A ideia parece demasiado simples para ser verdade: bicarbonato de sódio (o mesmo da cozinha) misturado com água e aplicado na zona das rugas finas e das olheiras. Não é um “lifting” - é, quando muito, um efeito discreto de superfície que algumas pessoas notam em fotos e maquilhagem.
O entusiasmo cresceu nas redes sociais porque é barato, fácil de testar e, em certos casos, dá um ar ligeiramente mais luminoso. O problema é que a pele à volta dos olhos é fina e reativa: o que “funciona” num pode irritar outro.
Bicarbonato de sódio: da prateleira da cozinha ao burburinho anti-rugas
O bicarbonato de sódio entrou na conversa anti-idade por um motivo simples: muita gente procura alternativas acessíveis aos cremes e gadgets. Nas redes, aparecem “antes e depois” com menos aspereza, menos sombra aparente e uma textura mais uniforme.
O que pode explicar isso, quando resulta:
- Efeito esfoliante muito leve: ajuda a soltar células mortas à superfície, o que pode suavizar a aparência de linhas finas (especialmente as de desidratação).
- Efeito ótico: uma superfície mais lisa reflete melhor a luz, e as olheiras podem parecer menos marcadas mesmo sem mudar a causa real.
- Rotina mais consistente: às vezes a melhoria vem do conjunto (limpeza + hidratação + atenção ao cuidado) e não do bicarbonato em si.
Há, porém, um ponto essencial que raramente aparece nos vídeos: a pele tem um pH naturalmente ácido (aprox. 4,5–5,5) e o bicarbonato é alcalino. Em muitas pessoas, isso pode desequilibrar a barreira cutânea, causando secura, ardor e sensibilidade - sobretudo na zona periocular.
Como usar (com cuidado) bicarbonato de sódio nas rugas e olheiras
Se decidir experimentar, a regra é pouco, diluído e rápido. O objetivo não é “esfoliar a sério”, nem sentir a pele a repuxar.
Modo de uso mais prudente (uso ocasional):
- Misture 1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio com 1 colher de sopa (15 ml) de água fria (ou chá de camomila bem diluído e frio) até ficar uma solução/pasta muito líquida.
- Humedeça um disco de algodão, retire o excesso e encoste suavemente na zona abaixo do osso orbital (evite a linha das pestanas e nunca aproxime do olho).
- 1 minuto é um bom teto para começar (máximo 2 minutos). Não esfregue e não use como “scrub”.
- Enxague muito bem com água morna e seque sem fricção.
- Aplique um hidratante simples, sem perfume. De dia, finalize com protetor solar (a irritação e a esfoliação podem aumentar a sensibilidade).
Frequência realista: comece por 1 vez por semana. Se não houver ardor, descamação ou vermelhidão nas 24–48 h seguintes, algumas pessoas toleram 2 vezes por semana. Mais do que isso aumenta muito o risco de sensibilização.
Erros comuns que causam problemas:
- Usar pó seco diretamente na pele.
- Deixar atuar 10–15 minutos.
- Repetir todos os dias (especialmente na zona dos olhos).
- Esfregar para “potenciar” o efeito (pode criar microirritação).
Faça patch test: experimente primeiro numa zona discreta (ex.: atrás da orelha) e aguarde 24 h. Se arder, coçar, descamar ou ficar vermelho, não use no rosto.
Evite totalmente se tiver pele muito sensível, rosácea, eczema, dermatite, pele gretada/irritada, pós-peeling/laser, ou se usa retinoides/ácidos com frequência (a combinação pode somar irritação). Se usa tratamentos dermatológicos, vale confirmar com um profissional.
- Use uma solução muito diluída; nunca pó seco diretamente na pele.
- Limite o uso a uma ou duas vezes por semana, não diariamente.
- Hidrate sempre depois com um creme suave, sem fragrância.
- Pare imediatamente se sentir ardor, repuxamento forte ou notar vermelhidão.
- Fale com um profissional se tiver pele sensível, reativa ou condições cutâneas médicas.
O que este pequeno pó branco realmente muda
Quando corre bem, o bicarbonato tende a dar um “polimento” superficial: textura ligeiramente mais uniforme, pele com aspeto mais fresco e maquilhagem a assentar melhor (menos corretor a acumular em linhas finas). Isto pode ser útil para:
- Linhas finas por desidratação (muitas vezes melhoram mais com hidratação do que com ativos “anti-idade”).
- Olheira por sombra/textura (não tanto por pigmento profundo).
O que normalmente não muda:
- Olheiras genéticas, pigmentação marcada, vasinhos visíveis, ou “buraco”/sulco profundo.
- Rugas profundas e danos solares acumulados.
Trade-off importante: mesmo quando dá um bom resultado imediato, o bicarbonato pode descompensar a barreira com o tempo se for usado em excesso - e uma barreira fragilizada costuma piorar a aparência (mais secura, mais linhas visíveis, mais sensibilidade).
Se a prioridade é envelhecer bem, o básico continua a vencer: protetor solar diário, hidratação consistente, sono e gestão de irritação (menos “experiências” agressivas, mais regularidade).
| Ponto-chave | Detalhe | Interesse para o leitor |
|---|---|---|
| Efeito de superfície | Pode alisar ligeiramente a textura ao remover células mortas | Linhas finas e sombras podem parecer menos marcadas |
| Custo e acesso | Produto barato e fácil de encontrar em Portugal | Permite testar sem investir em produtos caros |
| Risco real de irritação | pH alcalino pode fragilizar a barreira, sobretudo à volta dos olhos | Resultados dependem de diluição, tempo curto e pouca frequência |
FAQ
- É seguro usar bicarbonato de sódio à volta dos olhos? Só com muita diluição, pouco tempo e mantendo distância do olho (nunca na linha das pestanas). A zona é sensível e irrita com facilidade; faça patch test antes.
- Com que frequência posso usar bicarbonato de sódio para rugas ou olheiras? Em geral, no máximo 1–2 vezes por semana. Se houver ardor, secura ou vermelhidão, pare.
- O bicarbonato de sódio elimina mesmo as minhas olheiras? Pode melhorar a aparência quando a olheira é sobretudo sombra e textura, mas não altera genética, estrutura óssea ou pigmentação profunda.
- Posso substituir o meu creme de olhos por bicarbonato de sódio? Não. O bicarbonato é, quando muito, um esfoliante ocasional; um creme de olhos serve para hidratar e proteger diariamente.
- Que tipos de pele devem evitar bicarbonato de sódio no rosto? Pele sensível/reativa, rosácea, eczema, dermatite, pele irritada ou a usar retinoides/ácidos com frequência - em muitos casos é melhor evitar e falar com um dermatologista.
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