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Especialistas alertam: há uma planta de jardim que nunca deve cultivar, pois atrai cobras e pode rapidamente encher o seu jardim delas.

Pessoa em luvas jardinando, plantando mudas em canteiro ao lado de tesoura de poda e saco.

Não é que a hera “cheire bem” para as cobras. O problema é mais simples: cria abrigo contínuo e fresco ao nível do solo. Quando um jardim ganha um tapete denso e sempre-verde, fica mais fácil para roedores, rãs e lagartixas circularem… e para as cobras ficarem por perto sem serem vistas.

Em Portugal, isto pesa sobretudo em jardins junto a campos, linhas de água, muros de pedra, anexos e pilhas de lenha - locais onde já há fauna e basta melhorar o “hotel” para ela se instalar.

Conheça a culpada: hera-inglesa (Hedera helix)

A hera-inglesa não “chama” cobras pelo aroma. O que ela faz muito bem é fabricar habitat:

  • Forma uma manta húmida e sombreada que esconde movimento e mantém temperaturas mais estáveis.
  • Cria “corredores” contínuos (solo–vedação–anexo), perfeitos para deslocação sem exposição.
  • Protege e concentra presas (ratos, ratazanas pequenas, rãs e outros anfíbios), aumentando a probabilidade de predadores aparecerem.

Também há um efeito prático: com hera no chão, você vê menos o que se passa. Muitas vezes as cobras já estão na área; a hera apenas reduz o risco “para elas” (exposição) e aumenta o risco “para si” (surpresas ao abrir uma torneira, mexer num vaso, apanhar brinquedos).

Nota útil: além do tema cobras, a hera pode entrar em frestas, trepar para caleiras e reter humidade em muros/vedações. Em paredes antigas, isso pode dar trabalho extra de manutenção.

O que plantar e fazer em alternativa

A ideia não é “esterilizar” o jardim. É cortar o abrigo contínuo e reduzir zonas cegas.

1) Quebre o tapete (continuidade). Em vez de arrancar tudo de uma vez, crie cortes e “ilhas” para impedir túneis verdes. Uma faixa mineral (gravilha/brita) de 30–45 cm ao longo de vedações, anexos e fundações costuma reduzir muito os percursos escondidos.

2) Troque tapete por plantas em touceira (com ar por baixo). Em Portugal, opções que dão verde/textura sem fechar o solo como a hera: - ciperáceas em touceira (ex.: Carex), festucas e outras gramíneas ornamentais - tomilho-rasteiro (ao sol), sálvias, santolina, alfazema anã, neveda (catmint) - alecrim (formas compactas) em zonas mais secas

3) Controle o “buffet” das presas. Cobras seguem comida. Pequenos ajustes ajudam: - comedouros de aves longe de coberturas densas (sementes no chão = ratos) - compostor fechado/contido e sem restos expostos - recolher fruta caída e ração de animais

4) Evite humidade permanente escondida. Fugas em mangueiras e rega gota-a-gota mal arrumada mantêm o subcoberto húmido - ótimo para anfíbios e insetos, que atraem mais vida.

5) Mulch: use com critério. Camadas muito grossas e compactadas viram abrigo. Regra prática: mulch orgânico geralmente funciona melhor em camada fina (≈ 3–5 cm) e bem arejada; em zonas “sensíveis”, prefira mulch mineral (gravilha).

“As coberturas densas do solo não criam cobras; criam o palco perfeito para elas.”

Aqui vai uma lista rápida (e realista) para manter um jardim verde com menos surpresas:

  • Troque a hera-inglesa por touceiras (ex.: Carex), festuca-azul e tomilho-rasteiro em zonas soalheiras.
  • Mantenha 30–45 cm ao longo de vedações/anexos/fundações sem cobertura densa (gravilha funciona bem).
  • Guarde lenha, tijolos e vasos elevados do chão; evite pilhas “temporárias” encostadas a muros.
  • Repare fugas e reduza zonas de humidade constante sob folhagem.
  • Se mantiver hera, mantenha-a fora do solo (treliça/parede com base limpa) e pode para não criar túneis contínuos.

Uma história diferente para o jardim

Um bom jardim não é só bonito: é fácil de “ler” ao fim do dia, com crianças, cães ou simplesmente descalço na relva. Em Portugal, a maioria das cobras é discreta e muitas são úteis no controlo de pragas - mas ninguém quer encontros inesperados em zonas cegas.

Pense no desenho como “visibilidade + ar + bordas limpas”: menos manta fechada, mais plantas em touceira, e caminhos/limites claros. Isso mantém o aspeto exuberante e reduz muito a probabilidade de um animal escolher o seu quintal como rota principal.

Resumo rápido (para decidir sem complicar): - A evitar: hera-inglesa no chão, em grandes áreas contínuas. - Porque aumenta o risco: abrigo fresco + corredores escondidos + mais presas. - O que resulta melhor: faixas de gravilha, plantas em touceira, menos pilhas e menos comida/abrigo para roedores.

FAQ:

  • A hera-inglesa atrai mesmo cobras, ou isso é um mito?
    Em geral, não atrai “pela planta” - atrai pelas condições: cobertura densa, humidade, sombras e presas. Isso aumenta a probabilidade de cobras passarem e, sobretudo, de não serem vistas.

  • Todas as cobras na hera são perigosas?
    Não. Muitas espécies em Portugal são não venenosas e evitam contacto. Ainda assim, existem víboras em algumas zonas, e o risco maior é a surpresa (mão no sítio errado, cão a farejar). Trate qualquer cobra como potencialmente perigosa: distância e calma.

  • E se eu adoro o aspeto da hera?
    Use-a como elemento vertical, não como tapete: treliça/parede, com a base limpa e uma faixa mineral em baixo. Evite que ligue “pontos” (muro–lenha–anexo) como se fosse um corredor.

  • Que plantas dão uma sensação semelhante sem a cobertura amiga de cobras?
    Touceiras e aromáticas baixas: Carex, festucas, alfazema anã, tomilho, sálvias, santolina. Dão textura e verde, mas deixam luz e ar ao nível do solo.

  • É legal remover ou realojar cobras se as encontrar?
    Muitas espécies são protegidas e o manuseamento pode ser ilegal e perigoso. O mais seguro é não mexer, dar espaço para a cobra sair e, se houver risco (casa, escola, animais), pedir orientação às autoridades/serviços competentes (por exemplo, SEPNA/GNR ou entidades locais). Em caso de mordedura, contacte o 112.

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