O novo estado de espírito parece mais cortante, mais arrumado, mais composto.
Nas passerelles de janeiro de 2026, há uma peça que resume essa viragem: as chamadas calças Gstaad. Justas, alfaiatadas e ligeiramente aristocráticas, captam a energia de uma estância suíça de ski e misturam-na com um polimento retro à la Wes Anderson. O resultado fica a meio caminho entre o guarda-roupa de chalet e o uniforme de cidade - e muda a forma como pensamos em calças “arranjadas”.
O fim da era larga, por agora
As jeans de perna larga e as cargos descaídas não vão desaparecer de um dia para o outro, mas o seu domínio tem agora um rival real. À medida que as coleções de 2026 chegam às lojas, marcas do luxo ao grande consumo empurram uma perna mais estreita e esculpida. As calças Gstaad estão no centro dessa história.
As calças Gstaad funcionam como uma âncora discreta: afiam a linha do corpo e dão a cada conjunto um ponto focal.
Durante os anos do oversized, os looks apoiavam-se muitas vezes no volume e no cair do tecido. As proporções desfocavam-se e a silhueta, por vezes, desaparecia sob camadas de pano. Com calças ao estilo Gstaad, o olhar percorre uma linha vertical limpa da anca ao tornozelo. As pernas parecem mais longas, os casacos ficam mais nítidos e a malha passa a parecer intencional em vez de preguiçosa.
A cor tem um papel enorme. Em muitos lookbooks de 2026, é o tom das calças que define o ambiente e tudo o resto se alinha a seguir. Uma perna em azul petróleo profundo dita a malha, o cinto, até a armação dos óculos de sol. As calças não são fundo; tornam-se a moldura de toda a imagem.
O que define umas calças Gstaad?
O corte é esguio, mas não apertado como leggings. Os designers descrevem-no como “alfaiataria de ski”: junto ao corpo, ligeiramente estruturado, ainda confortável para mexer. A cintura fica a meia-altura ou alta, o tornozelo é estreito o suficiente para entrar em botas sem formar pregas.
| Característica | Calças Gstaad |
|---|---|
| Corte | Esguio, depurado, nunca tipo segunda pele |
| Cintura | Média ou subida para alongar a perna |
| Tecido | Misturas firmes com elasticidade, muitas vezes lã ou algodão pesado |
| Comprimento | A roçar o tornozelo ou perfeito para botas |
| Acabamento | Mate, não brilhante, para um ar polido |
As marcas apostam em materiais com estrutura: lã com um toque de elastano, jersey de malha dupla, sarja de algodão compacta. O objetivo é uma perna que mantenha a linha ao longo de um dia inteiro de deslocações, horas sentado, subir escadas e estar de pé em bares sobreaquecidos.
Umas boas calças Gstaad acompanham o movimento mas recuperam a forma; comportam-se mais como alfaiataria do que como athleisure.
Como construir o look Gstaad em 2026
O código de styling à volta destas calças é surpreendentemente preciso. O conjunto lê-se um pouco preppy, um pouco alpino e discretamente luxuoso - sem ostentação.
- A base: calças justas, de cintura média ou subida, num tom sólido e saturado.
- A malha: gola alta ou camisola clássica, muitas vezes com argyle ou padrões inspirados no ski.
- A cintura: um cinto com fivela bem definida para marcar a zona média.
- Os sapatos: botins elegantes ou loafers de forma refinada.
- Os acabamentos: óculos de sol com inclinação retro e uma mala pequena, estruturada.
A fórmula pode variar. Troque o argyle por uma gola alta lisa em caxemira, ou os loafers por botins depurados com kitten heel. O look continua a ser Gstaad quando a perna se mantém estreita e os acessórios permanecem polidos.
Styling do dia a dia: do escritório ao tempo livre
A tendência pode soar elevada, mas no quotidiano há espaço para ela respirar. Em escritórios entre o casual e o corporativo, umas calças Gstaad escuras com uma camisola arrumada e um casaco comprido cumprem a maioria dos códigos de roupa, sobretudo em cidades como Londres ou Nova Iorque, onde o “smart casual” ainda baralha muita gente.
A cor ajuda a ajustar o tom:
- Preto ou azul-marinho profundo com um casaco camel para uma autoridade discreta no trabalho.
- Verde floresta com malhas creme para um almoço de inverno.
- Vermelho tijolo com uma gola alta cinzenta para estúdios criativos ou profissões ligadas à moda.
Um bom par de calças, combinado com básicos, pode aguentar uma semana de looks - basta rodar malhas, cintos e sapatos.
Ao fim de semana, as calças encaixam por baixo de um colete acolchoado, uma camisola velha e grossa e botas de caminhada de perfil esguio. A silhueta mantém-se afiada, mesmo que o cenário seja um parque com neve e não um lodge de ski.
