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Especialistas em automóveis revelam a regra de pressão dos pneus de inverno que muitos condutores esquecem.

Carro desportivo prateado exibido em showroom, com design elegante e faróis LED acesos.

Na luz fria da manhã, condutores dão uns toques nos pneus num parque de estacionamento de supermercado, café na mão, na esperança de que tudo corra bem até ao trabalho. As escovas do limpa-para-brisas são novas, o anticongelante está posto. Os pneus de inverno estão montados. Respira-se um pouco.

Só que há um detalhe invisível que escapa a quase toda a gente: a pressão. Não a do escritório - a do ar dentro dos pneus. Um número em bar ou em PSI, escrito em letra pequena na etiqueta da porta, que se lê uma vez e se esquece logo. Os especialistas, esses, sabem que esse número muda assim que a temperatura desce.

E essa mudança segue uma regra que a maioria dos condutores ainda ignora.

A regra da pressão dos pneus no inverno que os especialistas não se cansam de repetir

No papel, os seus pneus de inverno estão prontos para a neve, a lama, o gelo. Na realidade, a eficácia deles pode depender de alguns gramas de ar a mais ou a menos. Os especialistas têm um mantra simples: o frio esvazia os pneus, mesmo que não mexa no carro. O ar contrai, a pressão desce, e os pneus ficam “moles” sem que se veja nada.

Os peritos em pneus repetem a mesma regra, quase já cansados: no inverno, conte com cerca de menos 1 PSI de pressão por cada descida de 10°F (cerca de 5–6 °C). O seu carro dorme na rua? Uma noite que passe de 10 °C para -5 °C basta para a pressão cair vários PSI. Acorda com pneus “visualmente” normais… mas, na prática, demasiado baixos para agarrarem bem numa estrada molhada ou com gelo.

Todos já passámos por aquele momento em que a luz laranja da pressão acende mesmo antes de entrar na autoestrada. Nem sempre é um furo. Muitas vezes é só o inverno a fazer das suas.

As oficinas que veem carros a entrar em fila dizem-no: assim que as temperaturas caem a pique, as avarias “fantasma” multiplicam-se. Uma oficina de Montreal contou ter recebido mais de 40 carros numa única manhã de dezembro, todos com o mesmo problema: luz de pressão acesa, condutor preocupado, mas sem furo. Apenas pneus com pressão baixa por causa do frio.

Uma grande cadeia de centros auto na Alemanha apurou que quase 70% dos clientes que apareciam para uma revisão de inverno circulavam com pneus abaixo da pressão recomendada. Não um pouco: por vezes menos 0,3 a 0,5 bar (4 a 7 PSI). Numa estrada gelada, essa margem faz toda a diferença entre um carro que mantém a trajetória e um carro que alarga de repente numa curva.

E, no meio disto tudo, repete-se o mesmo erro: os condutores acham que a pressão indicada na lateral do pneu é a referência certa, quando aquilo é apenas a pressão máxima suportada - não a pressão a usar.

Os engenheiros de pneus explicam a lógica com calma, quase de forma pedagógica. A pressão recomendada não é um número ao acaso. É calculada em função do peso do veículo, da distribuição de massas, do tamanho do pneu e do tipo de condução previsto. Quando o frio faz a pressão cair, o pneu deforma-se, a banda de rolamento toca no asfalto sob um ângulo diferente, e as lamelas dos pneus de inverno trabalham pior.

Um pneu com pouca pressão aumenta a distância de travagem, sobretudo em piso frio e molhado. Também aumenta o consumo de combustível, porque o carro tem de “arrastar” pneus que colam demasiado à estrada. Pelo contrário, um pneu com pressão a mais reduz a área de contacto e pode tornar o carro mais nervoso na neve. A regra dos especialistas é esse equilíbrio frágil: não deixar o frio esvaziar os pneus… sem os transformar em bolas duras.

É por isso que esta história de 1 PSI por 10°F não é um pormenor técnico: é um atalho prático para ajustar a pressão à vida real - a dos trajetos matinais no escuro e no gelo.

Como aplicar a regra da pressão em “tempo frio” na vida real

Os profissionais aconselham um método simples que qualquer pessoa pode seguir sem ser mecânico. Primeiro: parta sempre da pressão recomendada pelo fabricante, não do que está escrito no pneu. Essa informação está num autocolante no batente/estrutura da porta do condutor, na tampa do combustível ou no manual.

Depois, use a regra de ouro do inverno: se a temperatura exterior cair cerca de 10°C em relação ao período em que fez o último acerto, verifique a pressão. Quando os invernos são mesmo duros, alguns especialistas sugerem subir até 0,1 a 0,2 bar (1,5 a 3 PSI) acima do valor de verão, desde que fique dentro dos limites do fabricante. Isto compensa a contração do ar e mantém o pneu na sua zona de desempenho.

Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. Mas apontar para um controlo a cada 2 a 3 semanas durante os meses mais frios já muda muita coisa.

A armadilha número um, que os especialistas veem constantemente: encher os pneus “a quente” depois de já ter conduzido alguns quilómetros. A pressão já subiu, falseada pelo aquecimento da rodagem. Acha que está no valor certo, vai à sua vida, e na manhã seguinte, a -7 °C, os pneus continuam demasiado baixos. A boa prática é medir a pressão a frio, depois de o carro ter passado a noite parado, ou pelo menos após três horas sem conduzir.

Outro erro frequente: confiar apenas na luz de aviso no painel. Os sistemas TPMS muitas vezes disparam o alerta quando a pressão já está perigosamente baixa. Entre o valor ideal e o momento em que a luz acende, por vezes já perdeu 15 a 20% de pressão. Um manómetro manual, mesmo básico, continua a ser a ferramenta preferida dos profissionais.

