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Dicas estratégicas para organizar a sala, tornando-a mais espaçosa e acolhedora em ambientes partilhados.

Sala moderna com pessoas organizando uma mesa de café. Um cesto e tabuleiro com porta-copos estão em destaque.

A mesa de centro está coberta de chávenas meio vazias, de revistas velhas e de um carregador que já não funciona há seis meses.

Uma manta anda ao abandono no sofá, presa debaixo de uma mochila que não pertence a ninguém e a toda a gente ao mesmo tempo. Num canto, uma pilha de sapatos forma uma pequena montanha, como se se preparassem para escalar o móvel da TV.

Uma colega de casa procura as chaves debaixo de um monte de correio, outra tenta ligar a consola, o terceiro abre caminho até ao sofá. Ninguém sente que seja particularmente “desarrumado” e, no entanto, o espaço parece encolher semana após semana. O ar está pesado; a divisão parece mais pequena do que realmente é.

Numa noite, alguém atira: “Podíamos fazer alguma coisa desta sala, não podíamos?”. A frase fica a pairar no ar - um pouco embaraçosa, um pouco entusiasmante. E se a verdadeira questão não fosse o que guardamos, mas sim o que ainda aceitamos suportar?

Porque é que a desarrumação na sala parece mais pesada em casas partilhadas

Num apartamento só para uma pessoa, a desarrumação pode parecer um caos carinhoso. Numa sala partilhada, ganha outro peso. Cada objeto abandonado torna-se uma mensagem silenciosa: “alguém vai tratar disto”. E esse “alguém” acaba muitas vezes por ser sempre a mesma pessoa.

A sala, sobretudo em casa partilhada, é o palco onde os hábitos de toda a gente chocam. Um colega adora pilhas de livros, outro acumula cabos de tecnologia “para o caso de dar jeito”, um terceiro coleciona canecas como troféus. Nada é chocante por si só. Mas a soma destes micro-objetos cria um ruído visual permanente que cansa sem se perceber bem porquê.

O resultado é uma tensão estranha. As pessoas passam menos tempo na sala. As noites de Netflix mudam-se para os quartos. Os amigos são convidados “quando estiver arrumado” - ou seja, quase nunca. A desarrumação não ocupa apenas espaço no chão. Vai mordiscando o espaço mental comum.

Em 2023, um inquérito no Reino Unido a pessoas a arrendar casa revelou que mais de 60% sentiam que a sala partilhada era “visualmente stressante”. Não suja. Não estragada. Apenas “demasiado cheia”. É uma expressão que volta muitas vezes quando se pergunta sobre espaços partilhados. Demasiado cheia de coisas, demasiado cheia de obrigações, demasiado cheia das coisas dos outros.

Um pequeno apartamento partilhado em Lyon dá um retrato revelador. Quatro colegas de casa, 25 a 32 anos, todos com horários diferentes. A sala tinha-se tornado uma zona de transbordo: caixas de cartão “entre duas mudanças”, uma cadeira extra que ficou do ex de alguém, um candeeiro avariado “para reparar um dia” e uma impressora aleatória que ninguém sabia ligar.

Quando finalmente decidiram organizar a sala, descobriram que quase um terço das coisas ali pertencia a pessoas que já nem moravam lá. Antigos colegas, amigos de visita, família “que só deixou por uns tempos”. A desarrumação não era só desordem. Era decisões adiadas e conversas suspensas.

A desarrumação partilhada raramente é neutra. Esconde pequenos acordos não ditos e uma boa dose de evitamento. Os objetos acumulam-se onde as conversas deveriam acontecer. “Deixo isto aqui por enquanto” pode arrastar-se durante meses porque ninguém quer ser a pessoa estraga-prazeres que diz: “Esta impressora nunca vai ser usada.”

O cérebro lê cada objeto como uma mini-tarefa pendente. Um saco no chão diz: “arruma-me”. Uma pilha de cartas por abrir diz: “devias tratar disto”. Numa sala partilhada, não vês só as tuas tarefas. Vês as de toda a gente. É por isso que entrar num espaço partilhado cheio de tralha muitas vezes parece entrar numa lista de afazeres que nem sequer é tua.

Quando se olha para isto assim, destralhar deixa de ser apenas uma questão estética. Torna-se uma forma de renegociar como vivem juntos. Uma divisão mais clara costuma significar regras mais claras, menos carga mental, menos “olha, mudei as tuas coisas” em tom passivo-agressivo. Espaço no chão é espaço na relação.

Medidas estratégicas de destralha que funcionam mesmo com colegas de casa

Começa com um mapa, não com um saco do lixo. Antes de mexer num único objeto, fica no meio da sala com os teus colegas de casa e respondam em voz alta a uma pergunta: “Para que é que esta sala serve, afinal?” Noites de filmes? Trabalho remoto? Tapete de yoga de manhã? Jantares com amigos?

