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Dermatologistas criticam o uso do creme Nivea e agora utilizadores temem o que aplicaram na pele.

Mãos aplicam creme de pote azul numa casa de banho com frasco âmbar e toalha branca ao fundo.

Em tantas casas de banho, aquela lata azul da Nivea está lá há mais tempo do que algumas relações. As mães usavam-na nos bebés, as avós juravam por ela para as mãos no inverno, os adolescentes barravam-na em narizes queimados do sol depois de um dia inteiro lá fora.

Depois os dermatologistas começaram a falar. Na TV, no TikTok, em longos carrosséis do Instagram com círculos vermelhos furiosos à volta da lista de ingredientes. Surgiram palavras como “oclusivo”, “perfume”, “agentes sensibilizantes”. De repente, aquele cheiro familiar já não parecia tão reconfortante. Parecia… suspeito.

Agora, há pessoas a olhar fixamente para a sua querida lata azul e a perguntar-se o que andaram, afinal, a massajar na pele todos estes anos. Uns deitam-na fora. Outros murmuram: “Isto é a sério, ou é só mais um pânico da internet?”

O creme não mudou muito. A nossa perceção é que mudou. E é aí que a história começa de verdade.

“Usei isto durante anos - porque é que agora dizem que faz mal?”

Passe por fóruns de skincare esta semana e verá a mesma cena em repetição. Pessoas a publicar fotos da lata azul da Nivea, a perguntar se devem parar de a usar, a confessar que se sentem “estranhamente traídas” por um creme que nunca prometeu ser sofisticado ou high-tech.

Em algumas entrevistas, dermatologistas têm sido brutalmente diretos: apontam a textura pesada, o óleo mineral, o perfume, e dizem que não é o milagre suave que muitos imaginavam. Para pele sensível ou com tendência acneica, vários especialistas chamam-lhe agora “uma escolha arriscada”. É o tipo de frase que fica na cabeça de quem lê.

O que mais choca as pessoas é o contraste. Durante décadas, este creme foi divulgado quase como se fosse um membro da família. Agora a linguagem é fria, clínica, até dura. Quando crescemos com uma narrativa e, de um dia para o outro, os especialistas viram o guião, não questionamos só o produto. Começamos a questionar as nossas próprias escolhas para a pele.

O impacto emocional é real. Se este clássico de confiança não é assim tão inofensivo, o que mais é que temos feito errado?

Veja-se o caso da Emma, 34 anos, que publicou uma foto de antes e depois que rapidamente se tornou viral. Usava creme Nivea no rosto todas as noites desde os 16, a copiar a mãe. Nas palavras dela: “Aquele cheiro é literalmente a minha infância.”

No ano passado, começou a ter uma vermelhidão persistente à volta do nariz e do queixo. Culpo​u o stress, a alimentação, até a fronha da almofada. Depois de ver um dermatologista a analisar os ingredientes da Nivea no YouTube, deixou de usar o creme durante um mês. A vermelhidão diminuiu. As borbulhas acalmaram.

“Senti-me estúpida”, escreveu. “Como é que eu não questionei o que andava a pôr no rosto durante 18 anos?” A história tocou num nervo porque não era extrema. Nada de queimaduras horríveis. Nada de descamação dramática. Apenas uma irritação de baixo grau que, silenciosamente, se tinha tornado o seu “normal”. Para muita gente, isso é mais relacionável do que os piores cenários.

Os dermatologistas sublinham que o creme Nivea não é veneno. Não é um produto escandaloso proibido por reguladores. O debate é mais subtil. A fórmula clássica é rica, pesada e carregada de perfume e ingredientes oclusivos como óleo mineral e petrolato. Em pele do corpo muito seca ou em cotovelos ásperos no inverno, isso pode parecer maravilhoso.

No rosto reativo, pode ser outra história.

