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Deixei algumas ervas daninhas crescer por pouco tempo e a erosão do solo desapareceu.

Homem a cuidar de plantas num jardim, alinhando estacas de apoio, com alfaces e outras plantas em crescimento.

Quando a “confusão” começou a proteger a horta

Eu tinha um pedaço de terra nu, encrostado e cansado. Com vento, levantava pó. Com chuva forte, apareciam sulcos e a camada superficial acabava no caminho.

Por cansaço, parei de mondar os cantos “feios”. Deixei ficar trevo, tanchagem, alguns dentes-de-leão e gramíneas baixas. Uma semana depois veio um aguaceiro (daqueles que normalmente abrem “rios” nos canteiros). Preparei-me para a erosão de sempre - e não aconteceu.

O que mudou foi simples:

  • As folhas quebraram o impacto das gotas (menos “salpico”, menos terra a soltar).
  • As raízes seguraram as partículas e criaram canais para a água entrar.
  • A cobertura viva manteve a superfície mais fresca e menos “cozida”, o que ajuda a infiltração.

A ideia “terra nua = limpo” começou a parecer-me menos um ideal e mais um risco: solo exposto comporta-se como uma ferida aberta. Uma cobertura verde baixa funciona como penso - especialmente em encostas e bordas expostas.

Como deixar as ervas espontâneas trabalharem por si (sem perder o controlo)

Não deixei a horta “ao abandono”. Mudei para monda seletiva: tirar o que realmente atrapalha e manter o que protege.

Regras práticas que me ajudaram:

  • Em encostas, prefira cortar em vez de arrancar. Cortar ao nível do solo mantém raízes no sítio (e a terra também). Arrancar abre “buracos” por onde a água entra e leva mais solo.
  • Corte antes de dar semente. Se a planta estiver a florir e não a quer perpetuar, corte já e use o material como cobertura morta leve.
  • Deixe espaço às culturas. Uma faixa limpa à volta das plantas jovens (cerca de 10–15 cm) reduz competição por água/luz e evita que a humidade encoste ao colo.
  • Evite trabalhar o solo muito molhado. Pisoteio e enxada em solo saturado compactam - e solo compacto escoa água em vez de a absorver.
  • Se precisar de “reforço”, junte mulch. Uma camada de 5–8 cm de palha, folhas secas ou aparas (sem sementes) ajuda a proteger onde a cobertura viva ainda não fechou.

A parte mais difícil foi mental: um chão que não está rapado parece “errado”. Mas o objetivo não é estética de catálogo; é manter o solo no sítio e vivo. Com o tempo, comecei a ver as espontâneas como indicadores: onde nascem em massa, geralmente há solo exposto, compactação, ou falta de cobertura.

“Quando deixamos de ver as ervas espontâneas como inimigas e passamos a vê-las como indicadores, toda a relação com o solo muda”, disse-me um ecólogo do solo num workshop local. “São muitas vezes os primeiros socorristas de danos que ainda não conseguimos ver.”

Algumas que tendem a ajudar (quando mantidas baixas e controladas):

  • Trevo e hera-terrestre – Boa “mulch viva” em caminhos e entre linhas, protegendo do sol e do salpico da chuva.
  • Tanchagem e dente-de-leão – Raízes profundas podem aliviar compactação; folhas fazem sombra ao solo.
  • Flores semeadas sozinhas – Calêndula, borragem e cosmos amortecem chuva e atraem polinizadores.
  • Gramíneas baixas (não invasoras) – Raízes finas e densas seguram bem o solo.
  • Ervas “de cobertura temporária” – Deixe crescer fora da época; depois corte e deixe no chão como armadura.

Atenção ao lado B: cobertura viva demasiado densa pode esconder lesmas/caracóis e competir com plântulas. A solução costuma ser simples: aparar mais baixo, abrir clareiras e manter limpo junto às culturas.

Largar a perfeição para manter o chão debaixo dos pés

A minha horta ficou menos “perfeita” e mais estável. Após chuvas fortes, vejo menos poças e menos sulcos; a água entra mais depressa porque há raízes e matéria orgânica a criar estrutura. Também noto mais minhocas e insetos - sinal de que o solo está a funcionar, não só a “parecer bem”.

Ainda mondo, mas como edição: removo o que pica, sufoca ou ameaça dominar; mantenho o que cobre e segura. E isto reduz trabalho a longo prazo, porque solo protegido forma menos crosta e pede menos “reparações” depois de cada tempestade.

Se a sua camada superficial anda a desaparecer, ou se vê fendas e crostas onde antes havia terra solta, experimente uma estação com menos solo nu - sobretudo em encostas e bordas. Observe: onde a água corre? onde infiltra? o que aparece espontaneamente nesses pontos?

Muitas vezes, a linha entre “desarrumado” e “resiliente” é mesmo fina. E algumas plantas que sempre arrancámos estão, discretamente, a fazer o trabalho pesado de manter o chão no lugar.

Ponto-chave Detalhe Valor para o leitor
Deixar algumas ervas espontâneas reduz a erosão Raízes seguram o solo; folhas amortecem a chuva; cobertura abranda o escoamento Protege a camada superficial e preserva fertilidade com menos esforço
A monda seletiva é melhor do que solo totalmente nu Remova plantas agressivas/espinhosas; mantenha espécies baixas e protetoras Mantém o controlo da horta sem perder proteção natural
As ervas podem ser indicadores e ajudantes Certas espécies aparecem onde há compactação, excesso de solo exposto ou desequilíbrios Ajuda a diagnosticar problemas e a “usar” plantas gratuitas para reparar o solo

FAQ:

  • Pergunta 1: Deixar as ervas crescer vai estragar o aspeto da minha horta?
  • Resposta 1: Não, se for intencional. Defina caminhos, apare em vez de arrancar e concentre a cobertura verde onde há erosão. “Selvagem com limites” costuma parecer cuidado, não negligenciado.
  • Pergunta 2: Que ervas são mais seguras para deixar para controlo da erosão?
  • Resposta 2: Em geral, trevo baixo, hera-terrestre, tanchagem, dentes-de-leão e gramíneas baixas são opções úteis. Evite espinhosas, muito agressivas e as que se espalham por sementes/rizomas de forma difícil de reverter.
  • Pergunta 3: As ervas não vão roubar nutrientes e água às minhas culturas?
  • Resposta 3: Podem, se ficarem altas e encostadas a plantas jovens. Mantenha uma faixa limpa (10–15 cm) à volta das culturas e use a cobertura viva mais entre linhas e em manchas nuas.
  • Pergunta 4: Como evito que as ervas tomem conta de tudo?
  • Resposta 4: Corte antes de dar semente, mantenha-as baixas e complemente com mulch à volta das plantas principais. Se uma espécie começar a dominar, remova-a cedo (quando ainda tem raiz curta).
  • Pergunta 5: Esta abordagem é útil em pequenos jardins urbanos ou varandas?
  • Resposta 5: Sim. Em vasos e canteiros elevados, a “erosão” é mais sobre crosta, compactação e perda de substrato com a rega. Uma cobertura viva baixa ou 3–5 cm de mulch já fazem diferença.

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