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Especialistas em AVAC explicam que fechar as grelhas de ventilação em divisões sem uso pode aumentar a conta de aquecimento.

Mão ajusta ventilação, termómetro digital marca 22,5°C. Papéis com gráficos no chão em sala iluminada pelo sol.

Passa por uma divisão pouco usada, vê a grelha fechada e pensa: “menos ar quente ali = menos gasto”. Em muitos sistemas de aquecimento por condutas (ar quente/AVAC por condutas), acontece o contrário: a fatura pode subir e o equipamento pode trabalhar pior.

Nota rápida: isto aplica-se sobretudo a sistemas com ventilador e condutas (insuflação e retorno). Se aquece com radiadores ou splits independentes, a lógica e os riscos são diferentes.

Porque é que fechar grelhas parece inteligente - e falha em silêncio

Fechar grelhas “parece” eficiente porque corta o aquecimento numa divisão. O problema é que o sistema foi dimensionado para um caudal de ar e um certo equilíbrio entre insuflação (grelhas que sopram) e retorno (grelhas que “puxam” ar).

Quando fecha várias grelhas:

  • A pressão nas condutas sobe (pressão estática). O ventilador tem de fazer mais força para empurrar o ar.
  • Aumentam fugas em juntas e condutas (muito comum em casas com condutas antigas, mal seladas ou em zonas frias como sótãos/garagens). O ar aquecido pode acabar onde não interessa.
  • Pioram os ciclos do equipamento: pode aquecer de forma menos estável (liga/desliga mais) e perder eficiência.
  • O conforto fica mais desigual: divisões restantes podem sobreaquecer enquanto outras ficam frias, levando a subir o termóstato “para compensar”.

Um erro frequente é fechar grelhas numa divisão e manter a porta fechada: sem caminho de retorno (ou folga suficiente por baixo da porta), o ar não circula bem, a divisão fica “pressurizada” e o sistema desequilibra ainda mais.

O que os profissionais de AVAC recomendam em vez disso

Em vez de “cortar” divisões à força, a abordagem costuma ser equilibrar e reduzir perdas.

Ajuste das grelhas (sem estrangular o sistema):

  • Mantenha a maioria das grelhas abertas e, se precisar, feche só parcialmente algumas nas zonas mais quentes (por exemplo, 1/4 a 1/3 do curso), para empurrar mais ar para as zonas frias.
  • Evite fechar grelhas de retorno. Bloquear o retorno costuma causar mais problemas do que mexer na insuflação.
  • Confirme o básico: filtro limpo e grelhas sem móveis/tapetes à frente. Um filtro carregado reduz o caudal e aumenta ruído/consumo (em muitas casas, faz sentido verificar mensalmente no inverno e trocar conforme o tipo e a sujidade).

Antes de mexer muito no sistema, ataque as perdas da casa (onde o dinheiro foge primeiro):

  • Vedação de frestas em portas e janelas, caixas de estore e passagens de cabos/tubos.
  • Isolamento da cobertura/sótão, quando aplicável (em muitas casas em Portugal, é uma das melhorias com melhor relação custo/benefício).
  • Cortinas/estores à noite para reduzir perdas por vidro.

Para quem quer mesmo aquecer só parte da casa, a solução “limpa” é zonamento (comportas motorizadas e termóstatos por zona), mas é uma obra com custo e projeto: funciona melhor quando é pensado para a instalação e ajustado (balanceamento) por um técnico.

“O aquecimento não ‘desliga’ divisões; muda a forma como o ar circula em toda a casa.”

Numa visita por queixas de conforto/conta alta, muitos técnicos começam por confirmar:

  • retornos e insuflações desobstruídos,
  • filtros e manutenção em dia,
  • número de grelhas totalmente fechadas,
  • portas de divisões fechadas sem via de retorno,
  • fugas e isolamento das condutas (se passam por zonas frias).

Como aquecer menos espaço sem prejudicar o sistema

Se há uma divisão que fica mesmo meses sem uso, procure um meio-termo: não a torne um “beco sem saída” de ar.

