descai, o pescoço fica tenso - e os abdominais quase não entram em ação.
Os três exercícios acima mantêm a coluna em posições mais seguras e pedem ao core que estabilize durante o movimento e com carga baixa. Isso corresponde à vida diária: alcançar objetos, caminhar, subir escadas, transportar sacos de compras.
Um abdómen com aspeto mais plano costuma vir menos de exercícios “mais duros” e mais de tensão mais inteligente nos movimentos do dia a dia.
Quando esses padrões estiverem sólidos, uma prancha bem feita pode ser útil. Antes disso, muitas vezes só alimenta a frustração.
Quando uma “barriga” não tem apenas a ver com músculos
Nem todo o abdómen arredondado é causado por abdominais fracos ou excesso de gordura. Duas condições são importantes, especialmente em pessoas que tiveram filhos ou que ganharam e perderam peso repetidamente.
Diástase dos retos e separação abdominal
A diástase dos retos é uma separação do reto abdominal - os músculos do “six-pack” - ao longo da linha média. É comum após a gravidez, mas também pode afetar homens.
Sinais incluem uma “crista” ou um domo no centro da barriga quando se senta para se levantar, e uma protuberância estranha e pouco responsiva apesar do exercício. Abdominais agressivos e sit-ups podem agravar.
Dead bugs, pranchas laterais e bear holds, feitos suavemente e com foco em puxar a barriga para dentro e para cima, costumam ser mais adequados, mas quem suspeitar de diástase deve falar com um fisioterapeuta antes de intensificar.
Gases, inchaço e postura
Intolerâncias alimentares, obstipação, stress e sono insuficiente podem fazer o abdómen inchar, mesmo em pessoas magras. Além disso, ombros arredondados e uma pélvis inclinada empurram mecanicamente a barriga para a frente.
O trabalho de core melhora a postura ao equilibrar os músculos em torno da coluna e da pélvis. Só isso pode mudar a forma como a sua zona média se vê na roupa, mesmo que a balança não mexa.
Como estes exercícios encaixam numa semana realista após os 45
Imagine um típico adulto de 52 anos, ligeiramente sobrecarregado: trabalho de secretária, caminhadas ocasionais, alguma rigidez lombar e uma barriga que não “colabora”. Em vez de um regime radical, compromete-se com este padrão:
- Três sessões curtas de core com os exercícios acima.
- Duas caminhadas rápidas de 25 minutos.
- Uma pequena mudança nas refeições da noite para reduzir petiscos pesados e tardios.
Ao fim de duas semanas, pode notar que estar de pé é mais fácil e que a zona lombar dói menos. Ao fim de quatro a seis semanas, a roupa assenta de forma diferente na cintura, mesmo que o peso corporal tenha mudado pouco. O aspeto de “balão” suaviza porque os músculos por baixo aprenderam a suportar a sua parte do trabalho.
A verdadeira mudança acontece quando o treino de core deixa de ser um castigo por ter barriga e passa a ser manutenção para um corpo que usa todos os dias.
Dicas extra para tirar mais proveito de cada repetição
Dois detalhes separam muitas vezes quem vê resultados de quem desiste:
- Respiração: Expire suavemente pela boca durante o esforço, como se estivesse a embaciar um espelho, e sinta as costelas inferiores a fecharem. Inspire de forma silenciosa pelo nariz.
- Ativação (“bracing”): Imagine que se está a preparar para tossir ou rir - não é “sugar” a barriga, mas criar uma tensão firme, a 360 graus, à volta da cintura.
Este estilo de respiração e ativação transforma cada exercício de core num treino de tronco completo, desde o pavimento pélvico até aos músculos profundos das costas. Também torna ações do dia a dia - levantar uma mala, erguer-se de uma cadeira, até espirrar - muito menos propensas a desencadear dor ou aquela sensação desconfortável de “derramar” na linha da cintura.
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