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Dermatologistas alertam para não combinar estes dois ingredientes populares de cuidados de pele.

Mãos seguram conta-gotas sobre frasco âmbar no lavatório de casa de banho, com produtos de cuidado de pele ao fundo.

A mulher junto à prateleira da farmácia hesita, com dois séruns brilhantes na mão. Um promete um brilho de “pele de vidro” com vitamina C pura; o outro diz alisar rugas durante a noite com retinol de alta concentração. Ela franze a testa ao ler as listas INCI, encolhe os ombros e põe ambos no cesto. Nessa noite, aplica-os um após o outro, como um cocktail de skincare do TikTok.
Na manhã seguinte, o rosto está vermelho, repuxado, quase a latejar de irritação. Ela faz scroll no telemóvel, de olhos arregalados, e escreve em pânico: “Posso usar vitamina C e retinol juntos?”
Nas redes sociais, parece que toda a gente mistura tudo. Nos consultórios de dermatologia, a história é bem diferente. E é aqui que as coisas começam a ficar desconfortáveis.

Porque é que os dermatologistas estão a torcer o nariz ao teu cocktail de skincare

Vitamina C e retinol são as duas estrelas do skincare moderno. Uma ilumina, o outro suaviza; ambos são promovidos a fundo em anúncios, reels e vídeos de “get ready with me”. Não admira que as pessoas os sobreponham como toppings numa pizza.
Os dermatologistas estão agora a ver o outro lado desse entusiasmo. Mais pessoas marcam consultas por vermelhidão inexplicável, ardor e borbulhas que parecem aparecer “do nada”.
Quando analisam a rotina passo a passo, repete-se um padrão. Vitamina C de manhã, retinol à noite: ok. Vitamina C mesmo por baixo do retinol na mesma rotina, todos os dias: já não.

Numa videochamada a partir da sua clínica em Londres, a dermatologista Dra. Amira S. percorre fotos enviadas por pacientes depois de “renovações de rotina” inspiradas por influencers. Bochechas vermelhas. Descamação à volta do nariz. Pele irritada e brilhante ao longo da linha do maxilar.
Uma paciente de 27 anos contou-lhe que seguiu uma rotina viral que juntava, de uma só vez, um sérum de vitamina C a 20% e um creme de retinol de alta potência. “Ela achava que mais ativos significava resultados mais rápidos”, diz a Dra. Amira. “O que conseguiu foi uma semana sem trabalhar, escondida atrás do ícone de câmara desligada.”
Gostamos de pensar que irritação significa que os produtos estão a “resultar”. A verdade é um pouco menos glamorosa.

A vitamina C (ácido ascórbico) é um antioxidante que prefere um ambiente ácido. O retinol é um derivado da vitamina A que acelera a renovação celular e pode ser bastante secante e instável no início. Juntos, numa pele não habituada e em concentrações elevadas, estás a acumular stress sobre a barreira cutânea.
A acidez da vitamina C pode tornar o retinol mais agressivo. O retinol, que já é potente, atua então numa pele ligeiramente mais vulnerável. Resultado: inflamação, microdescamação, secura com ardor e, a longo prazo, um rosto mais reativo.
Para lá do conforto, há a questão dos resultados. Uma barreira cutânea irritada e inflamada não responde bem a ativos caros. Estás a pagar caro… para lutar contra o teu próprio skincare.

Como usar vitamina C e retinol sem estragares a tua pele

Os dermatologistas não dizem “nunca mistures”. Dizem: mistura com estratégia. A fórmula mais fácil, repetida pela maioria dos especialistas, é simples: vitamina C de manhã, retinol à noite.
A vitamina C é uma ótima aliada durante o dia. Combate radicais livres desencadeados pela poluição e pelos UV e combina bem com protetor solar. Algumas gotas em pele limpa e seca de manhã, seguidas de um hidratante suave e SPF, costuma ser suficiente.
O retinol funciona melhor enquanto dormes, quando a pele está naturalmente em modo de reparação. Começa duas noites por semana, numa concentração baixa, em pele completamente seca, e termina com um creme nutritivo. Deixa a tua pele “ganhar” o direito de passar para “noites alternadas”.

A maior armadilha não é um erro dramático. É o acumular lento de pequenos erros. Usar um esfoliante granular, depois um gel de limpeza espumoso, depois vitamina C, depois retinol, depois um tónico ácido “para manter os poros limpos” é pedir sarilhos.
Num dia mau, isso pode significar ardor e sensação de pele repuxada. Num dia pior, pode desencadear meses de sensibilidade em que até a água parece agressiva. Já todos tivemos aquele momento em que olhamos para o espelho e pensamos: “Como é que a minha rotina simples se transformou nisto?”
Uma abordagem mais sensata: um ativo forte por rotina e, à volta, suporte suave e aborrecido. O brilho vem da consistência, não de “queimar” a camada superior da pele.

Os dermatologistas insistem: ouve a tua pele, não o teu feed. Se quiseres mesmo usar os dois ativos nas mesmas 24 horas, sugerem “zoning” (aplicação por zonas) e “skin cycling” (ciclagem). Mantém a vitamina C para o rosto todo de manhã. À noite, aplica retinol apenas nas áreas que mais precisam, como a testa ou à volta da boca, e evita zonas já sensíveis.
Um dermatologista de Nova Iorque descreve-o sem rodeios:

“A tua pele não é um conjunto de química. É um órgão vivo. Trata-a como tal.”