  • Deixe a grelha maioritariamente aberta e permita alguma passagem de ar (porta encostada ou com folga suficiente).
  • Trate a divisão como “zona tampão”: não precisa de estar confortável, mas convém evitar ficar gelada. Em casas húmidas, manter uma temperatura moderada (muitas vezes ~15–16 °C) ajuda a reduzir condensação e bolor.
  • Feche estores/cortinas à noite e reduza perdas (especialmente em divisões com vidro grande).

Em vez de “guerra às divisões”, muitas poupanças vêm do horário:

  • Baixar o termóstato 1–2 °C à noite e quando está fora costuma cortar consumo sem criar grandes desequilíbrios (em muitas casas, isto dá uma redução visível, embora varie com isolamento e hábitos).
  • Prefira ajustes estáveis a oscilações bruscas. Subir muito para “recuperar” pode aumentar tempo de funcionamento e piorar o conforto.

Se quer concentrar aquecimento em áreas específicas, use regras simples:

  • Mantenha 80–90% das grelhas totalmente abertas.
  • Feche apenas parcialmente e nunca todas na mesma zona.
  • Priorize vedação/isolamento nas divisões “não usadas”.
  • Se isto é uma rotina (todos os invernos), considere zonamento ou uma revisão ao dimensionamento/estanquidade das condutas.

Quando a intuição encontra a física - e a próxima fatura

Fechar uma grelha dá sensação de controlo, mas o que manda é o que acontece nas condutas: pressão, fugas e circulação de ar. Um sistema equilibrado tende a soar “calmo”; um sistema estrangulado pode fazer mais ruído, ter variações de temperatura e trabalhar mais tempo.

Se quer testar sem adivinhar: reabra as grelhas que fechou, garanta filtros e retornos livres, e faça pequenos ajustes durante alguns dias (com o mesmo horário/temperatura). Muitas vezes, a casa fica mais estável - e a conta deixa de penalizar um “truque” que parecia óbvio.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Fechar as grelhas cria pressão Menos saídas de ar = mais pressão nas condutas e mais esforço do ventilador Explica porque a conta pode subir mesmo “aquecendo menos”
O sistema precisa de ar a circular Equipamentos e condutas são dimensionados para um certo caudal; desequilíbrios pioram eficiência e conforto Ajuda a evitar ruído, ciclos irregulares e desgaste
Existem alternativas mais eficazes Ajustes parciais, vedação, isolamento e zonamento tendem a dar melhor retorno Poupar sem sacrificar conforto nem “forçar” o sistema

FAQ:

  • Fechar as grelhas em divisões não usadas aumenta mesmo a minha fatura de aquecimento? Pode aumentar, sobretudo em sistemas por condutas. Ao fechar grelhas, sobe a pressão, podem aumentar fugas e o ventilador trabalha mais, o que muitas vezes reduz a eficiência global.
  • Alguma vez é aceitável fechar parcialmente uma grelha? Sim, pequenos ajustes costumam ser aceitáveis. Uma regra prática comum é manter 80–90% das grelhas abertas e fechar só parcialmente algumas para equilibrar a casa.
  • Qual é uma melhor forma de poupar nos custos de aquecimento? Ajustar o horário (reduções de 1–2 °C), manter filtros e retornos livres, e vedar correntes de ar (janelas, portas e caixas de estore). Melhorar isolamento da cobertura também costuma ter grande impacto.
  • Fechar grelhas pode danificar a caldeira/forno ou a bomba de calor? Pode aumentar desgaste: mais pressão e menos caudal podem forçar o ventilador e agravar problemas de condutas. Em alguns sistemas, caudal insuficiente também pode levar a funcionamento fora do ideal.
  • Devo investir num sistema de zonamento? Se aquece repetidamente só uma parte da casa, pode valer a pena - mas exige projeto e afinação profissional, e normalmente implica um investimento inicial relevante.

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