E depois há o fator humano: no inverno, temos frio, estamos com pressa, dizemos “faço isto da próxima vez”. O problema é que a “próxima vez” pode chegar depois de uma travagem de emergência numa estrada branqueada pela geada.

“Um pneu de inverno mal calibrado é como um bom casaco mal fechado: em teoria protege, mas no momento crítico deixa entrar o frio”, resume um preparador de veículos para zonas alpinas. “As pessoas gastam centenas de euros em pneus de neve e depois andam com menos 0,4 bar o inverno inteiro. É desperdiçar metade da eficácia.”

Os especialistas costumam resumir os conselhos em alguns gestos simples, fáceis de memorizar no caos do dia a dia:

  • Verificar a pressão a frio pelo menos duas vezes por mês no inverno.
  • Acrescentar 0,1 a 0,2 bar (1,5 a 3 PSI) se as temperaturas se mantiverem bem abaixo de zero, dentro do limite do fabricante.
  • Nunca confiar no olhar: um pneu pode estar com menos 20% de pressão sem que isso se note.
  • Ajustar a pressão se o carro for carregado (férias de ski, mala cheia, suporte de skis no tejadilho).
  • Voltar à pressão “normal” quando as temperaturas subirem na primavera.

O que os especialistas gostavam que todos os condutores de inverno lembrassem

No fundo, esta regra da pressão no inverno diz algo simples: o seu carro não vive num laboratório - vive cá fora. Às vezes dorme debaixo de neve, engole buracos congelados, sai para o trabalho quando ainda nem amanheceu. E os pneus são o único ponto de contacto entre essa realidade fria e a tecnologia sofisticada de um veículo moderno.

Os profissionais da estrada dizem-no sem dramatizar: um manómetro de 10 euros e cinco minutos num parque de estacionamento podem evitar metros a mais na travagem. Em piso molhado, ninguém quer esses metros. A pressão não tem nada de espetacular; não parece uma compra “segura” como um jogo novo de pneus. É um gesto pequeno, discreto, quase banal. E, no entanto, muda tudo.

Da próxima vez que vir a geada agarrada ao para-brisas de manhã cedo, lembre-se deste número: menos 1 PSI por cada 10°F. Lembre-se desta regra que circula entre engenheiros de pneus, instrutores de condução na neve e mecânicos de bairro. Não aparece nas manchetes da publicidade, não é vistosa. Mas decide-se ali, na sombra do pneu, com poucos graus de diferença.

Partilhamos muitas vezes fotos de estradas nevadas, de passes de montanha impressionantes, de carros cobertos de gelo. Falamos menos dessas coisas invisíveis que fazem com que a viagem corra bem - sem história, sem sustos. A pressão dos pneus no inverno é um desses detalhes que não dá para selfie, mas que constrói aquele tipo de rotina tranquila que só se nota quando se parte.

Hoje à noite, no parque da residência ou em casa, alguns vão sair com um manómetro e baixar-se junto às rodas no frio. Outros vão deixar para amanhã. Talvez seja neste inverno - aquele em que a regra do “1 PSI por 10°F” começa finalmente a circular a sério - que alguns hábitos mudem devagar. E que dê vontade de perguntar em voz alta: “Tu sabes qual é, de verdade, a pressão dos teus pneus em pleno mês de janeiro?”

Ponto-chave Detalhes Porque é importante para os leitores
O frio reduz a pressão dos pneus Conte com uma perda de cerca de 1 PSI por cada descida de 10°F (5–6 °C), à medida que o ar dentro do pneu contrai durante a noite. Explica porque é que a luz de aviso aparece “sem razão” em manhãs frias e porque é que a condução pode de repente parecer mais pesada ou imprecisa.
Use a pressão do fabricante, não a do pneu Siga o autocolante no batente da porta, na tampa do combustível ou o manual, e não o número na lateral do pneu, que é apenas um valor máximo. Ajuda a evitar pressão demasiado alta ou demasiado baixa e mantém o piso a trabalhar como foi desenhado em estrada molhada, com lama/neve derretida ou gelo.
Verifique “a frio” e um pouco mais frequentemente no inverno Meça depois de o carro estar parado pelo menos três horas e procure fazer um controlo a cada 2–3 semanas nos meses mais frios. Transforma uma dica vaga de segurança numa rotina realista que reduz mesmo a distância de travagem e pode poupar combustível ao longo da estação.

FAQ

  • Quanto devo aumentar a pressão dos pneus no inverno? A maioria dos especialistas sugere começar pela pressão recomendada pelo fabricante e acrescentar cerca de 0,1–0,2 bar (1,5–3 PSI) em condições consistentemente frias, desde que fique dentro dos limites indicados no manual.
  • É perigoso conduzir com a pressão ligeiramente baixa quando está frio? Sim. Mesmo uma pressão “ligeiramente” baixa pode aumentar a distância de travagem, piorar a aderência em piso molhado ou com gelo e aumentar o consumo de combustível, sobretudo em deslocações longas em autoestrada.
  • Os pneus de inverno precisam de uma pressão diferente dos pneus de verão? Normalmente seguem a mesma pressão recomendada pelo fabricante, mas a regra no inverno é verificá-los mais vezes e ajustar quando há grandes quebras de temperatura.
  • Posso confiar apenas na luz de aviso da pressão dos pneus? Não muito; o TPMS costuma acender quando já está significativamente abaixo do ideal, por isso um manómetro simples continua a ser muito útil.
  • Qual é a melhor altura do dia para verificar a pressão dos pneus no inverno? De manhã cedo, antes de conduzir, é o ideal, porque o carro e o ar dentro dos pneus estão à mesma temperatura fria e a leitura é mais fiel.

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