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Depois dos 60, não é caminhar nem nadar: a atividade mais benéfica para a sua saúde.

Mulher idosa a levantar kettlebell numa aula de ginásio, sob supervisão de uma treinadora numa sala com luz natural.

Muitas pessoas respondem caminhando mais ou indo para a piscina, e esses hábitos ajudam. Ainda assim, existe uma atividade diferente, muitas vezes ignorada, que pode fazer muito mais para proteger a independência, o equilíbrio e a confiança no dia a dia.

A prioridade inesperada depois dos 60

Caminhar mantém o coração a trabalhar. Nadar alivia as articulações. Ambas são amplamente recomendadas e têm, sem dúvida, valor.

Mas, com o passar dos anos, outro inimigo cresce em silêncio: a perda de força. A partir dos 50 anos, os adultos podem perder até 1–2% de massa muscular por ano se permanecerem inativos. Esse declínio lento torna mais difícil levantar-se de uma cadeira, carregar sacos de compras ou recuperar o equilíbrio durante um tropeção.

Depois dos 60, o treino de força torna-se a atividade com maior impacto para preservar a mobilidade, a independência e a qualidade de vida.

Os médicos chamam à perda de massa muscular relacionada com a idade “sarcopenia”. Não enfraquece apenas o corpo. Afeta também o metabolismo, a postura e até a forma como o cérebro controla o movimento. Músculos fortes sustentam a coluna, protegem as articulações e mantêm os ossos sob uma tensão saudável, o que ajuda a preservar a densidade óssea.

Porque caminhar e nadar, por si só, não chegam

Caminhar e nadar são sobretudo atividades aeróbias. Treinam o coração e os pulmões, mas colocam uma carga limitada sobre os músculos e os ossos. Para alguém que sempre foi sedentário, começar com caminhadas é uma forma inteligente de entrar em ação. No entanto, ficar apenas no cardio de baixa intensidade deixa uma lacuna importante.

O que a força acrescenta e o cardio não

  • Massa muscular: abranda ou reverte a perda relacionada com a idade.
  • Densidade óssea: o esforço com carga estimula os ossos mais do que atividades suaves.
  • Equilíbrio e reflexos: pernas e core mais fortes corrigem desequilíbrios mais depressa.
  • Estabilidade articular: músculos mais fortes protegem joelhos, ancas e ombros.
  • Metabolismo: mais músculo melhora o controlo da glicemia e o uso de energia.

Pessoas com mais de 60 anos que levantam, empurram ou puxam contra resistência pelo menos duas vezes por semana têm menos quedas e mantêm a autonomia por mais tempo.

Investigação de vários países aponta na mesma direção: adultos mais velhos que fazem exercícios de resistência vivem de forma mais independente, precisam de menos ajuda nas tarefas diárias e relatam melhor humor e sono. O treino de força parece particularmente protetor contra a fragilidade - o ponto em que até uma doença ou lesão menor pode desencadear um declínio rápido.

Treino de força: a atividade que faz a maior diferença

Treino de força, ou treino de resistência, significa simplesmente fazer os músculos trabalhar contra algum tipo de desafio: peso do corpo, bandas elásticas, halteres, máquinas ou até escadas e uma cadeira robusta.

Depois dos 60, o objetivo não é construir um físico de culturista. O alvo é a “força funcional”: a capacidade de se levantar com facilidade, transportar uma mala, fazer jardinagem durante uma hora ou pegar num neto sem medo de magoar as costas.

Uma rotina inicial realista para maiores de 60

Imagine alguém como a Maria, 67 anos, professora reformada, que passou anos maioritariamente sentada. O médico dá-lhe luz verde para se mexer mais, mas os ginásios parecem intimidantes. Uma rotina simples em casa já pode mudar muito.

  • Agachamentos na cadeira - Sentar e levantar de uma cadeira, 2 séries de 8–12 repetições, focando-se em empurrar através dos calcanhares.
  • Afundos assistidos - Pequeno passo à frente, dobrar ligeiramente ambos os joelhos, usando uma parede ou mesa para apoio, 2 séries de 6–8 por perna.
  • Remadas com banda - Banda elástica presa a uma maçaneta, puxar em direção ao peito, 2 séries de 10 por lado.
  • Elevações de gémeos - Segurando numa cadeira, elevar-se na ponta dos pés, 3 séries de 12 para fortalecer a parte inferior das pernas e melhorar a marcha.
  • Prancha modificada - Antebraços apoiados numa mesa ou numa parede, corpo alinhado, manter 20–40 segundos, duas vezes.

Feita duas ou três vezes por semana, este tipo de rotina traz frequentemente benefícios claros em dois meses: passos mais firmes, menos esforço a subir escadas, mais confiança fora de casa.

A chave é a consistência, não a intensidade: pequenos esforços, repetidos semana após semana, criam mudanças visíveis.