Quando isto fica dito, zonar torna-se mais fácil. Criam uma zona de descanso (sofá + mesa baixa), talvez um canto de trabalho (secretária ou consola), e uma faixa de arrumação (prateleiras, módulos fechados, cestos). Tudo o que não servir uma destas zonas fica oficialmente “fora do lugar”. Esta regra simples dá-vos um filtro comum e evita debates intermináveis, objeto a objeto.

Depois, escolham juntos uma primeira zona de “vitória rápida”: muitas vezes a mesa de centro ou a área à volta da TV. Limitem a sessão a 30–40 minutos. Demasiado tempo e toda a gente se esgota. Não estão a fazer uma remodelação de programa de televisão; estão a criar novos hábitos.

Na prática, o método mais eficiente em espaços partilhados é a técnica das três caixas: - uma caixa “fica na sala”, - uma “fica, mas vai para outro sítio”, - uma “sai de casa / doar / vender”.

Trabalhem zona a zona. Toquem em tudo. Cada pessoa decide pelos seus objetos; para “objetos órfãos”, façam uma votação rápida ou criem uma caixa de limbo de 30 dias.

Todos já vivemos aquele momento em que alguém desaparece para o quarto com um “arrumo mais tarde”, e o mais tarde nunca chega. Por isso, combinem uma regra simples, ligeiramente brutal: o que ficar na caixa de limbo durante 30 dias sem dono reclamado é doado ou reciclado. Responsabilidade partilhada, prazo partilhado.

O truque é não romantizar o processo. Sejamos honestos: ninguém faz isto todos os dias. É mais apetecível ver uma série do que discutir o destino de uma tigela lascada. Por isso é que precisam de sistemas que funcionem em piloto automático, e não de explosões heroicas de motivação.

Um colega tolera o caos visual; outro não consegue relaxar se houver um único cabo no chão. A fricção muitas vezes não vem de “falta de limpeza”, mas de limiares diferentes. A pessoa mais sensível acaba por ser a “arrumadora” involuntária, enquanto a outra se sente secretamente julgada. E ambas estão um pouco cansadas de repetir a mesma conversa.

Definir “regras para objetos” é menos agressivo do que falar de personalidades. Por exemplo: nada vive no chão a não ser mobiliário. A mesa de centro tem uma regra de “máximo 3 itens” (comando, vela, uma planta ou um pequeno tabuleiro). Toda a tecnologia pequena (carregadores, comandos, auscultadores) vive numa única caixa ou gaveta, não em cinco sítios diferentes.

Regras claras e neutras reduzem a carga emocional. Não estás a dizer: “Tu és desarrumado.” Estás a dizer: “Os cabos vão para esta caixa.” A diferença é enorme no dia a dia. Sobretudo quando toda a gente chega a casa cansada e só quer que a sala seja um sítio macio para aterrar - não um campo de batalha de tralha aleatória.

“No dia em que fizemos a regra de que nada fica no chão a não ser mobiliário, a nossa sala de repente passou a parecer um sítio de adultos. A mesma quantidade de coisas, só que menos decisões pequeninas para o meu cérebro tomar.”

  • Escolham uma visão partilhada: 5 minutos para concordar para que é que a sala serve este ano.
  • Definam regras para objetos, não regras morais: falem de onde as coisas vivem, não de quem é “desarrumado”.
  • Usem uma caixa de limbo de 30 dias para objetos órfãos antes de doar ou deitar fora.
  • Criem uma única “zona de arrumação poderosa”: prateleiras ou aparador com cestos para esconder o ruído visual.
  • Marquem uma “noite de reset” de 20 minutos uma vez por semana, com música, sem culpas.

Criar um espaço que se sinta partilhado, não neutro nem anónimo

Quando a tralha desaparece, aparece outro risco: o “efeito Airbnb”. Uma sala pode ficar tão minimalista que parece que ninguém vive ali. Em casa partilhada, essa sensação estéril pode ser tão desconfortável como o caos de que acabaram de fugir. O objetivo não é um showroom. É uma divisão onde toda a gente se reconhece um pouco.

Um truque útil é a regra 70/30. Cerca de 70% do que está visível deve servir uma função clara: sentar, iluminação, arrumação, talvez uma mesa dobrável. Os restantes 30% podem ser marcadores de personalidade partilhados: um poster de concerto emoldurado, uma planta grande, uma pilha de livros bem escolhidos, uma tira de fotografias no frigorífico. A palavra-chave é partilhado. Não cada pessoa a reclamar um canto como território, mas uma mistura curada que conta a vossa história em conjunto.