Alguns especialistas defendem que o uso regular no rosto pode entupir poros, desencadear borbulhas ou agravar uma vermelhidão tipo rosácea em utilizadores sensíveis. Dizem que existem hidratantes mais “limpos” e modernos, que hidratam sem o mesmo risco de irritação. A indústria avançou; a lata azul ficou para trás.

É aqui que a nuance se perde online. Um creme pode ser seguro do ponto de vista regulatório e, ainda assim, ser uma má escolha para a pele de muitas pessoas. Quando essas pessoas vivem nas redes sociais, as más experiências viajam mais depressa do que qualquer comunicado oficial.

Então, o que fazer se tiver uma lata azul na casa de banho?

Os dermatologistas que criticam o creme Nivea raramente ficam pelo “deite fora”. Em vez disso, sugerem uma experiência pequena, mas reveladora. Ponha a lata azul numa prateleira e deixe de a usar no rosto durante três semanas. Mantenha tudo o resto na sua rotina exatamente igual.

Substitua por um hidratante simples, sem perfume, concebido especificamente para a pele do rosto. Procure listas de ingredientes curtas e termos como “não comedogénico” e “para pele sensível”. Use duas vezes por dia. Sem esfoliantes. Sem novos séruns. Apenas uma troca.

No fim dessas três semanas, observe mesmo a sua pele à luz natural. Não numa selfie com zoom. Ao espelho, perto de uma janela, em diferentes horas do dia. A vermelhidão suavizou? As borbulhas parecem menos inflamadas? A pele fica menos repuxada ou com comichão depois de lavar? Essa é a sua resposta pessoal - não uma tendência do TikTok.

Uma das mensagens mais gentis que os dermatologistas repetem é simples: a prateleira da sua casa de banho não é um tribunal. Não precisa de se punir por escolhas antigas. Se usou creme Nivea durante anos sem problemas, ninguém vai aparecer para confiscar a sua lata azul.

Onde as coisas correm mal é quando um “clássico de família” se transforma num ritual intocável. As pessoas continuam a usar mesmo quando a pele dá sinais claros: ardor, mais borbulhas, vermelhidão aos pedaços. O hábito é forte. O cheiro é reconfortante. A mudança parece uma pequena traição à própria história.

Sejamos honestos: quase ninguém faz isto todos os dias - ler atentamente cada lista de ingredientes, registar reações num diário de skincare, comportar-se como um mini-laboratório. A maioria só quer algo que saiba bem depois do duche. É por isso que as vozes de especialistas importam. Não para envergonhar ninguém, mas para dizer: “Olhe, a sua pele pode merecer uma atualização, tal como o seu telemóvel mereceu.”

Um dermatologista com quem falei resumiu assim, numa linguagem direta e refrescante:

“O creme Nivea não é maligno. É apenas antigo. Em 2025, conseguimos fazer melhor para a maioria dos rostos. Se a sua pele está feliz, não me interessa que marca usa. Se a sua pele está zangada, aí sim, interessa-me.”

Para quem tenta fazer sentido no meio do ruído, alguns pontos-chave ajudam a acalmar o pânico.

  • Observe a sua própria pele, não apenas as manchetes. Se não tem irritação, não está “errado”.
  • Use cremes pesados e com perfume como o Nivea no corpo, não como hidratante diário do rosto.
  • Faça teste de tolerância (patch test) a qualquer produto novo numa pequena área antes de usar em todo o rosto.
  • Dê prioridade a fórmulas simples e sem perfume se tem tendência acneica ou pele sensível.
  • Em caso de dúvida, uma conversa rápida com um dermatologista vale mais do que qualquer vídeo viral.

A lata azul, o medo - e o que isto diz sobre os nossos hábitos de pele

O debate sobre a Nivea está a fazer algo maior do que levar pessoas a olhar de lado para o seu hidratante. Está a expor o quão cegamente muitos de nós confiamos em marcas antigas, o quão raramente questionamos frases de marketing como “para todos os tipos de pele”, e o quão depressa o medo se espalha quando essa confiança racha.