Começar em segurança: passos práticos depois dos 60

Muitos adultos mais velhos receiam que exercícios de força possam “estragar” as articulações. Na realidade, quando feitos corretamente e de forma progressiva, normalmente protegem as articulações em vez de as prejudicar.

Cinco passos para começar sem medo

  • Avalie o ponto de partida: uma breve avaliação médica se tiver problemas cardíacos, hipertensão não controlada ou cirurgia recente.
  • Progrida gradualmente: comece com 10–15 minutos e acrescente cerca de 5 minutos por semana.
  • Aposte em duas sessões de força: 20–30 minutos, idealmente em dias não consecutivos.
  • Use primeiro o seu corpo: sentar-levantar, flexões na parede, subir degraus antes de comprar equipamento.
  • Vigie a recuperação: dores musculares são normais no início, mas dor aguda ou inchaço é sinal para parar e ajustar.

Um padrão semanal poderia ser assim: caminhada rápida à segunda-feira, treino de força à terça e sexta, alongamentos suaves ou yoga à quinta. Nos outros dias, caminhadas curtas e movimento diário mantêm-no ativo sem sobrecarregar o corpo.

Como o treino de força transforma a vida quotidiana

Os ganhos do treino de força aparecem em pequenos momentos. Levantar-se uma vez do sofá deixa de ser um esforço acompanhado de estalos nas articulações. Levar as compras um lanço de escadas volta a parecer possível. Andar de autocarro ou comboio já não traz o medo de cair quando o veículo arranca.

Tarefa diária Músculos envolvidos Exercício útil
Levantar-se de uma cadeira baixa Coxas, glúteos, core Agachamentos na cadeira
Subir escadas Coxas, gémeos, ancas Subir degraus, elevações de gémeos
Transportar compras Braços, ombros, costas Remadas com banda, transporte de carga com sacos leves
Evitar uma queda Pernas, core, tornozelos Equilíbrio numa perna, afundos lentos, elevações de gémeos

O treino de força traduz-se diretamente em movimentos diários mais seguros e fáceis: o resultado do ginásio sente-se no supermercado e nas escadas.

Combinar força com outras atividades

O treino de força não substitui caminhar ou nadar. A melhor estratégia depois dos 60 combina várias formas de movimento, cada uma com um papel claro.

Um “menu” equilibrado de atividade para seniores

  • Treino de força: 2–3 vezes por semana, 20–30 minutos, para músculos, ossos e equilíbrio.
  • Cardio moderado: caminhada, bicicleta ou natação na maioria dos dias durante 20–40 minutos para saúde cardíaca e resistência.
  • Flexibilidade e mobilidade: alongamentos ou yoga uma a duas vezes por semana para manter as articulações móveis.
  • Exercícios de equilíbrio: ficar numa perna perto de uma parede, caminhar calcanhar-à-frente-da-ponta, ou tai chi para reduzir quedas.

Esta combinação reduz o risco de doença cardiovascular, apoia a saúde cerebral e facilita as tarefas diárias, sem exigir muitas horas nem treinos punitivos.

Termos úteis e cenários da vida real

Duas expressões aparecem frequentemente quando se fala de força depois dos 60: “treino funcional” e “carga”. Treino funcional significa praticar movimentos semelhantes aos da vida real, como levantar um objeto do chão ou subir para uma plataforma. Carga refere-se a quão arduamente os músculos têm de trabalhar, e pode ser ajustada através do peso, das repetições ou da velocidade.

Considere dois cenários. No primeiro, uma pessoa de 70 anos caminha 40 minutos todos os dias, mas raramente faz exercícios de força. Mantém o coração em forma razoável, mas tem dificuldade com portas pesadas e receia passeios escorregadios. No segundo, alguém da mesma idade caminha 20 minutos quatro vezes por semana e faz sessões curtas de força duas vezes por semana. Esta pessoa pode sentir-se mais segura a andar, levantar-se com mais facilidade e lidar melhor com situações inesperadas, mesmo que o tempo total de exercício seja semelhante.

Outro ponto prático prende-se com o risco. A principal ameaça para adultos mais velhos muitas vezes não é o exercício intenso, mas a inatividade. Muitos dias sentados enfraquecem os músculos e reduzem o equilíbrio. Alguns exercícios de força bem escolhidos, feitos em casa sem equipamento especial, podem inverter essa tendência. Pequenas melhorias na potência das pernas e na estabilidade do core já reduzem a probabilidade de lesão grave num simples tropeção ou escorregadela.

Para quem não sabe por onde começar, centros comunitários, fisioterapeutas e alguns treinadores de fitness já oferecem sessões adaptadas especificamente a maiores de 60. Estes grupos costumam focar-se em movimentos lentos e controlados, respiração e construção de confiança. Muitos participantes começam com dúvidas e acabam surpreendidos com a rapidez com que se sentem mais firmes, dormem melhor e se movem com menos medo.

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