Criar essa mistura obriga a conversas boas. Que objetos merecem estar “em palco”? Que memórias estão a construir agora, e não há cinco casas atrás? Às vezes, dizer adeus a um cadeirão herdado e volumoso abre espaço para um tapete onde toda a gente acaba sentada de pernas cruzadas ao domingo de manhã. E isso muda a sensação de lar mais do que qualquer truque de arrumação.

Ponto-chave Detalhes Porque é importante para os leitores
Definir zonas antes de destralhar Decidam juntos que áreas são para relaxar, trabalhar, comer e arrumar, e depois removam itens que não encaixem nessas funções. Dá um enquadramento claro e partilhado, para deixarem de discutir objetos individuais e passarem a organizar à volta de como vivem realmente.
Criar uma única estação “tecnologia e cabos” Usem uma caixa ou gaveta perto da TV para comandos, controlos, carregadores, auscultadores e pilhas extra, com etiquetas no interior. Reduz o ruído visual e a caça diária a carregadores ou comandos - uma das fontes mais comuns de irritação de baixo nível em espaços partilhados.
Usar arrumação fechada para itens “feios mas úteis” Guardem jogos de tabuleiro, ferramentas, produtos de limpeza, extensões elétricas e peças sobresselentes em cestos opacos ou atrás de portas. Mantém a sala calma e espaçosa sem obrigar ninguém a desfazer-se de coisas que realmente usa.

FAQ

  • Como é que destralhamos se o meu colega de casa odeia deitar coisas fora? Comecem por separar, não por deitar fora. Proponham categorias: “uso semanal”, “uso mensal”, “não uso há um ano”. Sugiram um teste de 30 dias: os itens na caixa do “talvez” vão para um armário ou zona de arrumação. Se ninguém sentir falta deles ao fim de um mês, falem com calma sobre doar ou vender. Focar-se no que querem manter e aproveitar juntos soa menos ameaçador do que insistir no que deve ir embora.
  • E se toda a gente voltar a deixar as coisas na sala outra vez? Em vez de culpar, criem uma ou duas “zonas de largar”: um cesto perto da porta para chaves, carteira, auscultadores; e um tabuleiro ou prateleira perto do sofá para livros e cadernos. Quando as coisas saírem desses pontos, façam um reset coletivo de 10–15 minutos uma vez por semana, idealmente na mesma noite. O hábito importa mais do que a perfeição total.
  • Como podemos fazer uma sala pequena partilhada parecer maior sem obras? Retirem pelo menos uma peça de mobiliário pouco usada - muitas vezes uma cadeira extra ou uma mesa de apoio. Libertem espaço no chão nas zonas de passagem, sobretudo entre a porta, o sofá e a cozinha. Usem um tapete maior em vez de vários pequenos, para unificar visualmente a divisão. Coloquem um candeeiro alto de pé ou uma planta grande num canto para puxar o olhar para cima e criar a ilusão de altura.
  • É realista manter uma sala minimalista com três ou quatro colegas de casa? Ultra-minimalista, talvez não. Calma e “respirável”, sim. Apontem para um “vivido mas editado” em vez de perfeição de revista. Isso significa superfícies livres com alguns itens intencionais, arrumação dedicada para a desarrumação do dia a dia e rotinas que encaixem na vida real: resets rápidos, regras partilhadas sobre sapatos, correio e entregas, e limpezas maiores ocasionais quando alguém entra ou sai.

Uma sala destralhada numa casa partilhada não grita “olhem como somos arrumados”. Sente-se discretamente generosa. Podes pousar a mochila, tirar os sapatos e ver de facto onde te sentar, sem negociar com três pilhas de coisas. A sala deixa de ser um corredor entre quartos e passa a ser um lugar onde o tempo abranda um pouco.

A parte mais surpreendente é, muitas vezes, o que vem ao de cima quando a tralha desaparece. As conversas duram mais. As noites de jogos voltam. As pessoas sugerem, espontaneamente, convidar amigos - sem o pânico de 45 minutos a arrumar à pressa. Há mais contacto visual, menos scroll em isolamento. O espaço na mesa, de alguma forma, abre espaço na cabeça.

Destralhar uma sala partilhada raramente é só sobre cestos e caixas. É sobre como querem tratar-se quando estão cansados, atrasados, stressados, ou de coração partido numa noite de terça-feira. Uma manta macia à mão, um candeeiro que se acende sem tropeçar numa pilha de sapatos, um pedaço de chão livre grande o suficiente para alongar - são pequenos gestos de cuidado embrulhados em mobiliário.

Talvez, da próxima vez que alguém disser “devíamos fazer alguma coisa desta sala”, não ouças isso como um reparo, mas como um convite. Um objeto de cada vez, uma zona de cada vez, podem redesenhar não só uma divisão, mas também a forma como partilham o vosso quotidiano dentro dela. E isso, estranhamente, começa por decidir o que estão finalmente prontos para largar.

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