Num nível mais profundo, também mostra como falamos sobre o nosso próprio corpo. Durante anos, as pessoas culpavam-se pela “má pele” - maus genes, má alimentação, pouca força de vontade. Agora perguntam-se se parte dessa luta não veio de produtos que simplesmente não eram os certos para elas.

Num nível humano, isso é um pensamento pesado. Todos conhecemos aquele momento em que percebemos que um hábito que julgávamos inofensivo pode ter-nos travado. Cria uma mistura de raiva, alívio e uma espécie estranha de luto pelo tempo perdido. O skincare pode parecer superficial, mas as emoções à volta dele estão longe de o ser.

As reações mais saudáveis parecem vir de quem trata esta revelação não como um escândalo, mas como um alerta. Estão a destralhar as prateleiras da casa de banho. A ler rótulos com olhos novos. A comparar como a pele realmente se sente, em vez de como os produtos supostamente a deveriam fazer sentir.

Alguns rebaixam a Nivea para creme de mãos nas caminhadas de inverno. Outros guardam-na por nostalgia, como um frasco de perfume antigo que já não usam. Alguns afastam-se por completo e não olham para trás. Nenhuma destas escolhas é “certa” para toda a gente. O fio condutor é uma relação nova e mais consciente com a própria pele.

No fim, a verdadeira história não é que os dermatologistas “arrasaram” a Nivea. É que milhões de utilizadores pararam subitamente e fizeram uma pergunta simples e poderosa: “O que é que eu tenho realmente estado a pôr na minha pele?” Essa pergunta não fica por uma lata azul. Continua a ecoar em necessaires, cestos de duche e sessões de scroll à noite.

Talvez essa seja a revolução silenciosa aqui. Não um boicote, não uma indignação viral, mas uma mudança lenta de confiança cega para atenção curiosa. Os produtos vão e vêm. Os mitos sobem e caem. A pele do seu rosto é a única constante em toda esta história.

Ouvi-la pode ser o gesto de beleza mais radical de todos.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
O creme Nivea não é um produto proibido A fórmula clássica é legalmente segura, mas pesada, perfumada e desatualizada para muitos rostos Ajuda a separar risco real de pânico online
Importa distinguir uso no rosto vs. no corpo Cremes ricos e oclusivos podem servir para pele do corpo seca, mas irritar pele facial sensível ou com tendência acneica Orienta um uso mais inteligente e específico por zona de produtos já existentes
A sua pele é o juiz final Trocas de produto durante três semanas e observação cuidadosa valem mais do que conselhos genéricos Dá poder ao leitor para testar, não apenas confiar em marketing ou tendências

FAQ

  • O creme Nivea é perigoso para a minha saúde? As evidências atuais não classificam o creme Nivea clássico como perigoso ou tóxico. A preocupação dos dermatologistas está mais ligada a irritação, borbulhas e a uma formulação desatualizada do que a riscos sistémicos para a saúde.
  • Ainda posso usar Nivea no rosto se a minha pele parece estar bem? Se usa há anos e a pele está calma e confortável, não tem de parar de um dia para o outro. Ainda assim, pode experimentar uma pausa de três semanas com um hidratante mais suave para ver se a pele fica ainda melhor.
  • Onde é mais seguro usar o creme Nivea? Os dermatologistas recomendam muitas vezes reservar cremes ricos e perfumados para zonas muito secas: mãos, pés, pernas e áreas ásperas, sobretudo no tempo frio, em vez de usar como hidratante facial diário.
  • Que ingredientes preocupam os dermatologistas? Apontam principalmente para oclusivos pesados como óleo mineral e petrolato combinados com perfume. Não são proibidos, mas podem entupir poros ou desencadear irritação em utilizadores sensíveis ou com tendência acneica.
  • Que tipo de hidratante devo escolher em alternativa? Procure um creme ou loção simples, sem perfume, indicado para pele sensível ou com tendência acneica, com humectantes como glicerina ou ácido hialurónico e uma lista de ingredientes curta e fácil de ler.

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