O que procurar quando comprar
A diferença entre umas calças Gstaad favorecedoras e umas estranhas costuma estar em detalhes que as pessoas ignoram no provador.
Tecido e estrutura
A elasticidade deve sentir-se sustentada, não fraca. Jersey pesado que se comporta mais como tecido de fato funciona bem. Tecidos finos podem colar ao corpo e deslizar para território de leggings, o que quebra o efeito alfaiatado.
Subida e cós
Cortes de cintura alta alongam visualmente a perna e mantêm as partes de cima bem metidas. Um cós estável, com forro interior ou leve reforço, evita que enrole ou que marque demasiado. Em corpos mais curvilíneos, isto traz conforto e forma.
Comprimento e sapatos
A bainha deve alinhar com o seu calçado preferido:
- Comprimento ao tornozelo para loafers e sapatos de salto baixo.
- Um pouco mais compridas para botas justas, para o tecido encontrar o cano de forma limpa.
- Cropped, acima do tornozelo, se quiser mostrar um apontamento de meia.
Ao experimentar, sente-se, caminhe e suba escadas. Se o joelho faz saco ou o cós escorrega ao fim de poucos minutos, o tecido provavelmente vai perder a linha antes da hora de almoço.
A quem fica bem a silhueta Gstaad?
A fama das calças estreitas assusta muita gente, mas o corte de 2026 aponta para versatilidade, não para restrição.
- Pessoas mais baixas ganham altura visual, sobretudo quando calças e sapatos estão em tons semelhantes.
- Figuras mais altas podem brincar com contraste: pernas esguias equilibradas por malhas oversized ou casacos compridos.
- Corpos curvilíneos beneficiam de tecelagens firmes e de um cós seguro que molda sem apertar.
O equilíbrio continua a ser essencial. Uma calça justa funciona melhor com algo mais suave, amplo ou comprido em cima: pense em caxemira generosa, blazer estruturado ou casaco três quartos. O conjunto deve parecer gráfico, não apertado.
A história das cores: tons “chalet chic” para 2026
A paleta associada às calças Gstaad inclina-se para o luxo alpino. As marcas empurram cremes suaves e invernais ao lado de tons mais fundos e saturados, emprestados de pinhais e casacos de ski.
- Creme e branco-sujo trazem um ar de chalet, sobretudo com malhas a condizer.
- Terracota e verde sálvia funcionam em guarda-roupas que já misturam tons terra.
- Verde-azulado e petróleo soam refinados mas gráficos por baixo de agasalhos pretos ou cinzentos.
- Azul royal corta casacos escuros e sinaliza confiança de moda.
- Azul-marinho e preto ancoram looks de noite com esforço mínimo.
Combinar tons complementares, como azul com bege ou ferrugem com castanho chocolate, mantém o look vivo sem cair no disfarce.
As combinações monocromáticas continuam a ter impacto. Conjuntos todo em creme sussurram “estância de ski”. Versões todo em preto puxam a tendência para a noite na cidade, com uma simples troca de sapatos e joias.
Porque é que a tendência Gstaad encaixa no mood de 2026
O amor repentino por calças mais depuradas liga-se a uma mudança mais ampla na moda. Depois de anos de roupa guiada pelo conforto e hoodies de home office, muita gente volta a desejar estrutura - mas sem abdicar totalmente da facilidade. As calças Gstaad oferecem um meio-termo: o efeito mental da alfaiataria com a elasticidade dos tecidos modernos.
Há também um fio de nostalgia. Malhas argyle, óculos brilhantes e cinturas bem marcadas lembram cartazes vintage de ski e filmes retro. Levar esse visual para uma deslocação cinzenta dá uma pequena sensação de férias, mesmo que a montanha mais próxima seja uma escada rolante do metro.
Dicas práticas: criar uma mini cápsula Gstaad
Para quem quer experimentar a tendência sem um guarda-roupa novo inteiro, um plano compacto de três peças resulta bem:
- Um par de calças Gstaad num neutro profundo (azul-marinho ou castanho escuro).
- Um par colorido (petróleo, borgonha ou verde floresta).
- Duas golas altas: uma clara, uma escura, ambas suficientemente justas para meter por dentro.
Rode isto com um blazer, trench coat ou casaco de lã que já tenha, mais um único par de botas depuradas. Este conjunto pequeno cobre dias de trabalho, jantares e cafés ao fim de semana, e mostra se a silhueta combina consigo antes de investir mais.
Para quem gosta de arriscar, há espaço para puxar pela ideia: combinar calças Gstaad com camisolas vintage de ski, lenços com padrão e cintos marcantes, ou misturá-las com outerwear técnico para um híbrido “cidade-pista” mais vanguardista. Para quem prefere não arriscar, manter as calças em tons escuros e lisos com malhas simples continua a trazer a linha mais limpa de 2026 - apenas com menos atenção.
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