Para tornar isto menos esmagador, muitos especialistas dão agora aos pacientes listas curtas para colar no espelho da casa de banho:

  • Nunca introduzas vitamina C e retinol na mesma semana se a tua pele for reativa.
  • Na dúvida, espaça ingredientes potentes por dias diferentes.
  • Se aparecer descamação, ardor ou vermelhidão persistente, pausa os ativos durante alguns dias e foca-te apenas em hidratação e SPF.

O que os dermatologistas gostavam mesmo que soubesses antes de misturares ativos

O segredo pouco glamoroso de uma boa pele não é um produto secreto; é uma barreira cutânea calma e intacta. Quando a barreira está bem, a vitamina C e o retinol podem brilhar. Quando está comprometida, comportam-se como arruaceiros.
Muitos dermatologistas começam agora as consultas por reduzir as rotinas ao essencial. Limpeza suave, hidratante simples, SPF. Depois, um ativo de cada vez, ao longo de várias semanas. O brilho que aparece parece menos um filtro e mais pele que dorme bem.
Sejamos honestos: ninguém faz isto à risca todos os dias. Mas sempre que alguém segue este caminho mais lento, os médicos relatam o mesmo - menos reações, melhores resultados a longo prazo, menos dinheiro deitado fora em bisnagas da moda.

Há também uma parte psicológica de que quase ninguém fala. O skincare tornou-se um hobby, um ritual de conforto, quase uma pequena performance na casa de banho. Mais passos parecem mais autocuidado, mais controlo.
Num dia mau, esse estado de espírito pode levar-te a sobrepor séruns mesmo quando a pele está claramente a pedir uma pausa. A vontade de “resolver” rápido é forte, sobretudo quando os espelhos são implacáveis e as câmaras são cruéis.
Quando os dermatologistas te dizem para reduzir, pode soar aborrecido, até um pouco antiquado. Ainda assim, os pacientes que ouvem são muitas vezes os que, discretamente, deixam de precisar de consultas urgentes.

Na prática, a maioria dos especialistas sugere algumas regras de ouro ao conciliar vitamina C e retinol. Introduz primeiro a vitamina C, usa-a de forma consistente durante algumas semanas e só depois acrescenta o retinol lentamente à noite. Mantém ambos afastados de outros ácidos fortes no início. Se o orçamento permitir, privilegia fórmulas bem concebidas, de potência média, em vez de percentagens ultra-elevadas que soam impressionantes no papel.
Um dermatologista resumiu-o numa conferência:

“O skincare não é uma corrida. A pele que queres daqui a dez anos depende mais da paciência do que das percentagens.”

Para quem gosta de “frameworks”, aqui fica uma forma simples de memorizar:

  • Manhã: antioxidante (vitamina C), hidratante, SPF - sem retinol.
  • Noite: limpeza suave, retinol ou nada, depois um creme calmante.
  • Uma vez por semana: reduzir a apenas limpeza, hidratante, SPF no dia seguinte; deixa a pele respirar.

No fim, esta conversa não é só sobre dois ingredientes. É uma resistência discreta a uma cultura que transforma o skincare numa competição, em que ganha a fórmula mais forte e o “sem dor não há ganho” entra nas nossas casas de banho. Os dermatologistas veem as consequências em tempo real: rostos jovens a parecerem mais velhos do que são, não por rugas, mas por exaustão e irritação.
Da próxima vez que estiveres em frente ao espelho, frasco de vitamina C numa mão e retinol na outra, a verdadeira pergunta talvez seja menos “Posso misturar isto?” e mais “O que é que a minha pele está, de facto, a pedir esta noite?”
Em algumas noites, a escolha mais corajosa não é sobrepor tudo. É escolher um - ou até nenhum - e deixar a pele recuperar o fôlego. O teu brilho não tem de ser urgente. Só tem de ser teu.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Combinar com estratégia Vitamina C de manhã, retinol à noite, sem sobreposição agressiva Beneficiar dos dois ativos sem irritar nem danificar a barreira cutânea
Introduzir lentamente Um só ativo de cada vez, começando por baixas concentrações e poucas noites Limitar reações, observar o que funciona realmente na própria pele
Priorizar a barreira Hidratantes simples, SPF diário, pausas sem ativos em caso de vermelhidão Construir uma base sólida para resultados duradouros e um tom de pele mais estável

FAQ:

  • Posso usar vitamina C e retinol no mesmo dia? Sim. Muitos dermatologistas aceitam isso, desde que os separes: vitamina C de manhã, retinol à noite, e mantenhas o resto da rotina suave.
  • O que acontece se eu aplicar vitamina C e retinol em camadas, um por cima do outro? Numa pele resistente, pode não acontecer nada de dramático, mas na maioria das pessoas aumenta o risco de vermelhidão, ardor, descamação e sensibilização da barreira ao longo do tempo.
  • Com qual devo começar: vitamina C ou retinol? A maioria dos especialistas sugere começar pela vitamina C, habituar a pele durante algumas semanas e depois introduzir o retinol lentamente à noite.
  • Peles sensíveis podem usar ambos os ingredientes? Muitas vezes sim, mas em concentrações mais baixas, com menos aplicações por semana e, por vezes, não nas mesmas 24 horas; testar numa pequena área e ter paciência é inegociável.
  • Eu preciso mesmo de vitamina C e retinol? Não. São ferramentas poderosas, não obrigações; muitas pessoas ficam muito bem com apenas um ativo, mais um bom hidratante e protetor solar diário de alta proteção.

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